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Confundir para dominar

por João Távora, em 27.08.16

Trajes.jpg

 

Este paralelo entre o trajar da mulher muçulmana e o de uma freira apresentado na capa da revista New Yorker é inteiramente abusivo, eu diria uma aberração. Acontece que o trajar de uma freira é uma opção de uma mulher consagrada por sua escolha a uma determinada missão de vida – como algumas pessoas fingem não saber, as mulheres católicas leigas vestem-se como lhes apetece - enquanto as mulheres muçulmanas são forçadas a tapar-se por força duma submissão – dependendo o grau de puritanismo da região. É curioso como para uma certa esquerda a causa da emancipação feminina deve ser circunscrito às mulheres ocidentais. 
A quem interessa armar esta confusão?

 

Sobre o assunto aconselho a leitura deste artigo do Samuel de Paiva Pires

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O burkini e o busílis da questão

por João Távora, em 26.08.16

burkini.jpg

Em boa hora um tribunal francês suspendeu proibição do ‘burkini’ em Villeneuve-Loubet. No entanto as proibições decretadas por vários municípios do sul da França tiveram a virtude de promover no espaço público (redes sociais – entenda-se) a pertinente discussão sobre os costumes muçulmanos e aquilo que a sociedade ocidental está disposta a claudicar no que diz respeito aos valores da dignidade e dos direitos da mulher em nome do multiculturalismo. Só por má-fé ou sectarismo ideológico não se reconhece a barbárie que impera na generalidade das sociedades muçulmanas em relação aos direitos das mulheres, obrigadas a uma posição de maior ou menor subalternidade em relação aos homens. Para tanto não deveria ser necessário referir os exemplos gritantes da Arábia Saudita, da Síria, do Paquistão ou Irão. Infelizmente este importante debate parece não ter obtido prioridade nas televisões e nos media “de referência” em que os comentadores se cingem à reprovação da intromissão do Estado nas liberdades individuais e à teimosa recusa dum confronto entre culturas - inevitável mais tarde ou mais cedo. A defesa da igualdade de direitos das mulheres nos países de cultura judaico-cristã, independentemente da sua origem geográfica étnica ou religiosa, deveria ser a questão prioritária no debate levantado pelo 'burkini'. Infelizmente, pelo contrário, isso é um tabu relativamente ao qual urge insurgirmo-nos.

 

Imagem daqui

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No meio da ponte (mas em calções de banho)

por João Távora, em 25.08.16

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Quanto ao tema do momento, a polémica proibição do uso do 'burkini' nas praias de França, considerado um atentado aos "bons costumes e o secularismo" (!), também eu me sinto compelido a molhar o pão na sopa.

Em primeiro lugar admiro-me com a quantidade de pessoas com posições categóricas num assunto como este que me parece demasiado complexo e intrincado.

Também eu por princípio sou contra as proibições, cuja eficácia é aliás duvidosa. No que refere por exemplo aos meus filhos adolescentes, saudavelmente atreitos a experimentalismos e provocações, reservo a minha intervenção para uma improvável situação limite, que talvez por isso nunca aconteceu.

Outro equívoco em que os laicistas incorrem é classificar esta indumentária como uma expressão religiosa, quando esta é apenas uma matéria do âmbito cultural e de costumes. Em Portugal, há não muitos anos, na cidade ou na aldeia era comum encontrar senhoras viúvas todas de preto muito tapadas com lenço na cabeça, e isso não era sinal de qualquer devoção especial ou de frequentarem a igreja. Os republicanos de 1910 que perseguiam os padres e fecharam as igrejas eram conhecidos pelo seu puritanismo exacerbado no que refere aos costumes.

De qualquer modo reconheço diferenças acentuadas nos dois registos. Não acredito que as muçulmanas em França escapem com facilidade à atracção exercida pela cultura liberal e igualitária no que respeita à sexualidade e ao género que brota e se expressa por todos os poros duma sociedade cosmopolita. Por isso tenho dificuldade em acreditar que seja por sua livre e espontânea vontade que as senhoras se disponham a envergar semelhante indumentária numa praia no calor do Verão. Acontece que o 'burkini' é um sinal de submissão não é um fato de banho, e o seu uso um despropósito tão grande quanto eu estender-me numa toalha à torreira do sol de fato e gravata aqui na Praia da Azarujinha.

Finalmente, parece-me também que estas proibições, mesmo que de forma errada, constituem sinais de uma inversão nas desastrosas políticas multiculturalistas praticadas nos últimos anos numa França acossada por uma gigantesca comunidade muçulmana maioritariamente hostil aos valores e modo de vida liberal do ocidente.

Por tudo o que atrás referi, se me permitem fico no meio da ponte, quanto a uma tomada de posição inequívoca neste candente assunto. E dou Graças a Deus pela pacata comunidade muçulmana que nos coube em sorte em Portugal.  

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