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Deixem o mercado funcionar

por João Távora, em 17.12.14

Google news.jpg

Este braço de ferro que alastra por diversos países da Europa entre os governos e os grupos de média contra o gigante Google a quem se exige pagamentos pela indexação de notícias parece algo caricato. Veja-se o que aconteceu aqui ao lado nas terras de nuestros hermanos: o governo de Rajoy, pressionado pela Associação de Editores de Jornais Espanhóis criou um pagamento conhecido por ‘taxa Google’ em que por cada conteúdo partilhado no Google News, mesmo que seja só o título da notícia, o gigante da informática teria que pagar à fonte. Como consequência, o fim do serviço foi anunciado pela Google espanhola, o que prenuncia incalculáveis prejuízos para os jornais do país vizinho, já que este do agregador de notícias constitui de longe o mais eficiente gerador de tráfego, que é aquilo que os meios necessitam para viver. 

Mas será que a prolongada crise de adaptação da imprensa às novas tecnologias terá que ser paga através de impostos? Repare-se nas movimentações dos burocratas de Bruxelas como Carlos Zorrinho (pessoa tão experimentada na vida empresarial e na criação de riqueza) a reclamar o retalhe do gigante americano em várias empresas ou na promoção de um motor de busca europeu que os consumidores não pediram.
A questão não estará antes em perceber o porquê da Europa se ter deixado ultrapassar em tantos sectores da economia e agir na raiz do problema? Porquê esta sede de intervencionismo no lugar da regulação? Porque não deixar o mercado funcionar, a receita responsável afinal pelo nascimento e crescimento do gigante mundial Google? 

 

Publicado originalmente aqui

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Não querem ir ao fundo sozinhos?

por João Távora, em 10.11.12


Compreende-se bem a preocupação manifestada recentemente por Pinto Balsemão na conferência “Media e Futuro" 2012 com a “tempestade perfeita” que se vem abatendo sobre os grupos de comunicação social com a crise económica a juntar-se ao choque das inovações tecnológicas e novas tendências de consumo “media”. É de resto perturbador para qualquer espirito democrático a falta de perspectivas e de soluções de viabilidade para uma imprensa verdadeiramente independente e interventiva.
Parece-me no entanto um contra-senso a tese defendida na conferência (de resto em estudo nalguns países europeus) de obrigar os agregadores de conteúdos (a empresa Google, por exemplo) a pagar royalties sobre os conteúdos indexados para pesquisa. Isto quando o objectivo dos meios deveria ser o de maximizar esse mesmo potencial, de modo que as notícias publicadas por si ganhem mais preponderância, e se multipliquem as visitas à sua plataforma, com a consequente valorização das suas receitas publicitárias.
Acontece que o grande sucesso do motor de pesquisa Google está no seu complexo algoritmo, profundamente democrático e transparente, porque exclusivamente indexado à necessidade e proveito do utilizador. De resto estou convencido que a marca sobreviverá bem sem as notícias do Expresso ou os vídeos da SIC. É um péssimo sintoma quando os modelos de negócio confrontados com a decadência pretendem sobreviver de subsídios do Estado… ou à custa do sucesso alheio. Não querem ir ao fundo sozinhos.
Não confundamos as coisas: a praga da pirataria de conteúdos na internet em nada tem a ver com os motores de busca; é antes uma questão legal, cultural, e de pedagogia. Por último, o Dr. Balsemão poderá informar-se no seu departamento de TI como é simples vedar os conteúdos produzidos pelos seus meios à indexação dos motores de busca. Veremos é se isso não é o passo definitivo para o abismo.


Publicado originalmente aqui.

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Dar sentido

por João Távora, em 04.02.11


Recebi ontem na volta do correio um cheque no valor de 70,20€ referente à primeira remuneração duma conta de Adsense do Google, esse sistema de links temáticos aí na barra lateral, que activei há quase dois anos no blogue do Centenário da República e mais tarde aqui no Corta-fitas. Demorou mas arrecadou: isto significa que alcançámos finalmente a receita de 100 Usd. em cliques, a quantia base que a empresa americana definiu para encontro e liquidação das contas.

É assim que, após séria reflexão e algumas conversas, tenho o grato prazer de anunciar que a verba servirá integralmente para apoiar a Associação Vale de Acór uma IPSS sem fins lucrativos que trabalha desde 1994 na recuperação de toxicodependentes. Uma migalha para as necessidades deste ousado projecto que vem devolvendo a dignidade e um sentido para vida a tantas pessoas reais. Acredito que assim se recompensam com justiça todos aqueles que dão vida a estes blogues colaboradores e leitores. Obrigado a todos.

 

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