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Santo Efraim nos valha...

por João Távora, em 24.06.20

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Isto agora do governo pretender que depende do comportamento de cada um não ser infectado com o COVID 19 é uma crença tão conveniente quanto perigosa, a despertar os magotes de torquemadas adormecidos. Sem que isso dispense a prudência, enquanto não houver uma vacina a doença será uma ameaça de que ninguém está livre a não ser que se encerre dentro duma redoma. Já dizia Santo Efraim, compositor e doutor da igreja (306 - 373 DC) que são 3 as grandes tentações com que nos confronta uma crise como a que vivemos: a preguiça, o desânimo e a ânsia de domínio – esta última é no meu entender a mais daninha.

Se necessário fosse, a crise do coronavírus demonstrou à saciedade como há demasiadas pessoas conformadas e até contentinhas com o sombrio destino do nosso país, acomodado como um pedinte na cauda da Europa. Vai ficar para a história a forma disciplinada como nos fechámos todos em casa e toureámos o vírus que se dá mal nas periferias - um orgulho nacional. Somos óptimos a estar quietos.

PS.: O número nacional de infectados de hoje (285 novos casos quase todos localizados em Lisboa e Vale do Tejo) está muito próximo da média diária na mesma região no pico da crise. Vão mandar o pessoal fechar-se todo em casa, ou mudou alguma coisa?

Ninguém gosta de quem duvida do pai natal

por Convidado, em 25.05.20

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Não é um tema novo ou sequer muito relevante neste momento. Mas a repetição ad nauseam de críticas estúpidas á opção Sueca, começa a ser insuportável e merece resposta. Sobretudo quando acontece em jornais respeitáveis como o DN, que voltou ao ataque sob o titulo, a Suécia fez diferente. E foi mau na saúde e mau na economia. Como exemplo de mau jornalismo parece-me perfeito: não é objectivo, os factos são irrelevantes e as conclusões são basicamente todas erradas.

É tão evidentemente possível criticar o caminho seguido pelos suecos como a resposta padrão do confinamento compulsivo seguida por quase todos os países. O que não é aceitável é faze-lo de forma tão pouco inteligente, incorreta e pouco séria, como costuma ser feita, e de que o ultimo artigo do Diário de Noticias,  em titulo, é um perfeito exemplo.

Há que lembrar que os suecos, ao contrario dos outros Europeus, não foram tratados como crianças ou inimputáveis. Só este facto merece destaque pela positiva e justifica a opção por eles assumida. Será esta a razão para ser tão raivosamente atacada as diferença de opções dos políticos suecos?

Há que lembrar, que nenhum país, com uma economia aberta, pode ter bons resultados económicos, quando todos os outros confinaram e entraram em recessão profunda. 
É simplesmente alarmante que num jornal como o DN, assumam previsões como realidades absolutas que permitam julgamentos. E pior, que não percebam que as previsões usadas para a Suécia, são menos negativas do que as de países que realizaram confinamentos mais rigorosos. Ou seja, apesar dos inevitavelmente  maus resultados previstos para a Suécia, estes são menos maus que os das previsões de outros países. A conclusão que se poderia tirar é exatamente a contraria da conclusão apresentada: economicamente a opção Sueca foi melhor.

A bandeira negra da superior mortalidade apresentada pela Suécia, relativamente a alguns países, nomeadamente Escandinavos e Portugal é um argumento tão errado como tendencioso. Um confinamento, mais ou menos rigorosos, tem uma tradução diferente no número de infectados. O confinamento protege-nos da possibilidade de ficar infectados. A mortalidade depende da virulência da infecção, das condições físicas gerais do infectado  e de outras variáveis, algumas ainda desconhecidas. Mas que nada têm a ver com o modelo de confinamento!

As criticas á possibilidade de ser atingida a imunidade de grupo são em simultâneo  alarves e um tiro no próprio pé do autor do artigo, quem quer que seja o infeliz. Os argumentos que ridicularizam a possibilidade de atingir a imunidade de grupo, são o não estar provada a imunidade de quem tenha sido infectado (o que não é verdade) e não se saber por quanto tempo essa possível imunidade seja efetiva (desvalorizando uma imunidade da mesma forma que se pode desvalorizar a valia de qualquer vacina). Finalmente critica a real possibilidade de atingir essa imunidade de grupo, porque os dados objectivos do número de pessoas infectadas são inferiores às previsões (que tentam corrigir os números daqueles que já foram infectados mas ainda não apresentam anticorpos) e representam um número pequeno, demasiado pequeno (neste caso 7,3% da população) para poder aspirar a uma imunidade de grupo. Esquecendo que se assim for, o que está a  demonstrar é que o modelo Sueco não é assim tão diferente em termos dos resultados do confinamento convencional.   Uma critica brilhante!

A grande diferença do modelo sueco, para além do respeito ao cidadão, é que ao contrario do seguido pela generalidade dos países, não é um modelo optimista. Posto de forma simples, os suecos não acreditam no pai Natal. Que vai fazer desaparecer o vírus por si só, trazer uma vacina em tempo útil ou fazer chover um remedio milagroso. Só estes milagres podem justificar a opção seguida pela generalidade dos outros países: impedir infecções a todo o custo, até á solução definitiva do problema. Sem milagres, só

a imunidade de grupo poderá parar a pandemia. E a discussão é apenas esta: acreditar ou não acreditar que vai existir uma solução que não passe pela infecção de uma  percentagem da população, qualquer que ela seja, que a liquide, por imunidade de grupo. Neste momento, ambos os cenários são possíveis, embora, de acordo com a OMS, seja mais provável que a pandemia se extinga por ela própria.
Sem milagre no horizonte,  o ideal é que sejam os grupos não de risco que sejam infectados, e que o tempo da infecção seja o mais rápido possível sem ultrapassar os limites dos sistemas de saúde. Tal como está a ser pretendido na Suécia. 
De resto, respeitando os seus cidadãos, assumem, tal como os outros, a proteção (e os grandes falhanços) relativamente aos mais vulneráveis e medidas de distanciamento social, embora menos restritivas e mais sustentáveis no tempo. O que, curiosamente, os “furiosos” do confinamento estão agora a adoptar. Não o assumindo,  ou reconhecendo que menos desconfinamento, é sempre maior risco de infecção. Mas que deve ser enfrentado porque é necessário regressar á vida normal, sob pena de falência grave das sociedades.  A sanha às respostas diferentes àquela seguida pela generalidade dos países, é tanto mais estranha, porque não devia suscitar insegurança dos mais conformistas, de tão acompanhados que estão. Será porque ninguém gosta dos que duvidam do pai natal?

 

PS: Nesta pandemia, não vou ficar com imagens de solidariedade humana que costumam aparecer nos momentos mais terríveis da história da humanidade. O que me impressionou foi a recusa tão determinada e aflitiva à inevitabilidade ou mera possibilidade da morte. E o enorme egoísmo de quem achou a pandemia perigosíssima, mas achou normal e devidos os enormes riscos assumidos por quem teve que continuar a trabalhar para não morrermos todos à míngua.

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas pelos nossos convidados são da sua exclusiva responsabilidade.

Bons exemplos

por Convidado, em 18.05.20

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Estou farto de estar a criticar e, por isso, decidi escrever sobre alguma coisa boa, o que é muito mais agradável mas muito mais difícil de encontrar no meio desta crise.

Ontem a Suécia ultrapassou Portugal no número de infectados confirmados. Nunca escondi o minha preferência pela estratégia sueca. Em primeiro lugar, por ser tendencialmente mais sustentável do que a nossa. Em segundo lugar, porque o Estado não trata os Suecos como inconscientes, como aconteceu em Portugal.

O futuro irá confirmar quem consegue melhores resultados. Mas confesso que independentemente do que acontecer, dificilmente deixarei de pensar que eles foram os campeões europeus do Coronavírus. Entendo a estratégia , aprecio a serena coragem e deliro com o respeito ao cidadão.

Não resisto a juntar o gráfico de infecções diárias do  worldometer da Suécia:

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Ao contrario da generalidade dos Países, não se nota uma queda evidente das infeções ao longo do tempo, o que confirma as medidas mais leves e menos potentes de distanciamento social que a Suécia implementou. Suficientes, no entanto, para impedir um crescimento exponencial dos casos, como foi garantido por muitos autores.

Embora muito ligeira, descortina-se uma ligeiríssima queda das infeções, eventualmente explicada pela comunicada baixa de casos em Estocolmo, onde, supostamente, 25% da população já está infectada e por isso já existe um grau relativo de imunidade de grupo.

As mortes continuam a ser, para já, muito superiores aos outros países da Escandinávia, mas muito inferiores aos dos países mais fustigados pela letalidade. Em termos práticos, tudo está em aberto, mas já se nota uma diminuição expressiva das criticas á “louca roleta russa” ou “capítulo vergonhoso da história do pais” como já a vi ser citado. Um bom exemplo para continuarmos a acreditar ser possível a liberdade e o bom senso.

 

PS: Uma confinação menos severa, não foi determinada para atingir a imunidade de grupo e muito menos por interesses económicos. A consciência de que a pandemia será prolongada no tempo, tornou evidente a futilidade de medidas

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas pelos nossos convidados são da sua exclusiva responsabilidade. 

Uma questão de decência

por João Távora, em 14.05.20

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Ontem voltei a Lisboa utilizando os transportes públicos e andando na rua como costumo fazer com gosto nas minhas voltas, para sentir o pulsar e usufruir dos encantos da minha cidade natal. Curioso é como comboios da linha de Cascais deixaram de ter revisores que foram substituídos por polícias aos pares a corrigir com voz grossa a forma como os passageiros usam a máscara. Estão impantes com o estado de excepção e ainda receei que descobrissem que a minha não é certificada.

A crise que temos vivido tem o condão de por a nu a profunda divisão entre a maioria da população que é privilegiada e os mais desfavorecidos, operários e trabalhadores não qualificados, que quando eram muitos foram pretexto para as causas populistas dos partidos de esquerda, que agora os abandonaram, entretidos com os conflitos de costumes. Para perceber o panorama que ontem encontrei no Cais do Sodré ao fim da tarde, é imaginar-se como era a estação antes do coronavírus, e subtrair os turistas, os estudantes, os reformados e alguns funcionários e profissionais liberais que não gostam de engarrafamentos no trânsito. O que sobra é um formigueiro de gente humilde, maioritariamente imigrantes, trabalhadores braçais, empregadas de limpeza, que enfrentam o medo do vírus com o pragmatismo dos sobreviventes. Foi isso que eu testemunhei ontem.

Digo-vos uma coisa: aconselho-vos vivamente a saírem quanto antes das vossas bolhas, para perceberem que não existe coisa mais reaccionária (classista) que o confinamento, o teletrabalho e o “distanciamento social” que afinal sempre foi capricho dos possidónios. Que as pessoas saudáveis retomem uma vida normal, pois é a melhor maneira de evitarmos a discriminação e impedir a miséria. É uma questão de decência.

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Graves parecem-me as declarações de António Costa que li no Observador e no Diário de Noticias na semana passada: “Questionado sobre se não partilha da ideia de que podíamos controlar apenas as pessoas mais velhas e quem cuida deles, deixando os restantes ser contaminados e curar-se naturalmente, Costa diz que em Portugal “essa estratégia não seria socialmente compreendida”. Prova disso é que antes mesmo das ordens de encerramento, o povo português teve um sentimento geral de autoproteção. “Não podemos adoptar uma estratégia que não consiga mobilizar os portugueses”, explica.” “O que eu acho que era a estratégia correta para mobilizar o conjunto do país era a ideia de que temos de nos proteger uns aos outros”, diz.

Noutra entrevista, no Diário de Noticias, defendia que, ao contrario do que aconteceu no Estado de emergência, era tempo de deixar de tratar de forma diferenciada os mais velhos, já que poderia provocar a estigmatização deste grupo.

Aparentemente, para António Costa, não importam os reais méritos de diferentes opções de políticas sanitárias (que nem se discutem), importa apenas o que ele sente serem os humores do povo, aquilo que o possa “mobilizar”. Estratégias mais eficazes não merecem ser seguidas, defendidas ou até apresentadas, se não corresponderem à ideia que o Governo tem do que o povo mais aprecia. A governação é então a arte de ter bons palpites relativamente ao que motiva o votante, desconsiderando a valia intrínseca de opções disponíveis. Compete ao Governo ir legalizando o que sente ser o desejo popular.

Sugere António Costa que, “protegermo-nos uns aos outros” é inconciliável com qualquer outra estratégia senão o confinamento.  A medida que o Povo escolheu e que o Governo implementou. Um ser provavelmente mais instintivo e primário que racional, o homem do povo, é também particularmente teimoso. Uma vez decidido que o seu caminho é a autoproteção, escolhe a forma como esta será exercida (o confinamento) e não admite alterações, mesmo que tudo o resto se altere. Não competirá ao governo, nem alertar para as opções aconselháveis, nem escolher ou sugerir novos caminhos. Há que respeitar o autismo do povo. Desde que ele começou a pretender mais do que pão e circo, é difícil motiva-lo e não se pode contraria-lo (a não ser com novos impostos).

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Finalmente, António Costa, elimina tratamentos diferenciados aos mais velhos, o grupo de maior risco, para que estes não se sintam estigmatizados. Uma ideia que estabelece que o princípio de igualdade, tem que ser aplicado sem consideração por diferenças objectivas de circunstâncias. A seu tempo, parece-me que chegaremos à prescrição do mesmo medicamento para todos, independentemente da doença que aflija cada um, atingindo-se a igualdade plena e nenhuma estigmatização.

Em Portugal e no Mundo, mais de 95% das mortes registadas são de maiores de 60 anos, que, no nosso país, correspondem a menos de 30% da população.

Ignorar factos e diferenças objectivas implica uma variante, para pior,  da tradicional política socialista, que costuma concentrar benefícios em alguns e distribuir os custos por todos. Neste caso, distribui-se e multiplica-se o ónus por todos, sem beneficiar ou isentar ninguém.

Institui-se, então,  uma pretensa igualdade acéfala e que só existe nas eventuais intenções do Governo e no seu formidável discurso político: o “estarmos todos no mesmo barco”.  

Que igualdade existe entre os que têm 20% de taxa de mortalidade e aqueles que têm uma taxa próxima de zero? Que igualdade existe entre os que continuam a trabalhar fora das suas casas, expostos ao vírus, e aqueles que ficam confinados em sua casa, supostamente protegidos? Que igualdade existe entre os que têm o seu rendimento intocado, aqueles que mantêm uma parcela do seu rendimento, aqueles que perderam todo o seu rendimento, aqueles que faliram e aqueles que já passam fome?

Cada vez mais, em Portugal e no Mundo, parece que mais vale cair em graça do que ser engraçado.

PS:  Não nos podemos esquecer que o confinamento, em  termos de sustentabilidade, é muito próximo da solução de suster a respiração e fechar os olhos, para não se ser infectado:  funciona, até ser necessário voltar a respirar. Pelo que parece estar na altura de medidas responsáveis, mesmo que não populares.

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas pelos nossos convidados são da sua exclusiva responsabilidade. 

Estado de sítio (26 e último)

Este país que tudo aguenta...

por João Távora, em 05.05.20

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Coronavírus hoje em Portugal – 25.702 casos, 1.074 vítimas mortais

Ontem retomei o trabalho no meu escritório em Cascais, agora que em casa as rotinas do novo normal estão estabilizadas. Os miúdos têm aulas virtuais com horários e a nossa empregada voltou ao serviço, que significa um considerável alívio nos afazeres domésticos.

Esta manhã à porta do meu escritório fui intimado a manter distância por uma senhora descabelada que passava na rua (bastante afastada diga-se) e que me tirou do sério. Desconfio que haverá muita gente que, sugestionada pelo disparatado cartaz da câmara municipal, não só "perdeu o medo de ter medo", como está a adorar a experiência. Outra impressão que me fica da vila de Cascais por estes dias é que, na ausência de turistas, e estando ainda encerrados ou a meio-gás a maior parte dos organismos públicos, o perfil da população com que nos cruzamos nas ruas é maioritariamente composto por imigrantes, gente que não se pode dar ao luxo do teletrabalho e menos ainda ao confinamento. Será esta pobre gente a maior vítima do coronavírus, suspeito. Nota-se que a maior parte das lojas, tirando os bares e restaurantes, já abriram as portas mas desconfio que os clientes ainda serão poucos. Cascais sem forasteiros não tem economia que lhe valha.

Uma nota ainda sobre o escândalo das celebrações do 1º de Maio na Fonte Luminosa, por decreto presidencial e votado quase unanimemente no parlamento, enquanto as autoridades expulsavam algum afoito cidadão que se atrevesse a ler um livro num banco do jardim: trata-se quanto a mim um paradigmático acontecimento, muito mais grave do que nos querem fazer crer. Aquele circo diz muito sobre a irrelevância da nossa sociedade civil e da tibieza das nossas instituições, que com demasiada facilidade se ajoelham às oligarquias do costume que nos toureiam e tomam por parvos. As desculpas esfarrapadas de Marcelo Rebelo de Sousa são confrangedoras e uma metáfora do país que somos – temos aquilo que merecemos. Sintomática é também a complacência da maior parte da comunicação social “de referência” e das suas principais personalidades que se submetem sem pudor à subterrânea lei dos donos disto tudo. Expulsaram eles os nossos saudosos reis para suportarmos, mansos e venerandos, esta porca miséria. Às vezes tenho vergonha de fazer parte desta charada a que chamam país. Que aguenta tudo, bem sei.

Com esta crónica termino esta série que intitulei “Estado de Sítio”, a modos que o meu testemunho destes tempos estranhos em que um vírus de medo nos contagiou a todos e que nos fez viver confinados nas nossas casas durante quase dois meses. Aqui chegados, sobrevivemos. Espero que os danos sofridos tenham valido a pena, porque suspeito que a mais assustadora peste é o que vem a seguir.

Viva a república! *

1 de Maio em tempo de pandemia

por João Távora, em 01.05.20

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Talvez em termos de salubridade não advenha daqui mal algum. Mas a questão aqui é de regime, do favorecimento às suas oligarquias em contraste com as outras proibições: note-se que estão proibidas as deslocações entre concelhos ou celebrações religiosas.

* Este tipo de fenómeno de submissão aos comunistas estalinistas não acontecem nas democracias mais desenvolvidas.

A soberba do Homem Branco?

por Convidado, em 30.04.20

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Em termos do número de testes realizados, os nossos responsáveis não têm poupado: Portugal é o país com mais de 3 milhões de habitantes, que mais testes efectuou proporcionalmente à sua população. No dia 29 de Abril o valor reportado no worldometer é de 37,223 testes realizados por milhão de habitantes.

Os Sul Coreanos, apresentam, na mesma data, 11,980 testes por milhão de habitantes que com menos de um terço dos testes, conseguiram resultados impressionantes. O número de infectados e mortes por milhão de habitantes é de  210 e 5, respectivamente. Muito menores que os valores apresentados em Portugal e de forma geral, pelos países atingidos pela epidemia. Melhor do que os registos acumulados, é o facto de,  depois de um rápido surto que transformou a Coreia do Sul no segundo pais mais atingido, as contra medidas tomadas, controlaram muito rapidamente o surto, baixaram drasticamente os novos casos de infecção diária, que, há já algum tempo, ficam na casa de um dígito .  

A explicação para tão bom desempenho não pode ser atribuída a medidas de distanciamento social especialmente rigorosas, num pais que nunca retirou amplos direitos aos seus cidadãos, como aconteceu na Europa.

Parece que temos muito a aprender e sabemos quem nos pode ensinar. Só não percebo porque nem nós, outros europeus e norte-americanos o fazem! Será a soberba do Homem branco?

PS: Não apenas a Coreia do Sul, mas muitos outros países asiáticos, contrastam muito positivamente com o que está a acontecer na Europa e América do Norte.

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas pelos nossos convidados são da sua exclusiva responsabilidade. 

Estado de sítio (25)

O Pós-guerra

por João Távora, em 29.04.20

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Coronavírus hoje em Portugal – 24.505 casos, 973 vítimas mortais

Não é sem algum incómodo e até angústia que percepciono pelas redes sociais sinais de indignação e resistência ao inevitável retomar da normalidade, que se expressam em diferentes matizes: os rezingões a espreitar da janela as famílias que já se atrevem a sair à rua com as suas crianças, os snobes que bocejam contra o reatamento dos jogos de futebol, e os outros que se sentem ameaçados por uma suposta visão economicista que se estará a sobrepor ao sagrado valor da vida humana, escondida atrás do alívio das medidas de confinamento. Perante isto e a absoluta incerteza quanto à perspectiva duma imunidade ao COVID-19, seja por via natural ou por via de uma vacina disponível para toda a gente, parece-me urgente que cada um assuma a sua responsabilidade no esvaziar da bolha de medo em que comodamente nos instalámos, e na promoção dum retorno progressivo à normalidade. E não me venham com a história de que uma vida humana não tem preço, pois toda a gente sabe que tem, desde logo o sabem as instâncias do Estado que todos os dias rejeitam medicamentos inovadores por avaliação custo vs benefício (o que valem alguns meses de vida para uma pessoa com cancro?).

Assustadora me parece a passividade com que nas últimas semanas prescindimos da nossa liberdade e do sentido crítico, a facilidade com que tantos vigiam, julgam e denunciam outros mais afoitos, rejeitando liminarmente quem recuse a narrativa dominante, a crise vista da enfermaria. Se ser hipocondríaco é um capricho pequeno-burguês, o resto revela-nos bem como vivemos tão conformadamente os 48 anos do Estado Novo.

O que é facto é que ontem num passeio ao centro de S. João do Estoril constatei que o pessoal está a por a cabeça de fora, que as pessoas comuns que não possuam gordas economias, ou vivam de rendimentos ou pensões, estão em vias de desesperar. E que até aos mais resistentes a psicose do isolamento começa a fazer estragos. É urgente que os poderes mudem a narrativa, corrijam o caminho, pois parece evidente que vamos ter de viver com o coronavírus à porta de casa durante muito tempo e este ambiente de medo não pode prevalecer. Temos de assumir o risco e sair das nossas casas, se queremos voltar a reencontrar os nossos pais vivos e não causar danos irreversíveis às nossas crianças em prisão domiciliária. E obter sustento para levar para a mesa.

E a todos que acreditam que estamos a travar uma guerra, é bom que entendam que em face à devastação ocorrida, será no convívio com o inimigo que teremos de dar início ao movimento de reconstrução das nossas vidas, trabalhos de hércules em que todos somos convocados a participar. Quanto antes. 

Socialismo para sempre

por João Távora, em 26.04.20

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"Outras proibições e impedimentos hão-de vir, porque eles lhe tomaram o gosto, descobriram que nada põe o Zé Povinho tão depressa de joelhos, calado, sem vontade de refilar, como o medo da infecção."


Rentes de Carvalho

Estado de sítio (24)

Síndrome de Estocolmo

por João Távora, em 26.04.20

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Coronavírus hoje em Portugal – 23.864 casos, 903 vítimas mortais

Ontem dia 25 de Abril de 2020 um artigo de Francisco Louçã sobre democracia fez capa da revista do Expresso e ninguém se sobressalta, ninguém questiona. Estamos enterrados na porcaria até ao pescoço mas achamos normal. A isto chama-se síndrome de Estocolmo. Aqui na praceta onde moro a efeméride passou ao lado, às 15,00hs fui à janela e népias: os meus vizinhos têm a noção do ridículo. Um amigo, confrontado com o silêncio na sua rua do centro de Lisboa, telefonou-me a alertar que na televisão tinham anunciado que “os portugueses tinham cantado o Grândola à janela”. Ainda bem que existem noticiários para nos chamar à razão.

Entretanto cá por casa a vida segue uma rotina saudável, hoje assistimos em família à missa pela televisão e fiz uma lasanha para o almoço. Comprámos máscaras que usei ontem pela primeira vez quando fui ao supermercado. O truque para as usar é baixar os óculos no nariz para não embaciarem. Acreditamos que em Maio a vida vai normalizar um pouco, as autoridades já avisaram a retoma de venda de passes sociais. Gostava que os miúdos retomassem as aulas, principalmente o mais pequeno, pois desconfio que o confinamento para ele seja especialmente prejudicial por causa dos jogos electrónicos em demasia. Eu já me decidi, vou voltar a trabalhar do meu escritório em Cascais, também na expectativa de sinais de alguma retoma – pelo menos arejo a cabeça. Suspeito que um efeito colateral desta crise em Portugal seja a consolidação do socialismo e de mais pobreza. Nestas alturas é que me calhava um emprego no Estado…

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"Acho mais importante vigiar o Estado que as praias. O controlo das praias não é uma medida razoável, não é uma medida proporcional, é um pouco absurdo impedir as pessoas de irem para a praia que é desfavorável ao vírus, na medida em que os viris são cadeias de RNA protegidas por um lípido, lípido esse que é muito sensível aos raios ultravioletas. Acontece que os governos não estão a gerir a epidemia, estão a gerir o medo da epidemia."


Henrique Pereira dos Santos, daqui

Estado de sítio (23)

A Primavera está aí em força

por João Távora, em 23.04.20

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Coronavírus hoje em Portugal – 22.353 casos, 820 vítimas mortais

Acho que foi na segunda-feira que ouvi acidentalmente na SIC Notícias um deputado socialista que não sei o nome, dizer que era responsabilidade dos media fazer pedagogia a respeito dos méritos da celebração do 25 de Abril no parlamento apesar do confinamento decretado. Desde então esse esforço pedagógico reflectiu-se, ao mesmo tempo que o número de participantes na festa se foi reduzindo, em várias entrevistas a Ferro Rodrigues que insiste em se comportar como um elefante numa loja de porcelanas. Os portugueses no sábado darão a merecida atenção ao evento. Já as instituições do Estado português, mesmo “republicanas” mereciam mais consideração. Não há máscaras que lhe valham.

Por falar em “pedagogia”, os noticiários das televisões generalistas tornaram-se numa feira de horrores, coisa obscena, como se fossem transmitidos das enfermarias dos hospitais, num campeonato de sensacionalismo para despertar o medo e a mais completa irracionalidade ao telespectador. Como refere aqui o Henrique Pereira dos Santos “temos hoje uma comunicação social empenhada no seu papel de aterrorizar pessoas, e a fazer com que as pessoas achem normal que o Estado limite as suas liberdades individuais”. Eu acho que o que leva as televisões a cultivar o alarmismo é mais prosaica, tem a ver com a luta de audiências, que como sabemos a alienação tem clientela certa. Pela minha parte cortei o mal pela raiz, para não me contaminar, já nem o Paulo Portas oiço.

Hoje António Costa admitiu possibilidade da DGS ter acesso a localização de telemóveis das pessoas para controlo da epidemia. Mas como garantiu no parlamento que não vai haver austeridade, podemos estar descansados. 

Ontem arranquei a minha filha de casa para irmos à Avenida Marginal comprar uma coisa à loja de ferragens, onde puseram um postigo à porta para manterem o negócio nestes tempos de quarentena. Pela minha parte eu vou fazendo a minha corrida matinal de 4 quilómetros pelas ruas interiores de São Pedro do Estoril, mais para manter a sanidade mental que a física. Posso garantir-vos que a primavera está a chegar em força.
Pensar que já houve tempos em que era feio falar de doenças para se manter o nível da conversa...

Estado de sítio (22)

Sol na eira e chuva no nabal

por João Távora, em 21.04.20

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Coronavírus hoje em Portugal – 21.379 casos, 762 vítimas mortais

Quando me vêm com a conversa das diferenças culturais e comparações entre as economias do norte e do sul da Europa, eu sou forçado a aceitar que elas existem e que isso é bom, apesar do alto preço que pagamos (eles nunca vão querer pagar-nos). Hoje pela manhã à vinda do Supermercado, com uma temperatura acima dos 20 graus, vinha a reparar na primavera a despontar nos canteiros e nas frechas dos passeios, onde as papoilas rebentam no lugar das azedas. Ao chegar à praceta deparo-me com os velhotes e os desocupados a conversarem displicentemente com a máscara no queixo em frente à tabacaria e ao restaurante que improvisou um guichet para servir cafés em copos de plástico, salgados e refeições para levar para casa. O confinamento mata mais que o novo coronavírus e não é em vão que Deus nos presenteou com este clima. Já no norte da Europa eles vêm-se obrigados a trabalhar para aquecer ou na melhor das hipóteses a tirar a neve dos telhados ou da frente da casa. Claro que lamento o nosso centralismo republicano, a mediocridade e a desresponsabilização pessoal. A embaixadora da Suécia um dia destes explicava numa entrevista que o seu governo constitucionalmente não tem poderes para fechar as empresas e muito menos as pessoas em casa. Em compensação temos esta coisa fantástica da família alargada, com os tios, os avós, os primos, muitos primos, um Portugal que não podemos deixar morrer. Se isso acontecer corremos o risco de ficar com o pior dos dois mundos: a pobreza dos latinos e a solidão dos nórdicos. A minha geração não precisou do emprego, de uma carreira, ou do associativismo para conviver, fazer amigos ou namorar. Temos famílias grandes, a paróquia, a vizinhança, os cafés, as esplanadas e as praias mornas (quase) o ano todo. Essas são vantagens impossíveis de mutualizar com os nossos parceiros do norte. Tornamo-nos crianças grandes, gostamos que decidam por nós, metediços uns com os outros, mas com isso também nos amparamos preguiçosamente. Como é que podemos obrigar os nórdicos a pagar a factura disto tudo? No fundo, os portugueses europeístas são uns gananciosos: gostavam de emigrar sem sair de cá, querem o sol na eira e chuva no nabal. Percebo-os, o meu patriotismo também tem dias.

Estado de sítio (21)

Inquietações

por João Távora, em 18.04.20

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Coronavírus hoje em Portugal – 19.685 casos, 687 vítimas mortais

Tenho estado atento aos artigos e programas de opinião dos nossos mais conhecidos jornalistas e comentadores dos principais OCS, e quase não vislumbro indignação ou simples oposição, mesmo dos supostamente mais independentes, a respeito do agendamento da comemoração do 25 de Abril em período de quarentena. Longe de mim suspeitar que essa unanimidade tenha a ver com a promessa de compra de 15 milhões em publicidade institucional em Abril aos OCS por parte do governo. Mas parece...

De resto não confundamos o regular funcionamento dum órgão de soberania como o parlamento (para mim o mais nobre dos que temos), mesmo adaptado às medidas de distanciamento social, com uma sessão comemorativa meramente simbólica, que no caso vertente remete para o fanatismo religioso. A legitimidade desses senhores nos enclausurarem em casa fica profundamente comprometida e isso vai notar-se cada dia mais.

Finalmente deixo-vos mais uma inquietação, a vós que tendes poucas: ainda não se sabe quando vão chegar 1000 (mil) ventiladores comprados há um mês em pronto pagamento aos chineses. O governo garante que ainda não foram necessários e pelo andar da carruagem não o serão. Ainda os vamos encontrar à venda à peça na Feira da Ladra a preços de conveniência.

Estado de sítio (20)

Não foi para isto que se fez o 25 de Abril

por João Távora, em 16.04.20

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Então, por causa das medidas de confinamento, os católicos não puderam celebrar a Páscoa em comunidade e a república não prescinde da sua missa anual do 25 de Abril? Ficámos ontem a saber que a celebração contará com 300 pessoas entre deputados, convidados, funcionários e jornalistas. Trata-se dum péssimo exemplo para a população e uma refinada falta de sentido de estado do parlamento. Tomara que se contagiem todos uns aos outros com... sarna.

Entretanto decorre por aí um excitante debate entre reputados opinadores sobre a aprendizagem que a humanidade pode fazer com a pandemia do coronavírus no caminho da sua redenção. As expectativas estão ao rubro, que isto de muito tempo no sofá estimula o "pensamento mágico". O que a humanidade está a aprender eu não faço ideia, julgo que nada; mas se os portugueses aprendessem a deixar de escarrar para o chão para mim já era uma boa evolução.

Soube que o António Costa entrou ontem na casa de muitos alunos confinados através da telescola em emissão na RTP memória. Um azar nunca vem só. E, sim senhor primeiro-ministro, desta vez a coisa não se vai chamar "austeridade", vai chamar-se "pobreza" mesmo.

Quero a minha liberdade de volta

por Corta-fitas, em 16.04.20

A pandemia provocou o maior fenómeno de histeria de massas de que me lembro. Alguém gritou “a saúde em primeiro lugar”.  E assim foi.  Num movimento sincronizado a nível mundial. Os Chineses confinaram, os outros imitaram. As democracias quiseram provar ser tão eficazes (duras) como as autocracias. O novo slogan, “derrotar o coronavírus, custe o que custar”, foi pacificamente aceite, legitimando todas as consequências das quarentenas forçadas.

Não há dúvidas que o maremoto que nos trouxe ao ponto em que estamos, correspondeu à vontade da grande maioria da população. Eu incluído. A vertigem do medo autorizou-nos permitir e fomentar o absolutismo e a aceitar graves violações às liberdades e direitos individuais.

Na discussão do essencial, o isolamento,  as respostas não alinhadas são ignoradas ou desacreditadas, lembrando o Estalinismo nos seus melhores dias. A Suécia é histericamente atacada por não seguir o isolamento, apesar de resultados sanitários normais, apresentando custos económicos, sociais e políticos muito inferiores aos impostos pela globalidade dos outros países. O comprovado sucesso de alguns países Asiáticos (Coreia do Sul, Singapura e Taiwan) é considerado inimitável no Ocidente e por isso liminarmente ignorado.

É imposta a primeira verdade inquestionável,  a partir da qual tudo se desenrola sem reflexão adicional: “não há vida fora do isolamento social”. Esta certeza é acompanhada de uma ignorância espantosa, em relação a aspectos vitais e básicos, para legitimar qualquer decisão informada. Ainda não sabemos a verdadeira taxa de mortalidade, o número real de infectados, a estimativa das consequências sanitárias das políticas de isolamento (piores condições de vida, fome, subnutrição ou aumento de distúrbios psiquiátricos). Desconhecemos os verdadeiros custos económicos da estratégia seguida, quando (e se) teremos vacina ou tratamento. Não sabemos se, ao fim de 8 semanas, a severidade da infecção não desaparece simplesmente, com ou sem confinamento, como os dados existentes parecem indicar, se o calor diminui o surto ou se vamos ter réplicas ou não. Os pressupostos que justificam o dogma hoje instituído são frágeis, pelo que é no fundamentalismo, na recusa em discutir ou admitir diferentes realidades e dados, que nos refugiamos, concentrando todas as nossas energias na acção preconizada: isolar, isolar, isolar!

Apesar de fortes duvidas sobre a pertinência sanitária das medidas que se impuseram como verdades indiscutíveis, não é esse o meu tópico de hoje.

A minha intenção é partilhar a minha angustia pela facilidade com que aceitamos o fundamentalismo e, com base neste, nos deixamos embalar na aceitação do absolutismo.

Os Estados de Emergência são um dos novos normais na Europa. E quando acabarem, tudo indica, serão substituídos por outros estados de excepção que limitam a liberdade dos cidadãos, até á erradicação definitiva do vírus. Há apenas uma verdade absoluta: o combate ao coronavírus parece  justificar tudo.  Até limitações severas às liberdades do cidadão e á suspensão dos seus direitos básicos.

Acredito firmemente que o confinamento é um bloqueio eficaz á contaminação. Sem contactos com contaminadores parece difícil existir Infecção. 

Acredito, também, que as pessoas são (ou deviam ser) livres de decidir se pretendem aceitar o confinamento ou, pelo contrario, decidem prosseguir com a sua vida. Há vários argumentos racionais para justificar uma escolha deste tipo. Mas a única  justificação necessária é o direito de cada individuo decidir livremente o que quer fazer, desde que não prejudique gravemente terceiros. A critica fácil ao argumento apresentado é a de enfatizar o prejuízo para terceiros do não confinamento. Mas os confinados não precisam de se encontrar com os não confinados,  pelo que não podem ser infectados por eles. Onde está então o prejuízo?  Porque é maior o direito de quem quer ficar confinado do que o direito de quem não pretende abdicar da sua liberdade de movimentos e de acção? Os direitos das populações são suspensos por técnicos não eleitos ou políticos que não foram eleitos na expectativa de tolherem injustificadamente as liberdades dos cidadãos?

Dirão os partidários do confinamento que os libertários irão sobrecarregar o sistema nacional de saúde e implicar um custo de tratamento superior. Se fosse esse argumento castrador, a sociedade, no limite,  poderia advertir e isentar de tratamento medico os revoltosos. Como se pode defender a eutanásia e não permitir a liberdade a cidadãos que, apenas de forma residual, pode redundar na sua morte, depois da aceitação dos riscos?

Quando aceitamos limitações da nossa liberdade, não podemos pretender ser justo e necessário, que essas limitações atinjam outros. Já para não lembrar que,  depois de limitar uma liberdade, não seja outra qualquer, de forma também muito justificada,  a cair. Piano Piano  se va lontano. Que o digam os Húngaros e os Polacos.

O que é mais perigoso, a pandemia ou  limitações questionáveis à liberdade dos cidadãos? Eu não tenho dúvidas: quero a minha liberdade de volta.

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas nos textos de convidados com a assinatura "Corta-fitas" só comprometem os seus autores.

A austeridade de Antonio Costa

por Corta-fitas, em 14.04.20

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"Podem estar seguros que não adotarei a austeridade de 2011" 

Recordo com um arrepio a dura austeridade de 2011. Lembro a sua classificação, pela esquerda bem falante, de ser mais Troikista que a Troika, de ser uma punição ideológica e que,  Passos Coelho, ao invés de se esconder atrás da pesada herança de Sócrates e da imposição da terrível Troika, ter o “desplante” de assumir as politicas seguidas como necessárias em si mesmas. Obviamente um político sem capacidade de comunicação.

Com a chegada de António Costa ao poder, a austeridade termina de forma imediata. Achei estranho, pois não houve diminuição dos impostos e a política orçamental continuou num sentido de consolidação acima das exigências internacionais, o que me encheu de satisfação mas também de confusão, pois esse facto passou a chamar-se uma política de boas contas. Não vi também aumento do investimento publico e melhoras do serviço nacional de saúde. Percebi depois que, aparentemente, o fim da austeridade acontece quando a função publica ganha ou recupera direitos.

Estou curioso com o que António Costa quis dizer com não adoptar  a austeridade de 2011. A primeira pista não é boa. Ainda não há nenhuma indicação do cancelamento dos aumentos salariais para a função publica. Que a confirmar-se, será mais uma indicação do estatuto privilegiado que tem em relação á atividade privada.

Uma coisa é certa, ao Dr. António Costa, ninguém pode negar simpatia e extraordinárias capacidades de comunicação.

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas nos textos de convidados com a assinatura "Corta-fitas" só comprometem os seus autores.

Lusitanos com Esteróides 

por Corta-fitas, em 13.04.20

É verdade que os Médicos enfermeiros e restante pessoal médico, são heróis lançados á infecção sem protecções. Mas o Dr. António Costa quis ir mais além e criar o “Lusitano com Esteróides”. Depois de muita ponderação, decidiu escolher os sócios-gerentes com funcionários. Ao contrário de todos os outros, não terão qualquer  ajuda: continuarão a ter que pagar totalmente as suas contribuições, pagar um terço dos salários dos seus empregados e avançar os 2/3 que putativamente vierem a ser pagos pela segurança social. Resistindo a este tratamento, estará criada uma nova raça indestrutível!
Parece a experiência do cavalo do inglês, que só correu mal porque o cavalo morreu no dia em tinha aprendido a não comer. 

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas nos textos de convidados com a assinatura "Corta-fitas" só comprometem os seus autores.



Corta-fitas

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