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Pelos caminhos de Portugal

Para lá da A1, ou de uma visão turístico-pitoresca do outro Portugal que ainda resiste...

por João Távora, em 03.08.21

"Só quem não depende de ciclos eleitorais, tem uma visão integral do país e compreende o valor e a insubstituibilidade de cada um dos seus recantos e de todas as suas gentes, é capaz de o servir tão completamente e de lhe dedicar cada dia de vida."

Chafariz D’El-Rei

por Corta-fitas, em 17.05.21

ChafarizElRei1.jpg

Um dos mais antigos chafarizes de Lisboa, senão o mais antigo, está hoje seco. É-lhe atribuída uma origem anterior à nacionalidade e uma existência que se confunde com esta. A história e a vida que se estruturaram em seu redor ainda são perceptíveis graças às muitas representações que o retratam ao longo dos séculos. Uma delas foi mesmo objecto de polémica há relativamente pouco tempo. Uma placa ali colocada testemunha que foi “EDIFICADO NO SECULO XIII FOI REFORMADO PELO REI D. DINIS RECONSTRUIDO NO ANO DE 1747 REPARADO DEPOIS DE 1755 E MELHORADO NOS MEADOS DO SECULO XIX.”

Apesar das melhorias e de as todas alterações sofridas, o chafariz D’El-Rei já não dessedenta ninguém. Nada corre das suas bicas. Onde se esperava fluidez e frescura encontra-se, afinal, secura e aridez. Em vez de fonte de vida, é um cenário. Passado sem presente nem futuro. Uma peça de museu com uma única função: recordar o que foi e o que ainda poderia ser. Porque a água continua a correr no seu interior.

Mais do que uma memória de um outro tempo, o chafariz D’El-Rei encerra toda a potencialidade da sua regeneração. Havendo vontade para isso, a estrutura bloqueada pode conhecer a revivificação e reencontrar o caminho de serviço que lhe dá sentido.

A fonte seca, privada da água que lhe conferia um destino e da coroa sobre as armas portuguesas que sublinhava a sua identidade, é visitada por muitos que ali param e que tentam decifrar a sua função. Não é fácil compreendê-la sem que ninguém dali beba.

O seu nome mantém-se porque o escopro da destruição demora mais a erodir as palavras que as pedras. Por muito que o sequem e que o destruam, o chafariz é do Rei. Cento e dez anos passados da imposição da república, aquela ainda é a sua fonte.

O chafariz D’El-Rei espelha o nosso estado colectivo. Como diria Salgueiro Maia, o Estado a que chegámos. Em vez de comunidade viva, alimentada pela ligação constante e natural com uma chefia do Estado que o corporiza, somos uma memória mal cuidada entregue a zeladores de turno e às respectivas personalidades e inclinações.

Os verbos “ser” e “estar” não são sinónimos neste caso: o Rei é e um Presidente da República está. E nunca está o tempo suficiente para ser, nem é o bastante para efectivamente estar. As sucessivas passagens presidenciais e a sobrepartidarização da figura que, sendo política, deveria permanecer acima dos políticos, priva-nos da continuidade que facilitaria todas as mudanças. Entorpece e seca os relacionamentos, ajuda a cavar antagonismos e amplifica as incompreensões mútuas.

Mais do que fons honorum, a monarquia é fons vitae. Sem um chafariz que a todos congregue, restam-nos poços particulares mais ou menos exclusivos, mais ou menos excludentes. A atomização social que hoje experimentamos, agravada pela pandemia, recomenda a revisitação da história e dos espaços comuns, a recuperação da política no que ela tem de mais nobre e a revitalização da ligação entre gerações. Uma chefia do Estado suficientemente estável para o permitir e suficientemente enraizada para não precisar de se justificar saciaria a nossa sede de legitimidade e de futuro.

João Vacas

publicado originalmente no  Correio Real nº 22

A ler...

por João Távora, em 18.10.18

... esta preciosa contribuição de João Vacas para repensarmos o valor da instituição real nestes tempos de globalização e de ameaça de dissolução das velhas nacionalidades e suas arquitecturas políticas, aqui

Uma boa reflexão sobre o CDS

por João Távora, em 08.03.18

(...) Faz falta pensar, sobretudo pensar. Os tecnocratas que nos apoquentam, os que nos bombardeiam diariamente com chavões como challenge e leadership e branding, não entenderam, ou não quiseram entender, o poder da marca na política: e essa marca é a ideologia, firme, segura de si.

Ao ambicionar diminuir-se ideologicamente, para com isso assaltar o eleitorado ao centro, o CDS consolida a desconfiança já tremida daquela que é a sua base: a direita. E porque um mal nunca vem só, enxota de vez os desapontados, aqueles que nos mais de 40% de abstenção não se reconhecem neste sistema putrefacto do arco da governação. (...)

 

A Ler o Ricardo Lima n'O Insurgente

Tudo sob controlo

por João Távora, em 02.03.18

(...) Isto tem porém pernas para andar. Preenche o velho sonho igualitarista de andarmos à mesma velocidade, já que não podemos todos ter automóveis com o mesmo grau de luxo ou performance, nem a mesma apetência e competência para andar depressa; torna as viagens de médio curso (Porto/Lisboa, por exemplo) de tal modo maçadoras que não é impossível que acicate o interesse pelo transporte colectivo, uma velha reivindicação da esquerda, que sempre torceu o nariz à liberdade e autonomia que o transporte individual proporciona; e não é impossível que numa primeira fase (antes de se constatar que cessará a evolução em travões, suspensões e outros sistemas de segurança activa, que sempre progrediram para satisfazer os transgressores, e não os cumpridores) se verifique uma diminuição das consequências dos acidentes viários, por terem lugar a velocidades inferiores. Tão inferiores que o que se recomenda, e vai impor, para as cidades, é a velocidade de um cavalo a galope, sem que ninguém tenha feito um estudo sério sobre as consequências, para a densidade do tráfego, da diminuição da velocidade média.

 

A ler o José Meireles da Graça no Grémlin Literário, na integra aqui

 

Preservação

por João Távora, em 27.10.17

Os ex-votos do Senhor Jesus da Piedade de Elvas estão em sério risco – risco iminente – de se esfumarem pelo passar do tempo. Alguns benfeitores, sem quaisquer intuitos de lucro ou de fama, querem restaurá-los e mostrá-los com a dignidade que merecem. 
Veja como pode ser simples a sua ajuda.

Ou basmati?

por João Távora, em 17.10.17

"Quando uma jornalista lhe perguntou se gostava mais de arroz carolino ou de quinoa, o primeiro-ministro recordou que o governo vai realizar um conselho de ministros extraordinário a fim de analisar o relatório que lhe foi entregue e avançar para a reforma das florestas e da protecção civil."

No pasa nada

por João Távora, em 14.03.17

Parece que o voto assumido de Rentes de Carvalho, o nosso holandês em Amesterdão, amanhã em Wilders está a gerar uma onda de indignação nas nossas puritanas redes sociais. Talvez fosse pedir demais que as essas virgens ofendidas do politicamente correcto se informassem sobre a enorme embaraço gerado pelo multiculturalismo e pela vaga de refugiados que por estes dias invade essa Europa a dentro. Bem sei que em certas matérias a Europa parece-nos um bocadinho longe…

Liberalidades

por João Távora, em 08.01.17

"Deixe-me explicar-lhe: Porque razão são tão elevados os impostos sobre o tabaco? Para desencorajar os fumadores. Porque razão multa o governo os condutores que excedem a velocidade ? Porque não queremos isso. Mas então, porque motivo tributamos as pessoas que trabalham? Se se tributa o trabalho e se dão subsídios àqueles que não trabalham, castigam-se os que trabalham e beneficiam-se os ociosos."

"Eliminem-se todos os impostos, menos dois: sobre o álcool e o tabaco, e estabeleça-se uma taxa única para todos os rendimentos provenientes do trabalho ou do capital. Haja um mínimo de regulamentos, mantenha-se a moeda estável, e fique por aí a intervenção do governo."

"A EU é uma operação estatal, na qual o povo não tem direito a voto…Juncker comporta-se como um dono, não como um servidor da coisa pública… Os Junckers deste mundo são inimigos do povo e da prosperidade."

 

Frases do economista americano Arthur Laffer roubadas a J Rentes de Carvalho aqui

1º de Dezembro

por João Távora, em 01.12.16

1 dez.jpg

 O Chefe da Casa Real Portuguesa está preocupado com o envelhecimento da população portuguesa, afirmando que estamos próximo de um ponto "muito difícil de reverter".

Os revolucionários

por João Távora, em 18.07.16

O termo “revolução”, do latim do latim revolutìo,ónis, significa o movimento circular em torno de um eixo fixo, em que determinado objecto volta para a sua posição inicial. 

Uma lição de socialismo autêntico:

por João Távora, em 22.05.16

Apesar de não parecer a quem acompanha a imprensa portuguesa, há fome na Venezuela. O país está a ferro e fogo com a calamidade económica que se abateu. Esta situação certamente apanhará muitos comentadores políticos de surpresa. Afinal, a Venezuela desde que Chavez subiu ao poder seguiu todas as políticas económicas certas.

 

A Ler o Carlos Guimarães Pinto no Insurgente

O preço da cultura

por João Távora, em 03.03.16

João Soares é um espírito livre e não gosta de circunstâncias normais. Primeiro, mal chegou ao Palácio da Ajuda, anunciou que a prioridade da sua política (chamemos-lhe assim) seria impedir a saída da colecção Berardo para o estrangeiro, uma das ameaças recorrentes do comendador. Por outras palavras, comunicou-lhe publicamente que poderia pedir o preço que quisesse que o Governo, desde que ameaçado, estaria sempre disposto a pagar. Brilhante.

No caminho da maturidade.

por João Távora, em 13.02.16

Ao contrário de uma peste ou maldição, sob a perspectiva da política tida no seu sentido mais elevado, digamos nobre, tenho para mim que uma dose de liberalismo deveria ser transversalmente no espectro partidário português uma causa patriótica, um contributo para o lento processo de viabilização do nosso pequeno rectângulo.

Acontece que a possibilidade do sucesso desse liberalismo, em dose maior ou menor no modelo de gestão da rés-pública, está directamente ligada à autonomia e maturidade das suas gentes, famílias e toda a sorte de instituições por si prestigiadas. Assim se explica o fado Portugal atrasado e socialista. Ou a importância do Pote.  

Direitos e deveres

por João Távora, em 12.01.16

"A protecção das mulheres não pode depender da nossa opinião sobre decisões humanitárias. A este respeito não há comportamentos inadmissíveis para homens europeus e desculpáveis para imigrantes muçulmanos."

 

Luís M. Jorge na "Vida Breve" (Já ali não ia há algum tempo, pena minha. - Ah! e David Bowie chega para todos, eu fico com Sound and Vision.)

Ou a história da revolução que ficou no café

por João Távora, em 23.09.15

Em vez de cerrar fileiras e os dentes, a esquerda de pastelaria desdobrou-se em plataformas, movimentos, frentes, alternativas. Todos são génios revolucionários no facebook, nos jornais, no twitter. Como é óbvio, sendo todos génios, os outros são todos limitados. O povo olhou para isto como se de uma açulada de podengos se tratasse.

As lições da História

por João Távora, em 01.09.15

Por falar em lições da história, alguns historiadores dizem que a decadência de Roma teve início quando o império começou a erguer muros nas fronteiras. É um exagero, mas de novo com alguma verdade. Uma civilização está morta, lembra Paul Veyne (grande historiador de Roma...), quando tem de se defender em vez de se reinventar.

Das relações humanas

por João Távora, em 28.12.14

O problema não são os cães, o desafio é amar o próximo.

 

O Rugido do Leão

por João Távora, em 30.08.14

Agora, chegou a tua hora de fazeres história! Escrevê-la com letras douradas depende de ti. Depende do que significar para ti, envergar a camisola que é vestida por milhões! Mete uma coisa na cabeça: nada te poderá parar quando sentires o que estás a fazer. Quando quiseres tanto uma coisa, que quase te falta o ar só de pensares nela! Amanhã, joga com o coração, Leão. Era o que qualquer um de nós faria, se estivesse no teu lugar. 

Rentrée

por João Távora, em 24.08.14

 Um olhar para lá da escuridão.

 



Corta-fitas

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