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Pensamento do dia

por João Távora, em 25.09.18

É pena que as tão afamadas alterações climáticas a acontecer não sejam para melhor (um sol menos inclemente durante o dia e umas salubres chuvas de madrugada, por exemplo). Ao invés prometem ser catastróficas, dizem os especialistas (nuca vi gente com tão boa imprensa). Se o São Pedro me encarregasse do assunto iam ver os melhoramentos que eu promovia.

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A macieira

por Luísa Correia, em 21.04.14

A minha macieira cobriu-se de flores quando a Primavera chegou. Depois, as pétalas caíram e os pedúnculos, abaixo dos feixes de estames, puseram-se a inchar. Cá para mim, são os carpelos a ganhar polpa. Cá para mim, a minha macieira vai dar-me maçãs!

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Heresias confessas, ou a conversão ao eBook

por Luísa Correia, em 05.03.13

Gosto de livros, como toda a gente. Mas a minha relação com eles é puramente "platónica", sem a carga sensorial - ou sensual... - de que se fala. Não vibro com o toque do papel, nem com o cheiro da impressão ou da antiguidade. Não desfaleço perante aquele conjunto de atributos que terá inspirado o lascivo anúncio de Bárbara Guimarães a um programa cultural que nos apresentou há uns anos. Não, a minha relação com os livros é pragmática e nas suas folhas vejo apenas um meio de transmissão de ideias.
Talvez por isso, aderi ao eBook. E quase não quero outra coisa. Para os reticentes, adianto a velocidade alucinante a que se amortiza o investimento em "hardware". É que o acesso aos clássicos ou, de um modo geral, às obras anteriores ao século XX é gratuito, pelo que num ápice se constitui uma biblioteca virtual - mas pessoalíssima - de muitos milhares de livros.
E depois há as facilidades de manuseamento e leitura, que, por estes dias, sensibilizam qualquer um. Senão vejamos: seja de cem ou de mil folhas, o volume tem sempre o mesmo peso, não comparável ao dos tremendos calhamaços que agora se produzem; e não é preciso esgaçá-lo para virar as páginas! Pode ler-se na vertical ou na horizontal, em livro ou em rolo, e aumentar ou diminuir as letras, consoante o gosto ou as exigências etárias. Os textos portugueses - este, um ponto de particular agrado! - não estão escritos em nenhum "acordês", mantendo, em regra, a genuinidade mais ou menos arcaica do original. E finalmente, o eBook faz-nos o obséquio de não atrair bichinhos da prata, esses parentes de dez milímetros do escorpião lacrau, que são o tormento de quem coabita com alfarrábios.
De repente, tenho de confessá-lo, olho para os meus livros de papel e vejo relíquias de uma velha e vencida etapa Gutenberg.

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Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 21.02.13
(Da Penha de França...)

O que é a felicidade?
Para muitos, é esse estado espiritual dito de consciência tranquila. Vejo neste entendimento um alcance reservado, porque a plena tranquilidade da consciência é condição inatingível. Se somos eticamente activos, carregamos connosco um remorso pelas desigualdades e injustiças do mundo, que nos intranquiliza a consciência. Se não intranquiliza, é porque falta consciência.
Para mim, é antes uma espécie de estado físico, uma conjugação de impressões de encantamento e de conforto, que me fazem sentir parte daquilo em que a natureza resplandece – o rio que brilha como prata, as cigarras que cantam ao ritmo das minhas pulsações, os verdes que se animam com as cores fortes das buganvílias, a luz que aclara o traço do casario montado nas colinas, o Sol que aquece... É um complexo puramente sensorial, que me aproxima - esquecida a razão - da vida nas suas expressões simples, mas festivas. A minha felicidade deve ser feita do que faz a felicidade da passarada que, ao fim da tarde, desenha espirais nos céus de Lisboa.

(Texto reeditado... porque, de repente, me apeteceu).

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Os postes são como as cerejas

por Luísa Correia, em 16.02.13
(René Magritte)

Keith Richards, dos Stones, encabeçou, por muito tempo, a lista de apostas sobre as figuras públicas "condenadas" pelo consumo excessivo de droga. Em "Life", Keith avança duas explicações para a sua imprevisível sobrevivência e longevidade. A primeira é que, consumindo nos limites, nunca os ultrapassou. A sua motivação, diz-nos, não era tanto encontrar uma fuga, como um estimulante ou um reforço de energia criativa. A segunda é que nunca consumiu senão substância pura, não contaminada, e da melhor qualidade.
Aos meus olhos de leiga, ambas as explicações fazem sentido. Desde logo porque julgo que o desgaste dos anos reduz e até esgota alguns dos químicos que nos constituem e ajudam ao bom funcionamento. Vamos, assim, perdendo vitalidade e optimismo, que só a reposição daqueles químicos poderá restituir.
E depois, porque é tão forte a impressão que tenho da complementaridade dos elementos da natureza, que propendo a admitir estarem nela, em estado bruto (ou puro...), as soluções óptimas para esse nosso grande defeito de fabrico, que é o envelhecimento.
A mim, por exemplo, aconteceu-me que o nível do "óleo X", lubrificador dos mecanismos da paciência, desceu abaixo dos mínimos circunstancialmente exigíveis. Não hesitei. Degluti, a sugestão médica, uns comprimidinhos de não sei que "...xetina" - produto de farmácia não "amartelado" - e tive a extraordinária e agradabilíssima surpresa de me ver regressar aos tempos dos gozos grandes e dos dramas ligeiros, da saudável leviandade juvenil... capaz de aturar tudo e todos... ou quase todos... Sofrer para quê?

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1 X 2...

por Luísa Correia, em 02.10.11

 Carmo1  

Para o National Geographic, e para os cientistas que compuseram o documentário que vi na televisão, parece não haver dúvidas sobre os motivos que levaram à repentina extinção dos dinossauros há sessenta e cinco milhões de anos: o choque de um asteróide das dimensões do monte Everest com o planeta azul que habitamos. Quero crer que acontecimentos desta natureza não são o "pão nosso de cada dia". Mas, pelo que deduzo do que a vida me tem ensinado, regem-se pelas leis do puro acaso.... como um totobola! O que significa que a nossa existência é por todas as razões já sabidas e também por essa, infinitamente mais precária do que consigo, sequer, conceber. Gozar cada dia como se fosse o último é, portanto, a filosofia do prazer desesperado que os anos e o conhecimento nos vão impondo, a par de um crescente pudor em fazer planos.

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Crónica da vida que passa

por Tiago Moreira Ramalho, em 17.11.09

A maior e mais dolorosa prova da falha do Estado Social que nos obrigam a engolir diariamente e de forma progressiva é a vida, que vida, pergunto-me, que os velhos, sim, velhos, têm depois de uma eternidade de promessas que quase finda para dar lugar a outra eternidade, dizem.
Num admirável país que fala de avanços e modernizações, em projectos e em programas, nisto, naquilo e em toda a cangalhada espumada, quais ondas de mar, cheias de mijo de gente e bichos; olhamos para os velhos e sentimos um calafrio com a resignação de tantos. Vivem silenciosos, conformados, pela falta de acção possível, aos ditames dos filhos do país que lhes prometeu, em troca de tanto, muito mais. Promessas incumpridas, redondamente, que os atiraram, nos gloriosos anos de latão, para um qualquer lar clandestino, escondido num bairro escondido, para que ninguém saiba – como se alguém houvesse sem saber.
E as vidas passam, os poderes revezam-se, e nós, os filhos ou netos do país que prometeu tanto e tanto aos velhos, fingimos não saber que o mesmo nos espera no futuro. Fingimos que tudo estará bem. Que a vida será bela. Que os fundos e mundos que nos oferecem em brochuras cheias de pinta vai mesmo existir.
Tristes, tolos, estúpidos. Mil vezes tristes, mil vezes tolos, mil vezes estúpidos. Todos.

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É pena

por Tiago Moreira Ramalho, em 08.04.09

O José Teles, num acesso nem eu sei de quê, decidiu sair do Corta-fitas. Ao que parece, a causa foi o meu texto sobre o aborto. Opinião intolerável esta minha, pelos vistos. Bom, eu não vou pedir desculpa ao José por pensar como penso, não vou deixar de pensar como penso, nem tão pouco vou deixar de escrever aquilo que penso quando posso. O José tinha duas opções, aceitar que há quem pense diferente e, sei lá, discutir o assunto, ou simplesmente ofender-se com este pecado de pensar, que cometo desde que acordo até que me deito e, não raras vezes, enquanto durmo, e sair. Optou pela segunda. É pena, mas cada um sabe de si.

 

P.S.: foi a primeira vez que me chamaram reaccionário, há coisas que marcam a vida da gente.

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Embirrações 3

por Teresa Ribeiro, em 31.07.08

Detesto objectos com vontade própria. É contra-natura. Os objectos têm como característica essencial a inanidade. É essa condição que os torna facilmente manipuláveis e constantes. Um objecto digno desse nome dá-me segurança e conforto, pode mesmo tornar-se uma referência na minha vida (acontece tanto com certas peças de mobília) ou até numa dependência, como as minhas almofadas, tão queridas, sempre prontas a amaciar-me quando ao fim do dia me encosto a elas, cheia de contracturas musculares.
Os livros, apesar de saberem mais do que eu, nunca me fazem sentir diminuída. Passam-me todos os seus conhecimentos sem hesitações com uma generosidade enternecedora. E até da televisão nada tenho a dizer. A caixa que mudou o mundo é, se formos a ver, uma simplória que obedece a um simples toque de comando.
Gosto de olhar à volta e de me sentir senhora da situação. De os ter à minha disposição vulneráveis e submissos, de os tiranizar, se me apetecer. Os objectos nasceram para isto. Estão na base da nossa “cadeia alimentar”. É por isso que odeio aquele idiota, que se nega quando mais preciso dele, que me questiona, exige conhecimentos e até – onde já se viu?! – me dá ordens! Tem a mania que é gente: bloqueia, tem quebras de tensão e apanha vírus. Qualquer dia ainda descubro que sofre de asma. O meu amigo, especialista em informática, diz que ele tem tudo para me fazer feliz. Não concordo. Ao meu computador falta aquilo que mais aprecio num objecto: humildade.

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Embirrações II

por Teresa Ribeiro, em 10.07.08

Bicho na janela. Não sei o que é. Observo-o. O desconhecido, no que respeita a bichos sempre me incomodou. Mato, não mato? Será que morde? Tem um ar inofensivo, mas pode ser um engano. Será que pica? É feio e relativamente grande. Mas uma criatura de Deus. Pobrezinho, está na sua vida. Mas voa. E se poisar em mim? Que nojo! Está mesmo ao lado do computador. Assim não me concentro. Tenho que trabalhar. Que se lixe, não vou perder mais tempo. Mato. Matei. Coitadinho!
Sou uma cobarde. E uma hipócrita. Para um budista isto é crime. Mas, felizmente, para um cristão é aceitável. Raios! Porque hei-de ter assim tanto medo da bicharada?

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Embirrações

por Teresa Ribeiro, em 29.06.08

A cozinha é uma mulher pérfida, que gosta de me trazer pela arreata. À mínima distracção queima-me e corta-me. Estou cheia de marcas feitas pela sua tropa de choque, chapeada a inox. As facas são as mais falsas e perigosas. Parecem cobras, sempre prontas a morder ao menor deslize. Mas os tachos ainda me irritam mais, porque são sonsos e perversos. Se os olho nos olhos não acontece nada, mas mal viro costas desatam a ferver. Se me distraio, queimam tudo. Ah, como eu os odeio! Como odeio a disciplina a que tenho de me sujeitar para que essa analfabeta que só quer saber de sopas e de couves não se fique a rir dos meus desastres culinários!
Só quem não tem a experiência é que pode imaginar que numa cozinha há menos disciplina que num escritório. Acaso a fotocopiadora desata a soprar se nos esquecemos lá dos nossos prints? Porventura nos queimam e esfaqueiam só porque nos desconcentrámos? Alguma vez o nosso chefe inutilizaria por completo o nosso trabalho só porque não estava no ponto?
Não me venham com conversa mole. A cozinha é uma sargenta que não admite falhas. É uma bronca que me obriga a levar a sério um refogado e não tolera divagações.
Como escapismo só vale pela extrema concentração que exige aos seus amadores. Para isso serve. Pode ser boa como desporto, mas não a desejem em permanência porque é absorvente, possessiva e caprichosa como só uma mulher insuportável sabe ser!

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