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Recortes

por João Távora, em 29.12.12

 

(...) Julgamos que somos muito trendy, muito cool, muito Príncipe Real, mas andamos a lixar a liberdade.
Sim, vivemos num ambiente vigiado, com um policiamento constante de vocabulário e das ideias, com patrulhas de petições em cada esquina e com pistoleiros de Facebook a chover dos céus. Julgamos que a "sociedade de informação" é sinónimo de liberdade e de tolerância, mas a verdade é bem diferente. Os canais de notícias, os directos e os berloques da internet tornaram-nos mais intolerantes e retiraram-nos tempo para pensar. 


Henrique Raposo hoje no Expresso.

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O haraquíri do jornalismo

por João Távora, em 26.12.12

 

O caso Baptista da Silva é todo ele uma irónica parábola sobre a crise que por estes dias perpassa e se agudiza nos media tradicionais. É curioso como o burlão, promovido por um jornalista de nomeada de um semanário de referência nacional não tenha sido denunciado pelas “convenientes” intrujices que proferiu em vários palcos, mas antes pela descoberta do seu falso curriculum. Como sempre em Portugal o que conta é o estatuto.
Numa altura em que através das novas plataformas “sociais” tanto a opinião e análise de qualidade quanto a gestão de agenda politica ou corporativa se autonomizam cada vez mais dos meios de comunicação institucionais, não tenho dúvidas que a prazo poucos deles resistirão no actual modelo de gestão. Apenas irão sobreviver os que fundarem a sua actividade na excelência do profissionalismo, reflectindo os factos de forma isenta, analisados por atentos e meticulosos peritos, que sejam capazes de aferir discursos coerentes ou contestar raciocínios viciados ou cálculos mentirosos. Para alimentar conversas de café e amplificar bitaites sectários, já há para aí batalhões de blogues e ávidos activistas das redes sociais. Deixar-se seduzir e enredar nesta lógica é simplesmente o haraquíri do jornalismo. 

 

Publicado originalmente aqui

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Não querem ir ao fundo sozinhos?

por João Távora, em 10.11.12


Compreende-se bem a preocupação manifestada recentemente por Pinto Balsemão na conferência “Media e Futuro" 2012 com a “tempestade perfeita” que se vem abatendo sobre os grupos de comunicação social com a crise económica a juntar-se ao choque das inovações tecnológicas e novas tendências de consumo “media”. É de resto perturbador para qualquer espirito democrático a falta de perspectivas e de soluções de viabilidade para uma imprensa verdadeiramente independente e interventiva.
Parece-me no entanto um contra-senso a tese defendida na conferência (de resto em estudo nalguns países europeus) de obrigar os agregadores de conteúdos (a empresa Google, por exemplo) a pagar royalties sobre os conteúdos indexados para pesquisa. Isto quando o objectivo dos meios deveria ser o de maximizar esse mesmo potencial, de modo que as notícias publicadas por si ganhem mais preponderância, e se multipliquem as visitas à sua plataforma, com a consequente valorização das suas receitas publicitárias.
Acontece que o grande sucesso do motor de pesquisa Google está no seu complexo algoritmo, profundamente democrático e transparente, porque exclusivamente indexado à necessidade e proveito do utilizador. De resto estou convencido que a marca sobreviverá bem sem as notícias do Expresso ou os vídeos da SIC. É um péssimo sintoma quando os modelos de negócio confrontados com a decadência pretendem sobreviver de subsídios do Estado… ou à custa do sucesso alheio. Não querem ir ao fundo sozinhos.
Não confundamos as coisas: a praga da pirataria de conteúdos na internet em nada tem a ver com os motores de busca; é antes uma questão legal, cultural, e de pedagogia. Por último, o Dr. Balsemão poderá informar-se no seu departamento de TI como é simples vedar os conteúdos produzidos pelos seus meios à indexação dos motores de busca. Veremos é se isso não é o passo definitivo para o abismo.


Publicado originalmente aqui.

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A bloguização dos Media

por João Távora, em 26.07.12

Nem a proletarização das redacções, nem o tempo de férias, nem a histriónica bloguização do noticiário político nas TVs justificam que durante quarenta e oito horas, boa parte da Comunicação Social, com a SIC à cabeça, tenha vivido agarrada a uma frase bombástica de Passos Coelho, não pela sua substância mas pela utilização de um plebeísmo, afinal tão vulgar e bem aceite entre os camaradas da revolução dos cravos e pelas "elites" da esquerda, pá! Sintomáticas me pareceram as quarenta e oito horas que a oposição socialista, pela voz de Zorrinho, demorou a apanhar boleia do coro da SIC com alguns blogues e "fecebooks".
A frase do primeiro-ministro "Se algum dia tiver de perder umas eleições para salvar o País, que se lixem as eleições. O que interessa é Portugal" reflecte uma legítima preocupação de uma parte dos portugueses que têm consciência de como o clientelismo e a demagogia eleitoralista dos partidos conduziram, de promessa em promessa, de concessão em concessão, o país ao abismo da bancarrota.
De facto nunca foi tão pertinente como nestes dias, a máxima do Nobel da literaturade Anatole France “Não há governo popular, governar é criar descontentes”. Não estou nada certo de que o primeiro-ministro tenha a noção profunda deste paradigma, mas tenho a certeza de que a matéria que urge  utilizar para as manchetes e ser debatida com bons especialistas nos Media são assuntos difíceis, como as máfias e os lóbis que sequestram o Estado e a política, o próprio sistema que tarda a reformar-se, o desmantelamento do sedento monstro que sufoca a economia e a iniciativa privada, ou a Justiça inoperante que apenas serve os mais poderosos. Aquilo em que uma "comunicação social responsável" se devia empenhar era no confronto dos governantes com as promessas que tardam cumprir e com as quais sustentavam uma suposta diferenciação de políticas com os seus antecessores.

O jornalismo, como a governação, deveria ser tido como coisa séria, e a sua orientação entregue a gente erudita, íntegra e sem agendas ocultas. No caso dos Media exige-se redobrada responsabilidade porque estes detêm demasiado poder que não pode ser fiscalizado nem é sufragado. 

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Da invisibilidade

por João Távora, em 12.02.12

(...) As tiranias contemporâneas privatizam o espaço público, promovem artificialmente elites, condicionam e manipulam a informação e a educação, dão ao dinheiro mais dinheiro e substituem a espontaneidade pelos apaniguados, pelas seitas e pelos grupos informais. (...) Em Portugal, custe a quantos se esmeram na arte do ludíbrio das fórmulas, vivemos desde há muito sob a conjugação do jugo da servidão e da anomia dissolvente. 

 

Miguel Castelo Branco in Combustões

 

 

Ferreira Fernandes na sua crónica de hoje no Diário de Notícias, refere o caso duma foto de 1936 que vem fazendo brado, de um operário de um estaleiro de Hamburgo que, no meio de uma multidão que fazia a saudação nazi, é o único de braços cruzados. Claro que a história não acaba bem e o homem foi devidamente punido pela ousadia.
Hoje, caro Ferreira Fernandes, alcançada a terra prometida das amplas liberdades não corremos o risco de sermos torturados ou mandados para um campo de concentração. Hoje, não bater a pala ao politicamente correcto ou não juntarmos trezentas mil pessoas (!?) no Terreiro do Paço, tem apenas como consequência uma literal invisibilidade. Uma tirania brutal e eficaz, fatalmente desagregadora.
Mas atrevo-me a deixar aqui uma questão pertinente e incómoda: que discernimento teríamos nós, um e outro, de que lado estaria cada um de nós, nas circunstâncias culturais e sociológicas da Alemanha do NSDAP em meados dos anos trinta? O passado é quase sempre fácil de julgar, ou não é?

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Ou bem que há moralidade ou comem todos

por João Távora, em 03.02.12

Ainda a respeito da suposta “Censura” ao Pedro Rosa Mendes, não me lembro de nenhuma crónica dele nessa Série da Antena 1, mas por azar dos Távoras calhou-me ouvir umas quantas alarvidades duma tal de Raquel Freire, por exemplo, exaltando a masturbação feminina, ou incitando a insurreição popular contra o capital e outras conspirações malévolas. Mas a afronta com os dinheiros públicos não pára aqui, e não vemos chegada a hora de caducar o contrato do programa "Esplendor de Portugal" às terças-feiras depois das 19.00hs (horário nobre), em que  Juan Goldín, argentino, Fátima Monteiro, cabo-verdiana e Ronaldo Bonacchi, italiano, proferem as mais baixas vulgaridades nessa mesma Antena “de todos nós”.

Ainda não percebi porque carga de água são sempre as “minorias” do mesmo lado, com direito à Antena paga pelos contribuintes. Se é para serem “fracturantes” e “originais”, e para haver verdadeira equidade, porque não há-de a rádio pública convidar aos seus microfones uns Nacionalistas ou simpatizantes Nazis que afinal também sabem umas juntar frases bombásticas com sujeito, predicado, e complemento directo?

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"A 'Three Gorgeous' vai assinar amanhã o contrato de compra da participação do Estado na EDP" (Mário Crespo).

 

"O ministro das Finanças não tem qualquer visão sobre como é que o país se há-de desenvolver, e tal" (António Costa, Quadratura do Círculo).

 

"A Europa não está a ser séria. Andam todos a fazer cada qual o seu joguinho. Os holandeses são capazes de vender a mãe se lhes pagarem bem. Os suecos julgam-se superiores. Os noruegueses (...), um rapaz que fazia Pilates comigo, foi à Noruega, deixou lá o curriculum e já o chamaram (...) O Sarkozy-Cosifantuti... é mau para os países terem líderes ridículos" (Raul Rosado Fernandes).

[Silêncio] "Deixe-me fazer-lhe uma ultima pergunta" (Ana Lourenço).

(...) "Eu conheci a Thatcher" (RRF).

"Um bom Natal" (AL).

 

"Aos 40 percebi que era imortal" (Diogo Infante).

 

Dou 13 à cimeira” (Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a cimeira europeia).

 

[Um homem que se] "passeia pelos salões dos poderosos, come pastéis de bacalhau na leitaria da esquina, frequenta seminários académicos, bebe um refresco em locais imagináveis e trata por tu grandes e pequenos" (António Barreto, sobre Gonçalo Ribeiro Telles).

 

"Já é uma tradição nas cimeiras dos países mais ricos do mundo" (Luís Delgado, sobre a presença de estrangeiros na manifestação da Assembleia da República).

 

"Christine Lagarde é uma encantadora, uma sedutora" (Braga de Macedo).

 

"Portugal não é monótono" (António Barreto).

 

 

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A lógica invertida da televisão pública

por Zélia Pinheiro, em 10.11.11

Um excerto do debate na comissão parlamentar, em que o presidente da RTP responde a uma pergunta de Adolfo Mesquita Nunes sobre os custos da televisão pública na sequência do novo plano de reestruturação da empresa. Registo o exemplo da perfeita inversão de conceitos que contamina o "debate" sobre a RTP que ocorre por volta do minuto 5: Oliveira da Costa,  depois de num curioso aparte nos informar que "como gestor gosta muito de ter numeros que permitam o benchmarking das suas operações", lamenta a perda anual de 114 milhões sofrida pela RTP em resultado das restrições de publicidade a que está sujeita, considerando a gestão da televisão do Estado inteiramente por referência às lógicas dos operadores privados que lhe deviam ser alheias.

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A bota está apertada

por Vasco M. Rosa, em 27.07.11

 

Dá dó ver os noticiários da televisão, continuação menos hard do track matinal que é de se fugir... Num momento da vida nacional de tão evidente complexidade, em que seria tão valioso termos uma comunicação social de qualidade superior, as décadas de declínio do jornalismo (na razão inversa da sua «habilitação» universitária massificada) mostram a bruta realidade dos seus frutos podres.

É mais uma a juntar à desgraça da complacência, do esquecimento e da impunidade que a política apartidarizada criou. A forma vil e grave como ontem Alfredo Barroso se comportou na SIC Notícias é de somenos comparada a esta sombra escura que nos tolda. Mas a sua indiferença diante do colapso económico-financeiro e anímico de Portugal que os seus amigos orquestraram agudamente, impunemente, merece indignação. Que os socialistas cobrem seja o que for a este governo, está muito para lá do razoável — e do pudor!!

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Foi impressão minha ...

por José Mendonça da Cruz, em 01.06.11

... ou os telejornais de sinal aberto de ontem relegaram a política para os segundos 20 minutos? A campanha já não é engraçada? Doi-lhes alguma coisa?

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Em véspera de 1º de Dezembro

por João Távora, em 29.11.10

 

Serão assim as mesas de matrecos em Portugal daqui a uns anos?

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Cartas ao director (2)

por João Távora, em 12.03.08
Confesso que também fiquei estupefacto com o destaque de capa do DN de ontem. Por momentos, até pensei que me tinham colocado o 24 Horas na secretária por engano. Confesso que estou-me a marimbar para as posições politicas da mulher de António Costa que é com certeza uma cidadã respeitável. Para mais é de lamentar que a estúpida insinuação seja levantada por um suposto jornal de referência alimentando  o lado mais mesquinho das pessoas, cada vez com menos referências e valores.

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Cartas ao director (1)

por João Távora, em 25.11.07
Não se passa nada. Há quase uma semana que os noticiários destacam, com mais ou menos honras "de abertura", o caso do prédio de Setúbal e as desventuras dos seus azarados inquilinos. O LNEC, a solidez do edifício, a senhora do 5º andar, os pertences, a Protecção Civil, e demais “ondas de choque”. Por mim já chega: sobre o assunto há muito que estou informado e como folhetim acho-o pouco interessante. E se não se passa mesmo mais nada, "passem" antes uns desenhos animados ou entrevistem o Dr. Mário Soares.

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Esperar para ver

por Corta-fitas, em 28.06.07
«A pedido do Sindicato dos Jornalistas a Inspecção-Geral do Trabalho vai fiscalizar as redacções para identificar situações de utilização de estagiários em condições ilegais, entre outros incumprimentos». Briefing

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Questão de estilo

por Corta-fitas, em 23.04.07
Lido este post, considero que é só mais um dos exemplos - que têm vindo a ser cada vez mais recorrentes - em que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa surfa nos limites da coloquialidade. Não há semana em que eu não fique estarrecido com a forma como recorre a certas expressões, ou adjectiva isto ou aquele. Compreendo a vontade em ser entendido pelo português médio e até pelo português abaixo da média. Admito até que, em televisão, a coisa passe e até possa soar divertida. Mas, no dia seguinte, as palavras são impressas em papel de jornal. E aí adquirem outro peso e evidenciam a ligeireza do vocabulário. E reparem que não estou a defender a contenção de MRS, era o que faltava. Dir-me-ão que é um estilo e que é esse estilo que faz dele a personagem mediática em que indubitavelmente se tornou? Talvez. A mim, só não me parece que lhe dê postura de Estado chamar «tontinho» seja a quem for. Mas é só uma opinião.

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E ambas as duas? Não pode ser?

por Corta-fitas, em 20.04.07
«Quando esta mudança ocorre num momento em que se discute se houve ou não interferências do executivo nas escolhas editoriais de algumas redacções, o que se passou mostra que ou se perdeu o sentido dos timings políticos, ou a doença de que Pina Moura padecia - a falta de vergonha - é mesmo muito contagiosa». José Manuel Fernandes, em editorial no Público.

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Eles andam aí

por João Távora, em 20.04.07
O intrépido Dr. Soares desceu paternalmente à praça publica, por ocasião do jantar de aniversário do seu partido, para acalentar os ânimos e reconfortar as almas socialistas. Para quem o quis ouvir, sustentou que por detrás do caso da licenciatura do Sr. Pinto de Sousa, assim como das escutas telefónicas a Ferro Rodrigues subsiste uma espantosa cabala armada pela oposição. Uma malévola maquiavélica conspiração com o intuito de derrubar os seus correligionários da cadeira do poder.
Sendo um facto o silêncio quase geral da oposição enquanto fritavam na bolgosfera as primeiras noticias e comentários sobre as incongruências académicas do Sr. Pinto de Sousa, pergunto-me então quem será esse monstruoso manipulador de comunicação social a que se refere o nosso vetusto ex-presidente: será o BE do Dr. Louçã (o primeiro a “aderir” ao escândalo) ou ao poderoso PNR, que tão magistralmente têm aprimorado as suas técnicas de relações públicas?
De qualquer forma estou convencido que o Dr. Pina Moura agora se vai empenhar resolutamente na correcção da actual e tresmalhada agenda mediática.

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E eu também perdi o telemóvel

por Corta-fitas, em 18.04.07
«Pais do Amaral perde 8,7 milhões na OPA da Prisa»

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Mais do mesmo

por João Távora, em 20.02.07
Desde sempre que gosto de telefonia e sempre que posso ainda vou acompanhando este fascinante meio de comunicação. Ontem foi a vez de, durante um inevitável percurso automobilizado, ouvir finalmente uns minutos do novo Rádio Clube Português. Entre as 19.00 e as 20.00 aterrei no meio de um tal programa de Célia Bernardo “Janela Aberta” no qual dois locutores entrevistavam no estúdio o insuspeito Vicente Jorge Silva (VJS) sobre a demissão de Alberto João Jardim (AJJ). Não me surpreendi com o VJS a destilar os seus ressentimentos contra AJJ. Chamou-lhe de tudo e mais alguma coisa, uns insultos mais plausíveis que outros. Mas o que me espantou verdadeiramente foi a cumplicidade explícita dos dois jornalistas, que tratando o convidado (colega?) por tu, alarvemente se compraziam com os epítetos, emitindo desapoderadas risadinhas e concordantes monossílabos.
Não sou particular admirador de AJJ, talvez devido à minha educação, para mais algo conservadora. Mas também tenho umas noções da dignidade implícita ao papel de jornalista, e das regras de conduta inerentes. Quero dizer, não me parece que aquela seja uma forma de profissionais da comunicação, no exercício do seu cargo, tratarem figuras de Estado legitimamente eleitas em democracia. Durante aqueles minutos senti-me literalmente gozado e ultrajado, enfim, madeirense.
Finalmente, a experiência com esta suposta alternativa radiofónica saldou-se numa má experiência que tão cedo evitarei repetir. Com a minha idade, para contrariedades, já bastam as inevitáveis.

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