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Uma saída de emergência

por João Távora, em 16.11.14

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 Julgo não exagerar se afirmar que o filme Interestellar, o prodigioso resultado deste épico de ficção científica dirigido pelo realizador Christopher Nolan, está ligado também à magistral banda sonora de Hans Zimmer, já consagrado nestas andanças de músicas para filmes. De resto a obra que suspeito resultará num clássico, coloca de forma magistral o mito da adopção do Universo infinito no lugar do limitado e escuso planeta Terra como casa materna da humanidade. O filme lembrou-me várias vezes o meu saudoso Pai, historiador que nos intervalos das suas investigações embrenhadas em documentos arcaicos e pesados volumes impressos, consumia gulosamente e deixava espalhados pela casa romances de ficção científica, cuja temática estou convencido constituía um escape de uma realidade material que tanto o atormentava.

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Foto-fitas do dia

por Luísa Correia, em 14.04.14

Noé é um filme pouco ortodoxo. Primeiro, porque «discorda», sem grandes subtilezas, do Deus castigador do Antigo Testamento ou, mais especificamente, da interpretação castigadora que o homem faz da mensagem divina. Depois, porque coloca o patriarca na posição de transmitir a sua herança de vida às suas netas, contrariando o cânone da primogenitura varonil. Noé é, portanto, um filme que requer um olhar moderno. É também um filme espectacular no plano da imagem e dos efeitos especiais, e a arca, uma concepção convincente. Noé é um filme de acção e [des]aventura, que agradará por certo a quem não espere demasiado do seu quadro de actores.

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Foto-fitas do dia *

por Luísa Correia, em 08.04.14

(Tapada das Necessidades)


Não convém perder o Quai d'Orsay, filme que, entre nós, tomou o nome de Palácio das Necessidades. É uma espécie de Yes, Minister à francesa, muito revelador da importância que, na política local, assumem as palavras, a forma e a imagem de «animal feroz». A substância é de somenos. Lembremos que, na opinião avisada de Eça de Queiroz, Portugal é um país traduzido do francês em vernáculo... 


* Este título não pretende ser uma imitação, mas apenas uma disciplina.

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Gravity, a verdade da mentira

por Luísa Correia, em 05.04.14

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Uma gaiola bem fora da caixa

por João Távora, em 04.08.13

Boa malha é o filme "A Gaiola Dourada" de Ruben Alves, história centrada num casal de emigrantes portugueses em Paris, a porteira Maria (Rita Blanco) e o pedreiro José (Joaquim de Almeida); uma descomplexada comédia que luminosamente desmonta e parodia os clichés duma tão generosa quanto incompreendida (por mera inveja ou snobeira) diáspora portuguesa em França. 
Sem quaisquer pretensões a dissertação cientifica sobre o tema, o filme não cede à tentação dos estereótipos políticos do ressabiamento e da luta de classes a que o assunto tão bem se presta. É deste modo que o filme colhe o desprezo da crítica regimental, na exacta proporção em que se revela um sucesso de bilheteira.Também porque nos mostra despudorada ternura às coisas da Pátria, com caracteres generosamente pincelados em tons alegres (mesmo que artificialmente queimados por efeito de um qualquer filtro de lentes “vintage”), perspectiva talvez mais acessível a quem sendo um de nós, nos vê de longe como a uma paradisíaca paisagem do Douro. Apesar da história e apesar da crise, pois então.

Independentemente de diferentes enquadramentos ou análises, os clichés são sempre irrefutáveis pedaços de verdade. E só nos deveria fazer rir a confusão dos “patrões” franceses de José entre Oliveira Salazar e o general Alcazar, personagem das aventuras de Tintim. Assim como a eterna confusão que a generalidade dos estrangeiros sempre fará entre o vocabulário castelhano e português.
Mas acontece que em duzentos anos largámos a religião para nos entornarmos em prantos aos pés dos psiquiatras e dos sociólogos. Ao contrário do crítico António Loja Neves da revista Actual do Expresso que deve perceber de cinema como pouca gente, eu espero daqui a dez anos Ruben Alves, filho de emigrantes, mantenha intacto o orgulho nesta sua bem-sucedida estreia dedicada aos seus pais, afinal de contas feita com alma e coração - quase sempre factor determinante para uma boa realização. Ao que se saiba, sustentável do ponto de vista económico, que é para além do mais uma lufada de ar fresco e oxigenado, com a qual as carpideiras profissionais não se dão bem nem se conformam. O nacional negativismo é pior do que uma gaiola, é uma sufocante caixa fechada, mas só lá vive quem quer.


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Sétima arte...

por Luísa Correia, em 09.05.13

Vi, há dias, "Vatel", uma belíssima produção anglo-francesa, com Gérard Dépardieu e Uma Thurman. O ambiente pareceu-me muito bem recriado, com todos os excessos que caracterizam o absolutismo barroco de Luís XIV, e o enredo desenvolve, romanceadamente, os pequenos grandes dramas vividos pelo mestre de cerimónias do Príncipe de Condé na organização dos três dias de banquete real, que culminariam, como se sabe, no seu hara-kiri. É um filme a não perder para quem ainda não o viu.

Outro, que está em cartaz e de que tenho as melhores referências, é "Nome de código Paulette". Estou explorando, afanosamente, todas as possíveis vias de acesso...

Finalmente, leio que se encontra em elaboração um filme sobre Hannah Arendt e sobre a polémica histórica que desencadeou, na sequência do julgamento de Eichmann, com a sua tese da "banalização do mal". Esta tese, que vemos exemplificada todos os dias, parece, contudo, não bastar para explicar o comportamento do alemão, sobretudo depois que Himmler mandou suspender a "solução final". Mas Arendt não isenta Eichmann de culpas: uma vez que sustentou e executou uma política traduzida na recusa de partilhar a Terra com o povo judeu e com os povos de um certo número de nações - escreve - não pode esperar de ninguém que queira partilhar a Terra com ele. Por esta razão e só por esta, merece ser condenado.
Aguardemos, então...

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Os Óscares

por Luísa Correia, em 25.02.13

Com os Óscares deste ano não houve surpresas. Arrebataram a estatueta dourada aqueles que se previa que arrebatassem, "Argo", Daniel Day Lewis, Jennifer Lawrence, Anna Hathaway...
Interessante é poder deduzir-se que nos Globos de Ouro da SIC, que tendem a seguir de muito perto o cerimonial hollywoodesco, também não as haverá. Que, pela passadeira vermelha da Rua das Portas de Santo Antão, as mulheres do nosso pequenino "jet set" desfilarão em vestidos metálicos ou rasgados cai-cais, e abundarão os penteados "à la garçonne". E que os homens envergarão "blazer" preto com bandas acetinadas e gravata do mesmo cetim, e exibirão barbas cerradas de, pelo menos, três semanas. (Espera-se que o mimetismo não vá ao ponto de os estimular a deixar expandir as cabeleiras até meio das costas).
E pode também deduzir-se que os premiados mais prolixos verão o pio cortado pelo "crescendo" musical do "Tubarão II"... ou do "Jurassic Park I", se a imaginação se soltar.
Conhecido que é, portanto, o essencial dos Globos de Ouro da SIC de 2013 - e o acessório são os suspeitos do costume - está decidido que dedicarei essa noite a uma segunda avaliação de "Argo"... a ver se descubro o que ele tem para além do giraço Affleck.

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"Silver Linings Playbook"

por Luísa Correia, em 17.02.13

O balanço que posso fazer do conjunto de filmes de 2012 premiados ou propostos a óscar - concluí o seu visionamento completo em grande ou em pequeno ecrã - é que adormeci em todos eles, menos dois. Não vou dizer que dois são estes, para não ser injusta com os outros. Sei que não adormeci porque as obras não tivessem mérito, ou méritos, mas porque há sonos invencíveis, e os meus, por estes dias, andam inusitadamente ferozes.
A coisa dá-se, em regra, quando transponho a barreira da imprevisibilidade. Assim que julgo conseguir antecipar o desenlace da fita - não tanto no que respeita ao final da história, como ao caminho que vai trilhar-se e à ideia que procurará transmitir-se - ele é tiro e queda, sem possível redenção.
E lá voltou a acontecer com o celebrado "Silver Linings Playbook", ou "Guia para um final feliz". Depois daquela sequência de cenas familiares hilariantes, em que os pais, tios e irmãos, supostamente sãos de espírito, parecem em pior estado do que o filho, sobrinho e irmão bipolar - um papelão, o de Robert de Niro! - quando o filme assesta a óptica no caso amoroso, adivinhei o que iria seguir-se, e... E, de repente, tinha pesos de tonelada suspensos de cada pestana. Lutar como? Ou melhor, para quê?

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"Zero Dark Thirty"

por Luísa Correia, em 05.02.13


"Zero Dark Thirty" tem, desde logo, a qualidade de ser coerente com o seu próprio nome. São as trevas mais densas que - salvo caso de avaria técnica - já vi num ecrã, na circunstância para ilustrar o ataque ao complexo habitado por Bin Laden no Paquistão, iniciado às "zero e trinta" do primeiro dia de Maio de 2011. Felizmente, a cena vem pontuada de uns quantos "flashes" captados em dispositivo de visão nocturna, o que permite que, complementando as imagens verdes com algum trabalho de adivinhação, se acompanhe, não sem curiosidade, a sequência das operações.
Mas "Zero Dark Thirty" tem ainda outra e maior qualidade. É a de apresentar a pequena comunidade envolvida na caça ao demónio terrorista, desde os agentes da CIA que batem o terreno até aos "SEALs" que invadem o complexo, não como um conjunto de heróis frementes de ardores patrióticos, que honram a força e a magnanimidade da grande nação norte-americana, mas como um grupo de pessoas comuns, cheias de fragilidades, muito falíveis e capazes, naquele teatro de "guerra", de tanta crueldade, quanta delicadeza.
"Zero Dark Thirty" adopta o mesmo estilo seco de "Argo". Mas a neutralidade de Kathryn Bigelow fá-lo menos previsível; logo, bem mais interessante.

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"Intouchables"

por Luísa Correia, em 03.02.13

Cada dia que passa fornece argumentos à minha convicção de que o primeiro sintoma da "sabedoria" é a capacidade de relativizar. O que não consigo explicar é por que é que encontro esse sintoma, predominantemente, nas crianças e numa certa juventude ligeira, como, a nível planetário, o entrevejo sobretudo nas "civilizações" que, na visão ocidental, parecem menos "maduras". Refiro-me à relativização ou simplificação do grande problema que é a própria vida; ou a uma certa intuição prática de que, apesar de milénios de apuramento, a nossa individualidade importa para o concerto do mundo o mesmo que uma formiga importa para um formigueiro.
Tudo isto para dizer que, após largos meses de resistência - há temas incómodos - vi o filme que já toda a gente viu: "Intouchables". A tradução portuguesa chamou-lhe, salvo erro, "Amigos Improváveis". É um filme francês (não sei se poderia ser outra coisa) e conta-nos a história da relação entre um adulto, Philippe, a que um acidente provocou uma tetraplegia, e o rapaz Driss que é contratado para ser "os seus braços e as suas pernas". A história, informam-nos, inspira-se em factos reais. E é um exemplo de desdramatização, de contenção de sentimentalidades balofas, de bom humor, de optimismo - de "pragmatismo", remataria Driss - que nos estimula logo a bem-fazer. Cada um de nós só realmente vale pelo que dá e como (ai este "como"!) dá; não pelo que recebe. Gostava de ter aprendido de vez a lição, ou as muitas lições dos "Intouchables".

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Os Miseráveis

por Luísa Correia, em 30.01.13

Convém que não opine sem duas prévias ressalvas. A primeira é que não adiro facilmente a musicais, senão em teatro, ao vivo. E a segunda é que vi o filme no pequeno ecrã, o que amortece o seu impacto audiovisual, se a aposta foi na monumentalidade dos cenários e na força dos decibéis.
Esclarecidos estes pontos, aí vai: não gostei da última adaptação cinematográfica do romance de Victor Hugo. Desde logo, pela representação. Hathaway imprime-lhe o tom certo, reconheço, mas tem uma participação curta. Já aos estremecimentos de voz de Jackman, um Jean Valjean que nos acompanha em meio falsete durante três longuíssimas horas, ouvi-os com a complacência com que o Capitão Haddock reagia aos trinados da Castafiore. De uma forma geral, achei as interpretações pouco convincentes, por imposição óbvia do modelo e do ritmo da cantoria.
Também não soube apreciar a riqueza melódica da composição, que, mesmo nos solos, me pareceu repetitiva e entediante como uma lenga-lenga. São anos de luz que afastam este "Miseráveis" do fulgor de um "My Fair Lady" e de um "Música no Coração". Apesar do que o primeiro beneficia em maturidade tecnológica. Mas a tecnologia ainda não fabrica, sozinha, nem emoção, nem bom-gosto.

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Argo

por Luísa Correia, em 22.01.13

Para mim, o cinema, sendo uma arte - a sétima -, tem de ter qualidade artística (perdoem o uso do definido na definição). Ou seja, tem de me emocionar esteticamente. Uma tal qualidade, procuro-a na conjugação dos quatro elementos essenciais da obra, o som, a imagem, o argumento e a representação, e considero tê-la encontrado se não conseguir desviar os olhos da tela.
Sucede que, com Argo, a coisa falhou. Com Argo, não suportei o peso das pálpebras e dormi pontualmente durante a exibição. Ora, se Argo recebeu os Globos de Ouro de melhor drama e de melhor realizador, a falha tem de ser minha, na condição de espectadora. Argo, por outro lado, desenrola-se em torno do ataque à embaixada norte-americana no Irão de 79 - ataque que segui, na altura, com a atenção muito solidária de quem, no rescaldo de Abril de 74, aprendera a descrer da independência, da lucidez e do auto-controle das grandes movimentações populares. O tema é empolgantíssimo, e a falha, repito, tem de ser minha.
Mas sei que não foi o acumular de sonos perdidos. Não foi, tão pouco, o aconchego da casa em noite de temporal. Desconfio de que foi a minha resistência ao estilo de Argo, um estilo que parece estar na moda, mas que tem mais de trabalho jornalístico do que de arte, de reportagem do que de cinema; um estilo um tanto "intelectual", seco e despojado, que não me estimula a deslocar-me a uma sala de projecção em grande ecrã, menos ainda a suportar o respectivo custo. Afinal, no mesmo género, tenho a oferta domiciliária e gratuita do canal História...

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Lincoln

por Luísa Correia, em 15.01.13


Este é, desde logo, um filme que teria de ver muitas vezes, para firmar uma opinião. O que retive são impressões fluidas e hesitantes. Mas sempre arrisco dizer que a intenção de Spielberg - cuja despretenciosa "filosofia" do cinema-entretenimento parece ser chão que deu uvas - não foi tanto a de contar uma história dentro da História, como a de homenagear os protagonistas de um momento de referência no curto passado da nação norte-americana. É, no essencial, um filme de glorificação de heróis. Mas heróis que são de pensamento e de eloquência, mais do que de acção. O enredo, aliás, é uma intriga política de bastidores, uma mera compra de votos, e nem sempre se revela capaz de espantar o sono. Lembrou-me, pela sua originalidade - mas não pelo seu interesse - a abordagem de Gore Vidal a Lincoln, também ela praticamente confinada aos meandros de Washington. Reconheço, ainda assim, que fui conquistada pelas personagens do Presidente e dos seus principais apoiantes na cruzada pela aprovação da 13.ª Emenda, talvez porque os desempenhos, realmente notáveis, de Daniel Day-Lewis, Sally Field e Tommy Lee Jones as dotam de um misto de força e de vulnerabilidade muitíssimo sedutor. Claro que não sanam algumas dúvidas sobre a precisão dos retratos...

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Tolkien no cinema

por Luísa Correia, em 26.12.12

Li o "Hobbit" e "O Senhor dos Anéis" nos primórdios da minha juventude. Reli-os, com o mesmo entusiasmo, uns anos depois - numa edição inglesa, de "luxo", que me custou um vigésimo da trivialíssima tradução portuguesa - aquando da estreia de "A Irmandade do Anel", primeiro filme da triologia de Peter Jackson. Creio que foi pela familiaridade que já tinha com a "epopeia" inspiradora, verdadeira obra de culto de quem aprecia, na literatura, uma grande história mais do que um belo estilo, que gostei da adaptação cinematográfica - um pouco como quem prefere ouvir, em concerto, composições que conhece e vai trauteando em surdina a novos lançamentos. Mas mesmo tendo gostado, reconheci no trabalho de Peter Jackson aspectos de realização que me franjam os nervos de cada vez que acontece deparar-me com uma (re)exibição televisiva. Ninguém sabia quem era Peter Jackson antes da sua abordagem a Tolkien. Ousou fazê-la e colheu os frutos (compensadores!) da sua ousadia. Mas Peter Jackson era então um novato, e não resistiu à tentação de explorar, até ao tutano, o dramatismo dos momentos. O que redundou no que me parece pouco menos do que um espectáculo de carpideiras. A emotividade extremada das cenas (ressalvadas as de pura acção ou de guerra), expressa em morosos lamentos e declamações, em olhares e sorrisos parados e insondáveis, à Gioconda, em câmaras lentíssimas nos instantes de risco ou tragédia, e, em suma, numa confrangedora falta de naturalidade, é muito enjoativa. E o pior é que Jackson, no tempo que lhe tomou a triologia, evoluiu de novato para novato, e nunca corrigiu a trajectória da sua lamecha direcção de actores. Aí estão "As Duas Torres" e, sobretudo, "O Regresso do Rei" a comprová-lo. O sentimentalismo não terá sido, portanto, um erro de inexperiente, mas algo que tem entranhado na massa do sangue. Sucede que, para mim, é como diz Auberon Waugh: "Sentimentality is the exact measure of a person’s inability to experience genuine feeling." E quem não sente verdadeiramente, conseguirá ser mais do que fingidor e artificial? E agora, que faço eu - já tão enjoada nesta quadra pantagruélica - em relação ao recém-estreado "Hobbit"? Vejo? Não vejo? Espero pelo DVD?

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Excerto da espantosa festa de Holly Golightly (A. Hepburn)... em Breakfast at Tiffany's rodado em 1960 - baseado na notável novela de Truman Capote com o mesmo título.

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Anna Karenina

por Luísa Correia, em 09.12.12

Aí temos mais uma adaptação cinematográfica do grande romance de Tolstoy, Anna Karenina. Uma adaptação "sui generis", porque enquadra a representação num palco de teatro, mas um palco móvel e versátil como só o cinema o poderia fazer. Para meu gosto, o filme recorre, em demasia, aos artifícios de um musical e aos excessos caricaturais de uma farsa. E se consegue transmitir ao espectador a tensão crescente do drama, tem apontamentos que lhe retiram dignidade: apontamentos de um simbolismo ou efeito duvidosos, que seriam dispensáveis. Como é regra, não me parece que esteja ao nível da obra inspiradora. Diria, ainda assim, que é coisa de "encher o olho", não obstante a falta de polpa da heroína, interpretada pela frágil Keira, e o jeito efeminado do seu Vronsky.  A exuberância do cenário e a densidade da atmosfera são quase convincentes; e a leitura do realizador, no mínimo, agradavelmente polémica. Vão ver e digam-me de vossa justiça.

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Debate, onde estás?

por Vasco M. Rosa, em 26.06.12

Sob o título «O património cultural, a Cinemateca e a Lei do Cinema», José Manuel Costa publicou no sábado, no jornal Público, p. 55, um importante texto sobre a sustentabilidade da conservação e actualização tecnológica do nosso património fílmico — é um assunto que a todos deveria preocupar, e muito, pela relevância do tema e pela importância das decisões que brevemente serão tomadas.

JMC fala mesmo de encruzilhada histórica da conversão ao digital.
Eu sei que um jornal, qualquer jornal, desvaloriza umas coisas e sobrevaloriza outras, e assim será ad eternum. Por mim, este assunto estaria na página 3.

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Um gato às direitas!

por João Távora, em 30.12.11

 

 

 

Confesso que não esperava tanto do Gato das Botas, que é porventura a única coisa que se aproveita da inenarrável sequela de Shrek, da DreamWorks Animation, cujo filme conseguiu pôr a minha filhota (muito crente na beleza, em príncipes e princesas, e pouco em arrotos e alarvidades) a chorar de desconsolo, e cujo “catálogo” balança entre o puro mau gosto e a macaqueação da concorrência Disney e Pixar em estilo suburbano. 

Com um guião divertido, a trama decorre numa Espanha seiscentista numa inteligente miscelânea do conto original de João Pé de feijão e a galinha dos ovos de ouro (aqui uma gansa…) e o  Humpty Dumpty da lengalenga à mistura. Tudo isto sem o cinismo que marca a série Shrek: o gatinho é um indómito cavalheiro com um sensível coração latino, e acaba por protagonizar uma inaudita acção de charme, redimindo um pouco a imagem dos simpáticos bichanos, injustamente mal-amados por tanta gente e tradicionalmente tão malquistos nos desenhos animados. Nestas férias de Natal, o Gato das Botas é definitivamente uma boa escolha para passear a criançada a ressacar das Festas. Boa onda!

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Tintim no cinema, por Steven Spielberg

por João Távora, em 18.05.11

 

Não podia deixar de partilhar com os meus amigos o trailler das Aventuras de Tintim de Steven Spielberg a estrear no Natal: pelo que nos é dado espreitar, parece que o realizador esmerou-se na realização do Tesouro de Rackham o Terrível. 

Como é evidente a linguagem do cinema é por natureza distinta dos quadradinhos, mas parece-me que o desafio desse "encontro" está bem entregue ao realizador de Indiana Jones. Veja-se como os ambientes, as cores e o aspecto dos personagens foram espantosamente preservados!

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O Discurso do Rei, ou um assomo de luz

por João Távora, em 22.02.11

 

 

Fiquei rendido ao "Discurso do Rei" de Tom Hooper, e ao contrário do que dizem as más-línguas (porque será?), posso garantir que a obra é muito, mas muito mais, do que a replicação no cinema dum telefilme da BBC. A grandiloquência narrativa, a fotografia simplesmente arrebatadora, e principalmente a extraordinária prestação dos actores, são aspectos que fazem desta película uma autêntica obra-prima. As primorosas representações de Colin Firth no papel de príncipe Alberto, de Geoffrey Rush, o excêntrico terapeuta da fala, Lionel Logue, e de Helena Bonham Cárter como Rainha-mãe, envolvem-nos num comovente drama humano: o tormentoso recontro do gago mas ciente príncipe com o seu inevitável destino, de perante a manifesta leviandade do irmão, vir a reinar o Império Britânico; e, no apogeu da telefonia, através da sua voz, encarnar a esperança e a dor dum povo em face à trágica guerra contra a Alemanha Nazi. Se outra mensagem não possui, esta persuasiva e tocante lição de humanidade, recentra a decisiva importância do trabalho e carácter dos actores no melhor cinema. Aquele que faz História.

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