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A ratificação do tratado (fotonovela)

por Luís Naves, em 27.04.08

1

Após o ruidoso semestre de presidência portuguesa, a ratificação do novo Tratado de Lisboa pela Assembleia da República decorreu no maior secretismo. O Corta-Fitas está em condições de revelar, em primeira mão, que o processo incluiu uma espectacular operação de agentes internacionais, protagonizada pelos famosos Thunderbird. A missão era evitar que alguém soubesse do que acontecera.

Quando foi contactada pelo Governo português, a família Tracy ainda não sabia da complexidade do problema que tinha em mãos:

“É preciso evitar que o povo perceba a importância do conteúdo deste tratado”, disse o representante do governo à família de agentes, reunida no grande salão da sua mansão inglesa.

Três conselhos familiares depois (cada um deles a fazer lembrar um conselho europeu), começou a emergir um plano devastador.

2

Foi sem grande dificuldade que a sensual Lady Penelope convenceu Santana a prolongar o suspense sobre a sua candidatura.

Dias antes, o Thunderbird one convencera Menezes à desistência, abrindo uma oportuna crise no maior partido da oposição. Convencidos de que essa crise tinha mesmo importância (manobra extremamente inteligente dos nossos agentes), a população seguiu com interesse as peripécias dos políticos da oposição. Mas a atitude de Santana seria crucial. Aí, surgiu Lady Penelope, que atraiu Santana a uma conversa a dois:

“Quero que prolongues o suspense sobre a tua candidatura”, disse Lady Penelope, usando a sua irresistível magia.

Fascinado, Santana rendeu-se:

“Farei tudo o que quiser, Lady Penelope, prolongarei o suspense durante vários dias, a ponto de, quando ocorrer a ratificação do tratado de Lisboa, só ser possível falar na crise do meu partido”.

3

Apesar deste primeiro êxito, a rede internacional de agentes secretos não podia correr qualquer risco.

Foi decidido enviar o Thunderbird two com ozono troposférico, para lançar este gás meio anestesiante para a atmosfera, reduzindo a visibilidade em Lisboa, mas também a atenção da opinião pública. A missão decorreu sem incidentes, embora provocasse excesso de calor na semana seguinte e um curioso efeito secundário: a equipa do Benfica sofreu copiosas derrotas, pois os seus craques pareciam distraídos e ausentes, intoxicados pela nuvem.

Mas a ideia funcionara: no dia da ratificação, o parlamento estava envolvido por uma nuvem ou bruma ténue, que reduzia a atenção dos transeuntes, hipnotizando os deputados.

4

Isto ainda não chegava. Era preciso garantir uma votação albanesa e reduzir o debate.

Um deputado de esquerda que queria votar contra a ratificação caminhava nos corredores cheios de fumo (o tal ozono troposférico) ao lado de um deputado da direita que também queria votar contra, quando os dois encontraram o piloto do Thunderbird Four, que se ofereceu para os escoltar (o perigo talibã, etc…).

“Ainda bem que você apareceu. Isto, dos talibãs, é um perigo”, disse o deputado da direita ao agente internacional.

“Temos uma votação muito importante”, explicou o deputado de esquerda. “Este Tratado vai mudar substancialmente o país e acelerar a chamada construção europeia. Os grandes países aumentam o seu poder e ficou por resolver o problema do défice democrático”.

“Pior ainda, perde-se a soberania e o mar português”, dizia o da direita.

 “O mar já não era nosso, ó senhor deputado”, interrompeu o da esquerda.

“Ó sua besta, e a PAC, o que me diz da PAC?”

Foi nesse momento, quando os dois deputados pareciam à beira de uma cena de pugilato, que Thunderbird Four disparou os dardos tranquilizantes. Os dois deputados caíram no chão, inconscientes. Foram levados para um gabinete, onde dormiram a tarde toda. Quando acordaram, tinham sido vestidos com fardas dos Thunderbird e levados para um local secreto, onde ainda estão a ser interrogados. E houve dois votos a menos para os adversários da construção europeia.

5

Foi de facto uma votação discreta, para tal importância. A missão dos agentes internacionais constitui um grandioso êxito. Os Thunderbird já estão algures na Irlanda, onde irrompeu uma curiosa crise política antes do referendo e onde se verificou um estranho aumento do ozono troposférico nas sedes de campanha do “não”.

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