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Ambição, incompetência e cumplicidade

por Vasco M. Rosa, em 17.04.14

Há uma máxima no bom jornalismo brasileiro: a ficção jamais supera a realidade.

Pensei nisso, agora que li que a taça da liga dos campeões vai passear de eléctrico por Lisboa — os mesmos eléctricos em que turistas em pé, comprimidos em lata, sacodem ao longo dum percurso que não avistam e pelo qual pagam um bilhete de quase 3 € ! —, vai aos pastéis de belém e talvez ao pastel de bacalhau, mas AC e a sra. vereadora de cultura hão de estar felizes, porque isso é uma maneira que eles lá têm de acreditar que fazem algo que preste.

Enquanto isso, a remodelação do palácio Galveias como biblioteca (um erro) serve para gastar 15 milhões, quando qualquer bibliotecário lhes diria que um edifício de raiz e funcional custaria bem menos; mesmo quando a hemeroteca foi fechada para venda dum palacete degradado há duas décadas, e a sua instalação num pavilhão desportivo ser uma solução burra e sem fim à vista (um ano pelo menos de atraso sobre o prometido!!); o vereador Salgado diz que é importantíssimo criar uma residência de estudantes no Intendente, para o que se destinam logo dezenas de milhões; mas quando um dos melhores legados de João Soares, o centro de estudos olisiponenses (numa casa de brasileiro na estrada de Benfica) fica durante semanas com a tela da entrada estropiada por um temporal, sem ser reposta (embora, se se tratasse da fachada dum privado, em dois dias haveria de estar no seu devido lugar, sinal de inépcia e de indiferência que assusta!), somos capazes de pensar que não há gestão que garanta 100 € de tela microperfurada... — para já não falar, mas falaremos, da almofada de silêncio e CUMPLICIDADE com que conseguiram abafar o escândalo de Inês Pedrosa, que na Casa Fernando Pessoa fez o que se provou e talvez muito mais que importaria ter apurado, em defesa da respeitabilidade da própria autarquia. Esperam que tudo se esqueça, que tudo passe, para que as moscas fiquem as mesmas...

Como se não bastasse, António Costa quer mandar nos transportes de Lisboa, sem que alguém lhe pergunte como espera poder fazê-lo se nem o estado das vias consegue gerir com a dignidade que a carga tributária paga e exige. A segurança, a comodidade, a normalidade do trânsito, a higiene, são miragens em Lisboa, problemas crónicos, patológicos, mas o presidente deidica-se a delírios, quer ir além dos seus braços, quer dar passos maiores que as suas pernas, talvez para que assim possa convencer que está tudo bem e ele tem margem para ir mais além.

Está tudo mal.

Os independentes

por João Távora, em 05.09.13

Mais do que focar o lado caricato das candidaturas autárquicas mais ou menos independentes e genuínas que despontam um pouco por todo o País, parece-me importante valorizar o movimento sem qualquer preconceito. Os meios de propaganda são mal utilizados? Os protagonistas não se apresentam no padrão cosmopolita de Lisboa? O Design é descurado ou de mau gosto? O discurso é politicamente pobre?
Não alinho no discurso anti partidário, mas no caso das eleições autárquicas em que se disputam cargos essencialmente de gestão e liderança parece-me pouco importante a questão ideológica. Claro que cada caso é um caso, nem todos serão verdadeiramente "independentes", mas o fenómeno parece-me intrinsecamente bom para Portugal. Curioso como cada um de nós pode conhecer pelo menos um parente, amigo ou vizinho a concorrer a uma junta ou assembleia de freguesia. E se o espetáculo da propaganda não servir para mais nada, que nos sirva de espelho, em que dos dois lados iremos sempre nos confrontar connosco próprios. Sem filtros nem desculpas.  

António Costa o magnânimo

por João Távora, em 04.06.13

É sabido como na toponímia de Lisboa abundam canalhas e tiranetes. Eu era incapaz de morar numa avenida Álvaro Cunhal e seria um suplício viver numa avenida Afonso Costa. O facto é que com tanta magnanimidade, falta só a edilidade devolver a fluidez à Avenida da Liberdade e o nome original à ponte sobre o Tejo.

 


Rios de disparates

por Zélia Pinheiro, em 11.06.12

Rui Rio e as "comissões administrativas" para as autarquias endividadas. E porque não, como outros já bem lembraram, uma comissão administrativa para o Governo da República, Dr. Rio? E, já agora, a fusão coerciva da Madeira na região autónoma dos Açores?
Este horror atávico da nomenclatura lusitana ao poder local surge onde menos se espera. Como ama profundamente a centralização do poder no Estado, está sempre pronto a punir com mão de ferro as viciosas autarquias. Esquece-se sempre que o Estado é a mãe de todos os vícios, mas isso é um pormenor.

Municipalismo, uma nobre Causa

por João Távora, em 03.07.11

 

Este estranho fenómeno que constitui a Nação Portuguesa, um irredutível povo num pobre território sitiado no extremo ocidental da Europa, teve a sua génese, expandiu-se e desenvolveu-se, da Idade Média à diáspora dos Descobrimentos, até ao regime parlamentar constitucional, alicerçado em duas fundamentais e resilientes instituições que organicamente se equiponderavam: a Instituição Real e os Municípios.
A primeira, uma fórmula politicamente isenta e unificadora dum Estado disputado pelos eternos partidos (nas suas diversas fórmulas de “partes” na corrida pela governança) foi barbaramente derrubada entre 1908 e 1910, tendo sido substituída por uma tosca ficção de isenção e desapego, conhecida por “presidente”.
A segunda Instituição, os Municípios, o último reduto da autonomia local, contra a macrocefalia do Estado, prepara-se para ser violentamente atacado pela tecnocracia dos gabinetes da Praça do Comércio.
Pela minha parte, não me parece que a desregulação, o caciquismo ou o despesismo municipal se possam resolver com um novo mapa autárquico desenhado e régua e esquadro: acontece que, no caso de se fundirem duas autarquias de dez mil habitantes que empreguem cada uma metade dos seus eleitores, a despesa camarária em assistencialismo ou emprego artificial simplesmente duplicará. Na mesma proporção das rotundas, fontanários ou ruas desertificadas. A matriz que proporcionou a nossa Nação, essa continuará a ser metodicamente desmantelada pelo prato de lentilhas que hoje é o mito duma federação europeia. Esta não é uma causa para o Sr. Fernando Ruas nem do Bloco de Esquerda ou de Direita: esta deverá ser, no meu entender, uma Causa Real. 



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