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Sabedoria polaca

por Pedro Correia, em 30.08.08

"Travar agora os planos de acção para a integração da Ucrânia e da Geórgia na NATO equivaleria a enviar um sinal completamente equivocado: isso indicaria a aceitação tácita da divisão da Europa em esferas de influência. Não podemos aceitar a ideia de que a Rússia beneficia de uma posição de hegemonia que minaria os direitos soberanos dos seus vizinhos."

Aleksander Kwasniewski, ex-presidente da Polónia (1995-2005), em artigo publicado no Le Monde

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Brincar aos países no Cáucaso e nos Balcãs

por Pedro Correia, em 27.08.08

A celebração, pelos EUA e por grande parte dos países da UE, da "independência" do Kosovo, em Fevereiro passado, foi um péssimo precedente, como na altura aqui escrevi. O actual mapa político da Europa regeu-se até há seis meses por um princípio basilar da Conferência de Ialta: nenhuma independência unilateral deve ser reconhecida no Velho Continente ao sabor de conveniências de circunstância, sob pena de tornar cada vez mais instáveis as relações internacionais. Desenhar fronteiras de acordo com critérios étnicos, religiosos, linguísticos ou de tribo, com o aval de analistas politicamente correctos, pode ser uma tentação para alguns caudilhos regionais mas é um acto indigno de estadistas.,

Putin e Medvedev acabam de dar o troco ao Ocidente reconhecendo as "independências" da Abcásia e da Ossétia do Sul, que são de facto protectorados de Moscovo. A criação destes "bandustões" não é uma prova de força, mas de fraqueza. E de uma brutal incoerência: os russos, aliados da Sérvia, estiveram na primeira linha dos protestos contra a "independência" do Kosovo mas seis meses volvidos caucionam a "libertação" de dois estados-fantoche no Cáucaso. Enquanto esmagam, no seu próprio território, o movimento independentista da Chechénia.

Apoiar este aventureirismo de Moscovo, em nome de uma lógica de suposta contenção dos EUA que propicie uma reedição actualizada do Pacto de Varsóvia, é tão insensato como foi o reconhecimento de um Kosovo "independente" como troféu de caça da NATO.

Se há regiões do mundo onde não convém andar a brincar à multiplicação de países de faz-de-conta é precisamente no Cáucaso e nos Balcãs.

 

Ler:

- Ossétia e Abkházia, do Francisco José Viegas

- NATO, back to the basics, de Arnaldo Gonçalves

- 1989-2008, do Tiago Barbosa Ribeiro

- Dormir com a dúvida, do Américo de Sousa

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Durão aprende com Manuela

por Pedro Correia, em 19.08.08

Com uma guerra em curso no Cáucaso, até ao momento não se escutou uma palavra do presidente da Comissão Europeia sobre o tema, que considerará irrelevante. O estilo Ferreira Leite está a fazer escola em Bruxelas.

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Não esqueceram nada, não aprenderam nada

por Pedro Correia, em 18.08.08

 

Por estes dias, na Geórgia, Putin e Medvedev têm levado ao extremo uma das mais conhecidas máximas de Maquiavel: é preferível que o Príncipe seja temido do que amado. Mas a brutal demonstração de força russa num país soberano, membro das Nações Unidas, é afinal um sintoma de fraqueza. A desproporção de meios empregues para castigar a ousadia georgiana de pretender restabelecer a plena jurisdição em territórios que o direito internacional considera seus terá custos muito pesados para a credibilidade de Moscovo, ainda mal refeita das justificadas acusações de violação de direitos humanos no plano interno, designadamente o assassínio de jornalistas incómodos.

Como justificarão os russos a defesa do princípio da autodeterminação da Abcásia e da Ossétia do Sul, agora invocado para a ofensiva militar contra a Geórgia, se ao mesmo tempo negam esse mesmo princípio dentro das suas próprias fronteiras, mantendo as acções de repressão contra os chechenos que querem ser independentes?

Os aprendizes de Maquiavel dirão que Putin e Medvedev, temidos mas não amados, emergem como vencedores dos escombros georgianos. Parece-me um erro de análise tão evidente como ter proclamado em Agosto de 1968 que Brejnev e Kossiguine marcaram pontos ao invadirem a Checoslováquia. O mais curioso é que alguns que agora aplaudem Moscovo são os mesmos que então apoiaram o macabro desfile de blindados soviéticos nas belas praças de Praga. Não esqueceram nada, não aprenderam nada.

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Do Kosovo ao Cáucaso

por Pedro Correia, em 16.08.08

Há seis meses escrevi aqui isto. O que tem sucedido desde então só confirma o meu pessimismo da altura. Infelizmente.

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Cinco notas sobre a guerra no Cáucaso

por Pedro Correia, em 16.08.08

 

1. A Ossétia do Sul e a Abcásia são territórios da Geórgia, à luz do direito internacional. As suas "independências", patrocinadas por Moscovo, não foram reconhecidas por nenhum governo - incluindo o russo.

2. A agressão de Moscovo à Geórgia, a pretexto do restabelecimento da ordem vigente desde 1992 na Ossétia do Sul, é uma clara violação da Carta das Nações Unidas, que determina a inviolabilidade das fronteiras e a resolução dos conflitos por meios pacíficos.

3. Mais do que a conquista territorial da Geórgia, a ofensiva do exército russo visa a destituição do Presidente georgiano, eleito democraticamente. E pretende lançar um sério aviso à vizinha Ucrânia, o próximo alvo. No fundo, é a reedição da tese da "soberania limitada", que Moscovo aplicava aos países do defunto Pacto de Varsóvia para justificar politicamente a invasão militar de Budapeste (em 1956) e de Praga (em 1968).

4. As forças armadas russas não devem integrar missões de "paz" no Cáucaso. A presença de tropa russa na Abcásia e na Ossétia do Sul a pretexto do reforço da estabilidade na região é uma ilusão que se pagará, mais tarde ou mais cedo, com novas acções bélicas de Moscovo na tentativa de restabelecer o seu protectorado sobre todo o ex-império soviético, evitando o alargamento a leste da NATO e da União Europeia.

5. A solução para a actual crise implica a retirada imediata dos soldados russos da Geórgia e o envio de uma verdadeira força internacional de paz, com mandato da ONU, para a Ossétia do Sul e a Abcásia, no escrupuloso respeito pelas actuais fronteiras. Qualquer desvio destes princípios significaria caucionar as violações da ordem jurídica internacional cometidas desde o passado dia 8 pela Rússia em território da Geórgia.

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Os herdeiros de Estaline

por Pedro Correia, em 15.08.08

Eis a estátua de Estaline em Gori. Assim estava, assim ficou. A tropa russa que arrasou parte da cidade georgiana não beliscou o monumento que ali se ergue desde a década de 50. Compreende-se este respeitinho do exército de Moscovo pelo antigo "pai dos povos": o ditador soviético teria sido certamente o primeiro a incentivar a "intervenção internacionalista" dos seus herdeiros espirituais no Cáucaso. 

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A duplicidade moral

por Pedro Correia, em 12.08.08

A tropa russa cavalga à desfilada em território da Geórgia, matando, estropiando e bombardeando. Nenhuma das habituais vozes exaltadas cá do burgo parece indignar-se com esta clara violação do direito internacional. As mesmas que já estariam roucas de tanto berrar nas ruas ou já teriam cãibras de tanto esbracejar nos blogues se esta manifestação da "lei" do mais forte tivesse a marca americana ou israelita.

Dois pesos, duas medidas: esta gente vive em permanente duplicidade moral. E depois ainda quer ser levada a sério...

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A coutada do novo czar

por Pedro Correia, em 11.08.08

O Times de hoje tem uma manchete impressionante: Why won't NATO help us?" É o grito lancinante de uma georgiana proferido logo após o lançamento de uma série de bombas russas em Gori, a cidade-berço de Estaline, agora transformada em cidade-mártir. Numa excelente reportagem, Tony Halpin, o enviado do diário londrino à Geórgia, observa que o povo georgiano "sente-se atraiçoado" pelos países ocidentais - com os Estados Unidos à cabeça - que andaram a cortejá-lo desde a implosão do império soviético.

A geopolítica é velha como o mundo: a NATO não auxiliará a jovem mãe com a filha ao colo que surge na capa do Times, fotografada em pranto junto às ruínas da casa onde habitava. Nem auxiliará georgiano nenhum. O Cáucaso gravita na esfera de influência russa - desde o tempos dos czares até ao actual consulado de Putin, passando pela décadas estalinistas. O diálogo de civilizações é muito bonito, mas não consegue iludir o peso da história e da geografia.

Indiferente ao vozear europeu e norte-americano, o novo czar exibe músculo, tratando o Cáucaso como coutada. A mãe de Gori bem pode bradar aos céus.

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