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Da ideologia de género

por João Távora, em 23.01.20

“Assim como para assegurar a eliminação das classes económicas é necessária a revolta da classe mais baixa, o proletariado, e numa ditadura temporária a tomada dos meios de produção, também para assegurar a eliminação das classes sexuais é necessária a revolta da classe mais baixa, as mulheres, e a tomada do controlo da reprodução. Assim como a meta final da revolução socialista não era apenas a eliminação do privilégio da classe económica, mas da própria distinção da classe económica em si mesma, também a meta final da revolução feminista deve ser não apenas a eliminação do privilégio do homem, mas da própria distinção sexual em si mesma.”

Shulamith Firestone, 1970

"A ideologia de género entende-se como um conjunto de ideias anticientíficas que com propósitos políticos extirpa a  sexualidade humana da sua realidade natural e a explica somente pela cultura."

Agustin Laje

O supremo interesse da criança

por Corta-fitas, em 27.08.19

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Há coisas que é de toda a conveniência, e mais encantador, que sejam mistas, ou seja, abertas a homens e mulheres. Por exemplo, os restaurantes, os coros, a patinagem artística e, sobremodo obrigatoriamente, a família. Há coisas que não convém que sejam mistas. Por exemplo, as equipas de futebol, as prisões, as consultas de urologia ou ginecologia. Também os urinóis.

As ideologias (aqueles pensamentos imperialistas que detestam a realidade e a violam) preferem os argumentos aos factos. As ideologias redobram os seus esforços contra a realidade inventando uma linguagem que violenta a razão. Para a gente da ideologia a liberdade, em abstrato, será sempre mais importante do que as pessoas livres, em concreto.

A ideologia detesta que existam homens e mulheres. Dai decretar que cada um pode ser o que quiser. Querem proteger minorias muito militantes, contra maiorias muito passivas - pessoas comuns parecem aceitar “tudo” desde que isso não signifique pagar mais dinheiro ao Estado…

Convém acrescentar, que a lei é muitas vezes o método mais fácil para exercer a tirania.
Foi, e é, com a lei nas mãos que todas as policias politicas perseguiram os que desobedeciam ao Estado…

De igual modo, será bom ter em atenção que uma criança só ensinada na escola pública é uma criança mal-educada! Pior, tenderá mesmo a ser uma criança traumatizada: com medo crescente de não ser igual à ideologia dominante.

Um desejo: que bom, seria se os mais pequenitos fossem ajudados a crescer, de preferência por gente que não fosse mais pequenina ainda do que eles.
Antes demais no que diz respeito ao bom senso!

Padre Pedro Quintela
Fonte: Folha Paroquial (Monte da Caparica) | 25-8-2019

Eles não gostam, mas nós insistimos no tema

por João Távora, em 25.08.19

Portanto, com base numa apreciação feita não se sabe em que termos começa um processo, não se sabe coordenado por quem e muito menos se percebe com vista a quê. Pode, por exemplo, a escola decidir que a criança deve mudar de género? Que poderes, competências, saberes têm as escolas para desencadear um processo destes? E quem é que numa escola pode ser obrigado a assumir responsabilidades num processo desta natureza: os professores? Ou vai franchisar-se esse trabalho para aquelas associações já contratadas para leccionarem Educação para a Cidadania e que podem passar da redacção de questionários para a produção de ordens sobre a vida das crianças?

A ler a Helena Matos

Ao Miguel Pinheiro

por Corta-fitas, em 23.08.19

Aprecio por regra o Miguel Pinheiro mas aqui não concordo minimamente com a sua interpretação. Desconheço se o Miguel Pinheiro é jurista mas o que escreve não é, de todo, o que está no despacho.
O despacho refere que intervenção dos pais e encarregados de educação releva para os procedimentos previstos nas várias alíneas do nº 1 do artº 5 que claramente tem um regime diferente do regime previsto nas alíneas 2 e 3 do artº 5º.
O nº 1 do artº 5 regula as situações das crianças e jovens transgénero (parece que são apenas 200 num universo de mais de 2000 escolas). E nesses casos o acompanhamento dos pais está previsto.

Já os números 2 e 3 do artº 5ª que estabelecem o direito da criança autoatribuir um nome, ou de escolher as casas de banho aplicam-se à todas as crianças e não às em situação de transição de género e sem a necessidade de intervenção dos pais.

De acordo com o despacho apenas o nº 1 se aplica a situações de crianças transgénero e a alínea C do nº1 do artº 5º é clara ao determinar que a vontade dos pais é relevante para as situações previstas apenas nas alíneas a) e b) do nº 1 do artº 5º do Despacho. Convém ler o despacho.

Uma coisa são medidas de proteção das características sexuais de cada pessoa e de combate à discriminação. Outra coisa é o estado obrigar todas as escolas a determinar medidas de promoção de autodeterminação sem o envolvimento dos pais.

Já sabemos que para o PS os despachos e as leis não podem ter interpretações literais. Que o Secretário de Estado queira tentar tentar iludir os portugueses interpretando agora o despacho contra o que está escrito não me surpreende. Que o Miguel Pinheiro não tenha tido o cuidado de perceber que o regime previsto nos nº2 e 3 do artº5º é expressamente diferente do nº1 já me surpreende.

Finalmente se foi engano da Secretaria de Estado não há problema todos nos enganamos e os despachos estão todos os dias e ser alterados. O Secretário de Estado tem uma solução muito fácil. Altera o Despacho e transforma os nº2 e 3 do nº5 em alíneas do nº1 e a actual alínea c) do nº 1 passa para o final do despacho e fica o problema resolvido.

Pedro Pestana Bastos

Da apropriação do combate à violência de género – combate que todos partilhamos — passou-se uma linha também ela violenta. E que linha é essa? A de que em matéria de educação, a liberdade tem de ceder diante de ideias que são no mínimo discutíveis. A linha de que basta a autoridade para se impor um caminho que assenta numa determinada concepção do corpo, da pessoa, da vontade e da liberdade. A de que o Estado se pode intrometer nas questões mais vitais, como se estivesse melhor colocado e soubesse avaliar melhor o que é bom para cada criança.

É natural que este combate indigne tantas famílias, pois o que está em causa são direitos elementares das crianças, que à família, em primeiro lugar, cabe proteger. É a Declaração Universal que determina que a família tem direito a ser protegida diante do Estado, Estado que, ao contrário do que estabelece a Constituição da República Portuguesa, está mesmo a programar a educação segundo diretrizes filosóficas, políticas e ideológicas.

A ler na integra o Filipe Anacoreta Correia, aqui.

Se eu soubesse o que sei hoje

por João Távora, em 21.08.19

Fonte-urinol-Marcel-Duchamp-1917.jpg

Na segunda metade dos anos setenta, no meu gira-discos, nas festas de garagem ou do liceu, tocavam as mais excêntricas batidas e desconcertantes sentenças bramidas por bandas que fariam corar de vergonha os mais atrevidos millennials que por aí deambulam a consumir “experiências”. Respaldado por uma família bem estruturada, debaixo de um ambiente político ainda dominado pelos militares e pela ortodoxia do conservadorismo comunista, a estética insolente e luxuriosa do Rock e de alguma música contestatária que então ecoava proveniente de Inglaterra e dos EUA, constituíam uma saudável fenda numa cultura profundamente castradora que era o “mainstream“ que sobreveio ao Estado Novo. Naqueles anos loucos, neste jardim à beira mar plantado, havia muros verdadeiramente por derrubar e limites por explorar, a moda explodira cá com 10 anos de atraso. A desconstrução é um processo crítico de reinvenção que funciona quando o objecto combatido é experimentado, sólido e tem pilares firmes. O que é trágico é que hoje já não há instituições tradicionais para desconstruir, não se desconstrói o que está feito em cacos. Se é certo que uma família consegue assimilar um “excêntrico” no seu seio, demasiados excêntricos arruínam uma família e receio que o mesmo suceda com uma cidade ou com uma civilização. Pela parte que me toca, a liberdade que experimento hoje, foi construída com o pão que o diabo amassou, em cima de muitas escolhas equívocas e até de erros crassos. Mas o facto é que quando foi necessário, tive uma alternativa, um caminho de volta, proveram-me um atalho de volta a “casa”.

Aqui chegados, a barafunda de referências que as novas gerações encontram parece-me letal. Os corpos intermédios, fundamentais para darem massa crítica a uma comunidade, os chamados contrapesos, estão cada vez mais fragilizados. Se o esvaziamento do interior, das antigas vilas e aldeias, é compensado pelo crescimento das grandes metrópoles, aí predomina o hiperindividualismo, uma sociedade profundamente fragmentada. Nelas sobrevivem com dificuldade as velhas paróquias, clubes de bairro e as associações culturais. A família, que deveria ser a célula base da sociedade, já viu melhores dias: Portugal é o país com a taxa de divórcios mais alta da Europa com 64,2 divórcios por cada 100 casamentos, os quais como sabemos são pouco fecundos – cada vez nascem menos crianças; os casais são eternos namorados e muitos contentam-se com a companhia de um animal de estimação. Cada vez mais as pessoas nascem e crescem isoladas e sem pertença, formadas para dependerem em tudo do Estado, que tudo regula e a todos domestica, com regras viciadas para a tribalização da comunidade, promovendo toda a sorte de excentricidades e aberrações numa lógica de dividir para reinar.

Lembrei-me disto tudo a propósito do Despacho dos Secretários de Estado da Igualdade e da Educação que saiu na semana passada com medidas administrativas para as escolas promovem a “autodeterminação de género”, com base na tal doutrina que afirma ser o género uma questão de vontade individual e não um desígnio biológico. Pretendem eles em última análise, que haverá tantos géneros quanto pessoas e as suas sensibilidades, ou seja, não há nenhum. Estranho é que este despacho tenha sido publicado enquanto o Tribunal Constitucional aprecia o pedido de fiscalização sucessiva de duas normas da Lei a pedido de 85 deputados liderados por Miguel Morgado.
Que estes caprichos adolescentes tenham sido cantados por bandas dos anos 60 e 70 eu percebo, em função do contexto e da época. Hoje, esta história de quererem fazer da Escola um acampamento do Bloco de Esquerda cheira a esturro, a não ser que eles tenham perdido de vez a vergonha, e queiram mesmo deitar isto tudo abaixo para dar lugar ao tal Homem Novo, criado, domesticado e regulado pelo governo, sem filhos, sem família, sem Deus ou ligação. Todos com um chip na cabeça, que será a única fórmula de controlar a rapaziada num balneário universal.

Imagem: Fonte, Marcel Duchamp (1917)



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