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A Verdade da Mentira

por Paulo Cunha Porto, em 09.10.08

A degradação no debate político atingiu um ponto de não-retorno. Tanta é a desconfiança das gentes acerca dos seus políticos, que dois deles, americanos do Indiana com experiência no Congresso, aceitaram submeter-se a um detector de mentiras, durante a discussão pública televisionada das respectivas propostas. Mais do que amalgamar as precauções contra suspeitos criminais às que se devam adoptar contra homens públicos, o significado a retirar é o do triunfo da Máquina sobre o Humano, o que será tudo menos dignificante.

Claro que a importação deste modelo para cá é impossível, nada se ouviria dos dizeres dos candidatos, o aparelhómetro estaria sempre a apitar. Precavidos foram os habitantes do Novo México, os quais colocaram estas duas povoações tão perto uma da outra que os letreiros que as anunciam, juntos, fazem muitíssimo sentido.

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A Vaca Sangrada

por Paulo Cunha Porto, em 30.09.08

 

 

Quando o New Deal  foi decidido muita gente o contestou, acusando-o de inspiração nas políticas desenvolvimentistas de Mussolini, o que, para os ultra-liberais era crime monstruoso. Resultados efectivos e uma propaganda superior determinaram um novo princípio tácito dominante - a excelência e intangibilidade do Mercado, salvo quando tudo parecesse em decomposição, altura em que o Estado Federal poderia passar de vilão a super-Herói, evitando a derrocada com controlos e subsídios astronómicos.

Até ontem.

O que levou 133 Republicanos e 95 Democratas a contrariar os acordos e instruções das suas bancadas num assunto tão sério?  À partida, a Câmara, ao contrário do Senado, é terreno mais  favorável à "pureza ideológica" do que ao compromisso. Vendo os nomes, tem, porém, de ser mais do que isso. Entre os Dems há razoável coincidência entre os votantes sim e a ala mais solidarista. Porém, no GOP, a confusão é total, com muitos falcões económicos, quase libertários, a aprovar, e outros, menos esperados a recusarem. E se formos ver os candidatos que procuram desalojar parlamentares deste partido, também alguns esquerdistas Democratas desautorizaram a sua mais alta voz, a Speaker Pelosi.

É que esta cometeu um erro: quis que Obama aparecesse como um dos salvadores da Pátria e jogou-o para a frente, nas negociações com o Presidente, para que a este não ficasse reservada a exclusividade do feito. O problema é que, subitamente, a intervenção se revelou impopular, por significar carga enorme para os cofres públicos, à custa do contribuinte. Como a situação de perda ainda não se tinha generalizado, ao contrário de 1929, imperou o egoísmo sádico da sagacidade investidora, em que cada indivíduo acha não estar disposto a verter um dollar pela imprudência das aplicações do vizinho, Este sentimento de que é perder ao jogo fez, subitamente, muita gente escutar o canto de sereia que teoriza serem estas falências e desconfianças uma sangria que, pela santidade automática do livre funcionamento, devolverá a saúde ao animal que é o Mercado.

Pelosi não resistiu a, no discurso de apresentação da proposta resultante do acordo, culpar Bush e a desregulação da área financeira. Os mais empenhados garantes da impermeabilização ao Estado podiam tolerar o ataque à Casa Branca, de cujo ocupante sempre desconfiaram, por aumentar a despesa e a burocracia, com ele tendo entrado em conflito abafado nos casos Lott e Myers. Mas era demais pedirem-lhes que aguentassem uma diatribe contra os seus artigos de fé. Quando se juntam o extremismo do ideário de uns ao utilitarismo eleitoral de outros está reunido o material para catalisar a revolta.

O que tinha parecido uma abdicação inexplicável de protagonismo por McCain, na negociação do pacote que se pretendia panaceia, passou subitamente a ratice política e o seu principal conselheiro económico já veio a público culpar Obama, por ter responsabilidades neste falhanço retumbante. A situação está tão confusa que é impossível prever se a estratégia pagará e se, como poderia parecer, é esta a última oportunidade de passar novamente para a dianteira.

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Debater o Debate

por Paulo Cunha Porto, em 27.09.08

O Luís Naves salientou um ponto fundamental, o de não nos devermos deixar envolver pelas preferências na análise das vantagens na campanha eleitoral americana. Para os Leitores que só passaram a seguir-me nesta casa, declaro os meus gostos e desgostos, desde já, tanto quanto posso investir-me na política de uma nação de que desconfio um tanto, apesar de não defender abandonos de alianças. Mas é de lá que vem o Poder a que estamos sujeitos, há que apreciar.

Tradicionalmente tenho maior proximidade com os Republicanos nas questões político-morais, como maior sintonia com os Democratas nas económico-sociais. Mas sei bem que o que importa lá é a individualidade de princípios de cada político, que uma das melhores lições que nos dão é a desvalorização das cumplicidades ideológicas e a obliteração das disciplinas partidárias.

Assim, simpatizo com McCain e Obama, que penso os melhores de quantos se apresentaram, porque vingaram contra os estados-maiores partidários, encarreirados para  Romney e Clinton. E detestaria que tivesse ganho Edwards, o político menos honesto que se candidatou à Presidência, nos últimos anos.

Que dizer pois do debate de ontem?

Uma análise à Marcelo Rebelo de Sousa - Empataram! E como McCain precisava de ganhar neste debate, que versava principalmente sobre o seu tema forte - a Política Externa -, perdeu!

Uma análise à João L. César das Neves - O que ainda é incrível é que com tudo o que aconteceu, com o Iraque, com a aparência de crise económica, que não é grave porque os governos hoje sabem o que fazer, o que ainda é inacreditável, é que McCain possa ganhar!

Uma análise à Miguel Sousa Tavares - Os Republicanos passaram oito anos a desperdiçar um superavit orçamental e a proteger as grandes empresas, espero que Obama ganhe. Veremos em Novembro.

Uma análise à Paulo Cunha Porto - Duvido de que Obama tenha dito o que os eleitores queriam ouvir, pois prometeu sair do Iraque para ir para o Afeganistão e, quem sabe,  para a Coreia, quando o que eles desejavam escutar é que ia trazer os rapazes de volta a casa. Mas com a banca a bater no fundo, a explicação das perdas de McCain, dado como vencido pelos telespectadores, reside na obsessão que posso descrever, parafraseando a frase de Ann Richards contra Bush Pai, É a Economia, inteligente!

Volto depois do almoço, para responder aos Amigos que me comentaram, ontem.

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Não há Almoços Grátis?

por Paulo Cunha Porto, em 26.09.08

 

Para a firma que produz o vinho chileno de Syrah Palin, a escolha do ticket Republicano foi a publicidade de sonho, sem ter de pagar os milhões da ordem pela concepção e difusão respectivas. Também é um bom elemento de análise para aquilatar do infantilismo presente na atmosfera eleitoral Norte-Americana, com clientes de restaurantes do centro mais gauche-caviar dos EUA, S. Francisco, a recusarem-lhe o consumo, por causa da identidade fonética com o nome detestado. Como se eu alguma vez pensasse sequer em abdicar de uma pinga boa, por ela se denominar Soares, por exemplo! E, coitados, devem ficar bem vexados ao ver que, fora do seu círculo, o interesse por este rótulo subiu em flecha no resto do Mundo.

Mas os liberais, no sentido de esquerdistas que naquelas bandas prevalece, têm um dilema bem fundo - torcer para que a Economia serene e ver a candidatura de McCain recuperar nas sondagens, ou desejar que passe por dificuldades um mês mais e ficar com um bico de obra para resolver. Tudo se paga, afinal.

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Os Simpsons

por Paulo Cunha Porto, em 17.09.08

O Jury, de John Morgan

O nosso sistema judicial tem muitos defeitos, mas, ao menos, está livre da sobrecarga democrática dos anglo-saxónicos. Se nada há de tão democrático como um linchamento, logo a seguir segue-se a apreciação por um júri, coisa naqueles países corriqueira e, felizmente, por cá muito restrita. Para além de transformar os causídicos de experts de leis em espertos demagogos, intervém o elemento plutocrático de uma forma a acrescer às que por cá se conhecem. Nunca obterá justiça igual à desafogada uma bolsa que não chegue para contratar profissionais mais caros. Mas num sistema de jurados o extremo atinge-se com a liberdade de recusa de uma parcela dos previamente seleccionados e a possibilidade de suportar o custo de investigações que levem a rejeitar outros tantos.

É mais do que conhecido o caso de O. J. Simpson, absolvido no julgamento penal do assassínio da Mulher, mas posteriormente confessando-o na prática e, civilmente, por ele condenado. Li algumas das perguntas que os seus advogados fizeram na selecção e tão ridículas eram quanto à noção de imparcialidade pretendida, que quase se exigia que o veredicto fosse dado por fãs fanatizados ao ponto de acharem que um grande desportista não pode ser homicida.

Agora, noutro Estado, no Nevada, uma juíza recusou-se, no julgamento de um assalto e rapto de que ele vem acusado, a pôr de parte, como inaptos para julgar, os cidadãos que o acreditassem culpado do crime anteriormente decidido, sem maiores animosidades. Acho muito bem: com toda a informação que sobreveio, ter-se-ia de compor o grupo apenas com autistas.

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A Cara Palin

por Paulo Cunha Porto, em 15.09.08

Em terra que foi de Índios penso ser o título que se impõe.

Querida Teresa, respondendo à Sua interpelação, julgo não ser o caso, pois tenho-me esforçado por descobrir o que na Governadora do Alasca pode seduzir os Norte-Americanos, independentemente dos atributos físicos. Embora uma carinha laroca não seja de desprezar, nem no caso deles nem do meu, que não posso, ou quereria, votar.

Há um talento que demonstra desde os concursos de beleza e que não foi sublinhado. Tendo perdido o de Miss Alaska para a conhecida cantora Maryline Blackburn, foi eleita Miss Congenialidade, uma espécie de versão melhorada da nossa conhecida Miss Simpatia, reportando à facilidade de identificação do público com as posições (termo aqui inocentemente empregue ) que defendia. Parece-me que, transplantada para a Política, continua a fazê-lo. Com genialidade, hoje por hoje. Daí os 90% de aprovação no seu Estado.

O que me faz espécie é que, tendo ela sido analisada por tantos ângulos (sem malandrice), aqui no «Corta-Fitas», e sendo a maioria dos meus Caríssimos Colegas Jornalistas, ou ex-Jornalistas, ainda não tenham postado imagens da concernida na profissão que Convosco compartilha. Deontologia profissional? Como a ela não estou obrigado, tomo então a iniciativa. Quanto a mim, apresentava-se bem mais apelativa do que nas fotos que vi, como Miss, sensivelmente da mesma época, vinte anos atrás.

Ora digam lá de Vossa justiça.

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