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As vítimas colaterais

por João Távora, em 16.02.19

Papa.jpg

O realce dado pela investigação do Observador a abusos sexuais ocorridos na Igreja Católica em Portugal, provoca em mim, como católico, uma inusitada revolta: talvez por terem acontecido mais perto da minha porta, cada novo capítulo publicado foi como uma nova sessão de tortura que não consigo evitar enfrentar. Mas a dor que sinto não pode toldar-me o raciocínio – aquilo que está em questão não é o mensageiro que, com mais ou menos competência fez o seu trabalho, mas a mensagem. E a mensagem é uma aberração. A minha vergonha e repulsa são inteiramente devotadas ao pseudo-sacerdote que trai de forma escandalosa e cobarde os seus votos, usando-se da preponderância outorgada pela sua função de serviço à Igreja de Pedro para praticar as suas obscuras perversões carnais sobre seres vulneráveis - podia ser o meu filho, podia ser o seu filho. Apesar de saber que a corrupção é impossível de erradicar do ser humano, deposito grandes espectativas na reunião convocada pelo Papa Francisco para o Vaticano de 21 a 24 de Fevereiro para o debate deste problema com os bispos de todo o mundo, que dela saiam medidas de profilaxia e procedimentos para uma rápida expulsão e denúncia dos elementos prevaricadores às autoridades civis.

Mas há uma outra injustiça que emerge de todo este pesadelo que me amargura profundamente e que merece de todos, quanto a mim, uma profunda reflexão (e dos crentes também muita oração): refiro-me ao profundo padecimento que tudo isto causa à esmagadora maioria do clero, gente de infinita generosidade e incansável entrega ao exigente exercício da mensagem de Cristo, que lideram paróquias recondidas, ensinam nas escolas, dão apoio espiritual e material aos mais pobres e aflitos, e que na nossa cultura, cada vez mais anticlerical, sofrem com a estigmatização e preconceito de quem, mais ou menos inocentemente, confunde a árvore com a floresta. É essa grande maioria de homens (e mulheres) de Deus, às vezes em missão nos mais inóspitos cenários, que devemos saber acarinhar e proteger daqueles traidores que tanto nos envergonham, e de quem também são vítimas - os nossos padres (e freiras). 

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Os revolucionários

por João Távora, em 04.09.18

É um momento particularmente difícil e que nos deixa desnorteados! Grandes baluartes do Catolicismo tradicional, em pungente descompostura, vêm a público quais camponeses desesperados, munidos de archotes e forquilhas, cercar a Cidade Eterna em uma noite de lua minguante para pedir — quem o ousaria imaginar jamais? — a cabeça do Cristo-na-Terra. Católicos tradicionais, conservadores, pedindo em público a renúncia do Papa! Seria inacreditável, uma piada de mau gosto, uma burla grotesca, se não fosse a terrível e dolorosa verdade. 

 

A ler na integra aqui

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A Igreja que se reergue

por João Távora, em 01.09.18

padres.jpg

Um amigo meu agnóstico comentava comigo há dias as recentes manchetes que flagelam a Igreja afirmando que, ao contrário do que se diz, não há hoje uma especial crise de vocações, ela sempre existiu, só que na geração dos nossos pais e avós as motivações para o sacerdócio nem sempre seriam as mais correctas – um modo de vida, ascensão social e académica, etc.

No outro dia, perguntei à minha mãe quem era o padre que aparece numa fotografia a ministrar-me o sacramento do baptismo. Surpreendeu-ma a sua resposta, que não sabia, tanto mais que naquele tempo não era como agora, havia muitos padres mas a maior parte deles (com bastantes e honrosas excepções) eram como que anónimos “funcionários”, figuras cinzentas sem grande carisma ou autoridade. Disse-me que temos sorte nos nossos dias, onde encontramos vocações extraordinárias, homens de rara erudição, grandes exemplos de espiritualidade, modelos de santidade e verdadeiros heróis no serviço. Conheço de perto alguns casos impressionantes.

Isto para dizer que, ainda antes da previsível legalização da pedofilia (o abaixamento da idade de consentimento de que se fala no influente meio LGBT), acredito que as ovelhas negras estão condenadas à erradicação nos seminários.

 

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Até breve Padre Ricardo

por João Távora, em 06.08.15

Padre Ricardo.jpg

De inteligência e argúcia ímpares, um verdadeiro líder, o autêntico pastor da nossa comunidade, o Padre Ricardo que agora parte para o Pai, era uma pessoa de enorme modéstia e simplicidade, qualidades com as quais exercia uma força de conversão ímpar, entre os mais jovens e os mais velhos aqui no Estoril. Deixa muitas saudades e um sentimento de orfandade, este homem de Deus. O que a nossa Igreja perdeu, o Céu ganhou em luminosidade. Deus o tenha em sua infinita Glória.

Post scriptum: Os olhos daqueles milhares de fiéis que esta noite se juntaram  na Igreja da Boa Nova em homenagem e oração pelo Pe. Ricardo Neves confrontaram-me com a mais especial das suas virtudes.O Pe. Ricardo, no propósito de espalhar a mensagem de esperança de Jesus Cristo, era mestre a desmultiplicar-se inteiro nas relações pessoais (tinha um jeito especial com os mais jovens), com cada pessoa em especial, paroquianos, alunos ou alunas do Colégio da Boa Nova, utentes do Centro de Dia e toda a sorte de gente com quem se cruzava. De todos sabia o nome e uma palavra especial no conhecimento das circunstâncias particulares de cada um - também dos cá de casa. 

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Os antípodas

por João Távora, em 14.06.14

 

Não sendo por manifesta má-fé, custa muito a entender a escolha feita por Ana Lourenço pelo contestatário Frei Bento Domingues para comentar a extraordinária entrevista de Henrique Cymerman ao Papa Francisco que ontem à noite passou na SIC Notícias. Outra hipótese é que a ideia da jornalista fosse saleintar dessa forma o carisma generoso e inclusivo do Papa por oposição ao sectarismo ressabiado do comentador. Se da histórica entrevista ressalta a extraordinária vocação do Papa para abrir janelas, criar pontes, fomentar o encontro, de Bento Domingues não se pode dizer o mesmo: colando-se ao discurso de Bergoglio, ele não evitou exibir toda a sorte de preconceitos e ressentimentos para acentuar todas fracturas reais e imaginárias existentes na Igreja de Pedro. E para que fique claro: os católicos que ele chama “de direita” revêm-se e orgulham-se deste Papa cujo coração do tamanho do Mundo devia ser uma lição para certas franjas fundamentalistas de que Bento Domingues é um triste exemplo. 

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Morreu o Senhor Dom José Policarpo

por Maria Teixeira Alves, em 12.03.14

Morreu Dom José Policarpo, Patriarca emérito de Lisboa, um homem da igreja e nessa condição um homem da sociedade. Seguir Jesus Cristo é ser um homem cristão em todas as horas da nossa vida, o que não é a mesma coisa que ser santo. É saber sempre destinguir o bem do mal, defender o amor e ter o sentido do belo. Esse é o grande legado de Dom José Policarpo.

Era um homem culto, inteligente, com um enorme sentido estético no conceito mais amplo, não só na arte e cultura, como também na vida. Um homem que, tal como Bento XVI, considerava que todos deviamos fazer das nossas vidas lugares de beleza. 

Tinha uma preocupação com a reserva moral das sociedades. Era um homem com uma preocupação com o caminho da solidão que as sociedade humanas, sobretudo, ocidentais, estavam a tomar. Preocupava-o a actual situação "amoral" das sociedades. Essa preocupação sociológica com a evolução das sociedades estava patente nas suas teses académicas. 

Estudou filosofia e teologia nos seminários de Santarém, Almada e Olivais, em Lisboa, tendo-se licenciado (2º grau canónico) em Teologia Dogmática, em 1968, pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, com uma tese intitulada Teologia das religiões não cristãs. Prosseguiu os seus estudos na mesma universidade, tendo-se doutorado também na área da Teologia Dogmática com a tese "Sinais dos Tempos. Génese histórica e interpretação teológica". </p>

Esta preocupação com a evolução dos valores acompanhou toda a vida do anterior Cardeal Patriarca de Lisboa.

A sua generosidade, lucidez e bondade marcam o seu trabalho enquanto Homem da Igreja. 

A missa é sexta-feira às quatro da tarde na Sé de Lisboa

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Dom Manuel Clemente

por João Távora, em 26.05.13

Por mais entrincheirados que nós católicos vivamos nestes dias num Portugal também ele fracturado, a paz terá que ser sempre negociada. Nesse sentido Dom Manuel Clemente é uma boa noticia, pois só a convocação massiva de inteligência travará essa continuada capitulação.
A não perder o artigo de Henrique Raposo na revista do Expresso sobre o novo Patriarca de Lisboa.

 

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“A igreja naturalmente pode conversar sobre este assunto (discutir com o Governo a extinção ou a deslocação de feriados religiosos), (...). Naturalmente partindo do pressuposto que o Governo diminui um ou alguns feriados civis" declarou afirmou o padre Manuel Morujão ao Público.

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Violência doméstica

por João Távora, em 21.08.10

 

Sobre a injusta preocupação do Filipe Nunes Vicente a respeito do papel da Igreja Católica na praga da violência doméstica, ressalta-me um grave equivoco: é o de pensar que “estar no terreno” significa fazer simpósios, reuniões, sessões de esclarecimento. Para lá da intervenção social da Igreja com lares, comunidades e outras obras, tenho para mim que o problema, mais do que civilizacional ou legal, é existencial, um plano privilegiado para a actuação da fé. Não descurando a importância do debate sobre estas e outras chagas sociais, neste caso, tenho muitas reservas sobre a eficácia da “propaganda” (contra mim falo, é a minha profissão). Por exemplo, tirando os debates motivados pelos referendos, não tenho notícia que o tema do aborto tenha alguma vez sido assunto privilegiado nas homilias, ou especialmente referenciado pela hierarquia. Acontece que religião interfere a montante, coisa que a Igreja faz há dois mil anos: o apelo a um caminho de santidade, de conversão a Cristo, e que é a última razão de existirmos. Em todas as paróquias, de todos os púlpitos, confessionários; em todas as orações, o apelo é sempre o mesmo e só ganha materialidade com uma prática e consciência profunda: a conversão. Trata-se de um difícil caminho, diferente de pessoa para pessoa, para a liberdade; o milagre do camelo trespassar o buraco da agulha: não pode ser discurso, mas vivência. Tivesse o Filipe vontade e eu ilustrava estas palavras com algumas pistas: comunidades, paróquias, e verdadeiros Santos anónimos, cujo trabalho é verdadeiramente orgânico, ultrapassando em muito a esfera do “terreno”. A bondade é algo bem mais difícil de realizar do que recomendar aos outros, por isso a luta contra a violência doméstica só resulta eficaz se for travada dentro do coração das pessoas. E isso pode significar um longo e duro processo de descoberta do Amor.

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