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Mudam-se os tempos...

por João Távora, em 05.01.19

jornais.jpg

Numa pacífica manhã de sábado hoje passada com rituais nem sempre possíveis, logo depois do pequeno-almoço (em que ao fim-de-semana faço questão de comer torradas com manteiga) fui notificado no meu telemóvel da publicação da crónica do Alberto Gonçalves que li com gosto e divertido no telemóvel, já sentado na sala com boa música por companhia. Após me inteirar e responder a algumas mensagens no WhatsApp (aplicação culpada da vitória de Bolsonaro, dizem), pensei que estava na hora de ir comprar o Expresso, mas fiquei preso pelo artigo sobre o "Mata Sete", aquele hediondo crime ocorrido em 1987, no Observador. A manhã corria plácida, e ainda com o telemóvel na mão e o David Sylvian a tocar deliciosamente no gira-discos, inebriado pelo sol que entrava pela varanda, fui alertado por uma notificação dos e-mails do telefone da mensagem do "Macroscópio" do José Manuel Fernandes que li absorto, navegando por algumas ligações. Serviço público. Foi então que me lembrei de que ainda não tinha comprado o Expresso e que a tabacaria estava a fechar. Foi com algum esforço que contrariei o meu bem estar e fui à rua comprá-lo, agora que vem num inútil saco de papel. Resumindo, está minha tradição com décadas está por um fio. O Pedro Santos Guerreiro é um chato (para dizer o mínimo); e tirando o Pedro Mexia, os Henriques (Monteiro e Raposo) e a desconcertante Ana Cristina Pereira Leonardo, o tom geral do semanário é de uma snobismo bafiento - nós somos os maiores e a virtuosa ordem do mundo desmorona-se à nossa volta por culpa da internet e das redes sociais. Um conservador é um conservador, mas tem limites. E começo a sentir que este hábito se tornou num imposto à oligarquia. Nada de bom. 

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Crónica de uma morte anunciada

por João Távora, em 19.04.18

Tão ou mais grave que as maquinações pelo controlo editorial do jornal, o que me causa amargura é a contínua descredibilização da marca Diário de Notícias, um dos mais antigos títulos da imprensa portuguesa. 

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Rabo escondido com o gato de fora

por João Távora, em 06.10.13

 

Por insondáveis critérios editoriais nos jornais diários de hoje não se vislumbra qualquer referência visível à manifestação “Pela Vida” que ondem à tarde reuniu milhares de pessoas em Lisboa. Se não fosse uma fotografia tirada à mesma hora na página 10 do Diário de Notícias a ilustrar uma notícia da homenagem de 17 marmanjos aos revolucionários da Rotunda que denuncia a marcha contra o aborto livre em segundo plano, julgaríamos que tal não teria passado de uma enorme alucinação.  (Sobre o assunto ler também isto)

 


De resto foi sob total indiferença da mesma Comunicação Social, reuniram-se em Santarém de portas abertas à população, largas centenas portugueses para o XIX Congresso da Causa Real, além dum Congresso fundador da Juventude Monárquica Portuguesa. Coisa insignificante, sabemos bem.

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Uma canseira...

por João Távora, em 31.01.13

 

O excerto da frase de Fernando Ulrich utilizada para título nesta notícia do Expresso está instrumentalmente descontextualizada: Assim, durante uma semana se entretém o pagode nas redes sociais a segregar bílis, anima a luta de classes e promove o ressabiamento.

 

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Croniquetas

por Vasco M. Rosa, em 21.01.13

 

Ao início, sorri de orelha a orelha às crónicas cariocas de Alexandra Lucas Coelho. Depois, cada vez mais, desiludiram-me. A oportunidade de ter no Rio um olhar português qualificado e atento (não significa deslumbrado) desvaneceu-se sob o impacto do diarismo vaidoso e narcísico, quando não bajulador de amigos e conhecidos, numa aplicada estratégia de implantação e consagração pessoais, aliás fictícias pela sua própria intencionalidade, que a própria não entende... A página ontem dedicada por ALC no Público acerca do escritor Rubem Braga é um tricotado simplório construído a partir dum sortido de banalidades e fábulas, ao alcance de qualquer googlezinho da vida. Dum jornalista pede-se muito mais. Até duma bordadeira, com todo o carinho por elas. Se aquilo tentou ser um louvor ao escritor brasileiro, falhou estrondosamente. Foi uma croniqueta quase juvenil, que o haveria de irritar furiosamente!

 



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O barrete

por João Távora, em 29.12.12

Hoje o Expresso em Nota da Direcção e Nicolau Santos na sua coluna, pregam aos críticos do "Caso Baptista da Silva" um ralhete moralista, disfarçado de pedido de desculpas. Terei eu também de pedir desculpas por qualquer inconveniência?

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O haraquíri do jornalismo

por João Távora, em 26.12.12

 

O caso Baptista da Silva é todo ele uma irónica parábola sobre a crise que por estes dias perpassa e se agudiza nos media tradicionais. É curioso como o burlão, promovido por um jornalista de nomeada de um semanário de referência nacional não tenha sido denunciado pelas “convenientes” intrujices que proferiu em vários palcos, mas antes pela descoberta do seu falso curriculum. Como sempre em Portugal o que conta é o estatuto.
Numa altura em que através das novas plataformas “sociais” tanto a opinião e análise de qualidade quanto a gestão de agenda politica ou corporativa se autonomizam cada vez mais dos meios de comunicação institucionais, não tenho dúvidas que a prazo poucos deles resistirão no actual modelo de gestão. Apenas irão sobreviver os que fundarem a sua actividade na excelência do profissionalismo, reflectindo os factos de forma isenta, analisados por atentos e meticulosos peritos, que sejam capazes de aferir discursos coerentes ou contestar raciocínios viciados ou cálculos mentirosos. Para alimentar conversas de café e amplificar bitaites sectários, já há para aí batalhões de blogues e ávidos activistas das redes sociais. Deixar-se seduzir e enredar nesta lógica é simplesmente o haraquíri do jornalismo. 

 

Publicado originalmente aqui

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Não querem ir ao fundo sozinhos?

por João Távora, em 10.11.12


Compreende-se bem a preocupação manifestada recentemente por Pinto Balsemão na conferência “Media e Futuro" 2012 com a “tempestade perfeita” que se vem abatendo sobre os grupos de comunicação social com a crise económica a juntar-se ao choque das inovações tecnológicas e novas tendências de consumo “media”. É de resto perturbador para qualquer espirito democrático a falta de perspectivas e de soluções de viabilidade para uma imprensa verdadeiramente independente e interventiva.
Parece-me no entanto um contra-senso a tese defendida na conferência (de resto em estudo nalguns países europeus) de obrigar os agregadores de conteúdos (a empresa Google, por exemplo) a pagar royalties sobre os conteúdos indexados para pesquisa. Isto quando o objectivo dos meios deveria ser o de maximizar esse mesmo potencial, de modo que as notícias publicadas por si ganhem mais preponderância, e se multipliquem as visitas à sua plataforma, com a consequente valorização das suas receitas publicitárias.
Acontece que o grande sucesso do motor de pesquisa Google está no seu complexo algoritmo, profundamente democrático e transparente, porque exclusivamente indexado à necessidade e proveito do utilizador. De resto estou convencido que a marca sobreviverá bem sem as notícias do Expresso ou os vídeos da SIC. É um péssimo sintoma quando os modelos de negócio confrontados com a decadência pretendem sobreviver de subsídios do Estado… ou à custa do sucesso alheio. Não querem ir ao fundo sozinhos.
Não confundamos as coisas: a praga da pirataria de conteúdos na internet em nada tem a ver com os motores de busca; é antes uma questão legal, cultural, e de pedagogia. Por último, o Dr. Balsemão poderá informar-se no seu departamento de TI como é simples vedar os conteúdos produzidos pelos seus meios à indexação dos motores de busca. Veremos é se isso não é o passo definitivo para o abismo.


Publicado originalmente aqui.

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Greves

por João Távora, em 20.10.12

Eu hoje comprei o jornal Público e gostei. Bons artigos do Pedro Lomba sobre a crise no governo, sobre o "montismo" por J. Almeida Fernandes, e no DNA sobre as Irmãs Clarissas por António Marujo é uma excelente peça. Entretanto a greve na Lusa continua, a revista Newsweek em papel acabou, e eu também não me sinto nada bem.

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Coisas que me fazem falta

por João Távora, em 21.07.12

 

Ler um jornal que me orgulhe de exibir debaixo do braço.

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Covilhã em chamas

por João Távora, em 30.06.12

Custa-me colaborar neste peditório, mas não resisto. Refiro-me ao chinfrim causado pela manifestação de cerca de duas dezenas militantes Comunistas e da CGTP por ocasião da visita de Álvaro Santos Pereira sua visita ao Parque da Ciência e Tecnologia da Covilhã, acto que roçou a mera criminalidade. Mas aquilo que me parece preocupantemente revelante é o furor com que este tipo de acontecimento é mencionado na comunicação social. Por exemplo, ontem no notíciario da SIC chamava-se aos manifestantes “o povo da Covilhã”, assim como acontece no título da notícia na página 5 do jormal i “Na Covilhã, o povo não foi sereno com o ministro da Economia”.
Mas foi. Entende-se a fome de sangue dos media na expectativa de incendiar as emoções e as vendas dos jornais e da publicidade, mas a verdade dos factos é que o desacato protagonizado por dúzia e meia de energúmenos passou completamente ao lado do “povo da Covilhã”. 

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A tragédia do Público

por Maria Teixeira Alves, em 28.11.11

 

 

  

É o melhor jornal generalista português e no entanto está à beira da falência. A publicidade já não dá para pagar facturas: segundo o relatório consolidado da Sonaecom, relativo aos primeiros nove meses do ano, o jornal "Público" registou um prejuízo de 2,7 milhões de euros e os capitais próprios negativos estão avaliados em 936 mil euros. A Administração vai baixar salários: a redução salarial - a segunda num período de dois anos - atingirá, desta vez, salários brutos acima dos 1.600 euros.

Os prejuízos do Público não são novidade, desde que o Público nasceu que dá muitos prejuízos, mas agora isto reflecte-se nos ordenados dos trabalhadores, só espero que os cortes também se apliquem aos ordenados da administração.

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Sobre o novo jornal i

por João Távora, em 09.07.11

Ousando pôr a foice em seara alheia, opinião de leitor e assinante da primeira hora, a reestruturação do jornal i merece-me umas curtas palavras. De notar que a minha apreensão já vem de trás, com a progressiva dispensa de colunistas e analistas que se afirmavam “marca” deste ousado projeto editorial sem uma substituição equivalente. Acontece que com a transformação verificada nos últimos dias na sequência da assunção da direção de António Ribeiro Ferreira - com os seus entediantes editoriais, não só pela ambiguidade politicamente correta, mas pelo estilo “chico esperto, uma no cravo outra na ferradura” - revelou-se uma reorganização dos conteúdos que aproxima perigosamente o jornal i dum estilo clássico, igual aos seus concorrentes, sem que no mínimo tenha para isso, soit disant, “vocação”. Curioso é verificar como o Público adotou a receita do antigo i para edição de Domingo com o protagonismo da abertura para a análise e opinião.
Considerei e afirmei-o num post em tempos, que a criação de um novo titulo diário num período de crise da imprensa tradicional constituía um ato de tremenda coragem... se não de enorme loucura. Certo é que o jornal i, com o seu estilo prático e sucinto, dando o protagonismo a uma análise e opinião “fora da caixa”, graficamente muito audaz, acabou por me conquistar. Daí até eu fazer uma assinatura foi um passo, e hoje reconheço que, no mínimo, essa opção teve o mérito de incutir nos meus miúdos adolescentes o gosto de lerem um jornal.
A fórmula apresentada dos últimos números deixa-me triste ou preocupado: o jornal i por estes dias confunde-se-me com uma fraca imitação dos seus pesados e regimentais concorrentes.  

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A ambiguidade das palavras

por Maria Teixeira Alves, em 27.06.11

O Expresso publicou no último sábado um novo estatuto editorial. A primeira pergunta que nos vem à mente é porque um novo estatuto? Havia alguma coisa de mal com o anterior? A segunda coisa que nos vem à mente é porquê agora? Porque o Governo mudou? Ou porque o Director do Expresso mudou?

Lendo o que está escrito no novo estatuto editorial, chama a atenção os pontos 7 e 8:

 

7. O Expresso sabe, também, que em casos muito excepcionais, há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas, não por auto-censura ou censura interna, mas porque a sua divulgação seria eventualmente nociva ao interesse nacional. O jornal reserva-se, como é óbvio, o direito de definir, caso a caso, a aplicação deste critério.

8. O Expresso sabe, igualmente, que a publicação insistente de determinados assuntos - do crime e do sexo às baixezas da vida política e económica - poderia aumentar a venda de exemplares, mas recusa-se a alimentar qualquer tipo de sensacionalismo que ponha em perigo o jornalismo de qualidade que sempre pretendeu fazer (...).

 

Há coisas que são óbvias e implícitas e como tal não precisam de estar escritas, porque ao estarem escritas tomam forma de lei, e nessa medida tornam-se perigosas. Evidentemente que, se calhar venderia muito saber quantos políticos ou gestores são discípulos das taras strauss-khanianas, mas eu percebo que um jornal como o Expresso não as publique.  Mas é preciso isto vir escrito numa tábua de mandamentos? Não. É demasiado vago, e por isso exige logo que se elenque exaustivamente os casos que cabem neste ponto 8, sob suspeita de caber lá tudo.

O ponto 7 é mais dúbio e por isso mais criticável. O que são casos muito excepcionais? Até onde vai esse conceito? "O jornal reserva-se o direito de definir caso a caso a aplicação deste critério", apetece-me perguntar logo: Querem um lápis azul?

 

Depois de defender a independência do jornal e dos jornalistas, o jornal parece desorientado numa sucessão de normas que contradizem as anteriores. Reparem :

"1. O Expresso defende, desde sempre, a liberdade de expressão e a liberdade de informar, bem como repudia qualquer forma de censura ou pressão (...)" para depois dizer no ponto 7. "há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas"

 

"5. O Expresso sabe, que é indispensável, em cada momento, distinguir entre as notícias - que deverão ser, tanto quanto possível, objectivas, circunscrevendo-se à narração, à relacionação e à análise dos factos para cujo apuramento devem ser ouvidas as diversas partes - e as opiniões que deverão ser assinadas por quem as defende, claramente identificáveis e publicadas em termos de pluralismo". Para logo dizer: "

O Expresso toma posição através de editoriais não assinados que vinculam a posição do jornal".

 

Já que insistem em regras, então falta aqui uma regra fundamental:

Os jornalistas podem não se rever na opinião editorial do jornal não assinado... e isso devia estar salvaguardado. Porque ao não estar assinado o jornal impõe uma ideologia a todos os jornalistas. Pode-se sempre cair na ditadura do politicamente correcto, que é em si, um obstáculo à liberdade de pensamento e de expressão.

Depois é preciso ver que a imparcialidade pura não existe. Basta escolher uns factos em detrimento de outros e já se está a cair na falta de parcialidade.

 

Pelo que o melhor é deixarmo-nos guiar pelo velhinho BOM SENSO.

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Há anos que os principais diários portugueses vêm registando quedas de audiência. É justo e merecido. Basta ler a cobertura desta campanha eleitoral para desejar que a queda de audiências se acentue ainda mais.

Há anos que os telejornais privados tentam em vão ultrapassar as audiências do jornal das 8 da RTP. Basta ver a cobertura desta campanha eleitoral para desejar que nunca o consigam.

Alguns exemplos.

Durante esta campanha eleitoral emergiram três notícias grandemente relevantes e profundamente graves que deixariam agitado e lançariam na senda da investigação qualquer jornalista minimamente sério e medianamente inteligente.

Soube-se, primeiro, que o governo andava a fazer dezenas de nomeações de última hora (que, ao contrário do que foi dito, produzem efeito no momento, e não apenas quando publicadas em Diário da República) e, do mesmo passo, a dar instruções para as manter secretas.

Sobre isto, um «jornalista» da Sic, destacado para a campanha do PSD, disse que «era um caso de campanha», e que «vamos ver quanto tempo dura». Outro «jornalista» da Tvi foi mais longe, e ralhou com a fonte, declarando que Passos Coelho faltou à promessa de não levantar polémicas, e que era «um caso de faz o que eu digo não faças o que eu faço».

Ver um jornalista protestar porque lhe puseram uma notícia no prato, é surpreendente e confrangedor. E tem uma de duas explicações possíveis: o homem é estúpido ou é socialista. Jornalista é que não é.

Soube-se, em segundo lugar, que o governo falsificara as contas da execução orçamental: atrasara o pagamento de 200 milhões de euros para parecer que a despesa estava a descer 3,6%, quando, incluindo essas verbas, a despesa teria descido 1,6%, abaixo do compromisso com a missão tripartida.

Sobre isto, os jornalistas das privadas voltaram a falar em «caso», após o que se remeteram a insistente silêncio. E quando Sócrates deu para a falsificação uma explicação mentirosa (que eram só pagamentos para a Caixa de Aposentações) calaram-se e continuaram calados. O Público do dia seguinte foi bastante mais longe. No seu termómetro de campanha, punha Sócrates em alta, porque tinha «estado no seu melhor» ao contra-atacar.

Ver um jornal que já foi de referência elogiar um político porque mentiu com grande ânimo e determinação é supreendente e confrangedor. E tem, é claro, uma de duas explicações: o autor do termómetro de campanha é estúpido, ou, então, é socialista. Jornalista é que não é.

A terceira notícia gravíssima deu-a o Diário Económico (a imprensa económica, com relevo para o Jornal de Negócios, é, hoje, um oásis de jornalismo no meio da mediocridade geral). Revelou o Diário Económico que, em Abril, o governo Sócrates obrigou o Fundo de Estabilidade da Segurança Social a comprar 180 milhões da sua dívida. Qualquer jornalista, qualquer patriota, não deixaria mais em paz um ainda primeiro-ministro (sobretudo um que se proclama defensor do Estado Social e faz terrorismo contra todos os outros) que sorve dinheiro de um fundo criado para garantir que não há desordem no pagamento de reformas, subsídios e pensões.

Mas à notícia do Diário Económico seguiu-se o silêncio geral. Neste caso, o calado não é o melhor. É estúpido ou é socialista. Jornalista é que não é.

E nem quero recordar as manchetes de Fevereiro (sim, há 3 meses) em que o Expresso anunciava que o défice tinha caído a pique e que «FMI já não vem». E nem quero lembrar a descoberta da Visão, esta semana, de que os fantasmas são de direita.

No meio disto (aceito que talvez por medo) vem sendo a governamentalizada RTP a fazer uma informação menos escandalosa.

Seja como for, também ela terá que responder, no dia 6 de Junho, pela orgia de sondagens incompetentes ou manipuladas com que nos foi enchendo os ouvidos de «empates técnicos» e «PSD não consegue descolar». É esta espécie de trabalho pago por fora que passa, hoje, por jornalismo.

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Por falar em coisas sérias:

por João Távora, em 31.03.11

 

Descuplem qualquer coisinha, mas um jornalismo independente significa também a promoção da diversidade e sã concorrência, até nas imprescindíveis agências de comunicação.

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Catrapum!

por João Távora, em 13.06.10

 

 

Pffsss!, glugluuuuu!, pum! Zipppp! jnaslacccc! são supostamente ruídos duma cópula reproduzidos em fidedignas onomatopeias pela inenarrável Mart@ Crawford na sua destacada crónica de fim-de-semana Jornal i. Sem esta ousada abordagem, talvez inspirada no atrito sonoro das vuvuzelas durante um jogo do mundial, certamente seriamos todos mais labregos, menos cosmopolitas; encerrados em preconceituosas inibições e tabus. A insubmissa sexóloga, possuidora dum invejável traquejo (o termo não é inocente) de prática clínica, não se abstém de classificar alguns destes ruídos de “embaraçosos” e “íntimos”, conferindo esta última característica mais gozo à autora a dissecar o importante tema. No entanto atrevo-me a corrigi-la a respeito do som jnaslacccc, que na minha limitada mas já longa experiência de vida mais me sugere um pé a descalçar um sapato molhado. Enfim, desde os imemoriais tempos de Nina Hagen que não me deparava com tanto despudor e audácia. Uma rebelde e abnegada educadora do povo é o que é esta arrojada sexólog@.

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A entrevista de João Céu e Silva ao Senhor Dom Duarte publicada na revista Notícias Sábado do Diário de Notícias, confirma um competentíssimo jornalista e revela um entrevistado culto e sabedor, com uma interessante e desempoeirada visão sobre os grandes temas políticos da actualidade. Estranho no entanto a parangona de primeira página com uma frase descontextualizada, a respeito das fatais questões de costumes tão na moda. De resto ao longo do artigo esses temas são explorados e destacados ao limite, coisa que não me parece inocente, seja por razões políticas ou comerciais. Tal não seria um problema se os temas “fracturantes” sobre os quais o Duque de Bragança possui uma opinião legitimamente conservadora, não tendessem a esbater a importância doutros, politicamente bem mais reveladores e urgentes sobre a complexa realidade que aflige os portugueses. Essa análise, preparada e perspicaz está lá, nas linhas e nas entrelinhas, para quem quiser ler.

Outra fascinante entrevista é a publicada na edição de fim-de-semana pelo jornal i ao neurologista e Alexandre Castro Caldas: uma bela e interessante peça jornalística de Sílvia Oliveira, a ler com atenção.

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É muito bem feito

por João Távora, em 07.05.10

É uma profunda ironia que a mais fervorosa militante anti-católica, a jornalista Fernanda Câncio, se veja obrigada por estes dias a trabalhar envolta num gigantesco cartaz saudando o Papa Bento XVI. De facto, este mundo está louco: o Diário de Notícias, que tem sido incansável a achincalhar os católicos, não deveria morder a mão daqueles que tão dedicadamente lhes vêm dando de comer e que decididamente desprezam a Igreja Católica.

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A campanha suja

por João Távora, em 20.04.10

 

O Diário de Notícias há muito que nos habituou a uma abordagem facciosa das informações sobre os assuntos fracturantes em geral e da Igreja em particular, submetendo-as sempre a pontos de vista marginais ou mesmo externos aos interesses da comunidade católica que insiste menosprezar. Essa linha editorial é tanto mais estranha quanto, em matéria de “Opinião”, o jornal demonstra um posicionamento pluralista, reunindo católicos praticantes como a Maria José Nogueira Pinto, Adriano Moreira, João César das Neves, Pe. Anselmo Borges, e também outros tantos cronistas cuja posição perante a Igreja é pacífica e de boa-fé.

Neste sentido constitui um profundo mistério as razões pelas quais este periódico instituiu como agenda uma abordagem editorial claramente contestatária e anticlerical. Pergunto-me se a posição é política ou comercial: suspeito que nestes dias do materialismo ridicularizar pessoas religiosas, padres, bispos e Papas renda popularidade, um atributo que raramente anda a par da seriedade.

Veja-se como nos dois últimos dias, dois artigos — ontem com a entrevista a dois padres casados contra o celibato (redigido pela Fernanda Câncio, uma «desinteressada» especialista na «matéria») e hoje um outro sobre católicos (?) homossexuais e contestatários — denunciam uma linha anticlerical, uma campanha a favor duma revolução no interior da Igreja de acordo com descartáveis cânones mundanos como o casamento homossexual. Certamente a receita mais eficaz para uma rápida extinção desta milenar instituição.

Suspeito que o fundamento da inquietação que muitos não crentes manifestam a respeito do celibato do clero, a ser tida como altruísta, esteja bem explicada na forma como a jornalista Fernanda Câncio titula o seu artigo: "E eles não viveram sós para sempre". Não sabem os pobres, que um verdadeiro cristão conquistou e usufrui da melhor e mais calorosa das companhias: Jesus Cristo. Acredito que essa é uma realidade muito difícil de entender para um descrente, quem sabe causadora de incómodos ressentimentos.

De resto, parece-me absurdo que, ao lado destas capciosas peças jornalísticas estejam colocados anúncios de merchandising de apoio à visita do Papa, que se subentende responsável máximo da instituição que se nos pretendem fazer crer como hedionda e criminosa.

Finalmente deixo um desafio: porque é que o Diário de Notícias não intercala estas “notícias” com outras, dando a conhecer a fundo a Igreja viva no terreno e a sua fé em Cristo que inspira milhares de pessoas de boa vontade a viver com harmonia e ajudar os outros?

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