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Se a liderança do Francisco Rodrigues dos Santos cometeu erros e falhou a missão impossível de atrair para a sua roda as figuras gradas que desde há quinze anos com a ascensão de Paulo Portas incorporaram o CDS (que desde o congresso de Aveiro lhe deram luta sem quartel, e algumas das quais por quem nutro franca simpatia), estou convicto que o seu maior sucesso foi ter recentrado o discurso do partido na sua matriz democrata-cristã e conservadora, o meu sonho antigo. Quem me conhece sabe quanto eu há muito batalhava lá dentro pelo reforço e prevalência destes valores identitários que tinham sido aqueles que ainda adolescente me tinham atraído ao Largo do Caldas. Isso tudo e uma firme orientação para o reformismo, um liberalismo económico mesmo que mitigado (sempre achei que a discussão sobre a gradação do mesmo não passa de uma discussão pueril tendo em conta a realidade cultural dos portugueses vergados ao paternalismo estatista desde tempos imemoriais). Refiro-me a uma direita civilizada e humanista que mesmo minoritária se assuma contracorrente num país tendencialmente conformado com a pobreza, desconfiado da liberdade e ressabiado com a felicidade. Um partido sem vergonha do legado histórico cristão que nos enformou civilizacionalmente. Um partido de diálogo e tolerância (sou monárquico e as monarquias só prosperam em sociedades de grande consenso - evoluídas).
Julgo que o CDS paga actualmente o preço de ter cedido à tentação generalista, de querer apanhar tudo disputando o espaço eleitoral do PSD. Como resultado, em vez de termos eleito uma primeira-ministra ficámos reduzidos a 5 deputados. Pela minha parte prefiro um partido pequeno mas sólido na sua doutrina e com um discurso firme para o seu nicho de eleitorado. Sei que talvez seja tarde para retomar o bom caminho, agora que se constituíram outros dois partidos identitários que nos esmagam de um lado e do outro. Em política não há vazios, dizem, e quer-me parecer que o CDS esteve demasiado tempo a querer ser muita coisa ao mesmo tempo.
De uma coisa estou certo: o espaço que o CDS ocupar no parlamento será directamente proporcional ao desenvolvimento civilizacional que atingimos. Não sendo altíssimo será certamente o suficiente para surpreender muita gente na noite de dia 30.

Ontem à noite num inadvertido e preguiçoso zapping pelos canais de notícias, senti-me agredido ao constatar que no Expresso da Meia-noite da SIC Notícias, a propósito das eleições de 30 de Janeiro, o convidado a representar o CDS era Telmo Correia - um dos mais enfadonhos parlamentares das últimas décadas e opositor figadal à direcção de Francisco Rodrigues dos Santos. À mesma hora na CNN (cof, cof) num debate sob o mesmo tema, o interlocutor democrata-cristão era Cecília Meireles que esconde mal o seu desejo por uma rotunda derrota do seu partido. (Já repararam que neste moderníssimo canal, à falta de uma formulação eficaz em português para “Notícia de Última Hora” anuncia-se em rodapé “Breaking News”– certamente para atrair as audiências estrangeiras?).
Evidentemente que as televisões convidam quem querem para os debates, mas depois não se venham queixar que a nossa democracia não convida à renovação de protagonistas, que se arrastam como que bacilos induzidos para a degradação do pântano que promove os extremos e consequentes parangonas indignadas e excitação das audiências em debandada.
Digo isto porque me parece medianamente óbvio que, se não for para prestar vassalagem à “aristocracia” regimental, a incluirem-se representantes do CDS nos debates televisivos dever-se-iam convidar elementos da direcção nacional do partido que irá a votos nas próximas legislativas. Isso sim é serviço público, caso contrário fica-se com a estranha (?) sensação de que as redacções obedecem a agendas políticas de interesses duvidosos. Como perpetuar a degradação da frágil democracia e o poder socialista.
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