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Em Alfama...

por Luísa Correia, em 09.05.13

 

Recomendo vivamente a leitura deste artigo de William Deresiewicz sobre o tema da amizade. Informa-nos do que já intuíamos sobre a evolução do conceito ao longo dos tempos. Ou de como, de um sentimento exigente e comprometido com os valores da lealdade e da fidelidade, fazendo esperar de um amigo que nos abrisse o seu coração e os nossos olhos, a amizade se metamorfoseou numa espécie de emoção banal, ligeirinha, sem memória, rigidamente acrítica, vocacionada para o coleccionismo e ao serviço quase exclusivo do prestígio do coleccionador. É a quantidade a substituir a qualidade,... como, na verdade, vai acontecendo com tudo na vida.

Em Santa Clara...

por Luísa Correia, em 07.05.13

Leio que, na Escandinávia, a problemática das identidades sexuais dá mais três passos:
- Um, o de criar, num colégio sem dúvida "piloto", vestiários "neutros" para os alunos que pretendam manter em recato a propensão híbrida, identificada pelo prefixo "trans".
- Outro, o de introduzir, no vocabulário empregue numa creche, o pronome pessoal "hen", nem masculino, nem feminino, dirigido ao mesmo estrato populacional.
- E o terceiro, que arrisco apodar de curioso, o de propor no parlamento que se induza nos rapazes, desde os primeiros anos escolares, o hábito de urinarem sentados, não apenas porque é mais saudável e higiénico do que o de o fazerem de pé, mas também porque honra o princípio da igualdade entre os géneros.
Resta-me reflectir se os passos são para a frente, se para trás...

Em S. Pedro de Alcântara...

por Luísa Correia, em 06.05.13

Vivemos, por estes dias, no receio das perdas de liberdade que a net e as suas redes sociais podem implicar. De facto, toda me arrepio com certos excessos de exposição pública e com o pouco que parecemos respeitar a nossa própria intimidade.
Mas, para já, a questão é de princípio. Sabemos que as entidades promotoras de semelhantes redes vicejam em sistemas solidamente liberais, e que a sua única intenção é fazer de cada um de nós um comprador e um produto para todos os outros, os milhares de "amigos" que nos aguardam de além-écrã.
Também por isso, mantenho a minha aposta no liberalismo. Porque há sempre o risco, até - ou sobretudo? - nas mais civilizadas democracias, de que se erga, de repente, algum paizinho do povo... e estamos tramados!

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 26.03.13

(De São Vicente de Fora...)

“There are three kinds of despots. There is the despot who tyrannizes over the body. There is the despot who tyrannizes over the soul. There is the despot who tyrannizes over the soul and body alike. The first is called the Prince. The second is called the Pope. The third is called the People.”
(Oscar Wilde)

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 24.03.13

(Em São Vicente de Fora...)

"Qui aimes-tu le mieux, homme énigmatique, dis? ton père, ta mère, ta soeur ou ton frère?
- Je n'ai ni père, ni mère, ni soeur, ni frère.
- Tes amis?
- Vous vous servez là d'une parole dont le sens m'est resté jusqu'à ce jour inconnu.
- Ta patrie?
- J'ignore sous quelle latitude elle est située.
- La beauté?
- Je l'aimerais volontiers, déesse et immortelle.
- L'or?
- Je le hais comme vous haïssez Dieu.
- Eh! qu'aimes-tu donc, extraordinaire étranger?
- J'aime les nuages... les nuages qui passent... là-bas... là-bas... les merveilleux nuages!"

(Baudelaire, "L'étranger")

Primavera

por Luísa Correia, em 21.03.13

(Da outra banda...)


"Il est des jours - avez-vous remarqué ? -
Où l'on se sent plus léger qu'un oiseau,
Plus jeune qu'un enfant, et, vrai ! plus gai
Que la même gaieté d'un damoiseau.

L'on se souvient sans bien se rappeler...
Évidemment l'on rêve, et non, pourtant.
L'on semble nager et l'on croirait voler.
L'on aime ardemment sans amour cependant

Tant est léger le coeur sous le ciel clair
Et tant l'on va, sûr de soi, plein de foi
Dans les autres, que l'on trompe avec l'air
D'être plutôt trompé gentiment, soi.

La vie est bonne et l'on voudrait mourir,
Bien que n'ayant pas peur du lendemain,
Un désir indécis s'en vient fleurir,
Dirait-on, au coeur plus et moins qu'humain.

Hélas ! faut-il que meure ce bonheur ?
Meurent plutôt la vie et son tourment !
Ô dieux cléments, gardez-moi du malheur
D'à jamais perdre un moment si charmant".

Paul Verlaine, "Impression de printemps"

Pai...

por Luísa Correia, em 19.03.13

(Na Gulbenkian...)

"A minha alegria em velho consistiria em ter aqui meu Pai para falar com ele. Não é só saudade que sinto: é uma impressão física. Agora é que acharia encanto até às lágrimas em termos a mesma idade, conversarmos ao pé do lume e morrermos ao mesmo tempo"… (Raul Brandão)

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 17.03.13

(Na Rua do Vigário...)

"Le destin rit sur nos revers et nos réussites; il culbute nos combinaisons et nous dispense le bien ou le mal en raison inverse de notre raison. Quand on écoute ce rire perpétuel, dans l'histoire de chaque homme et de chaque jour, on se trouve niais de souhaiter quelque chose." (Vicomte E. M. de Vogüé)

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 15.03.13

(Em Belém...)

"Quando há poucos anos a torre mandou uma bala a um navio de guerra americano que demandava a barra, o comandante da embarcação reuniu conselho de oficiais e propôs a réplica ao fogo da torre. Votou-se por unanimidade que se não abrisse uma canhoneira contra aquela jóia, tão delicada, que se desmoronaria à primeira descarga. Para uma corveta americana, receber um tiro da torre de Belém era o mesmo que para um homem valente levar uma bofetada da mão delicada, franzina, perfumada, de uma linda mulher, fraca e pequenina. À bala que a torre enviou ao navio, o navio respondeu mandando um beijo à torre. Somente, como o amante caprichoso que segura os pulsos da sua bela e lhe mete à força nos cabelos o cravo encarnado que trazia na casaca, o americano vingou-se da torre, obrigando-a a arvorar o estrelado pavilhão dos Estados." (Ramalho Ortigão, As Praias de Portugal)

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 13.03.13

(Da Beira-Tejo...)

"Sempre tive grandes dúvidas sobre a doutrina da superioridade das inteligências; isto é, da diferença de inteligência a inteligência, quando estas são completas. No que acreditava, na época em que pensava nessas coisas, era na superioridade das vontades. O querer é que é raro [...]"
(Alexandre Herculano)

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 10.03.13

(Em São Vicente de Fora...)

"The only difference between the saint and the sinner is that every saint has a past, and every sinner has a future."
(Oscar Wilde, "A Woman of No Importance")

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 08.03.13

(No Carmo...)

"Calculei já, ajudado pelo Smith [...], que cada uma das minhas cartas, n'este papel, com enveloppe e estampilha, me custa 250 reis. Ora suppondo vaidosamente que cada quinhentas cartas minhas contêm uma idéa―resulta que cada idéa me fica por cento e vinte e cinco mil reis. Este méro calculo bastará para que o Estado, e a economica Classe-Média que o dirige, empeçam com ardor a educação―provando, como inilludivelmente prova, que fumar é mais barato que pensar... Contrabalanço pensar e fumar, porque são, ó Carlos, duas operações identicas que consistem em atirar pequenas nuvens ao vento". (Fradique Mendes)

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 07.03.13

(Na Rua Augusta...)

"As declamações têm tirado à democracia o seu carácter privativo de realidade e de ciência. Temos ouvido cantar a democracia, berrá-la, soluçá-la: é tempo de a vermos demonstrar. Deixemos no bengaleiro a nossa perpétua inclinação nacional de escutar odes – e entremos só com a tendência humana de resolver problemas."
(Eça de Queiroz, Uma campanha alegre)

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 06.03.13

(Na Sé...)

"Quanto á immortalidade da alma, dizia elle que havia de esclarecer-se depois da morte. Eu não lhe replicava, por tambem me parecer esse expediente o mais acertado."
(Camilo Castelo Branco, "O vinho do Porto: processo de uma bestialidade ingleza")

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 04.03.13

(No Campo das Cebolas...)

"Aqui estamos sobre este globo ha doze mil annos a girar fastidiosamente em torno do Sol e sem adiantar um metro na famosa estrada do progresso e da perfectibilidade: porque só algum ingenuo de provincia é que ainda considera progresso a invenção ociosa d'esses bonecos pueris que se chamam machinas, engenhos, locomotivas, etc., e essas prosas laboriosas e difusas que se denominam systemas sociaes".
(Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra)

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 03.03.13

(Em Santa Catarina...)

"A tarde é de oiro rútilo: esbraseia.
O horizonte: um cacto purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,

Pousa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá segue o seu destino!
E o sol, nas casas brancas que incendeia,
Desenha mãos sangrentas de assassino!

Que linda tarde aberta sobre o mar!
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar...

E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizantes..."

Florbela Espanca

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 02.03.13


"Mora num beco de Alfama
e chamam-lhe a Madrugada.
Mas ela, de tão 'stouvada,
nem sabe como se chama.

Mora num' água-furtada
que é a mais alta de Alfama
a que o sol primeiro inflama
quando acorda à madrugada".

David Mourão-Ferreira

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 28.02.13

(No Castelo...)

"Il faut être toujours ivre. Tout est là : c’est l’unique question. Pour ne pas sentir l’horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve.
Mais de quoi ? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois, sur les marches d’un palais, sur l’herbe verte d’un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l’ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l’étoile, à l’oiseau, à l’horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est ; et le vent, la vague, l’étoile, l’oiseau, l’horloge, vous répondront : "Il est l’heure de s’enivrer ! Pour n’être pas les esclaves martyrisés du Temps, enivrez-vous sans cesse ! Du vin, de poésie ou de vertu, à votre guise".
(Charles Baudelaire, "Petits Poèmes en prose")

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 26.02.13

"podes caber à larga e não à justa no elevador de santa justa,
não te leva a parte nenhuma no sentido utilitário normal,
mas é a nossa torre eiffel. faz a experiência. por sinal
é um caso em que não custa aprender à nossa custa:
variamente na vida e na ascese se flibusta,
e aprender à nossa custa é muito mais ascensional.

podes subir ao miradouro se a altura não te assusta:
lisboa é cor de rosa e branco, o céu azul ferrete é tridimensional,
podes subir sózinho, há muito espaço experimental.
noutros elevadores há sempre alguém que barafusta,
mas não aqui: não fica muito longe a rua augusta,
e em lisboa é o único a subir na vertical.

no tejo há a barcaça, a caravela, a nau, o cacilheiro, a fusta,
luzindo à noite numa memória intensa e desigual.
com o cesário dorme a última varina, a mais robusta.
não é para desoras o elevador de santa justa,
arrefece-lhe o esqueleto de metal,
mas tens o dia todo à luz do dia. não faz mal".

Vasco Graça Moura

Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 24.02.13
(Em Santa Clara...)

"Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?"

Fernando Pessoa



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