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O meu bisavô João Abrantes

por João Távora, em 05.05.21

Bisavô João IX M de Abrantes.jpg

Filho do austero e devoto católico José Maria da Piedade, sucedeu-lhe com personalidade bem distinta o meu bisavô João Maria da Piedade, o IX Marquês de Abrantes, que nasceu no Palácio de Santos a 28 de Dezembro de 1864 e morreu em Sintra na Freguesia de São Martinho, em Dezembro de 1917. Ele foi o último senhor e administrador dos morgadios e vínculos da sua Casa de Abrantes e o primeiro a retomar o apelido Távora depois da proibição pelo governo Pombal. Filho tardio e muito desejado que nasceria seis anos depois da morte prematura do seu irmão mais velho aos oito anos – João ficou órfão de pai e de mãe com apenas 6 anos tendo sido educado pela sua Tia paterna, a Condessa de Murça, D. Helena. Com uma personalidade bem diferente da do seu pai, como filho único que era, quis o destino que não o afectasse na herança dos bens da família o fim dos morgadios decretado por carta régia em 1863. Desse modo, como varão de uma das mais importantes famílias legitimistas foi enviado ainda criança para estudar em Viena onde conviveu muito com o Senhor Dom Miguel II, facto que o terá favorecido mais tarde quando assumiu um papel activo nas negociações do Pacto de Dover. Regressado a Portugal em 1884 veio a casar a 16 de Abril do ano seguinte com Maria Carlota de Sá Pereira e Menezes, da casa dos Condes de Anadia, como refere o meu pai no volume I do Tomo IV da sua obra “Heráldica da Casa de Abrantes” dedicada ao ramo dos Sás. Desse casamento sobrevieram seis filhos: Carlota Maria da Piedade, o meu avô José Maria da Piedade, Pedro Maria da Piedade, Maria Rita da Piedade e Maria Luiza da Piedade.

Frustrantemente, o projecto de “memórias” deixadas incompletas pelo meu pai foi interrompido justamente quando ia biografar o seu avô João – acredito que lhe tivesse assaltado alguma resistência para enfrentar esta complexa personalidade com quem não chegou a conviver – morreu em 1917 exactamente vinte anos antes do nascimento do seu neto e meu pai. Ainda assim, no capítulo em que se refere às recordações deixadas pelo seu pai e meu avô José Maria de Lancastre e Távora, o X Marquês de Abrantes, já por mim anteriormente aqui referenciado, nos desvenda a impressão que sobre ele sobreveio aos descendentes, como sendo responsável pela péssima administração dos bens da família que foram alienados quase na totalidade durante a sua vida num período de grande instabilidade económica: "Com a república os meus avós resolveram emigrar, fazendo-se acompanhar por toda a família, criados, e até parte do Arquivo de Família; só meu Pai se recusou a acompanhá-los, por não querer interromper o seu curso. Meu Avô não compreendeu a atitude do filho mais velho; com efeito, meu Pai, que desde muito novo era muito realista, via que a vida ia forçosamente mudar, e que o luxo inexcedível com que meu Avô se rodeava não era compatível com a sua fortuna, embora esta fosse enorme para Portugal. E, na realidade, poucos anos decorridos, meu Pai era o único entre todos os filhos de meus Avós, que se bastava a si próprio, e que mesmo estava em condições de ajudar os seus irmãos."  Não se estranha que o relacionamento entre os dois varões não fosse o melhor. Sintomático é que o meu avô José não tenha baptizado nenhum dos filhos com o nome de seu pai.

Avô José e os irmãos.jpeg

Ao delicado assunto das finanças da família faz o meu bisavô referência num precioso documento que me chegou às mãos recentemente intitulado “Apontamentos sobre minha saída do Partido Miguelista” (aqui na íntegra), no qual, a páginas tantas, a propósito da sua partida para o exílio com a família refere que “A minha situação financeira no momento [1911] permitia-nos ausentarmo-nos de Portugal por algum tempo pois tinha uma determinada quantia em ouro num banco. É verdade que se o movimento gorasse ou demorasse muito, ver-nos-íamos em sérios embaraços, seguidos fatalmente da ruína total. Se ficássemos, porém, a ruína viria igualmente embora mais demorada, pois o meu rendimento não me chegava de maneira nenhuma para viver, e como estavam as coisas públicas não via maneira de aumentar de maneira nenhuma. A ter de cair na miséria antes fazê-lo com honra.”

Desconfio que o meu pai não tenha conhecido este riquíssimo manuscrito legado pelo seu avô João pouco tempo antes da sua morte em 1917. De facto, sem que com ele o possamos isentar do rótulo de esbanjador, ou pelo menos de mau administrador, o preciso testemunho histórico revela uma personalidade que, longe de ser fútil, exibe uma inteligência política e profundidade de pensamento fora do comum, já para não falar dum domínio muito rico da língua portuguesa e da escrita narrativa.

Nesse sentido, por exemplo, parece-me de uma grande argúcia o seu posicionamento a favor de tréguas entre as duas linhagens desavindas, logo expresso por ocasião do regicídio, argumentos que na ocasião expôs a Dom Miguel II, opinião reforçada com a revolução republicana, bem explícita nesta sua frase: “a solução única era refazermos o que a revolução tinha desfeito e repormos tudo como estava, mesmo porque se me afigurava tão mais fácil restaurar um regime caído havia meses do que irmos reatar uma tradição de havia quase um século”. Já no que refere à vertente política, que não apenas pela questão de legitimidade dinástica que jamais é por si posta em causa, defende o meu bisavô nas suas notas que o “programa do partido na parte conservadora e católica (…) exequível nos tempos actuais tanto se podia executar com ele [Dom Miguel] como com Dom Manuel”. Aliás, os "apontamentos" em apreço, comprovam o bom relacionamento existente à época entre os Abrantes e Dom Manuel II, facto que já tínhamos testemunhado numa sua carta dirigida aos meus bisavós Ulrich de "consentimento" do casamento entre os meus avós paternos que em tempos aqui publicámos. É de realçar de resto o papel que João Maria da Piedade assumiu após a frustração das incursões na tentativa de conciliação entre os régios primos desavindos, entre Saint-Jean-de-Luz e Londres, contactando os mais importantes protagonistas na realização do Pacto de Dover, desde Paiva Couceiro, Luís Magalhães, Alexandre de Saldanha da Gama, a Sua Majestade Dom Manuel e a Sua Alteza Real Dom Miguel. 

1912 - Satúrio Victor MarqAbrantes PedroLancTávo

É fácil depreender dos muitos documentos que me vêm passando pelas mãos que a morada da Família Abrantes durante boa parte do século XIX e até ao princípio do Século XX se dividia entre o Palácio de Santos, em cuja igreja constam quase todos assentos de baptismo e óbito, e a Quinta da Póvoa (de Sta. Iria) como lhe chamavam, ou Morgado da Póvoa, actualmente conhecido como Quinta de Nossa Senhora da Piedade, que é a padroeira da minha família – era a jóia da coroa dos Abrantes. Afinal, em 1856 inaugura-se o troço de linha férrea que, passando na Póvoa, liga Lisboa ao Carregado, inovação que facilitaria o trânsito entre as duas casas. Curiosa é a nota escrita pelo historiador Bramcaamp Freire a respeito de uma visita ao meu bisavô em 1900: “Não posso deixar de agradecer aqui ao meu amigo e vizinho Dom João de Lancastre e Távora representante dos Marqueses de Abrantes a amabilidade com que ontem 18 de Outubro de 1900 me permitiu examinar alguns documentos do precioso arquivo que guarda na sua bela casa da Quinta da Piedade, antigo Morgado dos Valentes na Póvoa de Santa Iria, onde vi uma das mais belas, senão a melhor colecção de retratos de pessoas da alta fidalguia portuguesa no século de 500 e daí para baixo: é um tesouro.” 

Piedade..jpg

Sobre a importância que terá tido a Quinta da Póvoa para o meu bisavô já financeiramente arruinado, é comovente a referência que ele inclui a páginas tantas nas suas notas, e que vale a pena trazer para aqui: Eu ia radiante [para a Galiza] e supunha que a nossa volta seria uma marcha triunfal da fronteira a Lisboa. Estranhei muito ao sair do portão da Quinta na nossa carruagem de ver chorar a Maria e o Pedro. Eles disseram-me então que tinham o pressentimento de não tornarem a ver a Póvoa. Com efeito o Pedro tornou a vê-la quando já não era minha e fui lá recolher as nossas coisas [algures em 1916]”.

Estranho me parece que estes apontamentos que nos desvendam um pouco da personalidade deste meu antepassado tenham sido escritos no ano em que viria a falecer com 53 anos. Será certamente mera coincidência pois morreu com uma hemorragia cerebral meses depois. Certo é que desejou deixar claro para a sua descendência o seu pensamento e esclarecer e as razões da sua acção naqueles funestos anos de decadência nacional.

Não será mera especulação concluir que o meu bisavô João de facto vivia sob padrões de vida demasiado luxuosos e incomportáveis para os seus rendimentos, e sou levado a acreditar que, para ele, a representação da Casa de Abrantes em que tinha nascido, a isso obrigava, por uma concepção algo materialista dessa “dignidade”, compreensível sob uma perspectiva cultural da época (contra a qual o seu pai José Maria de Lancastre curiosamente tanto se tinha insurgido). Por isso não o julgo tão severamente quanto o fazia o meu pai. De facto o meu bisavô vendeu o Palácio de Santos em 1908 ao governo francês que à época era arrendatário de parte do edifício, tendo feito esse negócio o ministro (embaixador) francês George Saint-René de Taillandier que vamos encontrar referido nas suas notas quando o reencontra em 5 de Outubro de 1910 em Sintra. Curiosa é a exigência de João Abrantes para que não fosse transmitida ao comprador a serventia entre os dois pisos superiores do palácio à tribuna familiar no coro da Igreja de Santos o Velho (um dia destes ainda iremos reivindicar esse direito ao laico governo francês!). Enfim, até à sua morte João Maria da Piedade desfez-se da maior parte dos bens de família e, reza a história relatada nas memórias do meu pai que a forçada ausência de meu Pai [Na Grande Guerra] muito o prejudicou nas partilhas da herança paterna, da qual apenas exigiu os quadros e o arquivo da família”. Com muitos destes objectos ainda privei, posteriormente dispersos que foram pela casa dos meus avós, pais e tios. De resto, grande parte do arquivo foi entregue pelos meus irmãos e por mim em depósito à Câmara Municipal de Abrantes (outra parte já tinha sido entregue na Torre do Tombo), assim como o quadro do 1º Marquês de Abrantes o foi ao Museu dos Coches onde é actualmente exibido ao lado dos carros de aparato por ele utilizados aquando da grande embaixada a Roma em 1717.

dmiguel II.jpg

Importante nesta modesta tentativa de biografar o IX Marquês de Abrantes, o meu bisavô João, é salientar a sua profunda fidelidade à pessoa de Dom Miguel II que é bem patente nas suas notas, e na forma leal como batalhou pelo sucesso do Pacto de Dover, sempre com o fito da restauração da monarquia, que para si era penhor da independência nacional. Não lhe guardo qualquer animosidade, tanto mais que cada vez estou mais que convencido que o principal legado da Casa de Abrantes me foi transmitido com sucesso, e que ele é essencialmente intangível, residindo no âmbito dos valores éticos e morais, no amor a Portugal e em histórias fantásticas para contar. É isso que gostaria de transmitir aos meus filhos e sobrinhos.

Proximamente voltarei aqui para vos falar dos V e VI marqueses de Abrantes, Pedro Maria e José Maria. 

Legendas das fotografias:

  • Fotografia 1 

João Maria da Piedade de Lancastre e Távora, IX  Marquês de Abrantes quando jovem.

  • Fotografia 2

No início do século XX de cima para baixo:

a minha tia bisavó Carlota,
o meu avô José Maria de Lancastre e Távora
e os meus tios avós, Pedro, Rita e Luísa.

  • Fotografia 3

Em 1912, Saint-Jean-de-Luz:

Vitor Menezes (à esquerda em cima)
Pedro de Lancastre e Távora (à direita em cima)
Sartúrio Pires (à esquerda em baixo)
IX M. de Abrantes, João Maria da Piedade de Lancastre e Távora (à direita em baixo)

  • Fotografia 4

Quinta da Póvoa (de Sta. Iria), ou de Nossa Senhora da Piedade.

  • Fotografia 5

Dom Miguel II

Fontes: 

"A Heráldica da Casa de Abrantes", vol. 2 do Tomo 4, por Luís de Lancastre e Távora

"Le Palais de Santos" por Pierre Samoyault

"Quinta de Nossa Senhora da Piedade - História do Seu Palácio Jardim e Azulejos" por Celso Mangucci

Documentos de família e testemunhos orais

Do passado onde nasci

por João Távora, em 09.03.21

IMG_20210309_165203_516.jpg

Tenho andado desaparecido destas andanças do blog porque me vi confrontado pelo luto e com a subsequente desmontagem da casa dos meus pais que ainda perdura. Uma operação profundamente emocional, que exige revisitar objectos, armários, gavetas, papéis, fotografias, esqueletos e memórias de tempos passados, sentimentos díspares e contraditórios que só agora me autorizo espiolhar.

Em particular, descobrir ou revisitar manuscritos do meu pai remete-me para uma proximidade que, se não fossem estas circunstâncias, nunca me atreveria a reivindicar. Esse encontro tem-me ajudado a perceber uma narrativa que perpassa pelas paredes daquela casa de família, através dos quadros, gravuras, daguerreótipos ou fotografias de antepassados e, não menos importante, na iconografia miguelista que é legado da família que o meu pai com zelo manteve e cultivou como pode, pelo menos numa perspectiva histórica e simbólica - qualquer pessoa mais atenta perceberia que naquelas paredes se contava uma história, onde é que eu andava com a cabeça...

Do seu espólio diversificado, entre muitos ensaios históricos e publicações que revisitei por estes dias, também sobra um interessante conjunto de documentos referentes ao CDS e à situação política nos anos de 1974 a 1976, duas versões manuscritas de um romance duas vezes começado, duas vezes terminado e jamais publicado; entre muitos outros textos e papéis escrevinhados na sua letra bem desenhada em papel almaço quadriculado, que era onde as pessoas como ele escreviam naquele tempo em que ainda não havia blogs. Uma bebedeira de informação e sensações emerge do revirar das estantes, que não só o pó em que todos nos tornaremos um dia. Por vezes reavivaram-se-me na memória os melhores tempos daquele espaçoso andar do princípio do século XX em Campo de Ourique onde nós, os cinco irmãos “Abrantes”, crescemos e nos fizemos gente.

Vem isto a propósito do gosto pela história que sempre nutri, mas que desde os meus quarenta e tal anos ganhou foros de voyeurismo, na emoção que é procurar o encaixe de peças de um puzzle pouco intuitivo, com a leitura de livros, ensaios, documentos e até cartas antigas, com a partilha de testemunhos dos tios mais velhos (tenho várias horas de gravações das suas memórias), de conversas com amigos que nos ajudam a deslindar enigmas genealógicos (o importante que vêm sendo os meus amigos nestes últimos tempos), cujas soluções às vezes escondidas à frente do nosso nariz guardamos como troféus, como se de alicerces existenciais tratassem, tomados de uma espécie de paganismo – Deus há-de perdoar-me. De resto compreenda-se este meu amor acrisolado pelo passado, atendendo à resposta que Churchill deu quando o questionaram sobre o assunto: "Claro que gosto do passado, nasci nele".

Resta saber o que serei capaz de fazer com o legado histórico que me tem sido desvendado e há anos venho juntando e organizando. Depois do luto, talvez.

Um homem da renascença

por João Távora, em 17.07.20

livro.png

Este divertido diário de Francisco Dias, um ilustre desconhecido (?) quinhentista “procurador de El-rei no Porto” ofereceu-mo o meu amigo Carlos Bobone. Além de tudo o mais (tem histórias de pestes), o que tem de particularmente curioso para mim, são as múltiplas referências ao I Conde de Matosinhos, Francisco Sá e Meneses notabilizado “poeta do Rio Leça” e ao seu pai João Rodrigues Sá e Menezes "O Velho". E que fantástico personagem foi este último: dizem os seus biógrafos que viveu intensamente até aos 115 anos. A sua carreira política começou como ministro de D. João II, foi-o também de Dom Manuel, de Dom João lll e de até D. Sebastião. Traduziu as Elegias de Ovídio, comentou Homero, Píndaro e Anacreonte e "enobreceu" como guerreiro nas campanhas de Azamor e de Arzila. A sua família foi a primeira no Porto em que as mulheres tiveram direito a tratamento de “Dom”, e “cujos homens e respectivas esposas foram tratados por senhorias."

Estou arrasado!

A História é feita por pessoas

por João Távora, em 09.07.16

Inauguração Embaixada_54.jpg

Permitam-me contar esta notícia de forma um pouco subjectiva, ou simplesmente do meu ponto de vista: O quadro de D. Rodrigo Annes de Sá Almeida e Meneses, o embaixador de D. João V que a 8 de Julho de 1716 foi recebido em Roma pelo Papa Clemente XI, muito provavelmente da autoria de Vieira Lusitano de quem foi protector, foi um dos principais protagonistas da magnífica Exposição com que o Museu Nacional dos Coches celebrou ontem a passagem de trezentos anos sobre o acontecimento. Assim, foi com grande orgulho que ontem à tarde eu e os meus irmãos reencontrámos este velho companheiro da nossa infância e juventude que, na parede da sala de nossa casa, da sua imponente moldura dourada nos seguia com um olhar sisudo e atento à nossa passagem. Daquele senhor, o primeiro marquês de Abrantes, nascido em 19 de Outubro de 1676, sabemos ter sido um grande mecenas e homem de artes e da cultura, e também que é da sua autoria o desenho dos magníficos Coches de Aparato mandados construir em Itália, com os quais empreendeu esse importante serviço à Pátria, visando conseguir do Papa o prestígio dum patriarcado para Lisboa.

Entregue em depósito ao Museu Nacional dos Coches pela minha família, é com enorme alegria que o encontramos finalmente exposto ao público, à vista de todos quanto visitem esta magnífica exposição que nos desvenda uma época e uma história… feita de pessoas como nós.

Inauguração Embaixada_75.jpg

Ver reportagem fotográfica aqui.

Azul Sobre Ouro - Uma inédita exposição

por João Távora, em 28.02.15

expo_azulsobreouro.jpg

Na quinta-feira passada tive o privilégio de estar presente na inauguração da exposição temporária patente no Museu Nacional de Arte Antiga “Azul Sobre Ouro” que se recomenda vivamente. Trata-se de uma ocasião única (quatro meses) de apreciar com pormenor a extraordinária colecção de porcelanas da dinastia Ming, com exemplares únicos no mundo datados maioritariamente entre os séculos XVI e XVII legada por D. José Luís de Lancastre. Com esta iniciativa as peças poderão ser minuciosamente apreciadas sem o perigo do visitante apanhar um torcicolo, já que o seu local de original, onde resistiram incólumes desde 1680 até hoje (e presenciaram por exemplo o terremoto de 1755) é o insólito tecto da Sala das Porcelanas no Palácio do Marquês de Abrantes, sito na Calçada com o mesmo nome em Santos-o-Velho. Foi certamente uma delicada e emocionante operação aquela em que, aproveitando-se as obras de restauro promovidas pela Embaixada de França, actual proprietária do edifício, se retiraram um a um os 263 pratos com a supervisão dos técnicos do Museu de Arte Antiga. Desses foram seleccionados os 58 exemplares mais significativos que se exibem agora na Rua das Janelas Verdes até 24 de Maio próximo. 

Uma curiosidade que se destaca da informação patente é a de que não será descabido pensar que as porcelanas do palácio dos Marqueses de Abrantes tenham servido de inspiração aos oleiros de Lisboa no fabrico da faiança azul e branca que por essa altura se popularizava no País, tanto mais que há nota de uma olaria nos registos da freguesia de Santos-o-Velho em 1672 propriedade de D. José Luís de Lancastre na Rua da Madragoa a poucos metros do palácio. 

Pela original iniciativa estão de parabéns a Embaixada de França, na pessoa do seu Embaixador Jean-François Blarel, o Museu Nacional de Arte Antiga e seus mecenas na pessoa do seu dinâmico director António Filipe Pimentel, juntos nesta inédita parceria. 



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