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Festas e devoções... sem feriados

por João Távora, em 26.02.12

 

Ritual  cristão da Imposição das Cinzas (Quarta-feira de cinzas)

 

O nosso calendário apresenta alguns exemplos de festas e comemorações que se mantêm em dias de trabalho. Tirando o fenómeno recentemente importado do S. Valentim cuja intensa exploração comercial o promove, outras celebrações há em que não sendo feriados ou como tal tendo sido extintos, se mantiveram, sustentados pela devoção religiosa ou simples tradição popular: destaco o Dia de Reis, a Quarta-feira de Cinzas e o dia de S. Martinho. Neste último caso, apesar da fascinante lenda que perpetuou esse grande herói da Igreja, é mais pela ligação popular ao calendário agrícola que a festa hoje persiste transversalmente na cidade e no campo, ocasião para se provar o vinho novo acompanhado com castanhas assadas. O dia dos Reis, importante feriado nas celebrações do Natal cristão em Espanha, apesar de dia de trabalho em Portugal, mantém-se tradição nos lares Portugueses, festejada com o popular bolo de frutos secos que relembra os magos do oriente que despojados seguiram a estrela até ao presépio de Belém. A celebração litúrgica (a  Epifania) transitou para o Domingo seguinte. Quanto à Quarta-feira de Cinzas, uma espreitadela nas missas do dia confirmará como é significativa a adesão dos fiéis a esta celebração que marca o início da estação espiritual mais importante do cristianismo... o tempo da Quaresma, rumo à Páscoa.
Na certeza que a sua sobrevivência será directamente proporcional à implantação popular, resta saber o que advirá das festividades cujos feriados o governo promete extinguir. Pela minha parte, auguro boas perspectivas para as festas da Assunção de Nossa Senhora que decorrem por toda a província em pleno tempo de férias, e sorte proporcionalmente inversa ao culto do fatídico 5.10 na Praça do Município, cuja liturgia já nem a nomenklatura do regime comove. A tudo o mais, fica por saber como sobreveviremos como povo.   

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Manobras de diversão?

por João Távora, em 27.01.12

 

Álvaro Santos Pereira veio ontem "anunciar" que Governo vai propor aos parceiros sociais a eliminação do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro. A procissão voltou ao adro, esta notícia podia ler-se há três meses e o 5 de Outibro jamais deveria ser comemorado. Mas é assim que se mantêm as hostes radicais de esquerda entretidas a rasgar as vestes em indignações de substituição. Suspeito que tudo isto não passa de uma triste manobra de diversão, enquanto se protelam as urgentes reformas ao sistema.

 

Imagem daqui

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Negros sinais, má fortuna

por João Távora, em 18.01.12

 

Que ingénuos acreditaram que se ia deixar de festejar (fazer festa) com a virulenta e sanguinária revolução do 5 de Outubro, pela simples cedência do 1º de Dezembro, dia da Restauração da Independência Nacional?
Eis a razão profunda do nosso atraso: a casta caquéctica e facciosa, que com mais ou menos secretismo e às vezes descaramento controla o País há demasiado tempo. Mas o mais grave é o fenómeno que se encontra do outro lado da barricada: aí revela-se a apatia e complacência  (ou cobardia) daqueles que penhoram valores fundacionais da nossa nacionalidade por um prato de lentilhas, umas telenovelas ou reality shows no quentinho da sua medíocre existência.  Como diz o meu amigo Jorge Lima, a fractura não é hoje entre esquerda e direita. É entre patriotas e vendidos. Ou entre cultos e ignaros. Entre gente com espinha e oportunistas plebiscitados.

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Além de demonstrares uma extraordinária capacidade de antecipação no jogo político, caro Pedro, reconheço a sagacidade do teu pensamento. No entanto passas ao lado do meu "ponto" expresso no final do post: quem é que por estes dias quer saber verdadeiramente dessa coisa extravagante chamada soberania, ou ainda desse capricho da “independência?" Essa é a minha apreensão. 
Quanto ao mais, concedo que talvez a medida não seja mau negócio esta forma de acabar finalmente com o disparate dos festejos da revolução do PRP.

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Lei de talião

por João Távora, em 16.11.11

 

A ser verdadeira a notícia publicada hoje no Correio da Manhã de que, além da eliminação acordada com a Igreja dos feriados Assunção de Maria e Corpo de Deus, o governo propõe o fim dos feriados de 5 de Outubro e do 1º de Dezembro, tal aparenta ser uma medida que visa reciprocidade, no contraponto de duas sensibilidades políticas marcadas na nossa cultura; no fundo para assim calar as hostes com uma espécie de lei de talião: nem “tradicionalistas” nem “progressistas” (e desculpem-me estes equívocos chavões) se ficam a rir. Esta solução aparentemente equitativa esconde um grave engano, já que, sendo consensual que a revolução de 5 de Outubro dividiu profundamente o país, é inegável que a restauração da independência uniu os portugueses em torno dum projecto de independência e soberania, hoje mais do que nunca ameaçado. A decisão de acabar com o dia da Restauração encerra um enorme simbolismo: quem é que por estes dias quer saber verdadeiramente dessa coisa extravagante chamada soberania, ou ainda desse capricho da “independência”

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“A igreja naturalmente pode conversar sobre este assunto (discutir com o Governo a extinção ou a deslocação de feriados religiosos), (...). Naturalmente partindo do pressuposto que o Governo diminui um ou alguns feriados civis" declarou afirmou o padre Manuel Morujão ao Público.

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Feriados em Portugal

por João Távora, em 20.05.10

Arriscando escandalizar alguns dos meus correligionários, confesso que concordo com o princípio duma redução de feriados em Portugal. Tal como o Henrique Raposo eu trocaria de caras o 10 de Junho, um resquício salazarista que este regime ainda não teve a coragem para apagar, pelo 1º de Dezembro em que se celebra um decisivo acontecimento histórico nacional. E se fosse eu a mandar, também trocaria o 25 de Abril pelo 24 de Julho ou pelo 25 de Novembro… É assim que, no impedimento duma unanimidade, arrisco afirmar que a proposta de Teresa Venda e Maria do Rosário Carneiro faz algum sentido e parece-me bastante equilibrada: mesmo perdendo o 1º de Dezembro, a racionalidade prevaleceria ao prescindirmos do 5 de Outubro, uma aberração para a qual nunca descobri uma fundamentação sólida - refiro-me à teoria que atribui à data a efeméride da assinatura do Tratado de Zamora que aqui defende o João Campos. De resto, já quanto às festividades religiosas, há algumas delas bastante importantes que hoje em dia não beneficiam de feriado, como é o caso da Quarta-feira de Cinzas e celebração do Lava-Pés na Quinta-feira Santa às quais um bom católico não deve faltar.

Finalmente, discordo da opinião do meu camarada Pedro Quartin Graça ao criticar a perspectiva economicista das deputadas socialistas: esquece-se porventura que nunca como hoje a soberania nacional esteve tão ameaçada, não por falta das celebrações como  as do 1º de Dezembro, feriado que poucos lhe conhecem a origem, mas por culpa dum enraizado e mui latino desprezo por um certo pragmatismo que promova mais rentabilidade ao trabalho em Portugal. De qualquer forma, indiscutível é a insustentabilidade dos quase cinquenta dias de folga que gozam os portugueses anualmente. Mas para mudar qualquer coisa seria necessária alguma racionalidade e cedências das partes, o que à boa maneira portuguesa se me afigura impossível. Assim nos afundamos nesta paz podre e morte lenta.

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Querem acabar com o 1º de Dezembro!

por Pedro Quartin Graça, em 19.05.10


Confesso que não entendo a proposta das deputadas Teresa Venda e Maria do Rosário Carneiro de se cortar nos feriados para poder aumentar o salário mínimo nacional. Ou melhor, perceber percebo, agora não posso é concordar com ela. É que há "coisas" que não têm preço. Uma dessas "coisas" é a comemoração de uma data importante para o País. Quando até essas datas esquecemos é mais um pedaço de memória que se perde. De memória colectiva, aquela que pertence a todos nós, que passa à história. Tal sucederia se a proposta das deputadas independentes pelo PS fosse aprovada: é que entre feriados religiosos e uma das duas principais datas da história de Portugal, a par com o 10 de Junho, o dia 1º de Dezembro, data da Restauração da independência de Portugal, ficaria sem o condigno registo oficial e popular. Seria uma situação inédita à escala mundial aquela que nos é proposta, mais um contributo para a lógica totalmente economicista que tem dominado Portugal e que, recentemente, esteve uma vez mais bem visível aquando da mensagem do Presidente da República sobre a promulgação do casamento "gay". Esta proposta é tanto mais estranha quanto vem de duas destacadas membras do Movimento Humanismo e Democracia, integrantes da bancada parlamentar do Partido socialista. Coisas...

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