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A falência do Grupo Espírito Santo, do BES e a Resolução são coisas que já foram explicadas e mais do que explicadas. O que agora me levanta dúvidas é porque vem uma técnica, ou ex-técnica, do Banco de Portugal divulgar documentos sobre o assunto? Isto numa altura em que o cerco político a Carlos Costa aperta (felizmente é um cargo inamovível). Parece evidente que o Governo actual tem pena de não ter no comando do Banco de Portugal uma Elisa Ferreira (lá chegaremos).

Mas uma coisa sabe-se. Houve uma Comissão Parlamentar de Inquérito, com um relatório muito bem elaborado, ao tema. Tudo aquilo que agora se volta a discutir, com carga de grande revelação, foi escrutinado pela CPI em 2015.

Quanto à responsabilidade do Banco de Portugal tem de se separar dois momentos: O momento da descoberta e o momento da solução.

Podia o Banco de Portugal ter descoberto mais cedo? Pouco provável. O problema do Grupo Espírito Santo radicava numa holding que sustentava todo o grupo e essa estava sediada no Luxemburgo. O Banco de Portugal tinha denúncias e suspeitas, mas batia-lhes à porta e respondiam: Isto não é um banco e não é português. Foi preciso com a troika, o Banco de Portugal ter ordens para pedir as contas dos 12 maiores clientes de cada banco, e zás lá estava a ESI (Espírito Santo Internacional). Foi esta análise (ETRICC) que permitiu descobrir que a ESI tinha apagado dívida do balanço. O que significava que a ESI estava falida. 

Fernando Ulrich avisou o Banco de Portugal? Avisou. Mas nunca soube da dívida escondida. 

Uma coisa é alertar para o facto de o banco estar a ser capitalizado com dinheiro dos clientes, outra coisa é essa capitalização estar a ser feita através de uma empresa com contas falsas. 

No pós descoberta podemos criticar algumas coisas de Carlos Costa. Eu critico sobretudo uma: O de não ter anunciado em público a proibição feita a 14 de Fevereiro de 2014 à administração do BES, de venda de papel comercial das empresas do Grupo Espírito Santo aos balcões do BES. Mesmo só se aplicando ao retalho e a Portugal a publicação desta ordem teria informado os institucionais que investiram na dívida do GES depois de 14 de Fevereiro, como é o caso da PT (já viram que esta se calhar não teria falido) e como é o caso dos clientes dos bancos do Grupo (detidos pela ESFG) fora de Portugal. 

A saída mais rápida de Ricardo Salgado e este anúncio tornado público teria evitado a falência do BES? Não se sabe. Porque a dívida colocada nos clientes dos bancos e que vencia a curto prazo somava 6 mil milhões de euros. A possibilidade de uma corrida aos depósitos quando começassem a falhar os primeiros pagamentos do papel comercial das empresas do GES que foram vendidas com chancela Espírito Santo, era quase certa, e os processos em tribunal que seguiriam. A difamação do banco não seria evitada. 

O fecho da torneira de liquidez para continuar a alimentar a dívida do GES iria muito provavelmente fazer estoirar o BES mais cedo. Mas teria pelo menos salvo poupanças de algumas famílias e empresas. Ricardo Salgado ficava mais cedo proscrito, provavelmente.

Era apenas uma questão de tempo. Mas pelo menos tinha sido rápido. A morte do BES seria mais rápida. A fuga aos depósitos teria aberto um problema de liquidez e empurrava para a Resolução, mas tudo mais cedo. Teria sido mais transparente. Isso sim.

De resto as novidades que temos agora são as revelações dos inquéritos no âmbito da Operação Marquês. Isso sim é revelador do que se passou no país nas últimas décadas. O tráfego de influências, os pagamentos, a troca de favores.

Enquanto para sobrevivermos tivermos de recorrer a esses esquemas, este país nunca deixará de ser terceiro mundista.

 

Deixo aqui o comunicado do Banco de Portugal e a reacção à reportagem da SIC, "Assalto ao Castelo":

A propósito das reportagens da SIC sobre o BES, o Banco de Portugal considera relevante esclarecer o seguinte:

  1. Em 1 de Agosto de 2013, o BPI entregou no BdP uma avaliação económica do GES, com especial incidência na Espirito Santo International (ESI).
  2. Esta avaliação do BPI foi oportunamente partilhada com a Assembleia da República no contexto da Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo.
  3. Na data em que o documento foi partilhado com o Banco de Portugal já se encontrava em preparação uma análise particularmente exigente dos principais grupos económicos devedores à banca (ETRICC 2), cuja realização foi aprovada pelo Conselho de Administração do Banco de Portugal no dia 11 de Setembro de 2013.
  4. O ETRICC 2 foi desenvolvido com base numa metodologia particularmente exigente, que questionou em profundidade os planos de negócio dos grupos económicos selecionados, de modo a confirmar que os mesmos assentavam em pressupostos robustos.
  5. Foi em resultado do ETRICC 2 – por única e exclusiva atuação do Banco de Portugal – que foi detetado, no final de novembro de 2013, que as contas publicamente divulgadas pela ESI não refletiam a sua verdadeira realidade financeira.
  6. Esta desconformidade contabilística não tinha sido até aí reportada pelos órgãos de administração do BES, por empresas de auditoria, por qualquer outro regulador ou supervisor, por qualquer instituição credora do GES, ou por qualquer indivíduo.
  7. Assim, a avaliação do GES realizada pelo BPI em nada alterou a análise e o planeamento em curso no Banco de Portugal, nem contribuiu para os resultados que vieram a ser apurados no ETRICC 2.
 

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Com a verdade me enganas

por Maria Teixeira Alves, em 10.12.14

Vinha com alvos marcados. Carlos Costa (Governador do Banco de Portugal); Pedro Passos Coelho e a Ministra das Finanças. Vinha também mentalizado para não atirar à família, quase conseguiu. Enquanto assisti na televisão, Ricardo Salgado fugiu sempre às perguntas sobre José Maria Ricciardi e assim foi durante toda a tarde. Ao fim do dia fui ao Parlamento assistir ao vivo. Logo por coincidência foi nessa altura que se deu o rompimento do compromisso de não agressão. As promessas foram feitas para se quebrarem e Ricardo Salgado lá perdeu às tantas as estribeiras com as questões sobre as denúncias do primo ao Banco de Portugal. «O doutor Ricciardi teve um comportamento, no mínimo, curioso face ao que deveria ter tido. Se José Maria Ricciardi fez alguma denúncia ao Banco de Portugal é capaz de ter tido alguma contrapartida por isso». «Infame», respondeu mais tarde o primo. 

"As denúncias ao Banco de Portugal decorrem do dever de diligência que compete a qualquer administrador", justificou José Maria Ricciardi.

Ricardo Salgado, nunca perdeu a calma, manteve o mesmo estilo de sempre, agora menos eficaz, é certo, de elogiar os adversários, para os aveludar. O mais óbvio em Ricardo Salgado é a educação perfeita que passa quase a fronteira para uma espécie de um cinismo cómico. Carrega-se de elogios aos adversários a fazer lembrar as crónicas de Camilo Castelo Branco.

Ricardo Salgado aproveitou todas as oportunidades para atingir Carlos Costa. Apostou em duas coisas: na quantidade de críticos ao Governador que se acumulam pelas perdas do caso BES e na vontade dos deputados da oposição de entalar Carlos Costa como forma de fragilizar o Governo. Apostou ainda nos lamentos de Vítor Bento e da sua equipe à Resolução do BES. «O BES não faliu, foi obrigado a desaparecer». De todas as coisas que disse quase todas iam parar ao Governador do Banco de Portugal esse seu grande inimigo, esse grande inimigo do BES. 

As mais evidentes são quando diz que "nunca o Governador me disse que me queria retirar idoneidade". O Governador acabou por desmentir Ricardo Salgado por carta à Comissão de Inquérito. Esta afirmação é paradigmática da táctica de Ricardo Salgado. Carlos Costa nunca lhe disse de caras e de frente: saia do BES porque não lhe vou dar a idoneidade agora que fui chamado a reavaliá-la por causa das eleições no BESI. Por isso a frase de Ricardo Salgado não é inventada. Mas evidentemente que a insistência de Carlos Costa em mudar o modelo de Governo, a insistência para que fosse em Maio (depois adiado para depois do aumento de capital), a insistência em tirar a família do board do BES, a dificuldade em revalidar a idoneidade aos administradores da família no BESI (mais tarde revalida-a apenas para José Maria Ricciardi), eram sinais evidentes de que a idoneidade estava em causa. Aliás o pedido de pareceres jurídicos a catedráticos, apoiado em jurisprudência do STA, a defender a sua idoneidade é a prova cabal de que havia a ameaça de perda de idoneidade. 

«Nunca por nunca pus obstáculos à mudança de Governance» disse o banqueiro. Mas a verdade é que em Maio estava a dizer que não sentia que devesse sair do BES, numa entrevista no Jornal de Negócios. 

Depois quando aceitou ser sucedido sugeriu Amílcar Morais Pires. Aproveitou para entalar o Governador dizendo que nunca Carlos Costa vetou o nome do CFO para presidente do BES. Citando de memória que Carlos Costa sempre lhe garantiu que era competência sua a escolha do sucessor. Mais à frente diz que levou dois nomes ao Governador: Amílcar Morais Pires e Joaquim Goes e acaba por revelar uma coisa que contraria o que tinha dito anteriormente sobre a aceitação de Morais Pires. Diz que o Governador lhe disse que a área da supervisão preferia Joaquim Goes. Mas Ricardo Salgado argumentou com a instabilidade financeira e com a aproximação de um aumento de capital do BES para defender Amílcar Morais Pires como CEO. Ou seja, Joaquim Goes estava ali para disfarçar.

Ricardo Salgado nunca desarmou na sua luta contra o Governador, disse que, depois de Março de 2014, o Banco de Portugal iniciou "persuasão moral" para a sua saída da liderança do banco. Mas que seria mais uma pressão. O que contraria a ideia anterior que nunca soube que o Banco de Portugal queria que saísse, se soubesse «tinha saído na hora». «Bastaria um sinal [do Banco de Portugal] para eu abandonar a liderança do banco». Penso que não faltaram sinais.

"Um nome pode ser apagado da fachada de um banco, mas não da memória de uma família com 145 anos" e "Lamento que se tenha trocado uma marca com 145 anos por uma marca branca", foram as frases célebres do Ricardo Salgado. 

Depois desmentiu que fosse o autor da falsificação das contas da ES International: "Posso garantir aos senhores deputados que nunca dei indicações a ninguém para ocultar passivos do Grupo". Francisco Machado da Cruz é que escondeu o passivo. O contabilista da ESI chegou a garantir que Ricardo Salgado sabia desde 2008 da ocultação de passivos do grupo, mais tarde disse o contrário na comissão da auditoria da ESFG, voltou à mesma tese inicial nas declarações ao Banco de Portugal e ao Ministério Público. 

Ricardo Salgado diz que o contabilista fez isso para bem do grupo. É caso para dizer que o contabilista deu um jeitão.

Bom, aqui voltamos ao com a verdade me enganas. Poderá Ricardo Salgado ter pedido para esconderem passivos? Talvez não. Mas poderá ter pedido ao Francisco que visse uma maneira de não serem (BES) intervencionados pelo Estado. Francisco Machado Cruz quis agradar, e Ricardo Salgado gostou de ser agradado. Sem se comprometer com medidas concretas.

Sabia das dívidas escondidas? Muito provavelmente sim.

Sabia que as contas da ESI não eram consolidadas? Sabia.

 

Foi no entanto desmentido rapidamente por José Maria Ricciardi que diz ter falado com Francisco Machado Cruz, em Lisboa, e que este lhe disse que não actuou por sua iniciativa. Depois de Ricardo Salgado ter falado, Francisco Machado Cruz, que estava incontactável, apressou-se a contactar a Comissão de Inquérito e vai lá. O circo vai pegar fogo.

No dia a seguir Pedro Queiroz Pereira disse que discutiu várias vezes a falta de consolidação de contas nas holdings Espírito Santo com Ricardo Salgado, desmentindo assim o que disse ontem o banqueiro. 

Outra contradição. Ricardo Salgado disse que nem sabia que estava a ser gravado. José Maria Ricciardi apressou-se a ironizar. «Acho extraordinário não se saber, pois as reuniões do Conselho Superior eram gravadas no centro da mesa, onde havia um gravador visível». José Castella usava as gravações para fazer as actas. 

 

Várias vezes, o ex-presidente do BES disse que "ninguém se apropriou de um tostão, nem na administração, nem na família", penso que ninguém acha que houve uma apropriação pessoal de dinheiros por parte da família. O problema é outro, é até onde se foi e o que se fez e quantas pessoas se prejudicou para manter o Grupo Espírito Santo nas mãos da família. 

Ficámos a saber também que não houve nenhum político a receber uma comissão pela venda dos submarinos, com muita pena da oposição. "A garantia que tenho dos administradores da Escom é que não foram pagas comissões a quem quer que seja a nível político", disse.

De Angola e do caso BESA pouco se soube. O banqueiro argumentou com uma regra bancária angolana de obrigatoriedade de sigilo.

Ricardo Salgado disse também não se lembrar de quem eram os accionistas minoritários da ESI. Eu não acredito nisto.

Parece haver uma protecção aos generais angolanos em todo o discurso de Ricardo Salgado.

Álvaro Sobrinho vai à comissão responder aos deputados. Mas terá liberdade para falar do que se passou o BESA? Eis a questão. 

"Houve um erro de julgamento na indicação da pessoa que foi para Presidente da Comissão Executiva do BESA [Álvaro Sobrinho]", disse Ricardo Salgado, sugerindo que foi atacado pelos jornais (Sol e i) que são detidos pelo empresário angolano. A propósito disto disse que ter jornais ia contra a "tradição/regra" do grupo BES, disse o banqueiro lembrando que "apenas" tinha ajudado Balsemão a montar a SIC e o coronel Luís Silva com os jornais DN e JN. Sobre isto não comento. 

Ricardo Salgado revelou ainda que foram feitas ameaças físicas quando teve de tirar Sobrinho do BESA.

O banqueiro atirou a matar também ao primeiro ministro Pedro Passos Coelho porque este recusou dar-lhe uma ajuda ao GES - uma ajuda "temporária". Passos Coelho devolveu a carta enviada por Ricardo Salgado quando em Março o quis alertar para o risco sistémico e os riscos de Angola perder a garantia bancária. 

Ricardo Salgado tem a convicção profunda que estiveram a um passo de salvar o Grupo. Faltou o aumento de capital da Rioforte que esteve quase a ser concretizado. "A sentença de morte veio quando não foi possível fazer o aumento de capital da Rioforte", disse. Enfim, a mesma convicção que o levou a meter toda a gente à última da hora naquele buraco. O ring fencing é que matou o GES, pensa e diz Ricardo Salgado.

"Perdoarão pois que ouse continuar a pensar que, modestamente servi, com idoneidade, nas tarefas que me foram confiadas no exercício da minha profissão ao longo de 40 anos", disse o banqueiro. 

 

Ricardo Salgado recusou mais uma vez falar sobre os 14 milhões recebidos do construtor José Guilherme, invocando segredo de justiça (nunca o Monte Branco lhe deu tanto jeito). Mas disse que o construtor era seu amigo desde os anos 70 e que é mais credor do que devedor do BES. 

Faltou falar sobre os clientes. Porque é que depois de ser conhecida a proibição da venda de papel comercial aos balcões do BES a ESFG continuou a distribuí-los nos seus bancos da Suíça, Dubai, Miami, etc? Ninguém parece quer saber dos clientes. 

Faltou ainda perguntar a Ricardo Salgado porque é que a Tranquilidade investiu em papel comercial da Rioforte acabando por levar a companhia a uma situação de insolvência? De quem partiu a ordem para esse investimento e a quem foi dada?

 

Ricardo Salgado explicou e bem, e depois José Maria Ricciardi completou, o circuito das obrigações de longo prazo a cupão zero. O acordo de recompra foi já executado no reinado de Vítor Bento. A recompra permitiu salvar os clientes que estavam numa SPV do Crédit Suisse e por isso não iam ser abrangidos pela provisão imposta pelo Banco de Portugal. Mas porquê aqueles clientes? Porque não todos? Quem eram aqueles clientes que Ricardo Salgado teve a preocupação em salvar, criando um buraco no BES de 780 milhões?

«O BES não faliu. O BES foi forçado a desaparecer». Foi forçado? A tese é que as provisões eram exageradas para criar um prejuízo de 3,6 mil milhões de euros no BES, o que levou à situação de insolvência do banco (capitais abaixo dos mínimos). Mas e a que se devem tantas provisões?

É preciso não esquecer que as provisões foram recomendadas pela auditora. 

Outras frases a reter:

"Tenho uma carga pesadíssima em cima de mim. Há responsabilidades do nosso lado. Mas também há responsabilidades de outros lados", disse sem explicar para não atacar a família. 

"Nunca fui uma pessoa presunçosa", disse o banqueiro e isso parece-me bastante sincero.

 "Esta classificação do 'dono disto tudo' é irrisória. Para mim, 'dono disto tudo' é o povo português", é uma frase de campanha. 

 

José Maria Ricciardi veio a seguir com aquela sinceridade desconcertante que eu descrevo no meu livro (que aliás tem muito do que se tem revelado nesta comissão de inquérito). Pedro Queiroz Pereira chega a dizer que é uma pessoa aberta «não tão aberta como José Maria Ricciardi», disse em tom irónico. Por aí podem ver a fama que o banqueiro Ricciardi tem. Mas a verdade é que Pêquêpê também disse aos deputados que as irmãs de Ricardo Salgado faziam bolos para fora, o que não abona nada a favor da discrição. É certo que foi dito para desmentir as boas intenções de Ricardo Salgado em ajudar as irmãs, quando entrou pelas holdings Queiroz Pereira a dentro. Na verdade para Pêquêpê, que disse que Ricardo Salgado tinha um problema com a verdade, o banqueiro queria era usar o cash flow das suas empresas para salvar o universo GES então enterrado em dívidas, e ainda nem se tinha descoberto o passivo oculto. Mas é preciso que se diga que Ricardo Salgado sempre ajudou as irmãs. Pedro Queiroz Pereira não tem razão aqui.

As audições de Álvaro Sobrinho e de Francisco Machado da Cruz serão muito importantes. 

Os motivos políticos que precederam esta comissão correm o risco de ficarem esvaziados. 

 

 

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Ricardo Salgado já começou a pôr a nú tudo o que sabe, e sabe porque o viveu. A troca de mails revelada pelo Expresso, é apenas a ponta de um iceberg de compromissos, e acordo "de cavalheiros", que foram assumidos sem prova jurídica, ao longo do tempo. Sempre houve a sensação que a PT e o BES eram a união que faz a força. Para que a união fosse mais do que acordos tácitos entre os boards de ambas, há uma troca de participações accionistas a legitimar a confluência de interesses económicos. O BES controla 10,05% da PT e esta controlava 2% do BES.

O que revelam a troca de e-mails divulgada pelo Expresso? Revelam que a fusão com a Oi, serviu, entre outras coisas para resolver o passivo dos accionistas da Oi, em primeiro lugar. "Certamente que o Sérgio [Andrade] se lembra de que o Grupo Espírito Santo teria uma contrapartida equivalente ao benefício das holdings privadas brasileiras no aumento de capital". Terá escrito Ricardo Salgado ao, na altura, presidente do accionista da Oi - o grupo brasileiro Andrade Gutierrez. Que contrapartida seria essa? Bom o Pedro Guerreiro sabe que o aumento de capital da Oi, um passo para a fusão com a PT, serviu para os accionistas da empresa brasileira limparem as dívidas junto do banco BNDES. Em troca a Oi tinha prometido que a PT/Oi investisse o mesmo montante em papel comercial das empresas do GES. 

O mesmo mail segue dizendo: "tive o cuidado de falar com o presidente da Oi no ínicio das aplicações que têm vencimento a 15 e 17 de Julho, uma vez que deveriam ser sucessivamente renovadas por prazos de três meses até um ano a contar desde o inicio de Fevereiro". O presidente da Oi é Zeinal Bava. Ninguém pode jurar pela veracidade deste mail, a não ser os próprios, mas que entra pelos olhos adentro que um investimento de cerca de 900 milhões de euros não pode ter passado despercebido a Zeinal Bava, isso entra.

Continua o interessante e-mail, "Esse assunto foi também abordado pelo Dr. Amílcar Morais Pires na reunião de Steering Comitee de 14 de Abril, em Lisboa". Isto é, num comité de acompanhamento das negociações entre a PT e a Oi, onde estão todos os protagnistas da fusão das duas empresas. Amílcar Morais Pires sempre presente.

Claro que o Sérgio Azevedo, um brasileiro de gema, responde de uma forma diplomática e cheio de cuidados jurídicos. Vê-se logo que os advogados estavam a escrever o e-mail. "Prezado Ricardo, tenho a certeza de que o assessores da Oi estão procurando uma solução que minimiza ao máximo os danos da operação, decidida conforme facto relevante da PT, por seu comité executivo". E dá-lhe a tacada, a insinuar que não pode ter feito esse tipo de acordo (ilícito?): "creio que o seu e-mail faz referência a um mal entendido, pois os aportes de capital foram realizados na cadeia societária da Telemar [Oi] foram feitos, exclusivamente com bases em interesses legítimos das partes". 

A Andrade Guiterrez, tem a faca e o queijo na mão, porque não havendo nada escrito e contratado o acordo de cavalheiros, fica com eles. Morre com eles. E remata a reforçar que "Cabe ressaltar que os sócios brasileiros não tinham qualquer conhecimento dessa operação, realizada emtre a PT e o GES".

A saída de Henrique Granadeiro, que foi imolado como um cordeiro, é acompanhada de uma insinuação: "Convivo bem com os meus actos, mas não com os encargos e responsabilidades de outros". 

Cabe à auditoria forense à PT revelar quem se comprometeu com o quê?

Ricardo Salgado não sai bem deste caso, mas não é o único protagonista de negociatas.  

  

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Fim de semana alucinante

por João Távora, em 05.08.14

Ou comes a sopa toda ou ponho-te no banco mau!

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Um efeito dominó

por Maria Teixeira Alves, em 11.07.14

O processo de desmantelamento do Grupo Espírito Santo parece uma doença em fase terminal. A ES Internacional devia no final do ano passado, mais de 7.300 milhões de euros. No final de 2013, a ESI e suas subsidiárias tinham 6.039 milhões de euros de papel comercial emitido, dos quais 2.256 estava colocado junto de investidores institucionais. A principal fatia do papel comercial, 3.783 milhões foi vendida aos clientes de retalho das diversas instituições financeiras do ESFG, incluindo o BES. Mas só este tem garantias de reembolso. Porque a dívida que foi colocada em clientes dos outros bancos da ESFG, que era a holding sob escrutínio da EBA - autoridade bancária europeia, por esse mundo fora, não tem qualquer protecção. Espanha, EUA, Panamá, França, Suíça, Dubai, etc, nessas sucursais ou filiais, os clientes, alguns portugueses, o pânico generalizou-se e houve uma corrida aos depósitos. Os clientes foram obviamente fazer queixa aos reguladores locais, que passaram a ficar alerta com os bancos Espírito Santo. A corrida aos depósitos fez com que nem se consiga neste momento ter acesso às contas à ordem e depósitos a prazo. Há um pânico generalizado. Há processos crime em preparação. Isto parece não ter muito interesse porque é longe, por que é private banking (banco de fortunas), porque é pequeno. Desenganem-se. A situação dos clientes nos Estados Unidos, na Suíça, etc, foi responsável pela divulgação da notícia pelos jornais estrangeiros, pelos canais de televisão como a CNN. 

A imagem dos Espírito Santo foi hoje manchada de uma forma irremediável, lá fora. Isso é inédito para uma família como a Espírito Santo. Uma reputação internacional destruída num piscar de olhos. Esses incumprimentos dos pequenos bancos Espírito Santo nesses países têm um efeito multiplicador que não pode ser descurado.

A imagem do BES fora de Portugal pode afectar até a capacidade de financiamento do banco no mercado monetário internacional. Daí que o problema seja também nacional, porque se o mercado se fecha para o BES, quem paga é o país. Porque alguém terá de financiar o BES.

 

Há muitas coisas ainda por revelar que estão a perturbar a cotação do BES. A CMVM suspendeu a cotação e bem. O banco perdeu 600 milhões de euros em bolsa em apenas 4 horas. Porque fez bem a CMVM? Porque o valor do banco é importante não só porque está dado como colateral de empréstimos, muitos deles foram contraídos na altura do aumento de capital do BES, contraídos pelas empresas que compõem o GES, mas também porque o buraco das empresas do GES é agravado de cada vez que o seu melhor activo, o BES, desvaloriza.

O problema do GES ainda vai no adro. Porque o papel comercial da ESI e da Rioforte está a intoxicar muitas das empresas do universo financeiro do GES, para além de intoxicar outras empresas de fora, como a PT e a Inapa, e para além de intoxicar as carteiras de clientes particulares. A ESFG está numa situação muito complicada devido à exposição à Rioforte e à ES International. Para estas empresas-holdings pagarem o papel comercial a alguns clientes na data do vencimento, a ESFG financiou-as. Por isso a exposição do Espírito Santo Financial Group (ESFG) ao Grupo Espírito Santo (GES) subiu para 2,35 mil milhões de euros a 30 de Junho de 2014, mais 980 milhões do que no final de 2013. Hoje a ESFG está numa situação de quase ruptura. Próxima do patamar de falência.  A ESFG pediu para ser suspensa na bolsa. A suspensão decidida pela ESFG abrange igualmente as obrigações emitidas pela Espírito Santo Financière (ESFIL).

Com a queda do GES, caem uma série de empresas ligadas por laços de dependência com o Grupo e com o BES.

Se o Estado entrar no capital do BES, através dos famosos Coco´s, as regras são hoje mais rígidas, por exemplo os detentores de obrigações convertíveis são chamados em primeiro lugar a converter as obrigações em acções. Depois, por exigência da troika haverá remédios a aplicar para atenuar um vantagem de concorrência, e haverá um rigor maior com os créditos incobráveis de algumas empresas, que se antevê que serão imediatamente executados. Enfim, vai haver um efeito de dominó.

 

A comunicação do plano de reestruturação da ESI vai clarificar o mercado, mas nem por isso deixará sossegados os investidores em papel comercial da holding do GES. 

 

 

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 António Mexia nomeado “Melhor CEO da Europa”

EDP garante não ter comprado papel comercial do grupo Espírito Santo 

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Quem se responsabiliza?

por Maria Teixeira Alves, em 08.07.14

Em Setembro, quando se descobriu que havia um Fundo, de seu nome Espírito Santo Liquidez, que servia para dar liquidez ao Grupo Espírito Santo e que era composto por papel comercial e outros títulos de dívida de empresas, afinal, "em falência técnica", a maioria delas do GES, a CMVM disse "estar a acompanhar com especial atenção". 

A legislação alterara-se. A  necessidade de substituir o financiamento das empresas do GES decorreu da aprovação do novo Regime Jurídico dos
Organismos de Investimento Colectivo, que limita a 20% o investimento em empresas relacionadas. O fundo ES Liquidez, gerido pela Espírito Santo Activos Financeiros (ESAF) tinha em Agosto do ano passado cerca de 80% dos 2,23 mil milhões em carteira aplicados em papel comercial (títulos de dívida de curto prazo) de empresas do GES.
As novas regras tiveram duas consequências: o fundo teve de desinvestir na maioria dos títulos do universo GES até 1 de Novembro seguinte e este, por sua vez, teve de encontrar alternativas de financiamento. Parte da solução foi emitir papel comercial para as empresas do grupo que tinham maior peso no fundo: ES International (988 milhões) e Rio Forte (365 milhões).

 

A CMVM disse na altura "está a acompanhar com especial atenção (really?) a colocação de papel comercial para financiar empresas do Grupo Espírito Santo, que visou substituir o financiamento que era assegurado através do fundo ES Liquidez". Os títulos, que pelas características da emissão dispensaram a aprovação de um prospecto, foram vendidos aos clientes da rede de gestão de fortunas, com remunerações que chegavam aos 4,35%.

 

As emissões da ES International e da Rio Forte foram dirigidas a 149 investidores. 

 

O Banco de Portugal "obrigou" depois em Março a Espírito Santo Financial Grupo (ESFG) a fazer uma provisão de 700 milhões de euros para garantir pagamento de papel comercial da ESI vendido aos balcões do BES. E quem está abrangido? Os clientes particulares. Mas de todo o universo bancário da ESFG (inclui bancos como o Banque Privée da Suíça, o Venité, ES Dubai ou ES Panamá) ou só do BES? Ninguém disse. 

E quem tem papel comercial de outras holdings abaixo da ESI, como por exemplo da Rioforte? Está protegido por esta provisão? 

E se a ESFG é uma dos maiores credores do grupo, nomeadamente da ESI e da Rioforte, como é que fica a provisão de 700 milhões, se por incumprimento, muito provável da ESI e da Rioforte, a ESFG for à falência? E agora quem responde? E quem se responsabiliza?

Quem está neste momento a controlar as holdings do GES de modo a garantir que não estão a ser "sacados" activos dessa holdings para fugirem a uma eventual massa falida. Há alguém a controlar isso?

 

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Para simplificar: O problema do Grupo Espírito Santo consiste numa holding que se chama Espírito Santo International, que é a primeira de uma sequência delas, portanto é a holding que é detida pelos cinco ramos da família Espírito Santo. Essa holding durante anos emitia dívida para financiar as empresas da família. Contava para isso com o apoio inegável de um banco que colocava essa dívida em clientes, particulares ou institucionais. Ora através de fundos de investimento (Espírito Santo Liquidez), ora através de outros instrumentos (títulos de dívida), como por exemplo papel comercial. Tudo corria bem enquanto ninguém observava a holding ES International, porque cada vez que uma dívida vencia a empresa emitia nova dívida para pagar a anterior e o banco estava lá para garantir que havia sempre liquidez. À ES International, sediada no Luxemburgo - in the middle of nowhere - ninguém pedia contas. Andava tudo feliz e contente, quando o Pedro Queiroz Pereira, num ajuste de contas com Ricardo Salgado, decide denunciar a situação ao Banco de Portugal e à CMVM. A CMVM obriga a ES Liquidez a desfazer-se dos títulos do grupo, o banco coloca então o papel comercial entretanto emitido pelas holdings, para assegurar os reembolsos do fundo. 

Mas auditorias do Banco de Portugal e outras análises às carteiras de crédito do BES, levadas a cabo num contexto de preparação de entrada na União Bancária Europeia, leva o Banco de Portugal a aperceber-se da falência técnica da holding primeira de todo o edifício Espírito Santo. Começa por obrigar a ESFG (imediatamente antes do BES na cascata) a constituir uma provisão de 700 milhões para fazer face à emissão de papel comercial colocada pelo BES nos clientes de retalho, e depois proíbe o BES de dar crédito à ES International. Para além de castigar os gestores da família forçando-os a abdicar da administração do banco. A nova lei do Banco de Portugal dá-lhe poderes para isso, para além da possibilidade de imputar uma inibição aos gestores que estavam em simultâneo na ES International com funções efectivas, ser um machado em cima da cabeça dos administradores Espírito Santo. Ricardo Salgado não teve outro remédio se não aceitar sair da presidência do BES.

Para agravar a situação, a falência técnica da ES International impede que esta sociedade se consiga financiar. Desde que a situação se tornou pública (saltou para os jornais) ninguém compra papel comercial dela e o BES não lhe pode emprestar dinheiro. A sociedade tinha muita dívida de curto prazo emitida que vence para ontem e de repente não há dinheiro para pagar. Por isso Ricardo Salgado foi a correr ao Governo pedir ajuda à CGD (uma linha de 2,5 mil milhões). A Ministra das Finanças recusou e o Primeiro-Ministro também.

O desespero é tal que já há tentativas de converter créditos em capital para resolver a situação de insolvência. 

Se a ES International for à falência, a família perde completamente o Grupo que passa para a mão dos credores. Com a ES International vai tudo o que está em baixo, incluindo a Rioforte e o BES.

Se transformarem créditos em capital os Espírito Santo diluem a sua participação accionista, porque os credores passam a ser accionistas. Ora se directamente a família já não detém mais de 4%, nessa altura então passa ainda a ter menos expurgando todos os interesses minoritários.

É esta a situação do Grupo Espírito Santo.

Paralelamente e não completamente dissociado disto: o BES Angola tem um buraco nos activos (créditos de 5 bi que não se conseguem cobrar), com uma garantia do Estado angolano que no limite pode levar a que o banco passe para as mãos do Estado de José Eduardo dos Santos. E uma guerra familiar entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, que nunca se resolverá porque decorre de uma situação de risco de perda do Banco que não será facilmente esquecida dentro da família. 

Voilá! É isto e é simples de explicar, mas deve ser sufocante o ambiente que se vive hoje na família.

 

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Ricardo Salgado: O bom, mau e o vilão

por Maria Teixeira Alves, em 19.06.14

Ricardo Salgado sai do BES em cima de fazer 70 anos (a 25 de Junho). Deixa o BES capitalizado mas não conseguiu conter a difamação. Pelo contrário, a partir de dado momento a sua presença à frente do BES agudizava a difamação. Penso que Ricardo Salgado sai para poupar o banco. A sua, bem oleada, máquina de comunicação deixou de conseguir travar o desaire. 

O BES deve tudo a Ricardo Salgado: deve o bom, deve o mau e deve o vilão. O BES não seria o que é hoje se não fosse a inteligência, a sabedoria, e a diplomacia de Ricardo Salgado. O genial de Ricardo Salgado levou-o a destacar-se entre a família Espírito Santo (quando há muitos e um se destaca, isso é de um enorme mérito que é preciso reconhecer). Foi essa inteligência que o levou a ser o escolhido para liderar os destinos do BES, decorria o ano capicua de 1991. É a partir do estrangeiro que participa na reconstrução do Grupo Espírito Santo, primeiro a partir do Brasil (1976-1982) e depois a partir da Suíça (1982-1991), de onde regressa para investir em Portugal. Começou pela criação do Banco Internacional de Crédito em 1986, quando a Constituição da República Portuguesa ainda não permitia as reprivatizações.

Todo o seu percurso é feito numa tentativa de fazer do BES um grande banco português e um banco aliado do país. Ricardo Salgado é um banqueiro, daqueles à antiga, que tem uma estratégia para o banco mas também tem uma estratégia para o país. Mas, e há sempre um mas em todas as histórias, não resistiu ao pacto com o poder político que é um pacto com o diabo (seja ele cá ou em qualquer outro país). Esse foi o pecado do banqueiro. O poder é apenas uma sugestão.

A vaidade de Ricardo Salgado foi querer ser o fiel da balança política. Seja em Portugal, seja em Angola, os compromissos com o Estado podem descambar em coisas menos ortodoxas. Depois a tentação de, através do crédito, ajudar quem precisa, corrigir as injustiças, dar gás aos projectos, ajudar os amigos leais, tudo isso são vicissitudes com que se depara qualquer presidente de um banco. Mas às tantas, os amigos são muitos, os desfavorecidos são muitos, os parentes são muitos, os injustiçados são muitos, os buracos de um país são muitos e o banco começa a ser pequeno demais para acudir a tantos. Os apoios começam a cair aqui e ali, depois quando já se está à beira do abismo há sempre quem esteja disponível para dar o empurrão final. 

O bisneto de José Maria do Espírito Santo Silva e neto pela mãe de Ricardo Ribeiro do Espírito Santo Silva, é o primeiro presidente do BES a sair vivo da função. Até hoje os presidentes do BES eram como os Reis numa monarquia, não abdicavam, morriam. 

Ricardo Salgado vai agora defender com unhas e dentes Amílcar Morais Pires para presidente. É preciso que se diga que Amílcar Morais Pires é fundamental no BES, o banco deve à sua credibilidade junto dos investidores o sucesso do último aumento de capital.

Ricardo Salgado sai. Não ficará nem sequer Chairman. Ficará num comité estratégico do banco. Um lugar simbólico.

José Maria Ricciardi tem fortes possibilidades de assumir a presidência do BES, se não a executiva pelo menos a não executiva. 

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O Dia do BES

por Maria Teixeira Alves, em 15.05.14

1- Hoje o Banco Espírito Santo anunciou num petit comité os prejuízos de 89,2 milhões de euros que teve até Março, e anunciou que vai emitir 1.607 milhões de novas acções, a 0,65 euros cada uma, pelo que irá encaixar um máximo de 1.045 milhões de euros com a operação. O ESFG e o Credit Agricole podem vender acções nesse aumento de capital.

2- A destacar a escolha de uma nova forma de divulgar os resultados do banco. Interessante estratégia de comunicação.

3- Mas mais interessante foi a presença de um candidato a sucessor da liderança do BES, que foi visto à entrada do elevador que leva ao piso do Conselho de Administração. Terá já um gabinete ali?

4- Mais tarde na inauguração da fabulosa exposição Within/Beyond Borders, a Colecção de Arte do Banco Europeu de Investimento, no Museu do Banco de Portugal, estava o presidente do BESI. Tal como foi possível saber, o banqueiro estava a convite pessoal do Governador do Banco de Portugal e também do Presidente do BEI. Os únicos banqueiros presentes eram José Maria Ricciardi, Fernando Faria de Oliveira e Bernardo Meyrelles (do Deutsche Bank).

Há que recuperar a esperança!

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