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Pregar aos peixes

por João Távora, em 21.07.19

"O que se passa hoje em relação aos incêndios é uma questão de opção política tomada lá atrás por um ministro da administração Interna que forçou uma opção quando tinha duas hipóteses: ou tratar do assunto como ele deveria ser tratado, que era tratar do problema da gestão florestal e com isso preparar o território para o fogo que sempre existirá, ou reforçar os meios de combate e toda essa lógica da protecção civil e etc. Esse ministro que se chamava António Costa fez essa opção nessa altura. Enquanto estivermos convencidos que isto é um problema de fogo posto, francamente! 1% das ignições resultam em 90 % da área ardida. De certeza que querem discutir como é que o fogo começa em vez de discutir porque é que o fogo não pára? O problema central não é como o fogo começa, ele pode começar de dezenas de maneiras. O problema é perceber porquê é que o fogo não pára. Qual é o distrito do país onde há mais ignições? É no Porto. É aí onde os incêndios são um problema? Não! 
(...) Quando um responsável político continua a falar dos artefactos, no "fogo posto" e na estranheza, está esta simplesmente a desviar a RESPONSABILIDADE POLÍTICA do seu governo e anteriores."

Henrique Pereira Dos Santos a pregar aos peixes em directo na SIC Notícias  hoje pelas 19.30hs.

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Monchique, eucaliptos e espantalhos

por henrique pereira dos santos, em 06.08.18

O grande fogo de Monchique, que anda, neste momento, pelos 15 a 20 mil hectares ardidos, foi anunciado de várias maneiras e feitios.

Andou a ser anunciado como um inevitabilidade nos últimos meses, Monchique foi identificado como o concelho de maior risco de incêndio por José Miguel Cardoso Pereira e a sua equipa de investigação, foi anunciado dias antes por Paulo Fernandes, foi anunciado por Carlos da Câmara, resumindo, todas as pessoas que verdadeiramente estudam os fogos em Portugal tinham identificado a inevitabilidade deste fogo e, quando as condições meteorológicas se começaram a desenhar no horizonte, com uma quase inacreditável precisão, previram quando iria acontecer.

Paulo Fernandes, numa das primeiras fases do fogo, reagindo à expressão usada pela Protecção Civil "o início do fogo foi explosivo", escreveu, com seis ou sete horas de antecedência, que ir-se-ia ver o que era ser explosivo se não agarrassem o fogo até às sete horas da tarde desse dia, como realmente não aconteceu, dando origem à noite mais complicada em Monchique.

Apesar disso, o coro de vozes que se levanta sempre a prometer "matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem" para usar a fantástica caracterização que Caetano Veloso fez dos reaccionários que o assobiavam num festival, lá apareceu com o espantalho da moda: é o eucalipto, o problema é o eucalipto.

Saltemos por cima da hipótese de Henk Feith (tanto mais que o próprio a apresentou como uma mera hipótese não confirmada): "Até ontem à hora de almoço arderam 2 500 ha, em 48 horas, o que dá numa média de 52 ha/ hora. Desde então arderam estimadamente mais 15 mil ha, que dão uma média de 625 ha/ hora. O que se passou então. Na minha modesta opinião: o fogo andou nos primeiros dois dias nos densos eucaliptais a Norte de Monchique. Depois passou para sul da estrada para Alferce e entrou no esteval seco que caracteriza a área até Odelouca. Daí a diferença de velocidade do fogo: bosques densos e mais humidos de eucalipto contra vegetação arbustiva seca". Antes de passar adiante, notemos que Paulo Fernandes confirma a razoabilidade da hipótese: "O simples facto do fogo mudar de floresta para matos duplica a velocidade do vento que actua sobre a chama e reduz a humidade do combustivel".

Mais que isso, perante um coro de alucinados eucaliptofóbicos que nunca estudaram o assunto, mas que não têm qualquer dúvida em qualificar os melhores investigadores do assunto como ignorantes, o próprio Paulo Fernandes confessa a sua dificuldade em responder a argumentos absurdos, filhos do atrevimento da ignorância:

"O comportamento do fogo, no que toca à vegetação, depende globalmente da estrutura e da quantidade de combustível. A composição em árvores é pouco, por vezes nada, influente. Isto está tão bem estudado, descrito, modelado e constatado empiricamente que até me custa responder. Vendo isto a outra escala não há um único estudo que mostre que os incêndios em Portugal são maiores ou mais severos por causa do eucalipto".

Mas ainda que tudo isto seja do mais claro, mesmo pessoas que antes explicavam que Monchique não tinha ardido como ardeu Pedrogão no ano passado por causa da maior presença de sobreiro, azinheira e outras autóctones, em mosaico, insistem que basta olhar para o mar de eucaliptos de Monchique para ser evidente que o fogo de Monchique resulta, na sua velocidade e violência, do excesso de eucalipto.

O facto de em 1966, em que Monchique quase não tinha eucalipto, ter ardido tanto ou mais que neste último fogo, o facto de ter ardido larga e violentamente em 1983, 1991, 2003 e, agora, em 2018, independentemente da cobertura florestal e dentro do que é previsível para a região (um retorno do fogo em torno de 15 anos), o facto de em 2004 e 2012 ter ardido violentamente o Caldeirão (mais ou menos 80% em sobreiro no primeiro, e dominantemente em sobreiro se considerarmos a árvore dominante, mas sobretudo esteva, no segundo), não demove o coro da alucinação eucaliptofóbica que tem dificuldade em perceber que se arde em Monchique, que tem muito eucalipto, arde eucalipto, mas que se arde no Sabugal (como no ano passado), que tem muito carvalhal, arde carvalhal.

Lembro-me bem do grande fogo (sobretudo em pinhal) de Macinhata do Vouga, em 1972, de que se culpou o comboio a vapor do vale do Vouga.

Lembro-me bem do Verão de 1975, em que o PC culpava a reacção e a reacção culpava o PC do ano especialmente difícil no que diz respeito a fogos (o primeiro verdadeiramente generalizado, mais ou menos quinze anos depois de iniciado o grande abandono dos anos sessenta, sinalizando a progressiva acumulação de combustíveis daí resultante).

Mais tarde o espantalho eram os negócios dos madeireiros (um clássico que continua com indefectíveis defensores, como José Gomes Ferreira, que ainda hoje fala disto com a mesma fundamentação com que um dos meus filhos me falava de um urso que lhe desarrumava o quarto).

Depois eram os negócios imobiliários, espantalho que deu origem a uma grande quantidade de legislação sobre a impossibilidade de construir em áreas ardidas.

Os incendiários são outro clássico, hoje um pouco desvalorizados, ao fim de anos e anos de investigação da Polícia Judiciária concluírem que não encontra motivações económicas relevantes nas acções dos incendiários.

Actualmente o espantalho mais vulgar é o eucalipto.

É um espantalho conveniente (como os outros), porque evita qualquer necessidade de informação e trabalho intelectual (quem se arriscar, como faço neste post, a dizer que a ligação entre fogos e eucalipto é uma treta, é porque é um vendido aos interesses económicos, argumentação sempre com muitos adeptos) e, sobretudo, evita a discussão difícil e que exige decisões políticas complicadas.

Enquanto andamos nisto, de espantalho em espantalho, escusamos de discutir o essencial do que temos a fazer: pagar a gestão de serviços ambientais que possam trazer gestão para onde ela faz falta, limitando os efeitos da raiz do problema, a ausência de gestão que permite a acumulação insensata de combustíveis.

Adenda: Ontem, no longo período em que escrevi este post, a protecção civil falava insistentemente, ao início da tarde, em ter 95% do perímetro dominado. Ao mesmo tempo, pessoas como Emanuel Oliveira, ou Nuno Gracinhas Guiomar, iam respondendo à perplexidade das pessoas que, não sabendo muito disto, como eu, mas tendo um bocadinho de informação estruturada que vão coligindo, queriam saber o que era isso de ter 95% do perímetro controlado: não liguem a informação desse tipo, é típico dizer-se no princípio do dia que os fogos estão a evoluir favoravelmente e a ceder ao combate, na parte da manhã e, depois do almoço, falar-se em violentos reacendimentos em consequência de mudança de ventos. Q.E.D., o resto do dia e da noite.

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Estamos zangados

por João Távora, em 16.10.17

fosgosLusa.jpg

Por ironia do destino a horrível mortandade causada pelos fogos que assolaram ontem no País (32 pessoas até à hora em que escrevo) aconteceu poucos dias após a divulgação do relatório independente sobre Pedrogão Grande que divulga como então se instalou o caos na Protecção Civil, como o sistema não funcionou como seria de esperar, fruto de uma incompetência generalizada. Os dados disponíveis indicam que desde então não aprenderam nada tendo a barafunda se repetido ontem. O Secretário de Estado da Administração Interna teve até o desplante de assumir em declarações à SIC que o Estado não tinha condições para proteger as pessoas, que tinham elas próprias a se “autoproteger” porque "não podemos ficar à espera dos bombeiros e dos aviões". Hoje da parte Ministra Constança Urbano de Sousa ficamos a saber que não se responsabiliza por nada do ocorrido, e que o mais fácil era ir gozar as férias que não teve. 

Perante todo este desastre e o ruidoso silêncio dos comunistas e do Bloco de Esquerda, não seria esta a hora de a oposição propor uma Moção de Censura? De que é que estão à espera?

 

P.S.: António Costa no seu discurso aos portugueses usa técnica da picareta falante, para abater o  pelo cansaço e fugir ao que interessa: assumir as responsabilidades do seu governo nesta catástrofe.

 

Foto: Paulo Novais - LUSA

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A onda terrorista

por João Távora, em 13.08.17

Patricia Gaspar.jpg

Com meio país em chamas descontroladas não é com espanto que vejo na televisão Patrícia Gaspar a porta-voz da desgraça oficial que nos coube em fado, no velho choradinho da culpa dos pirómanos. Afinal a culpa é dos pirómanos responsáveis pela ignição de 90% dos incêndios, não é do clima, do ordenamento da floresta ou das políticas de prevenção. Trata-se de uma onda terrorista, segundo Marta Soares. Um discurso irracional que convida o pessoal escolher a sua teoria da conspiração e montar umas milícias populares, contra os empresários da madeira queimada ou do aluguer dos helicópteros que pagam os incendiários, contratados a troco de um maço de tabaco e uma garrafa de vinho num recanto da tasca da aldeia. É a fuga para a frente do poder impotente confrontado com a sua proverbial incompetência. Já todos sabíamos que a culpa do nosso triste destino sempre foi dos privados, das bruxas e dos maluquinhos. Contra esta insanidade não há nada a fazer, o que é muito conveniente.

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A Espada de Dâmocles

por João Távora, em 25.06.17

Há uma consequência política inevitável da tragédia de Pedrógão Grande, é que o governo começa o Verão com um saldo de 64 mortos pelos incêndios, com tolerância zero para mais qualquer desgraça. Não há malabarismo comunicacional que altere este facto. Com tantas fragilidades nas estruturas de comando operacionais António Costa começa a “fase Charlie” nas mãos do S. Pedro, com a Espada de Dâmocles. Se acontece mais alguma desgraça, de pouco servirão à geringonça a imprensa amestrada, a conivência dos sindicatos e os abracinhos de Marcelo Rebelo de Sousa. Agora pouco mais há a fazer do que rezar a S. Pedro... ou mais laicamente fazer como a Catarina Martins: “desejar” que chova muito até Setembro. Deus nos guarde, digo eu.

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PedrogãoGrande.jpg

1. O registo emocional em que muita gente prefere permanecer no que à tragédia de Pedrógão Grande diz respeito não é  bom conselheiro: sabemos bem que mais fácil é arranjar um bode expiatório, um alcoólico incendiário para cima de quem canalizar a fúria e a indignação, mas isso não serve para nada – não alivia a dor dos vivos nem ressuscita as vidas tombadas. 

2. Dar ênfase à questão da ignição que deu origem ao fogo, se foi um raio ou um maluquinho, é uma forma de evitar a questão principal, que é a de perceber porque é que Portugal é campeão em fogos florestais para que - de uma vez por todas - se concentrem as políticas na prevenção, promovendo reformas para um ordenamento do território de acordo com o clima que nos coube em sorte.

 

3. “Hoje, através da actuação da Autoridade Nacional de Protecção Civil, verificamos uma enorme evolução em termos da segurança da população e da salvaguarda do património, com melhorias significativas em termos de capacidade de resposta operacional, mas também com o necessário aprofundamento das políticas de prevenção, investindo-se no planeamento de emergência, na minimização de riscos e nos sistemas de alerta e de aviso às populações.” Estas palavras eram proferidas pela ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa em Março do Ano passado por ocasião do 15º aniversário da Tragédia de Entre-os-Rios. Passado pouco mais de um ano, esse "país das maravilhas" não resistiu à realidade das coisas. 

 

4. Numa democracia avançada todos os factos de uma tragédia desta envergadura têm de ser escrutinados e tiradas as consequências, não é preciso esperar três dias para se questionar tudo o que houver para questionar. Para que é que serve um Estado que não sabe, não consegue, proteger os seus cidadãos? Como bem refere aqui o nosso Henrique Pereira dos Santos, “Aquilo a que na maior parte das vezes se chama “imprevisibilidade” em matéria de fogos é, na verdade, ignorância. Uma das armas mais letais que existem.

 

5. A par da assinalável mobilização da sociedade civil no apoio material às populações afectadas pela tragédia e aos bombeiros acredito na importância da oração. As minhas orações por estes dias vão para as vítimas e para as famílias enlutadas.

 

Fotografia - Observador

 

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Da responsabilidade moral e da irresponsabilidade

por henrique pereira dos santos, em 18.06.17

Hesitei em escrever este post, por respeito pelas vítimas e pelo risco de ser entendido como a utilização da morte de terceiros para obter ganho de causa.

Ou melhor, ontem à noite, quando me deitei, não sabendo que havia mortos nos fogos que estão a ocorrer, tinha planeado escrever hoje de manhã um post sobre a responsabilidade moral nas tragédias que ocorram nos incêndios de Verão.

Não porque seja possível evitar todas as tragédias, mas porque estas tragédias, previstas repetidamente por quem estuda seriamente a gestão do fogo, são enormemente potenciadas por uma doutrina de gestão de fogo completamente absurda face ao que hoje se sabe.

Países como os Estados Unidos, a Austrália e outros com territórios no lado Ocidental dos continentes, perto do paralelo 40 (como é o nosso caso), há muito que abandonaram a ideia de suprimir o fogo e insistem em políticas de gestão do fogo através da gestão dos combustíveis.

Mesmo noutros contextos geográficos, há a adopção de mudanças substanciais na doutrina, como fez recentemente o Ontário (depois de um fogo, de características diferentes dos nossos, de meio milhão de hectares).

O problema central é que em Portugal parece ser admissível que um governante diga, como terá dito ontem o secretário de estado da administração interna, que o comportamento do fogo não se prevê, o que há é uns académicos com umas teorias sobre isso.

Tal como parece ser normal o presidente da liga dos bombeiros, que há anos que diz disparates sobre a gestão do fogo (incluindo o clássico "nunca um fogo ficou por apagar"), aparecer sistematicamente nestas situações a repetir a defesa de opções erradas e que estão na base de tragédias como a desta noite.

E que o presidente da AIMMP seja sistematicamente convidado para falar de fogos, com um discurso completamente ignorante e absurdo sobre incendiários, sem qualquer ligação com a realidade conhecida e estudada.

E que o presidente da Protecção Civil diga que correu tudo bem num ano em que há um fogo de trinta mil hectares, tendo como objectivos para o ano seguinte (2017) não ter perdas de vidas.

E que qualquer presidente de Câmara diga que não sabe como é possível o que está a acontecer, quando qualquer curioso que estude o assunto com um mínimo de atenção, e recorrendo a quem sabe do assunto, lhe explica em três tempos que em condições meteorológicas extremas o seu concelho vai ser palco de uma tragédia, mas que isso tem solução se se quiser empenhar nas políticas de gestão de combustíveis a sério, em vez de fazer declarações patetas sobre as origens dos fogos.

Estes senhores são moralmente responsáveis por transformar os bombeiros em carne para canhão, quer defendendo e aplicando a doutrina do Portugal sem fogos, quer mantendo uma estúpida oposição à profissionalização dos bombeiros e respectiva integração entre gestão de combustíveis e combate.

Tal como declarações totalmente irresponsáveis de académicos respeitados, mas que nunca estudaram ecologia e gestão do fogo, bem visíveis neste artigo de 2010 (refiro-me, naturalmente, às declarações irresponsáveis de Helena Freitas, e não à sensatez habitual de Paulo Fernandes, que infelizmente é menos ouvido no país, e pelos decisores, do que seria bom para nós), ajudam a suportar a ideia estúpida de que o fogo é um inimigo que pode ser vencido, em vez de olhar para o fogo como um elemento natural que precisa de ser gerido de forma economicamente sustentável, em que o Estado se empenha em suprimir as falhas de mercado de um sector com graves problemas de competitividade na maior parte do território.

Por respeito e em memória das vítimas decidi pois escrever este post, dizendo que o fogo é previsível, estas tragédias são uma questão de tempo até se repetirem se mantivermos a doutrina do "Portugal sem fogos" e se insistirmos em assentar a gestão do problema em corpos de voluntários sem qualquer ligação com a prevenção estrutural feita no Inverno.

Nada me move contra os corpos de voluntários, são muito úteis e, provavelmente, imprescindíveis, mas precisam de uma estrutura profissional que conheça o território, crie e conheça oportunidades para parar os fogos onde podem ser parados e que enquadre devidamente a generosidade dos voluntários.

Já chega de pura irresponsabilidade e de um discurso obscurantista que desvaloriza o conhecimento existente e a sua aplicação em contexto real.

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Da responsabilidade e do fogo

por henrique pereira dos santos, em 09.09.16

Neste video é clara uma situação de completa loucura em que alguns bombeiros se colocam numa situação em que não têm qualquer possibilidade de influenciar minimamente um fogo, mas têm uma forte probabilidade de diminuir drasticamente a sua esperança de vida.

Se quando um polícia mata um ladrão num assalto é objecto de investigação e pode ser responsabilizado por isso, se quando uma instrução de comandos corre mal os superiores hierárquicos podem ser responsabilizados por porem a vida de terceiros em risco, qual será a razão para que nunca se ponha a hipótese de responsabilizar criminalmente os comandantes de bombeiros que, por inconsciência ou incompetência na leitura do fogo, põem a vida de terceiro em risco, sem qualquer utilidade prática?

Não vale a pena dizer que o fogo é imprevisível: alguns dias antes de começarem as condições meteorológicas em que se verificam estas situações, o Laboratório de Fogos Florestais da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro publicou um post chamando a atenção para as características dos fogos que se iriam verificar com as condições meteorológicas previstas por volta de 6 de Setembro, pondo a tónica exactamente na elevada probabilidade de acontecer o que aqui aconteceu.

Note-se que havendo fogo posto na origem deste incêndio, o facto é que o fogo foi dado como em conclusão e os bombeiros tiveram três dias de condições meteorológicas favoráveis para fazer um rescaldo bem feito, o que se passou nestes últimos dias resulta de um reacendimento. Não há nenhuma responsabilidade a apurar sobre o rescaldo que foi feito de modo a saber se o reacendimento foi uma inevitabilidade ou o resultado de trabalho mal feito?

Compreendo que se fique fascinado com a coragem dos bombeiros em causa (pelo que percebi, não confirmei totalmente, três terão recebido tratamento por queimaduras) mas o que está aqui em causa não é a heroicidade de cada uma das pessoas envolvidas e sim o facto do pensamento mágico ter mais peso nas organizações que a racionalidade e o conhecimento que existe e pode ser mobilizado de forma socialmente útil.

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