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"Strigoi"

por Luísa Correia, em 16.03.13

Os vampiros andam, por estes dias, muito na moda. Mas o fenómeno não é novo. Já no século XVII corriam pelo sudeste europeu rumores da exumação de cadáveres incorruptos, revelando sinais de actividade nocturna criminosa. A coisa, porém, manteve-se discreta, até ao momento em que, em 1718, os Habsburgos anexaram a Sérvia, proporcionando a alguns notáveis austríacos um contacto próximo com o "disse que disse".
Num piscar de olhos, os vampiros entravam na ordem do dia. Por toda a parte, as gazetas faziam eco da apreensão geral: haveria realmente vampiros? E desde processos verbais a certificados da mais variada espécie, de médicos, magistrados e curas, nada faltou à prova da sua existência... salvo vê-los.
Talvez por isso, o papa Bento XIV tratou, em 1749, de divulgar o seu parecer de que, fosse caso de defuntos intactos e sujos de sangue, em que cresciam unhas e cabelos, fosse caso do que fosse, tudo dependia da fiabilidade dos testemunhos. Acrescentando que, pelo seu lado, tinha dificuldade em acreditar na ressurreição dos mortos em tão estranhas e adversas condições.
Eram as "luzes" a fazer vergar a superstição.
Pelo meu lado, subscrevo, naturalmente, o entendimento papal. Que vejo, de resto, reforçado nas palavras sempre argutas e actuais de Voltaire. Em Londres ou em Paris, escreveu este no seu "Dictionnaire de philosophie portatif", ninguém fala em vampiros. É verdade que em ambas as cidades há uns agiotas, uns tratantes, uns homens de negócios, que sugam o sangue das pessoas. Mas fazem-no em plena luz do dia. E não estão mortos, embora estejam corrompidos; nem moram em cemitérios, mas em palácios agradabilíssimos.

2012

por Luísa Correia, em 14.10.11

Beira-rio2

Aí temos o orçamento para 2012. Prevê grandes sacrifícios que vão muito além dos que vínhamos amargando no plano intelectual das expectativas e das ansiedades. Agora sim, ir-nos-ão aos bolsos. Agora sim, os sacrifícios terão expressão material. O facto é preocupante, porque estávamos habituados a viver sem ter de contar os tostões. Mas o facto propõe também algo de novo, uma mudança nos padrões de vida, cuja evolução me desperta, confesso, a maior curiosidade; uma mudança que me parece, a mim, conter em si algo da reclamada "estratégia" de relançamento económico, reduzindo os custos do nosso principal factor de produção, o trabalho, liberalizando o emprego, aumentando os tempos de laboração, banindo os espartilhos que há muito amedrontavam o investimento estrangeiro, reforçando, enfim, as nossas condições de competitividade externa. Que mal haverá nisso? Pessoalmente, não o vejo; ou ainda não o vejo. Nesta Europa caduca, arrogante e desgovernada, sinto que devo ser um pouco chinesa...

Baratas e lagartas!...

por Luísa Correia, em 11.10.11

 Carmo3  

Questionava-se há pouco a Maria, no nosso Corta-fitas, sobre o paradeiro da ASAE. Diz que entreviu, num dos bares do Corte Inglês, uma barata, o que a levou a concluir que o prestígio de um estabelecimento não é garantia de coisa nenhuma, que "no melhor pano cai a nódoa" e que todos devem ser zelosamente fiscalizados a bem da clientela incauta. A questão colocada pela Maria não poderia ser mais oportuna. Porque incauta estava eu esta tarde no bar da FNAC, a ler Dostoievsky e a saborear um sumo de laranja, quando vislumbrei, flutuando na bebida, o que veio a revelar-se uma lagarta: uma lagarta minúscula, reboludinha e certamente rica em proteínas, mas ainda assim, uma lagarta! Esta lagarta pôs o ponto final na minha ingestão do sumo e na minha frequência do bar. E será um ponto final sem parágrafo, se a ASAE não se apressa a passar por ali...

Posta inútil

por Tiago Moreira Ramalho, em 30.10.09

Dou por mim a pensar o que levará uma pessoa a ler um blogue como o da Ana Garcia Martins, vulgarmente conhecida como Pipoca e autoproclamada como a mais doce de todas as que à partida julgamos iguais, mas que não são, por serem, pelo menos, menos doces. Brincadeira finda, que o tempo não é coisa que se desperdice, digo que dou por mim a pensar no que levará uma pessoa a ler um blogue daquele tipo por ser aquele tipo de blogue um tipo de blogue puramente pessoal. Temos ali a Ana, sim senhor, bonita fotografia no novo livro, já agora, a falar dos sapatos que compra e que quer, dos benficas que vê e das pernas esticadas que tem em cima da mesa da sala. Tem graça, a Ana. Não duvidemos. Mas a Ana, desculpe-me Ana, tem a mesma graça que as Anas que conhecemos no nosso dia-a-dia. Às vezes chamam-se Maria, outras vezes outras coisas – pouco importa. O que interessa é que qualquer um de nós facilmente descobre uma pipoca, mais ou menos doce, no meio da agenda do telefone ou da lista dos emails. Alguém a quem podemos dizer: - Ó Ana, vamos beber um café e rir um bocadinho? Mas não. As pessoas que lêem o blogue da Ana Garcia Martins, e falo do blogue da Ana Garcia Martins porque estou sentido com a saída de fininho que se seguiu à entrada de rompante, e, já agora, porque lhe invejo os milhares de fãs; dizia eu que as pessoas que lêem o blogue da Ana Garcia Martins parecem preferi-lo à companhia física de uma outra Ana e tal constatação perturba-me. Porque mesmo que os oito mil leitores da pipoca que, convencida, acha que é a mais doce, não conheçam mais anas para além daquela, aperta-me o coração a ideia de se divertirem com as coscuvilhices da vida da Ana e comentando as coscuvilhices da vida da Ana, num anonimato que, incomodativo, é por vezes substituído por um nickname cheio de números e letras arbitrárias para que sim. Sem chegar a nenhuma conclusão após tão longa reflexão, já lá vão uns minutos, vou acabar o relato do esforço mental a que me sujeitei. Calhando, vou ler mais um bocadinho do blogue da Ana, a ver se me vem qualquer coisa à ideia.

Coisas do meu tempo (5)

por Tiago Moreira Ramalho, em 26.01.09

 

 

Coisas do meu tempo (4)

por Tiago Moreira Ramalho, em 24.01.09

 

Coisas do meu tempo (3)

por Tiago Moreira Ramalho, em 19.01.09

 

Coisas do meu tempo (2)

por Tiago Moreira Ramalho, em 18.01.09

 

Coisas do meu tempo

por Tiago Moreira Ramalho, em 16.01.09

 

Alguém se lembra dos tempos em que o Zé Diogo e o Ricardo iam ao Perfeito Anormal? Este é para mim o melhor texto alguma vez produzido pelos Gato.



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