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Vergonha, vergonha

por João Távora, em 21.09.20

moçambique.jpg

"Este caso mostra como há muita discriminação e o gargarejo pela igualdade não é mais do que um espantalho. A morte absolutamente trágica desta mulher, filmada pelos carrascos, assassinada num crime hediondo por 36 balas, disparadas de armas automáticas nas suas costas, não gerou uma só abertura de telejornal, nem notícia no interior de noticiários. Não motivou uma só manifestação em Joanesburgo, em Luanda, em Lisboa, em Maputo, em Coimbra, em Brasília, em Nova Iorque, em Londres, em Washington, em Chicago, em S. Francisco, em Montreal, em Paris, na Haia, em Bruxelas, em Berlim, em Roma, ou no Cairo. Diversamente do que aconteceu com o assassinato terrível de George Floyd ou com o tiroteio traiçoeiro contra Jacob Blake. Nada! Nada de nada. Zero de zero. Nem uma estátua foi pintada, nem uma montra partida, nem um carro incendiado. Nem uma homenagem nas Nações Unidas em Nova Iorque, nem um minuto de silêncio no Conselho de Direitos Humanos em Genebra, nem uma só genuflexão de um político em campanha eleitoral (ou fora de campanha), ou de um diplomata, ou de outro qualquer dignitário. Nada! É como se nada tivesse acontecido. É como se essa mulher negra não fosse negra, nem de cor alguma. É tão incolor que ninguém a vê, nem a viu.

O pior crime contra estas vítimas é o silêncio. Desta mulher, diversamente de George Floyd e Jacob Blake, nem o seu nome sabemos. Devíamos fazer-lhe, ao menos, o monumento da vítima desconhecida. Se nem isso fizermos, os responsáveis destas atrocidades em Moçambique poderão continuar a matar e a ver matar. Tranquilos. Graças à discriminação e à falta de igualdade na consciência universal. Uns matam, outros calam e fazem calar."

José Ribeiro e Castro no Facebook

Com a devida vénia ao defunto Blog "Moçambique-Portugal".

Beira, Moçambique em 1975 e em 2007

por Pedro Quartin Graça, em 04.05.10

Se tivéssemos governantes com visão, eis um exemplo de como se teria transformado a dívida de 249,3 milhões de euros de Moçambique a Portugal, entretanto perdoada em Julho de 2008, em algo de real como a possibilidade de Portugal receber a propriedade deste tipo de equipamentos, que abundam por todo o país, em troca da mesma, podendo dar-lhes o bom uso que já tiveram no passado, com investimento privado luso. Todos, moçambicanos e portugueses ganhavam com isso. Mas por cá a imaginação é escassa, as vistas não passam das Berlengas e continuam a abundar os complexos neo-coloniais...

África continua a surpreender-nos. Neste caso é em Moçambique com um curioso comício da Frelimo com "tradução" simultânea para surdos-mudos. Um verdadeiro espectáculo...



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