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Ser-se «intocável» é...

por Luísa Correia, em 29.11.14

 

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O senso de Rasputin

por Luísa Correia, em 23.05.13

Rasputin, o monge alinhado na velha tradição taumaturga da Rússia profunda, é das figuras mais enigmáticas da História contemporânea. Desde logo, pelo ascendente adquirido sobre a czarina Alexandra, que terá contribuído para o fim trágico da dinastia Romanov. Não é uma figura simpática... Mas acabo de descobrir que partilhamos um ponto de vista.
Como se sabe, Rasputin caiu nas boas graças dos Czares, porque foi o único, à época, a conseguir proporcionar ao pequeno czarevich Alexei alívio para as crises da sua hemofilia. Muito se especulou sobre a natureza dessa faculdade, e não poucos enquistaram na tese milagreira.
Pessoalmente, perante os seus retratos e o tremendo olhar de basilisco que nos revelam, propendia para a tese do hipnotismo.
Mas a coisa está finalmente esclarecida. Parece que Rasputin se limitou a usar do melhor senso comum na análise da situação da criança: desconfiou dos clínicos de serviço e mandou suspender toda a medicação. Ora da bateria de remédios suspensos constava a aspirina, cujas propriedades anti-coagulantes, ainda então desconhecidas, não se recomendam a um hemofílico.
Por sorte, já não era então desconhecido que os médicos podem ser piores do que as doenças. Até nós, neste cantinho de gente ingénua e crédula, já o sabíamos há séculos:
"Doutor, até do hospital
Te sacode enfermo bando.
Qual será disto a causal?
É porque, em tu receitando,
Qualquer doença é mortal".
(Bocage)

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Entretanto, em terras de Sua Majestade...

por Luísa Correia, em 10.05.13

 

"O inglês não pode morrer por ingestão alcoólica. Se quer suicidar-se com instrumento líquido, tem de asfixiar-se, afogar-se no tonel como o lendário Lord. Ele é imortal, absorvendo; e só pode morrer — absorvido. Estranho animal!" (Camilo Castelo Branco, "O vinho do Porto: processo de uma bestialidade inglesa")

 

Pois parece que sim. Acabo de descobrir, aqui, que o Parlamento Britânico (Câmara dos Comuns):

1) dispõe de quatro bares;

2) pratica, nesses bares, preços muito "esmagados";

3) insiste em reclamar contínuas reduções do tarifário;

4) nem por isso se retrai no consumo, que lá vai desarticulando o senso e os punhos dos seus deputados.

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Isto é honra, senhores!

por Luísa Correia, em 29.04.13

Faz mais de três séculos que Vatel, o afamadíssimo cozinheiro do Príncipe de Condé, cometeu hara-kiri no decurso de um banquete oferecido pelo patrão a Luís XIV e aos seus três mil acompanhantes, pondo termo a uma vida de promessas.
A especulação sobre os motivos do seu acto ainda hoje se não satisfaz com a verdade. Diz-se que terá sido a indiferença ou a troça de uma senhora da corte, por quem se teria apaixonado. Fala-se também em dificuldades de gestão de um romance clandestino com Monsieur, o irmão do rei.
Mas não. A verdade é prosaica, embora não menos nobre. Vatel não conseguiu, simplesmente, lidar com o atraso na entrega do peixe que tinha encomendado para o almoço real, nem com ver assim comprometida a sua imagem e reputação. Vatel tinha aquilo a que os dicionários ainda chamam de brio profissional. E por ele morreu.
Consta que, por estes dias, já se come cavalo por vaca nalguns restaurantes de referência. E sempre se deve ter comido gato por lebre... Mas quantos chefes haverá dispostos a seguir aquele "histórico" exemplo?
Ó tempos, ó costumes...

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Lolo

por Luísa Correia, em 12.03.13

Este quadro, exposto no Salão dos Independentes de Paris de Março de 1910 com o nome "Et le soleil s'endormit sur l'Adriatique" e a assinatura de J. R. Boronali, fazia-se acompanhar de um manifesto sobre a força explosiva do excesso. A pintura era, sem dúvida, excessiva no traço e no colorido, e a sua força revelou-se nos vinte luíses de ouro por que foi arrematada.
Ninguém conhecia o autor. Mas logo se soube que Boronali era, afinal, o pseudónimo de Lolo, o burrinho do pai Frederico, dono de um cabaret de Montmartre. Com um pincel atado à cauda, ao alcance de uns potes de tinta, e incentivado por uns molhos de cenouras e de folhas de tabaco e pelos aplausos e risos do escritor Dorgelès e de um grupo de amigos, Lolo dera largas ao seu talento golpeando a tela ao jeito de Monet. Este brilhante desempenho tinha o selo testemunhal do oficial de justiça Brionne.
O que Dorgelès, crítico do Impressionismo e promotor da iniciativa, procurava demonstrar dispensa explicações. Claro que não podia imaginar quanto os subsequentes "ismos" confeririam aos impressionistas o estatuto de clássicos entre os clássicos.
E Lolo? Lolo retirou-se para a Normandia depois da morte do dono. E aí consta que, vendo-se sem mais pincéis, mais telas, mais folhas de tabaco e mais louros da glória, se terá suicidado nas águas de um charco.

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A Oeste nada de novo

por Luísa Correia, em 18.07.11

 

(... no Monte Agudo)

 

No Verão de 2008, a respeitável ONU apelou à adesão dos seus funcionários ao estilo de vestimenta «casual», sem gravata, como forma de aliviar o calor e de reduzir o recurso aos poluentes ares condicionados. Mas faz mais de um século que Eça de Queiroz, nos seus «Ecos de Paris», já registava e aplaudia iniciativa do género:

 

«A moda, ou antes aqueles que a fazem, acaba de tomar uma resolução sapientíssima. Paris, de ora em diante, fica sendo considerado, durante os meses de Verão, para todos os efeitos sociais, como campo e não como cidade. É permitido, portanto, passear, fazer visitas, ir ao teatro, etc., de chapéu de palha, jaquetão claro e botas brancas. Nada mais justo. Era com efeito absurdo que Paris nos servisse 30 graus à sombra – e que os parisienses continuassem a sofrer a tirania da sobrecasaca apertada e do duro chapéu alto. A moda, mesmo, deveria ir mais longe e permitir a tanga. O vestuário foi inventado por causa da temperatura, e deve, portanto, variar com ela harmonicamente. A neve pede peles, peles suplementares, arrancadas a animais. O Sol do Senegal ou de Paris em Julho, só pede a própria pele – sem mais nada, além de uma folha de vinha. Esta seria a lógica das coisas. A moda não ousou ser tão radical – e foi só até à palha e à alpaca.»

 

Caso para repetir (evocando o velho título de Erich Maria Remarque): a Oeste, nada de novo...

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