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A provocação, surpresa (ou espanto) transposta num objecto é correntemente confundida com 'Arte'. O que é a Arte? Mais fácil dizer o que não é. O tempo tem o bom hábito de resolver estas questões. (A maior parte da música que ouiço não vai sobreviver cem anos). Tenho para mim que a Arte remete para o Belo e Transcendente. E que a obra não pode depender de um contexto. Um galo de Barcelos é um galo de Barcelos, não será a sua descontextualização que faz dele uma obra de Arte. Um galo de Barcelos gigante descontextualizado pode ser giro mas certamente não é uma obra de Arte. Nem um mictório.
(...)
O meu reino não é deste mundo. Redentor é juntar as pontas das nossas histórias e pensamentos na escrita ou numa boa conversa – uma boa conversa é Arte. Ajuda-nos a perceber que estamos todos perdidos no mesmo breu – à procura. Pior, só aqueles muitos que além de andarem perdidos não sabem que o estão.
Na quinta-feira passada tive o privilégio de estar presente na inauguração da exposição temporária patente no Museu Nacional de Arte Antiga “Azul Sobre Ouro” que se recomenda vivamente. Trata-se de uma ocasião única (quatro meses) de apreciar com pormenor a extraordinária colecção de porcelanas da dinastia Ming, com exemplares únicos no mundo datados maioritariamente entre os séculos XVI e XVII legada por D. José Luís de Lancastre. Com esta iniciativa as peças poderão ser minuciosamente apreciadas sem o perigo do visitante apanhar um torcicolo, já que o seu local de original, onde resistiram incólumes desde 1680 até hoje (e presenciaram por exemplo o terremoto de 1755) é o insólito tecto da Sala das Porcelanas no Palácio do Marquês de Abrantes, sito na Calçada com o mesmo nome em Santos-o-Velho. Foi certamente uma delicada e emocionante operação aquela em que, aproveitando-se as obras de restauro promovidas pela Embaixada de França, actual proprietária do edifício, se retiraram um a um os 263 pratos com a supervisão dos técnicos do Museu de Arte Antiga. Desses foram seleccionados os 58 exemplares mais significativos que se exibem agora na Rua das Janelas Verdes até 24 de Maio próximo.
Uma curiosidade que se destaca da informação patente é a de que não será descabido pensar que as porcelanas do palácio dos Marqueses de Abrantes tenham servido de inspiração aos oleiros de Lisboa no fabrico da faiança azul e branca que por essa altura se popularizava no País, tanto mais que há nota de uma olaria nos registos da freguesia de Santos-o-Velho em 1672 propriedade de D. José Luís de Lancastre na Rua da Madragoa a poucos metros do palácio.
Pela original iniciativa estão de parabéns a Embaixada de França, na pessoa do seu Embaixador Jean-François Blarel, o Museu Nacional de Arte Antiga e seus mecenas na pessoa do seu dinâmico director António Filipe Pimentel, juntos nesta inédita parceria.
Parece que em Espanha está tudo enlouquecido com esta obra de Eugenio Merino. Como artista plástico que também sou, adoro uma boa ideia e uma boa polémica. Se não custassem 30 mil euros cada (só há 3 exemplares disponíveis) tinha seguramente uma em minha casa. Claro está que se fosse com o Che ou com Lenine tinha muito mais graça...
Ao meu amigo João Távora
Há semanas foi essa descoberta de que um dos ditos auto-retratos de Vincent van Gogh era afinal o retrato do seu irmão Théophile, tudo alcançado por peritagem de fontes e outras vias de pesquisa capazes de reverter conhecimentos estabelecidos durante décadas.
Agora é o caso deste belo Salvatori del Mondo atribuído a um discípulo de Leonardo da Vinci e que a National Gallery de Londres acaba de identificar como obra do mestre e promete expor como tal depois deste Verão.
Vivemos um quotidiano bipolar: dum lado aqueles entregues à destruição mais feroz (mais umas bombas na Índia, ontem), dum outro, bem longe desses, aqueles dedicados ao essencial: estudar o passado e ter esperança para o futuro. Um bom dia para todos nós!
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Não sou um apoiante de um imbecil, seja porque não...
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Outro porta-aviões ao fundo! Quanto hipocrisia é n...
Subscrevo E se não morrerem por si, o Estado... de...