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A segurança das pessoas é importante mas tudo tem os seus limites. A verdade é que os novos métodos utilizados, em concreto os novos scanners corporais em uso nos aeroportos dos EUA, e também já no Reino Unido, têm causado enorme controvérsia. Estes equipamentos permitem visualizar os cidadãos como se estivessem despidos e encontram-se em funcionamento pleno desde o início do corrente mês. Os passageiros que se recusam à referida passagem pela máquina são apalpados por agentes do mesmo sexo mas verificam-se já situações em que tal não acontece sendo as revistas conduzidas por pessoas do outro sexo. Acresce que estes novos procedimentos de segurança, adoptados por causa da ameaça terrorista, estão a levantar uma onda de protestos na população americana até porque que, contrariando aquelas que foram as declarações públicas das autoridades norte-americanas no que respeita à não gravação de imagens de pessoas, a verdade é que imagens de cem pessoas submetidas a scanners corporais nos EUA foram divulgadas recentemente no site Gizmodo.

De acordo com uma investigação levada a cabo pelo portal, os agentes norte-americanos da TSA terão arquivado 35 mil imagens de forma "imprópria e talvez ilegal", prática esta que já foi admitida como tendo decorrido na realidade. Nos EUA, foi lançada uma campanha que apela aos cidadãos para não viajarem nas férias de Natal. "We wont't fly" (Nós não voaremos) é o mote da campanha que surgiu na Internet, contra os scanners. Veja toda a controvérsia no vídeo que publicamos e as situações mais escandalosas aquiaqui.

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"O Islão deve tornar-se a religião de toda a Europa"...

por Pedro Quartin Graça, em 31.08.10

Não tinha grandes dúvidas sobre esta intenção. Só que a mesma, até ao momento, não fora publicamente confessada pelos seus pensadores. Agora, sem qualquer pudor, o "reformado" ditador e líder líbio Muhammar al-Khadafi desencadeou uma acesa polémica em Itália depois de realizar em Roma dois encontros com meio milhar de italianas para as tentar converter ao islamismo. "O que aconteceria se um líder europeu fosse à Líbia ou a outro país islâmico e convidasse as pessoas a converterem-se ao cristianismo?", perguntava ontem o jornal ‘Il Messagero’. De acordo com a notícia assinada por F. J. Gonçalves no jornal "Correio da Manhã", a cada uma das participantes, recrutadas por um agência, foram prometidos 70 euros e um exemplar do Corão. Sara Perugini, de 19 anos, afirmou que Khadafi "foi simpático e agradável". Disse também que um par de jovens abandonou a sala considerando aquilo um disparate. Os encontros decorreram no centro cultural da Líbia, em Roma, tendo na sessão de domingo sido formalizada a adesão ao islamismo de três jovens convertidas por Khadafi num encontro idêntico realizado em 2009.

"Entre nós as mulheres são mais respeitadas que no Ocidente", defendeu Khadafi, adiantando ainda que o Islão "deve tornar-se a religião de toda a Europa".

A Imprensa acusou o primeiro-ministro Berlusconi de sacrificar os princípios e a dignidade do país em nome dos negócios. "O interesse nacional não justifica que alguém aceite ser anfitrião de tais palhaçadas e actos grotescos", lê-se no editorial do ‘La Stampa’. Gianfranco Fini, ex-aliado de Berlusconi, afirmou, por seu lado, que "a Itália é a Disneylândia de Khadafi".

Mas na Europa a resistência parece começar a surgir. Os opositores da crescente islamização do "Velho Continente" unem-se à volta de Geert Wilders, Presidente do Partido da Liberdade da Holanda. Este, em recente comício em Nova Iorque, afirmou: "All throughout Europe a new reality is rising: entire Muslim neighborhoods where very few indigenous people reside or are even seen. And if they are, they might regret it. This goes for the police as well. It's the world of head scarves, where women walk around in figureless tents, with baby strollers and a group of children. Their husbands, or slaveholders if you prefer, walk three steps ahead. With mosques on many street corners. The shops have signs you and I cannot read. You will be hard-pressed to find any economic activity. These are Muslim ghettos controlled by religious fanatics. These are Muslim neighborhoods, and they are mushrooming in every city across Europe . These are the building-blocks for territorial control of increasingly larger portions of Europe , street by street, neighborhood by neighborhood, city by city." Tudo isto enquanto nos Estados Unidos a polémica continua e aumenta de tom à medida em que o processo de construção de uma mesquita em terrenos próximos do WTC parece ir ser efectivamente aprovado... Difíceis e perigosos tempos estes que correm em que tudo está verdadeiramente em causa...

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Um caso chocante de violência policial nos EUA

por Pedro Quartin Graça, em 16.06.10

Sabe-se que nos Estados Unidos a polícia tem de lidar com diversos tipos de criminalidade, entre eles alguma muito violenta. Tal não é manifestamente o caso da cena visível nestas imagens em que um polícia foi gravado no momento em que esmurrou na cara uma jovem de 17 anos que estava a deter numa rua da baixa de Seattle. É mais um triste caso exemplificativo de muita da violência policial desnecessária que existe nos EUA mas que, desta feita, foi filmado ao vivo para espanto de muitos dos presentes.

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O reformista

por Luís Naves, em 22.05.09

Discordo deste texto de João Galamba, em Jugular. O autor defende a tese de que Obama está limitado pela anterior administração: “acção condicionada por políticas passadas”. Diz João Galamba que “a única influência bushiana nas políticas actuais é o seu legado (negro) e não qualquer tipo de visão ideológica”, frase que se aceita em parte, mas que dava pano para mangas.

Claro que o autor fala sobretudo da questão de Guantánamo, não se percebendo nesta tese a razão da Casa Branca ter uma posição diferente da do Congresso democrata. Ao contrário do que sugere João Galamba, acho que se pode dizer que Obama “recuperou” um tipo de solução para lidar com o problema dos prisioneiros de Guantánamo, portanto, não se “limita a ter de lidar com uma situação táctica que lhe foi deixada”. Podíamos dizer o mesmo sobre a guerra do Afeganistão, onde aliás a táctica certa ainda não está bem definida. Diria que a própria estratégia parece algo incerta.

A meu ver, este artigo revela o crescente incómodo dos observadores de esquerda que não compreenderam um aspecto das últimas eleições presidenciais americanas: Barack Obama não era um candidato revolucionário que iria trazer rupturas ao sistema, mas sim um reformista que se propunha fazer coisas bem pragmáticas. Apesar da retórica, na América não há cortes abruptos, mas melhoramentos. A mudança não tem a ver com a alteração do modelo e inclui sempre o elemento da continuidade. Obviamente, Obama não é sequer parecido com Bush ou Cheney (talvez a pior dupla da história americana), mas muitas das suas políticas serão idênticas porque o que está ali em causa é o interesse prático dos Estados Unidos.  

 

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Talking about Change

por Tiago Moreira Ramalho, em 22.02.09

Barack Obama under fire for picking a crony fundraiser as his ambassador to Britain

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Começou

por Tiago Moreira Ramalho, em 13.02.09

Secretário do Comércio de Obama recusa cargo em discordância com plano de estímulo económico

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O ressurgir de antigos fantasmas

por Tiago Moreira Ramalho, em 07.02.09

A dupla Obama-Biden enfrenta neste momento uma das suas primeiras provas de fogo. O Quirguistão, uma antiga república soviética, fechou uma base americana do seu território: a base de Manas.

A base é fulcral para a guerra no Afeganistão, que é o centro das atenções de Obama ao nível externo. Segundo diz a administração Obama, o encerramento foi devido à pressão exercida pela Rússia e começa a ser visto como uma afronta.

O medo de uma nova guerra fria está a surgir e Obama vai ter de escolher entre a guerra com o Afeganistão e a paz com a Rússia. Can he handle it?

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O sinal que se espera

por Pedro Correia, em 27.11.08

 

Mudar o quê? Mudar para quê? Barack Obama encheu a boca e o seu cardápio de promesas com a palavra “mudança”. Prometeu não só mudar os Estados Unidos, mas também o mundo. Parece-me tarefa demasiado ambiciosa para um indivíduo só. Além disso, o tempo dos homens providenciais já passou – e não deixou saudades. Em vez de prometer grandes passos e apregoar grandes metas tendencialmente utópicas, como garantir os serviços básicos de saúde gratuitos a cada cidadão norte-americano, Obama podia começar por etapas mais curtas e concretas. Fechar a prisão militar em Guantánamo, por exemplo. Nada mais simples, nada mais emblemático. John McCain, se tivesse ganho, começaria muito provavelmente por aqui. Obama ganhou. É bom que comece por aqui também.

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The right woman in the right place

por Pedro Correia, em 23.11.08

"Quero que os iranianos saibam que, se eu for Presidente, atacaremos o Irão. (...) Nos próximos dez anos, seremos capazes de os eliminar por completo."

Hillary Clinton, nova secretária de Estado de Barack Obama

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Para mais tarde recordar

por Pedro Correia, em 09.11.08

O discurso de Barack Obama na hora da vitória. Na íntegra aqui.

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Política real

por Pedro Correia, em 05.11.08

Barack Obama, enquanto dirigente político, deixou de pertencer ao mundo abstracto que o vinha aclamando há meses. Passou a pertencer aos eleitores concretos que ontem o elegeram.

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Obama superstar

por Teresa Ribeiro, em 05.11.08

Na terra dos milagres, quem ganha uma aura messiânica consegue tudo. Até ao fim ficámos todos sem saber o que na hora da verdade se revelaria  mais forte, se os preconceitos raciais que minam as terras do Tio Sam, ou o desejo de tornar realidade mais um sonho americano. Venceu o sonho. Ainda bem. Os americanos adoram surpreender-se e surpreender o mundo com histórias como esta.

Agora falta a Obama “the hard part”, como lhe chamou o New York Times. E é gigantesco o caderno de encargos do novo presidente dos Estados Unidos, como se pode ver aqui.

 

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Presidente Obama

por Pedro Correia, em 05.11.08

Um homem digno derrotou outro homem digno numa das mais emocionantes campanhas eleitorais de sempre. Barack Obama, o filho de um imigrante do Quénia, ascende ao mais elevado cargo político do planeta numa prova viva do que é o sonho americano: quem vem do nada pode ambicionar tudo. Em nenhum dos países europeus que gostam de dar lições de moral e de correcção política aos Estados Unidos uma eleição destas teria sido possível.  

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América a votos

por Pedro Correia, em 05.11.08

Para acompanhar a longa noite eleitoral na América venham aqui.

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O último século na Casa Branca

por Pedro Correia, em 04.11.08

Barack Obama lidera as sondagens, mas até ao momento ninguém vaticina com inabalável segurança a vitória do candidato democrata à Casa Branca. Que, se vier a confirmar-se, lhe confere logo à partida um lugar na História – por ser o primeiro descendente de africanos a ocupar a Presidência dos Estados Unidos.

Curiosamente, a vitória do seu rival republicano também garantiria desde logo um recorde a John McCain: aos 72 anos, seria o mais idoso inquilino da Casa Branca. Até hoje esse máximo cabe a Ronald Reagan, eleito em 1980, com 69 anos.
Recordando os últimos cem anos de história presidencial dos Estados Unidos, há diversos outros pormenores que podemos assinalar.
 
1. A paridade entre os dois partidos dominantes no sistema político norte-americana é quase perfeita: no último século, os republicanos ocuparam a Casa Branca durante 52 anos, os democratas ocuparam a sede suprema do poder nos restantes 48.
2. Esta paridade altera-se substancialmente se segmentarmos o século em duas metades, que passam a estar bastante mais divididos politicamente. Entre 1909 e 1958, predominam os presidentes democratas: 28 anos (56%), contra 22 anos de mandatos republicanos (44%). Entre 1959 e 2008, a situação inverte-se: os republicanos ocupam a Casa Branca em 30 (60%) dos últimos 50 anos.
3. Desde 1909 houve 17 presidentes. Dez do Partido Republicano, apenas sete do Partido Democrata.
4. Quem foram os republicanos? William Howard Taft, Warren Harding, Calvin Coolidge, Herbert Hoover, Dwight Eisenhower, Richard Nixon, Gerald Ford, Ronald Reagan, George Herbert Bush, George W. Bush.
5. Quem foram os democratas? Woodrow Wilson, Franklin Roosevelt, Harry Truman, John Kennedy, Lyndon Johnson, Jimmy Carter, Bill Clinton.
6. O presidente que ocupou mais tempo a Casa Branca foi Franklin Delano Roosevelt: entre Março de 1933 e Abril de 1945. Roosevelt foi, aliás, o único dirigente supremo dos Estados Unidos a permanecer mais do que dois mandatos no cargo, tendo chegado até a ser eleito para um brevíssimo quarto mandato, abruptamente interrompido pela sua morte. Uma emenda constitucional introduzida após o seu falecimento impede desde então os presidentes de exercerem um terceiro mandato consecutivo.
7. O presidente que permaneceu menos tempo na Casa Branca foi Gerald Ford – entre Agosto de 1974 e Janeiro de 1977.
8. Ford, vice-presidente de Nixon, ascendeu à Casa Branca por demissão do presidente. Nixon foi até hoje o único chefe do Executivo norte-americano a renunciar ao cargo, devido ao escândalo Watergate. E Ford foi até hoje o único inquilino da Casa Branca que lá chegou sem ter sido eleito. Quando finalmente foi a votos, perdeu.
9. Ao longo deste século, quatro presidentes não chegaram a cumprir os mandatos para que foram eleitos. Dois por morte súbita: Harding em 1923, Roosevelt em 1945. Kennedy foi assassinado em 1963. E Nixon, como já se referiu, demitiu-se em 1974.
10. Três dos 17 presidentes morreram nonagenários. Gerald Ford (1913-2006) e Ronald Reagan (1911-2004) faleceram aos 93 anos, embora Reagan se tivesse afastado da vida pública uma década antes por sofrer de Alzheimer. Hoover, que era o presidente quando ocorreu o crash da Bolsa novaiorquina em 1929, só viria a falecer aos 90 anos em 1964, tendo chegado a testemunhar a morte de John Kennedy, que era 43 anos mais novo.

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A América vista ao espelho

por Pedro Correia, em 03.11.08

No momento em que, segundo todas as sondagens, os Estados Unidos se preparam para eleger o primeiro Presidente com raízes africanas, vale a pena determo-nos um pouco sobre um dos melhores romances editados na última década, que nos fornece o pano de fundo desta América aparentemente recém-convertida à harmonia racial. O romance intitula-se A Mancha Humana (The Human Stain, 2000), foi escrito por Philip Roth, um dos grandes ficcionistas da actualidade, e fala-nos da mais insidiosa forma de racismo: a que faz um indivíduo sentir vergonha do seu próprio tom de pele.

A novidade aqui é que esse indivíduo é uma pessoa instruída, letrada, pertencente à elite universitária norte-americana. Coleman Silk, especialista em estudos clássicos, uma autoridade em Homero e outros autores da Grécia antiga, um transmissor de conhecimentos – alguém que poderíamos apontar como um pilar da sociedade.
“Ninguém sabe a verdade de uma pessoa, e com muita frequência a própria pessoa menos do que as outras.” Palavras de Roth, visando Silk, a figura central deste romance que disseca como nenhum outro os labirintos da América contemporânea.
O professor universitário, figura respeitável e até reverenciada, é afinal alguém que vive mergulhado há décadas num ciclo interminável de mentiras que o levou a quebrar os laços com a família de sangue em benefício da ascensão social. Branco filho de mulatos negros por capricho da genética, percebe durante a juventude, vivida na próspera América de Truman e Eisenhower, que jamais deixará de ser um cidadão de segunda se não renegar as raízes negras.
É já no fim da vida que Coleman se confronta com esta marca indelével do seu passado, ignorada pela mulher e pelos quatro filhos – fortuitamente de pele clara, como ele. “Este homem idealizado de acordo com os mais convincentes e credíveis traços emocionais, este homem benignamente astucioso, suavemente encantador e aparentemente viril em todos os aspectos, tem, no entanto, um segredo imenso.” Assim nos surge este anti-herói de Roth na excelente tradução portuguesa de Fernanda Pinto Rodrigues (Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2004).
 
Toda a ilusória solidez deste edifício se desmorona quando o professor, por um inesperado golpe do destino, é confrontado com uma absurda acusação de discriminação racial por parte de uma aluna negra, logo protegida pelo establishment universitário. Este episódio, que o leva a demitir-se da faculdade, funciona como um choque vital para o velho professor com genes negros que toda a vida se comportou como um ser despigmentado. “Pensas como um prisioneiro. É verdade. És branco como a neve e pensas como um escravo.”
É esta América ainda cheia de fantasmas que vai amanhã a votos. A América de Barack Obama, que é também a América de Coleman Silk – a América onde muitos alimentam a suave ilusão de que o racismo se apaga por efeito automático de um boletim eleitoral. O próprio Roth parece vislumbrar uma luz de esperança: “As pessoas envelhecem. As nações envelhecem. Os problemas envelhecem. Às vezes envelhecem tanto que deixam de existir.”
E no entanto deste romance memorável desprende-se uma visão desencantada da condição humana que nenhum apelo festivo à mudança é capaz de redimir: “Nós deixamos uma mancha, deixamos um rasto, deixamos a nossa marca. Impureza, crueldade, mau trato, erro, excremento, sémen. Não há outra maneira de estar aqui.”
Não nos deixemos iludir excessivamente pelas manchetes dos jornais, que se limitam a reflectir a espuma dos dias. Sob a América de Obama, esconde-se a América de Silk. Imóvel, dúplice, secreta, manchada pelo preconceito. Essa América ver-se-á ao espelho dentro de 24 horas. Gostará desse retrato de si própria?  

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Um homem comum na Casa Branca

por Pedro Correia, em 04.10.08

Naquela quinta-feira, dia 12 de Abril de 1945, havia chuva em Washington. Às 19.09, um homem de 60 anos, natural do Missouri, de óculos com lentes grossas e estatura acima da média, tomava posse como 33º Presidente dos Estados Unidos. Finda a cerimónia, que durou menos de um minuto, o empossado beijou a Bíblia sobre a qual prestara julgamento.
Esse homem fora vice-presidente apenas 82 dias por escolha de Franklin Delano Roosevelt, falecido duas horas e 24 minutos antes da singela cerimónia de posse na Casa Branca. A um gigante da política norte-americana, que conduzira com sucesso o país no combate à grande depressão e nas encruzilhadas da II Guerra Mundial, sucedia “o típico americano médio”, como assinalou o jornalista Roy Roberts, no Kansas City Star, acrescentando: “Que teste à democracia se funcionar!”
Nessa noite, Harry Skipp Truman deitou-se um pouco mais tarde do que era costume, depois de comer uma sanduíche de peru e beber um copo de leite. Terminava o dia mais longo da sua vida, em que certamente rememorou as críticas recebidas na imprensa oito meses antes, quando Roosevelt surpreendeu tudo e todos ao escolher para vice-presidente, no seu último e brevíssimo mandato, este senador que nunca frequentara a universidade, passara a infância e a juventude numa humilde zona rural e viajara apenas uma vez na vida – em 1918, como capitão de artilharia, quando chegou a França para combater na I Guerra Mundial.
Truman terá certamente recordado também os editoriais demolidores com que a imprensa o brindara no Verão anterior. A Time chamara-lhe “medíocre”, o Post-Gazette, de Pittsburgh, garantira que era “um dos mais fracos vice-presidentes” de sempre. Richard Strout, no New Republic, desabafara: “Pobre Truman. E pobre povo americano.”
 
No momento em que tomou posse, Harry Truman tornou-se o comandante supremo das forças armadas norte-americanas, com 16 milhões de efectivos em guerra. O 9º Exército encontrava-se às portas de Berlim, a última ilha das Filipinas fora reconquistada aos japoneses, 400 superfortalezas despejavam bombas diárias sobre Tóquio. A guerra custara já 196.999 vidas americanas. Mesmo assim, o estado-maior, em Washington, previa que durasse mais seis meses na Europa e ano e meio no Pacífico.
Logo na primeira conferência de imprensa, no dia a seguir à posse, Truman exibiu o estilo franco e directo que o celebrizou. “Rapazes, se souberem rezar, rezem por mim. Quando ontem me contaram o que acontecera, foi como se a lua, as estrelas e todos os planetas caíssem em cima de mim”, disse aos jornalistas. Dez anos depois, escreveria nas suas memórias: “Quando Roosevelt morreu, senti que havia um milhão de homens mais qualificados que eu para lhe suceder. Mas a tarefa estava a meu cargo – e tinha de ser feita.”
 
 
“Nenhum outro Presidente americano tomou decisões tão difíceis nos primeiros quatro meses de mandato, relacionadas com a criação da ONU, a presença ameaçadora do Exército Vermelho na Europa de Leste, a bancarrota britânica, o horror do Holocausto e o advento da era nuclear no Novo México, Hiroxima e Nagasáqui”, escreveu David McCullough na sua monumental biografia Truman (1992), que lhe valeu o Prémio Pulitzer. Um livro fundamental para viajarmos aos 2841 dias da presidência deste homem que jogava póquer, tocava piano e bebia bourbon, chamava “aquário” à Casa Branca e não ligava nada às sondagens. “Até onde chegaria Moisés se tivesse encomendado uma sondagem no Egipto?”, costumava dizer Truman.
Roosevelt, com quem reuniu apenas duas vezes enquanto vice-presidente, jamais o pusera a par dos assuntos da guerra. E nem o informara da sua ida à cimeira de Ialta. Mas ele tinha “uma imensa determinação”, como dizia Churchill. Conseguiu defraudar as piores expectativas a seu respeito. A três meses das presidenciais de 1948, a Newsweek pediu a 50 analistas um vaticínio eleitoral: todos apostaram na vitória do republicano Thomas Dewey contra o democrata Truman. A Life fez uma capa com Dewey, chamando-lhe “o próximo Presidente”. E o Baltimore Sun concluiu: “Votar nele seria uma tragédia para o país e o mundo.”
 
Contra ventos e marés, Truman venceu. E convenceu. Ao cessar funções, em Janeiro de 1953, apresentava uma excelente folha de serviços: a reconstrução da Alemanha e do Japão, o lançamento das Nações Unidas, a criação da NATO, o Plano Marshall, a inédita ponte aérea que permitiu salvar Berlim em 1949. Na frente interna, também tinha motivos para orgulhar-se: criou 11 milhões de postos de trabalho, reduziu a dívida pública, evitou o colapso económico que todos anteviam e jamais aconteceu.
Na última das suas 324 conferências de imprensa como Presidente, a 15 de Janeiro de 1953, sublinhou: “Quando a história disser que o meu mandato assistiu ao início da Guerra Fria, dirá também que nestes oito anos iniciámos o caminho para a vencer.” Acertou em cheio.
Na hora da partida, a mesma imprensa que lhe lançara pedras ovacionava-o em editoriais. “É um homem com muitos opositores e poucos inimigos, e com muitos mais que o apoiam e gostam dele”, escreveu o insuspeito Walter Lippmann.
“Dever cumprido”, disse Truman ao deixar a Casa Branca. Poucos presidentes tiveram tantos motivos como ele para pensar assim.

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Mandato manchado até ao fim

por Pedro Correia, em 25.09.08

À beira do fim do mandato, George W. Bush confirmou a sentença de morte de um militar – o primeiro a ser executado desde 1957 nos Estados Unidos, onde é necessária a expressa autorização presidencial para consumar uma sentença capital de um membro das forças armadas, tenha cometido o crime que tiver. Bush desenterra assim uma tradição que estava suspensa desde o mandato do Presidente Eisenhower, o último militar a habitar a Casa Branca.

O soldado em causa cometeu quatro assassinatos e cinco violações nos anos 80. São cinco crimes inaceitáveis e repugnantes, ninguém discute. Mas nenhuma das vítimas será redimida com a sua execução, espécie de vingança primária cometida com o aval do Estado americano.
Acaba por não surpreender ninguém que Bush a tenha autorizado. Já quando era governador do Texas, o actual inquilino da Casa Branca confirmou 152 sentenças de morte – triste cifra, lamentável cifra, que põe a vida humana à mercê dos caprichos momentâneos de um governante qualquer. Não era preciso mais nada para o desqualificar em termos éticos. Como pode reclamar-se da fé cristã quem actua desta forma?

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Querias liberalismo? Toma!

por Pedro Correia, em 21.09.08

 

"A intervenção do Estado é necessária para proteger a economia de um risco excessivo", declarou o Presidente Bush, ladeado pelo presidente da Reserva Federal norte-americana e pelo secretário do Tesouro, ao anunciar a criação de um fundo estatal - no valor de centenas de milhares de milhões de dólares - para adquirir os activos incobráveis dos bancos que ameaçavam falência nos Estados Unidos. O plano mereceu o pronto aplauso do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama.

Há meses assim, em que os nossos queridos ultra-liberais nem deviam sair à rua...

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Like a virgin

por Teresa Ribeiro, em 14.09.08

Se fosse feia e tivesse mais dez anos (creio que não seria necessário envelhecê-la mais), enfim, se ao lado de McCain não parecesse ainda uma menina e se essa circunstância, somada à sua desenvoltura e beleza não fizesse dela “uma gracinha”, nesta recta final das eleições americanas McCain já estaria arrumado.

O facto de já ser avó e mãe de uma vasta prole em nada reduz este efeito refrescante na candidatura republicana à Casa Branca, bem pelo contrário. Qual Madonna, Sarah Palin suscita admiração por desmentir a idade que efectivamente tem em cada um dos seus gestos.
Aparentemente, as suas ideias ultraconservadoras que – caso fosse velha e feia a envelheceriam ainda mais aos olhos de todos – não têm afugentado os eleitores que não se revêem na sua concepção do mundo.
Mas no caminho para Hollywood, perdão, para Washington a “concepção do mundo” dos candidatos a líderes... do mundo não é, em definitivo, o mais relevante.

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