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Esta coisa da idade não é só desvantagens, a experiência e a memória podem ajuda-nos a descodificar certas modas caricatas como esta da pulseira POWER BALANCE®. Quem não se lembra duma muito semelhante, ocorrida nos anos oitenta e que consta enriqueceu o João Rocha, o antigo presidente do Sporting? Tratava-se duma pulseira de bronze, em forma de ferradura, cujas extremidades eram rematadas com duas esferas. Dela também se dizia que afastava maus espíritos, e outros desequilíbrios provocados por malvadas frequências electromagnéticas.

Trinta anos depois a receita é recuperada com sucesso, de novo à boleia duma crise, impulsionada pelo espírito da estação tola e quem sabe em substituição dos fetiches regulamentares, como a bela gravata, relógio caro ou o carro da empresa que não dá jeito levar para a praia. Um insuspeito amigo meu que encontrei aqui em Milfontes, engenheiro de formação académica adquirida em dia útil, garantia-me, orgulhoso da sua POWER BALANCE® de trinta e cinco euros, que não tinha a certeza dos efeitos, mas que achava que sim, que notava mais equilíbrio a andar de mota, e que “temos que acreditar nalguma coisa, João”.

Admirável é como esta irresistível moda que começou no pulso duns quantos mediáticos, jogadores de futebol e figurantes de entretenimento, que vem crescendo por conta de alguns artigos de jornais e revistas, torna-se uma onda imparável, um grande, enorme negócio: daqui a duas ou três semanas, uns quantos terão feito fortuna com este Conto do Vigário; milhões e milhões de pulseiras vendidas, incluindo novas versões, mais clássicas ou arrojadas, incluindo a da loja do chinês, igualzinha às outras, acessível à mulher-a-dias e usada pelo empregado de mesa da estância balnear. Será esse o ponto de retorno: a coisa cairá então em fulminante desuso e descrença, anátema de provincianismo, de mau gosto e classe baixa.

É assim a história das pessoas, que precisam de acreditar em alguma coisa, de ter o conforto e a auto-estima, a esperança depositada num qualquer fetiche, trapo ou horóscopo. No fundo sendo tudo isto uma tontaria inofensiva, é uma história que nos revela para além da falta de uma Fé madura e experimentada, muita, mas muita, fragilidade escondida.

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Crónica social

por Pedro Correia, em 18.10.07

Alberto ama Beatriz que ama Carlos que ama Daniela que ama Eduardo que ama Fernando que ama Gabriela que ama Hugo que ama Ilda que ama Joana que ama Luís que ama Maria que ama Nuno que ama Óscar que ama Paula que ama Quim que ama Rute que ama Sónia que ama Tiago que ama Úrsula que ama Vítor que ama Xica que ama Zeca que não ama ninguém porque o alfabeto chegou ao fim.

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