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Enfrentando um assunto doloroso

por João Távora, em 29.08.18

Papa Francisco.png

O arcebispo Carlo Maria Vigano, divulgou há dias uma carta com gravíssimas acusações ao Papa Francisco, de ter anulado sanções contra o cardeal McCarrick que terá abusado de jovens seminaristas e sacerdotes, assim como acusa vários bispos americanos e os Jesuítas de apoiarem a agenda LGBT. Trata-se obviamente de um acto desesperado de guerra que visa atingir mortalmente o sucessor de Pedro que, como seria de esperar, hoje se escusou a defender-se na Praça de São Pedro.

Acontece que na Igreja sempre conviveram facções, houve luta pelo poder e nela concorreram ambições, vaidades e pessoas diferentes, algumas certamente homossexuais, com inaudita capacidade de intriga. É da natureza dos homens e das suas organizações, não é difícil imaginar.

Mais grave que tudo isso são os comportamentos repugnantes denunciados um pouco por esse mundo fora, a inacção ou conivência da hierarquia com esse tipo crimes que nunca deveriam ter acontecido pelas mãos de homens de Deus. E nesse sentido importa perceber como foram possíveis tais actos, e qual a ”fragilidade” que é porta aberta a tais escândalos. Não importa se foram poucos em termos relativos ou espalhados no tempo, importa que a Casa de Deus (paróquias, escolas, santuários, etc.) tem de ser um local sagrado e de santidade – como caminho do pecador para o exemplo de Jesus Cristo.

O que me angustia por estes dias é como explicar as notícias que hoje são manchete a uma criança. Não basta dizer que o assunto é complexo: irónico é como o Papa Francisco que pela primeira vez em décadas conseguiu trazer alguma “boa imprensa” ao Vaticano, poder ver-se agora cilindrado na voragem mediática por causa de um arcebispo reaccionário (sim, reaccionário, que conservador sou eu).  

Irónico é constatar que a maior crise que a Igreja hoje enfrenta, apesar dos encarniçados inimigos que há duzentos anos a sitiam e afrontam, acontece afinal por responsabilidade própria. Como já avisara o Papa Bento XVI aquando da sua visita a Portugal em 2010 “A maior perseguição à Igreja não vem de inimigos de fora, mas nasce do pecado da Igreja”.

Nesta hora difícil, o Papa, pastor desta nossa Igreja peregrina que é legado de Pedro e esposa de Jesus, eleito para nos guiar neste tempo, com a inspiração e poder do Espírito Santo, necessita de muita oração dos católicos por todo o mundo a quem se impõe que se unam à sua volta. Para levar de vencida mais esta crise e devolver-lhe o prestígio e a autoridade que é exigível aos que professam a mensagem e exemplo de Cristo.

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Chefe da Igreja belga esbofeteado

por Pedro Quartin Graça, em 06.11.10

O chefe da Igreja Católica belga, o arcebispo André-Joseph Léonard, foi esbofeteado durante a missa de Todos os Santos na Catedral de Saints-Michel-et-Gudule, em Bruxelas. A bofetada foi confirmada pela porta-voz do arcebispo, Claire Jonard, e pelo mestre das cerimónias da catedral, Patrick Vanderhoeven. A agressão foi filmada e o vídeo posto a circular na internet.

As opiniões do chefe da Igreja Católica belga, sobre alguns temas controversos da sociedade, como a SIDA, homossexualidade e padres pedófilos, têm suscitado muita polémica e poderão estar na base do inusitado e lamentável gesto.

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Um bom negócio *

por João Távora, em 03.05.10

 

Uma das suas mais bem sucedidas invenções do ocidente contemporâneo, anestesiado e pouco atreito à inquietação existencial, é o deus subjectivo, inventado à medida do indivíduo, das suas conveniências e limitações. Este deus taylormade tão ao gosto da carneirada acrítica, surge duma ilusão de liberdade da rapaziada: é pessoal, flexível, descartável e… para desgraça do fulano, tão fiável como o próprio. Assim, na primeira situação de apuro – e como um individuo saudável lá bem no seu intimo reconhece a sua precariedade e não se leva muito a sério - o seu deus voa como a água do banho do bebé pela janela fora, inútil e oco como as todas as razões do mundo que não lhe chegaram para resgatar a luz. Acontece que o Deus verdadeiro é o nosso criador e não nosso criado: se O podemos encontrar dentro de nós, jamais O podemos confundir connosco. Através da religião (que tem por função religar, enquadrar, dar sentido) podemos praticar o encontro e a relação com Ele na sua Igreja: pela leitura da Palavra, (as escrituras) pela Oração (relação) e pela Comunhão (Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles).

Nesta cultura mercantilista, muita gente exige saber o que ganha com Deus, para que precisa Dele. Duma forma porventura simplista eu arrisco uma boa razão: se o Homem o é com as suas circunstâncias, Deus “serve” para nos libertar dessas "circunstâncias", coloca-las sob perspectiva e na sua real importância, alivia-nos as costas dessa malfadada carga: as nossas limitações, inseguranças, derrotas e frustrações.

Aceitar o desafio para a construção dessa Relação redentora é o caminho que Igreja de Pedro nos convida a trilhar. O destino é a libertação de cada um, ou se quiserem a felicidade. Um bom negócio sem dúvida.

 

* texto inspirado numa recente conversa informal por mim tida com jovens adolescentes

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Casar não é obrigatório

por João Távora, em 21.04.10

 

 


Na continuação da sua Jihad, o Diário de notícias titula hoje que 60% dos divórcios tem origem em casamentos pela Igreja: este é no meu entender um claro sinal da leviandade e dos equívocos com que muitos casais se abalançam para esse sacramento, muitas vezes por causa da tradição ou por mero apontamento folclórico. Claro que há divórcios e divórcios, a hierarquia deverá saber responder com mais agilidade a muitas situações dramáticas e concretas no seio das suas comunidades. A "anulação" canónica dum casamento é difícil mas possível: sei do que falo.

Sou daqueles que considera que, mesmo sob pena de provocar impopularidade, a Igreja deveria ser mais exigente com os casais a respeito dos pressupostos para este sacramento. Confesso que tenho muita dificuldade em entender o que é um “católico não praticante”. Se não pratica, se não aspira e exercita devotadamente a sua catequese em Cristo, não goza nem se fortalece com as Graças da fé: não é católico, ponto final. De facto, como referiu em tempos o Papa Bento XVI, nestes acirrados tempos de individualismo os católicos têm que se habituar a viver como resistente minoria. De resto parece-me definitivamente que casar não é obrigatório, muito menos pela Igreja.

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A campanha suja

por João Távora, em 20.04.10

 

O Diário de Notícias há muito que nos habituou a uma abordagem facciosa das informações sobre os assuntos fracturantes em geral e da Igreja em particular, submetendo-as sempre a pontos de vista marginais ou mesmo externos aos interesses da comunidade católica que insiste menosprezar. Essa linha editorial é tanto mais estranha quanto, em matéria de “Opinião”, o jornal demonstra um posicionamento pluralista, reunindo católicos praticantes como a Maria José Nogueira Pinto, Adriano Moreira, João César das Neves, Pe. Anselmo Borges, e também outros tantos cronistas cuja posição perante a Igreja é pacífica e de boa-fé.

Neste sentido constitui um profundo mistério as razões pelas quais este periódico instituiu como agenda uma abordagem editorial claramente contestatária e anticlerical. Pergunto-me se a posição é política ou comercial: suspeito que nestes dias do materialismo ridicularizar pessoas religiosas, padres, bispos e Papas renda popularidade, um atributo que raramente anda a par da seriedade.

Veja-se como nos dois últimos dias, dois artigos — ontem com a entrevista a dois padres casados contra o celibato (redigido pela Fernanda Câncio, uma «desinteressada» especialista na «matéria») e hoje um outro sobre católicos (?) homossexuais e contestatários — denunciam uma linha anticlerical, uma campanha a favor duma revolução no interior da Igreja de acordo com descartáveis cânones mundanos como o casamento homossexual. Certamente a receita mais eficaz para uma rápida extinção desta milenar instituição.

Suspeito que o fundamento da inquietação que muitos não crentes manifestam a respeito do celibato do clero, a ser tida como altruísta, esteja bem explicada na forma como a jornalista Fernanda Câncio titula o seu artigo: "E eles não viveram sós para sempre". Não sabem os pobres, que um verdadeiro cristão conquistou e usufrui da melhor e mais calorosa das companhias: Jesus Cristo. Acredito que essa é uma realidade muito difícil de entender para um descrente, quem sabe causadora de incómodos ressentimentos.

De resto, parece-me absurdo que, ao lado destas capciosas peças jornalísticas estejam colocados anúncios de merchandising de apoio à visita do Papa, que se subentende responsável máximo da instituição que se nos pretendem fazer crer como hedionda e criminosa.

Finalmente deixo um desafio: porque é que o Diário de Notícias não intercala estas “notícias” com outras, dando a conhecer a fundo a Igreja viva no terreno e a sua fé em Cristo que inspira milhares de pessoas de boa vontade a viver com harmonia e ajudar os outros?

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Parabéns ao Papa

por João Távora, em 16.04.10

 

Papa Bento XVI

 

(...) Ratzinger, num mundo desmazelado e incoerente, é uma clara referência de autoridade intelectual e de seriedade consistentes. Não apenas por aquilo que representa para milhões de católicos espalhados por toda a Terra, mas, sobretudo, porque acentuando corajosa e persistentemente três ou quatro temas fundamentais, a sua palavra exprime a preeminência da fé cristã como o único "registo" de futuro verosímil (ou a sua equivalente "esperança", a "esperança por que fomos salvos, spe salvi) face às abstracções da "racionalidade" laica traduzida na "teologia do progresso", na "modernidade" e na "laicidade", a mãe de todos os disparates e de todos os oportunismos que quase sempre escondem o jacobinismo mais feroz e primário. (...) Denuncia a "ditadura de relativismo que não reconhece nada como certo e que tem como objectivo central o próprio ego e os próprios desejos". Exige uma fé "mais madura" e um combate ao "radicalismo individual" que nos faz "ser criança andando ao sabor de ventos das várias correntes e das várias ideologias". É, inequivocamente, um pós-moderno sem complexos retóricos que, desde muito cedo, avisou a Igreja para se preparar a viver em minoria. Habituem-se, pois, todos.

 

João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos

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Da intolerância e má fé

por João Távora, em 15.04.10


Nestes duros dias de despudorado achincalhamento aos católicos,a Igreja absolve os Beatles tem sido uma abusiva manchete glozada e abusada pela comunicação social e pelos jacobinos do costume. Este inusitado tema surge a propósito dum artigo publicado no L'Osservatore Romano em que o editor chefe da publicação, Giovanni Maria Vian, se afirma encantado com a música da mítica banda dos anos sessenta. Naquilo que considero uma clara demonstração de bom gosto, há uns meses atrás o mesmo jornal elegera "Revolver" como um dos dez melhores álbuns da história da música Pop e agora anuncia que as atitudes e declarações libertinas dos Quatro de Liverpool ocorridas nos loucos anos sessenta, são hoje águas passadas, e que o que permanece é um precioso legado artístico.
Para além da expressão dalguns legítimos protestos, afirmados à época por alguma hierarquia a propósito das provocações dos rapazes (principalmente John Lennon), a Igreja nunca teve nem poderia ter uma posição oficial sobre o assunto. Custa-me entender a má fé com que os media tratam este tema e quase tudo o que a Igreja Católica afirme: diga o que disser, uma coisa ou o seu contrário, essas afirmações, retiradas do seu contexto, são rapidamente julgadas queimadas na voraz fogueira do pensamento único.

A verdade é que naquele tempo até o meu saudoso pai, uma pessoa culta e criterioso melómano, contemporizava apreensivo, a forma apaixonada e insistente como o meu irmão e eu aderíamos à onda da beatlemania. Também ele acabou passados alguns anos por se render à fascinante criatividade musical dos quatro de Liverpool. O caso, é que a adolescentocracia instaurada não descansa enquanto não matar o pai. Essa é a razão porque o desafio à santidade proposto por Cristo, colocada ao lado do sacrossanto relativismo moral que desobriga o indivíduo da sua perene responsabilidade na História tende a ser mal interpretada. De resto, suspeito que a fogueira com que o mundo, intolerante, hoje queima a Igreja e as religiões em geral, há-de queimar muito mais à sua volta. Quem sabe a própria civilização.

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De fonte insuspeita:

por João Távora, em 14.04.10

E a Igreja tem de reagrupar. É vital que se mantenha na stasis europeia, pelo menos, uma voz representativa e céptica face à despersonalização implacável erigida como estandarte da liberdade. Filipe Nunes Vicente a ler aqui na integra

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Lições duma Páscoa que vivemos

por João Távora, em 06.04.10

 

Para lá dos viciados julgamentos mundanos de que nós os católicos somos hoje vitimas, o facto é que se Jesus Cristo teve um traidor entre os seus doze apóstolos. Como não haveria a Igreja de os ter multiplicados no Século XXI?

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Os espíritos assombram a Câmara Corporativa...

por Pedro Quartin Graça, em 30.03.10

O "Corporações" está virado para o espiritismo... Só assim se compreende o facto de Miguel Abrantes fazer, surpreendemente(?) uso de um texto da Comunidade Espírita do Brasil sobre a forma de eleição do Papa para desancar na Helena Matos só porque esta deu, e bem, um raspanete ao turco Ali Agca o qual havia dito que o Papa devia abdicar, ao pedir a sua demissão, isto depois de, dias antes, o mesmo ter afirmado que gostaria de se encontrar com o Papa em Fátima mas ter ficado sem resposta às suas cartas... Coisa estranha esta.

É aliás inusitado o número invulgar de notícias que saem na imprensa portuguesa diariamente atacando o Papa e a Igreja em geral. Sem dúvida uma verdadeira maquinação. É que a pedofilia, sendo uma prática muito grave, não está todavia presente, felizmente, em todas as Igrejas Católicas do mundo e, essencialmente, não pode ser transformada publicamente em peste universal. Apetece perguntar se, por um pequeníssimo acaso, este súbito interesse em dar à estampa textos sobre a Igreja terá algo a ver com a próxima visita do Papa ao nosso País ou apenas com uma súbita descoberta de que todos os males do mundo têm um único e exclusivo culpado, agora transformado em alvo a abater?

Estou curioso em ver se aqueles que agora escrevem sobre as malfeitorias de uns tantos padres não serão os primeiros que receberão de braços abertos, em Lisboa ou no Porto, o Santo Padre.

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Ler os outros

por João Távora, em 24.03.10

 

A Igreja Católica não é sinónimo de pedofilia. Aproveitar a maldade de uns quantos padres para denegrir a Igreja e a fé de milhões de pessoas é uma demonstração de desonestidade intelectual. Quando um professor é acusado de pedofilia, alguém se lembra de colocar em causa a profissão de "professor"? Perante um professor pedófilo, alguém se lembra de colocar em causa a ideia de "escola pública"? Claro que não. Ora, por que razão essas generalizações abusivas só acontecem quando falamos da Igreja?

 

Henrique Raposo

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A Pedofilia e a Igreja Católica

por João Távora, em 17.03.10

 

 

Têm-me causando uma profunda apreensão e amargura as notícia que vêm ultimamente a lume sobre o envolvimento de membros da Igreja em casos de pedofilia. Por mais doloroso que seja, torna-se urgente uma abordagem radical e desapaixonada ao problema por parte da hierarquia, com a assumpção de medidas peremptórias e sem contemplações, de denúncia e erradicação deste fenómeno de qualquer estrutura da Igreja. De pouco me interessa que a pedofilia e o abuso de menores tenha sido uma prática transversal menosprezada e escondida nas mais distintas instituições laicas, principalmente aquelas que contemplassem regime do internato de crianças. Cada caso que permaneça mal resolvido e explicado, cada novo escândalo publicado, constitui mais uma machadada no processo de descristianização que vem ocorrendo no ocidente liberal e materialista. Se assim não for, a Igreja Católica, que trava uma decisiva luta pela sua sobrevivência nesta cultura leviana e hedonista, só poderá queixar-se de si própria: a propaganda anticlerical, de forma mais ou menos conspirativa, exulta e empolará toda e cada uma das notícias que surgirem. 

De resto, mais talhado a pensar o bem do que o mal, quero acreditar que a sucessão de trágicos erros que redundaram nestes escândalos e no seu encobrimento, pode bem ter origem no que de mais nobre tem o cunho personalista cristão que, apesar de tudo, esmalta a Igreja: a crença numa regeneração do homem pelo arrependimento. Assim, tragicamente se menosprezou a índole profundamente patológica do fenómeno da pedofilia, que em conjunto com a ancestral “vergonha” da Igreja em lidar com as questões da sexualidade, redundou nos factos com que hoje nos confrontamos.

Por mim, espero e exijo muito mais da Igreja de que me assumo parte: se cada escândalo comporta  uma atroz e dolorosa vergonha, um arrepiante pecado, o facto é que isso não demove a minha fé e a crença de que o que de melhor o Homem possui continua a plasmar-se dentro da Igreja errante e visceralmente humana. Sem desprimor para muitos ateus e agnósticos excepcionais, mesmo pela bitola da mais genuína santidade cristã, em termos abstractos, a minha expectativa sobre a conduta moral e ética de qualquer cristão praticante é inexoravelmente superior: isto porque o caminho da fé cristã, sendo difícil e carregado de escolhos, é inseparável duma autocrítica, duma exigência e dum contínuo aperfeiçoamento, utopia fundamental para uma  comunhão plena em Cristo. 

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Da falibilidade do Papa

por Teresa Ribeiro, em 07.02.09

Bento XVI chocou muitos dos seus fiéis e pôs a própria Alemanha, de que é natural, em xeque ao decidir reabilitar um bispo que negou por três vezes que judeus tenham perecido nas câmaras de gás durante o Holocausto. Agora diz que não sabia de nada, como se tal fosse possível. Shame on you!

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A Igreja que eu conheço III

por João Távora, em 01.06.08

Há algum tempo prometi dar a conhecer iniciativas ou causas da Igreja que assumo pertença, tão nobres quanto esquecidas pela implacável Comunicação Social dos Sound Bites e pela cultura burguesa anticlerical. Nesta adolescentocracia leviana e estéril em que vivemos, reconheço a dificuldade em testemunhar o pulsar orgânico desta religião milenar tão complexa quanto plural. A orgânica da Igreja, não obedece à lógica do partido político, da linearidade das facções, muito menos a uma lógica empresarial. O objecto da religião é Deus criador que devolve ao homem a esperança no seu amor. Uma descoberta que tem o poder de mudar as vidas das pessoas comuns, de lhes trazer a felicidade e imprimir um sentido maior. Essa é uma graça que um dia descobri e que continuo a redescobrir numa caminhada de crescimento interior, feita de vitórias e de hesitações, avanços e recuos.

Muitas vezes tida como importante para a formação do indivíduo, a formação religiosa vulgar queda-se normalmente pelo terceiro ano, ocasião da Primeira Comunhão, ritual festivo muito popular nem sempre pela razão certa. Assim, a catequese termina precocemente para quase todos os miúdos com um fatinho de cerimónia e os inerentes festejos gastronómicos. Prevalece assim uma formação religiosa precária, um saber infantilizado, totalmente ineficaz para as questões existenciais de qualquer adulto com um mínimo de criticismo racional.
A catequese ministrada nas paróquias é disponibilizada até ao décimo catecismo, e a partir daí, a Igreja possui diversos movimentos autónomos, onde o crescimento e o aprofundar do conhecimento religioso é concebido para distintas apetências estéticas ou intelectuais: das comunidades Neo-catecomunais, aos intelectuais Comunhão e Libertação, dos grupos GEN aos sensoriais Carismáticos, aos Jesuítas CVX (Comunidades de Vida Cristã) e tantos outros, são muitos os movimentos católicos onde a vivência cristã é apreendida e praticada num crescendo de compromisso e maturidade.

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A Igreja que eu conheço IV

por João Távora, em 01.06.08

 

O Movimento das Equipas de Casais de Santa Isabel, nasceu em 1989 fundado pelo Cónego Carlos Paes e três casais destinando-se prioritariamente a casais divorciados e recasados pelo civil que pretendem fazer parte activa da Igreja Católica Apostólica.  Este movimento de que a minha mulher e eu fazemos parte, foi inspirado na filosofia e estrutura dos Casais de Nossa Senhora que privilegia o crescimento espiritual do casal enquanto tal, na aceitação das orientações da igreja universal. Sendo a espiritualidade uma vertente humana essencial, a sua assunção e aprendizagem como casal potencia a sua realização mais plena e mais adulta. O Movimento de Casais de Santa Isabel é constituído por várias equipas compostas por três ou quatro casais. Com a assistência espiritual de um sacerdote, as equipas reúnem-se rotativamente num jantar em casa de um casal do seu grupo. Estas reuniões acabam por constituir simultaneamente uma caminhada de amizade e aprendizagem de uma catequese viva, com base na leitura dos evangelhos, na oração comum, sem descurar a partilha das ansiedades, dúvidas e naturalmente os sucessos mais mundanos. Como membros da Igreja, reconhecem a responsabilidade de aprofundar as implicações teológicas e canónicas da sua situação, a fim de contribuir para um melhor enquadramento pastoral dos católicos divorciados e recasados.

Todos os membros das equipas são vivamente convidados a exercerem actividades de voluntariados de cariz social, como forma de partilhar e receber de outras fontes o enriquecimento necessário a uma caminhada de santificação.
Para além das reuniões mensais de equipa, os casais também se encontram ao longo do ano com outras equipas, quer para retiros espirituais, peregrinações ou simples convívios. Finalmente, têm como preocupação comum dar a conhecer a existência deste movimento, sobretudo aos casais que partilhem das circunstancias já referidas. Com muito gosto deixo eu então a informação: no mínimo talvez seja uma janela de esperança para quantos a procuram.

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A propósito de jesuítas

por Corta-fitas, em 06.12.07
Coisas destas lembram-me sempre a anedota que contava o então ainda capelão João Seabra:
- Senhor padre. É verdade que um jesuíta responde sempre a uma pergunta com outra pergunta?
- Quem é que te disse isso?

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Para o que lhes havia de dar

por Corta-fitas, em 19.06.07

Pensei que era a brincar, mas a Associated Press não faria uma coisa dessas. O Vaticano divulgou hoje os seus 10 Mandamentos para o Condutor. Leiam e cumpram-nos. Eu não tenho intenções de fazê-lo, até porque nunca tive carta de condução (Embora já tenha tido um carro. Oh! Que saudades do meu Simca 1300 com banco corrido à frente).

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Domingo

por João Távora, em 01.04.07
(6º da Quaresma)

Evangelho segundo S. Lucas 22,14-71.23,1-56.

Quando chegou a hora, pôs-se à mesa e os Apóstolos com Ele. Disse-lhes: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer, pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento no Reino de Deus.»
Tomando uma taça, deu graças e disse: «Tomai e reparti entre vós, pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até chegar o Reino de Deus.»
Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em minha memória.»
Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós.» «No entanto, vede: a mão daquele que me vai entregar está comigo à mesa! O Filho do Homem segue o seu caminho, como está determinado; mas ai daquele por meio de quem vai ser entregue!»
Começaram a perguntar uns aos outros qual deles iria fazer semelhante coisa. Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles devia ser considerado o maior.
Jesus disse-lhes: «Os reis das nações imperam sobre elas e os que nelas exercem a autoridade são chamados benfeitores. Convosco, não deve ser assim; o que fôr maior entre vós seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve. Pois, quem é maior: o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é o que está sentado à mesa? Ora, Eu estou no meio de vós como aquele que serve». (Continua aqui)

Da Bíblia Sagrada

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Lamentável cegueira

por João Távora, em 14.02.07
Considero que a crescente perda de influência da Igreja Católica na formação das consciências é decisivamente um drama civilizacional. Custa-me a entender como alguns desastrados protagonistas da nossa história, de má-fé, se possam congratular com isso, desprezando o progressivo esvaziamento de valores e o amargo vazio espiritual do “homem moderno”, das nossas desenraizadas gentes. Esta atitude só provém de quem por conveniente cegueira não lida com as gentes reais, não "desce" aos bairros miseráveis ou à cinzenta periferia da exclusão.
A mensagem do cristianismo é intrinsecamente boa, por mais mal interpretada e adulterada que possa ser. Desprezar ou ignorar a obra social e a intervenção espiritual da Igreja Católica na nossa sociedade é um acto de completa estupidez.
Se algum dia, por absurdo, numa patética batalha final, toda a herança de Cristo for destruída, espero que estes poderosos senhores tenham qualquer coisa para lá pôr, em vez do desespero.

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