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Sem perdão II

por João Távora, em 28.11.12

 

Estou convencido que o orçamento de Estado aprovado ontem, provavelmente o maior assalto fiscal perpetrado contra as nossas comunidades, foi pouco mais ou menos aquele que era possível tendo em conta o acordo e as premências estabelecidas para o resgate financeiro negociado com a Troika por José Sócrates.
Mas o que ressalta para mim de mais grave nisto tudo é o irremediável descrédito alcançado por uma promissora geração de jovens políticos. O que foi aprovado ontem não foi só um orçamento inqualificável que reforça de forma sufocante o peso dum Estado mastodôntico: ontem foi ateada uma enorme e incontrolável fogueira em que arde o que restava da reputação dos políticos e das esperanças dos portugueses. Justificações haverá muitas certamente, não há é perdão. Quem disse que a vida era justa?

 

Em 2011 estávamos neste ponto

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Moderação e racionalidade recomendam-se

por João Távora, em 12.11.12

Como é óbvio a insustentável situação financeira a que chegámos não é culpa de Angela Merkel. E apesar dos Socialistas serem muito sensíveis ao tema da “culpa” - do ponto de vista psicológico e não da ética, como é bom de ver – é lamentável a despudorada atitude persecutória e xenófoba que não se eximem de exibir quanto aos alemães. Não vale tudo para cavalgar o natural descontentamento popular nestes inevitaveis tempos de penúria, e é verdadeiramente deplorável o jogo perigoso que alguns socialistas insistem praticar: não tenho dúvidas que de hoje para amanhã, mais cedo do que julgam, ver-se-ão eles na contingência de desarmar a bomba relógio que agora se entretêm a armadilhar. Não vale tudo, "terra queimada", não.

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Será que a Ana Lourenço acusou o toque?

por João Távora, em 19.10.12

 

"É necessário que ao nível do comentário económico e político haja serenidade e acima de tudo rigor. Oitenta por cento do que é dito não tem rigor e só serve para criar ansiedade nas pessoas e criar-lhes falsas esperanças. Aqui, deixe-me fazer um apelo mas a comunicação social tem que contribuir para isso. Eu percebo que anima mais amplificar comentários desagradáveis, o debate sereno se calhar ve

nde pouco mas é muito importante contribuirmos para o rigor e para a serenidade e discutir ideias com racionalidade. Muitas vezes nos assistimos a muitas discussões que não são diferenças de opinião, são factos certos e factos errados e é evidente que em cima de factos errados só se podem construir ideias erradas"
Vítor Bento a Ana Lourenço, na SIC Notícias.

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Os dias do fim

por João Távora, em 22.09.12




Uma coisa são as críticas - duras, indignadas, veementes - ao Governo. Outra é arrasar por igual todos os políticos, defender o fim das instituições democráticas e menosprezar os mecanismos constitucionais. Confundir tudo numa amálgama de impropérios onde só falta pedir um "pulso forte" para "endireitar o País" é meio caminho andado para desembocarmos numa situação muito pior do que a actual.

 

Pedro Correia no Forte Apache

 

Imagem roubada ao Eurico de Barros

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Ingovernáveis

por João Távora, em 21.09.12


Desde a morte de Sá Carneiro que se provou e tornou a provar que um primeiro-ministro que não aparecesse ao público como o inequívoco responsável pela vitória da maioria não conseguia, por mais que se esforçasse, adquirir a autoridade para governar o seu partido, o Estado e o país. A fraqueza original de Balsemão e Santana Lopes veio daí. Mas ninguém se lembra. E não se lembrará até ao dia em que o cidadão anónimo fizer ao "salvador" que se prepara esta pergunta simples: "Quem é que o elegeu?" Perante o espectáculo vergonhoso do nosso melancólico mandarinato, resta uma única conclusão: a crise chegou à República.


Vasco Pulido Valente hoje no Público



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Anda por aí a medrar uma perigosa tese de que as manifestações de Sábado, pela sua eloquência, obrigam à demissão do governo. Acontece que, segundo as regras constitucionais, a avaliação da prestação do governo (de qualquer um, mesmo que não seja de esquerda) é feita nas urnas por voto secreto e universal, de preferência no final da legislatura. Num país civilizado poder é instituído pelo voto, não é imposto ou destituído pela rua.

Se as regras mudaram, (eu não dei por nada), então os restantes nove milhões de cidadãos são chamados desde já a virem reclamar de sua justiça. Uma "conversa" incendiária, absolutamente lamentável, não vos parece?

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O semi-presidente

por João Távora, em 13.09.12

 

Qual o papel de Cavaco Silva? Ouvir o povo? Estar Calado? Fazer consultoria financeira ao governo Passos Coelho? Provocar uma crise política? Nunca como nesta amargurada hora que o País vive foi tão evidente a patética posição em que se vê colocado o nosso semi-presiedente, uma instituição definitivamente equivoca e inútil. 
Sabemos bem que se no seu lugar lá estivesse o Jorge Sampaio, umas lágrimas canhotas solenemente derramadas nas televisões acalmariam os agentes políticos e comentadores regimentais pelo menos até ao Natal.

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Sinais dos tempos

por João Távora, em 06.09.12


Quase todos os dias nos carros da minha rua, uma nova e insistente remessa de panfletos é colocada mos limpa pára-brisas anunciando a vontade de comprar o meu, e já agora também o ouro e as pratas. Então, como que por instinto, dirijo os olhos para o ar à procura dos abutres que pela calada rondam os nossos haveres.

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A implosão do socialismo

por João Távora, em 28.08.12

 

Essa teoria de que "há uma geração injustiçada pela falta de expectativas de melhoria de vida em relação à antecessora" constitui uma terrível falácia politicamente instrumental. Em primeiro lugar, pela simples razão de que “uma geração” não é uma entidade corpórea, não tem sentimentos, mérito ou expectativa; em segundo lugar porque não consta que ela se tenha reunido num café para emitir um manifesto. O que existe são indivíduos, pessoas, com sentimentos, formação, capacidades, ambições próprias. Por isso é expectável que muitos delas prosperem em relação aos seus pais... se nós lhes dermos esssa liberdade.
Ou seja, mais importante do que constatar que a dinâmica económica global pressiona um determinado ajustamento percentual no preço do trabalho, é saber se os indivíduos que entram no mercado têm espaço e dependem do seu próprio mérito para alcançarem as suas ambições e objectivos. Ou seja, pelo facto de se vislumbrar um “empobrecimento” em termos genéricos, é mais do que nunca dever dos governantes proporcionar às gerações emergentes um mercado de trabalho em que todos e a cada um acedam com iguais direitos e deveres, e por exclusiva força do seu mérito. Isso exige uma economia independente "cunhas" de “mercês” do Estado e liberta dum sindicalismo arcaico que se limita a defender os privilégios de duas gerações agarradas aos seus "direitos". A implosão do socialismo - que tão encaixa bem na velha tradição nacional anti-liberal, proteccionista, centralista - uma nova constituição... uma quase utópica revolução cultural.

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E o Zorrinho não vem pôr a boca no trombone?

por João Távora, em 23.08.12


Enquanto o primeiro ministro grego reivindica "mais ar" para respirar (leia-se mais tempo, menos juros) o malvado socialista François Hollande pressiona o país a prosseguir a via das reformas, e avisa que a permanência da Grécia no euro depende do esforço dos gregos. 


Do blogue Público

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Até dormi mal

por João Távora, em 13.07.12

 

A coisa era de esperar: a virulenta ascensão de Passos Coelho, Relvas e companhia no PSD semeou, dentro e fora do partido, um rastilho de inflamado ressentimento que refulge com mais vigor com cada abalo na governação. Nesse sentido ontem o programa Quadratura do Círculo na SIC notícias produziu um deprimente espectáculo demagogia fácil, sem contraditório digno desse nome – estranho até o indolente e embaraçado discurso de António Lobo Xavier. António Costa espraia-se nas suas sete quintas. Dêem-lhe já o leme da coisa e a retoma fica garantida. 

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O deplorável estado da Nação

por João Távora, em 12.07.12

O estado da Nação é muito mau simplesmente porque há pouco mais de um ano, numa situação de emergência o PS com a anuência do PSD e CDS penhorou a nossa soberania para que os euros não deixassem de circular pelas nossas carteiras. Hoje, o pior é que para descambarem muito mais, as coisas dependem pouco nós. Todas as considerações que menosprezem estes factos pecam por um profundo irrealismo e irresponsabilidade. O caminho que nos está reservado é demasiado estreito para que não soem patéticas as efabulações socialistas (de quem herdámos este pesadelo), sobre caminhos alternativos, crescimento económico e reivindicações aos credores. Mas entende-se; trata-se duma narrativa que convém a todos os players, a bem duma ilusão de alternância... democrática.
Era fácil adivinhar desde o início que o caminho deste governo era não só muito estreito mas armadilhado, que a erosão da sua imagem seria rápida, e o ruído de fundo atingiria um volume ensurdecedor numa questão de meses. Simplesmente porque o nosso resgate passa por uma desgraçada desvalorização do preço do trabalho e de um severo corte na despesa pública com os consequentes síndromes de abstinência, fenómeno que entre os socialistas dá lugar a autênticos delirium tremens.

 Se somarmos a isto o crescente descrédito popular na classe política, o desconforto dos lóbis, das corporações e outros interesses instalados subitamente ameaçados pelas incontornáveis reformas que tardam sair dos gabinetes, percebe-se que na melhor das hipóteses a barulheira em breve aumentará exponencialmente.
É aqui que surge o ministro Relvas, uma caricatura das elites e das máfias que dominam há muitos anos a irreformável III república. Acontece que ironicamente o personagem ao concentrar em si toda maledicência popular e guerrilha mediática, tornou-se essencial à coligação, poupando os ministérios e gabinetes no seu inglório trabalho de manter o desgraçado País à tona da água. Certo é que com o seu líder José Sócrates nesse papel de bombo da festa o governo socialista resistiu muitos anos. A diferença é que então o homem conseguia sacar muitos milhões para deitar na fervura.  

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Perder regalias é uma chatice

por João Távora, em 06.07.12

 

Macário Correia garante só ter pedido a reforma "por ter sido alertado por outros colegas para o facto de estar a perder regalias".

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Um estranho princípio da igualdade

por João Távora, em 06.07.12

 

O veto do Tribunal Constitucional ao corte dos subsídios de férias e de Natal é antes de mais um pontapé na estratégia do "bom comportamento" que o governo português pretendia começar a cobrar aos credores que nos sustentam. A posição dos juízes, baseada numa alegada violação do “princípio da igualdade” na aplicação das medidas apenas para o sector Estado, esquece que esse permanece ainda hoje um sector privilegiado, de emprego vitalício, vencimento certo e historicamente protegido das agruras do mercado (sinónimo de "realidade" enquanto a riqueza não brotar das pedras da calçada).
Certo é que este veto dos juízes, que tresanda a corporativismo, vai simplesmente obrigar o ministro Gaspar em 2013 a ir buscar os dois mil milhões de euros a outro lado qualquer… ou seja, democraticamente a todos os portugueses, incluindo aqueles poucos que no sector privado se esmifram a lutar pelos seus postos de trabalho, por mais um dia ou por mais um mês.
A alternativa é um assomo de coragem por parte do governo para uma arrojada renegociação das PPP e implementação das reformas necessárias a uma redução sustentada da despesa pública, do desperdício e abusos nas empresas do Estado. Questão mais tarde ou mais cedo inevitável tanto mais que a economia está a estoirar e são cada vez menos os contribuintes nacionais com capacidade para sustentar "o monstro".  

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Mon ami Holland

por João Távora, em 03.07.12

 

António José Seguro que nos explique a política de crescimento de Holland que afinal irá cortar cerca de 33 mil milhões de euros até 2013 para conseguir reduzir o défice. 

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Será que os alemães não têm "indignados"?

por João Távora, em 20.06.12

 

Será que a malfadada Agela Merkel, personificação do mal, líder duma conhecida tribo de bárbaros, que nos últimos anos com requintada perversidade e responsável pela destruição do sonho europeu da moeda única, afinal vai obrigar os seus eleitores contribuintes a desembolsar o grosso duma factura de cerca de setecentos mil milhões de euros para compra de dívida pública de Espanha e Itália directa no mercado?

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Europa federal à força?

por João Távora, em 17.06.12

 

 

É um discurso vulgarizado aquele que dá hoje à pena o jornalista André Macedo, pessoa de responsabilidade, director do jornal online Dinheiro Vivo num comentário ao Diário de Notícias:  Se vencer a Nova Democracia será mais do mesmo - um horror para os gregos, uma pesadelo para os outros europeus - embora a Zona Euro ganhe tempo para tentar aquilo que ninguém discutiu até hoje: uma Europa federal, integrada, com um parlamento representativo e fiscalizador de (hélas!), um Governo supranacional. Já sei: seria um espécie de casamento forçado, um casamento de caçadeira. E então?

E então? Hipotecar formalmente um pouco mais da soberania Nacional por um prato de lentilhas e uma caçadeira encostada à nuca é o preço da saída da crise? Além de claramente definidos os limites dessa "união política", a colocar-se, ela terá imperetrivelmente de ser sufragada. Caso contrário será mais um passo firme para adensar a salganhada que constitui esta desgraçada Europa desenhada à revelia dos povos nos gabinetes de Bruxelas por sociólogos, ex-hippies, trotskistas e comunistas arrependidos. Chamem-me lírico ou idealista, mas pela parte que me toca não aceito a hipoteca de nem mais um milímetro da minha Nação, uma extraordinária invenção que nem oitocentos anos de História conseguiram implodir. 

 

Declaração de interesses: sou dos que terei mais dificuldade a sobreviver à queda do euro - não possuo heranças, bens imóveis nem contas off-shore. Na minha casa, governa-se uma família de seis almas, um dia de cada vez, sem “ordenados” ou “empregos”, apenas à custa muita tenacidade a angariar trabalho para uma micro empresa sobrevivente a uma permanente extorsão fiscal. 

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Os gregos que se ponham a pau

por João Távora, em 22.05.12

O vice-presidente do BCE não antecipa uma saída de Atenas da zona euro, mas insiste que a Grécia tem de trabalhar com a Europa.

"Não creio que aconteça o pior na Europa. Não antecipo que a Grécia vai sair [da zona euro]... ", afirmou Vítor Constâncio, citado pela Reuters. 

 

Vinda a "antecipação" de quem vem, preparemo-nos para que aconteça justamente contrário. Constâncio e antecipações não se dão nada bem.

 

 

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Caprichosa realidade

por João Távora, em 14.05.12

São indisfarçáveis os arrepios de excitação dos cúmplices ou protagonistas da desgovernação das últimas décadas com manchetes tipo “o regresso dos indignados”. No caso é à Puerta del Sol em Madrid, mas poderiam referir-se às dezenas de campistas no Parque Eduardo VII ou a um qualquer grupelho de alienados na Praça Luís de Camões. O “cheiro a sangue” provoca uma reacção pavloviana no jornalismo tuga. Talvez seja afinal o caos a ignição da tão proclamada “Agenda do Crescimento”... nos primeiros tempos até ajuda a vender jornais.

A montante de tudo isto está o enorme equívoco que constitui para a Democracia, a proverbial insubordinação do regime à “realidade”. Como referia o historiador Rui Ramos Sábado na sua coluna do expresso (nutro infinitamente mais apreço por um analista político que consagre a sua vida à investigação da História) “a democracia não é só vontade e representação, esta não pode ser a negação da realidade”, uma perspectiva que fatalmente constitui a sua própria condenação. Acontece que "os cidadãos ocidentais foram educados na crença de que a realidade é uma construção ideológica, e que portanto, pelo singelo expediente de "fazerem ouvir a sua voz" está aos seu alcance tornar as coisas e as pessoas no que mais lhes convém." De facto, "os políticos" teimam vender promessas impossíveis para vencer eleições e foi essa lunática estratégia mais o crédito barato que nos trouxe à falência. Uma estratégia que descredibilizou o regime e hoje coloca em risco a nossa liberdade, à mercê de qualquer grupelho marginal mais aguerrido ou violento. 

De facto acabou o dinheiro fácil, o emprego por decreto e o capitalismo popular que manteve as hostes expectantes ou acomodadas. Acabaram-se as certezas e é muito provável que esta ficção chamada Europa se desmorone mais cedo do que possamos imaginar. O colapso da moeda única encarregar-se-á disso. 

Em vez de se atirar gasolina para o fogo, por estes dias deveríamos apelar aos valores mais perenes, assumindo-se reforçada a responsabilidade de defender o que se possa ainda salvar: a liberdade. Hoje o único apelo realista é ao estoicismo e sentido patriótico do cidadão. Citando uma vez mais Rui Ramos: “o rei Canuto mostrou um dia que não mandava nas ondas do mar*. Os manifestantes e eleitores europeus precisam de perceber que eles também não”. Uma inevitabilidade que abrange os socialistas portugueses.

 

William J. Bennett
O Livro das Virtudes

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Um pouco de realidade: nada será como dantes

por João Távora, em 01.05.12

 

Quem siga o debate político e acompanhe a Comunicação Social de referência, dificilmente encontra alusões à evidência de que navegamos no olho de um furacão, no centro de uma tempestade perfeita. Onde se entrecruzam as fragilidades do regime, o acumular de políticas criminosas, uma crise financeira exógena e determinantes transformações geoeconómicas. A algraviada de recados políticos que alimentam as manchetes dos jornais e abertura dos telejornais encobrem a crua realidade que vivemos: o fim de uma Era, de uma “construção” socioeconómica insustentável. Um aborrecido detalhe, cujo capítulo seguinte ninguém verdadeiramente quer saber, por respeito aos senadores e arquitectos de tão esplendorosa obra. É nesta ébria cegueira, em que os actores se recusam olhar para lá da espuma dos dias, entretidos que estão a discutir contas de mercearia, quem é o mais amigo do crescimento económico, do Estado Social, o mais socialista ou menos liberal, ou se será afinal o messias Hollande que nos vai salvar de Merkel e dos seus enfadonhos alemães. 

Por pior que seja a sua arquitectura, qualquer regime se aguenta enquanto é regado pelo dinheiro. E quando a torneira se fecha?
Com o diagnóstico feito há muitos anos, nem a centímetros do precipício o sistema mostra vontade de se regenerar. Se os partidos se desligaram das comunidades em detrimento da plutocracia que os alimenta, se os deputados não representam os eleitores, se o sistema semipresidencialista se revela uma manhosa irrelevância política, se a economia não gera riqueza que pague os descomunais custos do Estado, o que é que deveria ocupar as mentes brilhantes das nossas elites? A sua preocupação é a de sobreviver mais um dia e mais outro, um de cada vez, do estatuto e privilégios conquistados, que hipotecaram irremediavelmente as gerações vindouras.
O que nos une hoje é a camarata de terceira classe do navio chamado Europa que mete água por todos os lados. Anestesiados pelas vagas alterosas, aos portugueses de pouco serve ou consola o mal dos vizinhos. É que, fiéis à nossa tradição ultraconservadora de nada mudar até tudo cair putrefacto, à trágica incapacidade de nos regenerarmos por nós mesmos, mesmo na evidência da catástrofe, corremos o sério risco de sermos o primeiro lastro a ir borda fora. E assim nos afundamos enroscados como lapas aos nossos "pais". Ao pai da Revolução, do Serviço Nacional de Saúde, da Constituição, do Socialismo, e de tantas outras ressequidas vacas sagradas. 

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