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Recortes

por João Távora, em 06.06.13

A Co-adopção


Agora que o debate em torno da co-adopção e da adopção por famílias monossexuais está lançado, começam a surgir de forma evidente as motivações de cada lado e naturalmente os estudos sobre o assunto.

A ideia lançada pelos activistas da adopção por pessoas do mesmo sexo tem sido sempre que não existe diferença para o desenvolvimento das crianças crescer numa família com um pai e uma mãe ou crescer numa família com "dois pais" ou "duas mães".

Ora a vasta literatura científica apontava que assim não fosse, mas os recentes estudos mostram cada vez de forma mais evidente que as diferenças existem e são significativas.

Os estudos que defendiam não existirem diferenças de acordo com o Prof. Loren Marks da Universidade do Louisiana eram constituídos por amostras muito reduzidas e não representativas. No sentido de colmatar estas falhas foram desenhados e realizados novos estudos com amostras maiores.

Os mais recentes estudos, como o NFSS - New Family Structures Study (2012), que pode ser consultado em www.familystructurestudies.com, conduzido pelo Prof. Regnerus, da Universidade do Texas, foi realizado com uma amostra de 2988 adultos jovens e permitiu comparar o desenvolvimento de crianças que cresceram com casais heterossexuais em comparação com crianças que cresceram noutros contextos, como uma família com pessoas do mesmo sexo.

Os resultados não deixam margens para dúvidas. As crianças criadas por pessoas do mesmo sexo têm resultados significativamente piores nas dimensões sociais, emocionais e relacionais.

Já não se pode dizer que é a mesma coisa para uma criança crescer numa família natural heterossexual ou crescer numa família monossexual.

A criança precisa de um pai e de uma mãe e na falta destes precisa de ter a oportunidade de criar a representação interior, intelectual, desse pai ou dessa mãe que lhe falta, não podendo ser essa oportunidade organizadora da criança, esmagada com uma realidade de dois pais ou duas mães.

Como afirma Marinho e Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, ou Pestana Bastos, do Conselho Superior da Magistratura, tudo se resolveria com uma pequena alteração do Código Civil que atribua a guarda da criança ao cônjuge do progenitor falecido com quem esta estabeleceu um vínculo afectivo, com prioridade no processo de adopção sucessiva.

 Abel Matos Santos hoje no jornal i

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D. Manuel Clemente e a co-adopção

por João Távora, em 30.05.13

Em declarações a jornalistas portugueses, em Bruxelas, D. Manuel Clemente disse ter «as maiores dúvidas» que, em «em relação a essa medida (co-adoção), que ainda não está definitiva, e em relação a outras chamadas fraturantes, as decisões políticas tenham sido suficientemente informadas por um esclarecimento dos próprios deputados».

 

Notícia TSF

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O Corcunda está de volta

por João Távora, em 30.05.13

(...) Porque é que a libertação do modelo familiar não pode emancipar-se das concepções de conjugalidade (que no fundo são meras emanações do paradigma religioso) e transformar-se realmente em algo puramente livre? O grupo deswingers da Avenida da Boavista, a comunidade de amor-livre da tenda 4 do Boom Fest, ou o Grupo Excursionista e Recreativo do Parque de Campismo da Costa da Caparica, são aglomerações humanas com tanta dignidade e insondabilidade de afectos como outra qualquer. Deverão ver reconhecida a sua relação, como outras quaisquer, tendo assim possibilidade de casar, adoptar e de ser reconhecidos como núcleo essencial de vida e educação. (...)

 

Continuar a ler o Corcunda n'O Governo dos Mortos

 

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Mãe há só uma!

por João Távora, em 28.05.13

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Recortes

por João Távora, em 27.05.13

(...) Um homem singular pode ser um bom pai, como uma única mulher pode ser uma boa mãe e, por isso, é razoável que um só indivíduo possa adoptar. Mas dois homens ou duas mulheres, não só não são melhores pais ou mães – na realidade, só um deles poderá ser, verdadeiramente, pai ou mãe – como, em caso algum, podem ser pai e mãe, o que só poderá ocorrer se forem, respectivamente, homem e mulher.

Por outro lado, se se entende que duas pessoas do mesmo sexo podem ser dois bons «pais» ou «mães», por que não permitir que três ou mais indivíduos do mesmo sexo, possam adoptar?! Afinal de contas, a exigência da heterossexualidade do casal é tão natural quanto a sua composição dual: se duas pessoas, do mesmo sexo, podem ser casal e família, porque não três, quatro ou cinco?! A obrigação legal de o casal serem só dois não será também preconceituosa?!

De facto é e, nisto, os defensores da co-adopção têm toda a razão. É um preconceito, como preconceituosa é também a essência heterossexual do casal. É um preconceito porque é uma realidade anterior a qualquer racionalização do amor, da família ou da geração: a natureza heterossexual da união fecunda não decorre de nenhuma ideologia, cultura ou religião, mas é uma realidade originária e natural e, apenas neste sentido, é um pré-conceito. É uma realidade aliás universal, porque 97% das uniões estáveis são constituídas, em todo o mundo, por pessoas de diferente sexo e 100% dos casais naturalmente fecundos são heterossexuais. É por isto que o casamento é matrimónio: a união que faz da mulher mãe, ou mater, em latim, porque, quando se exclui a geração, não há verdadeiro casamento, nem família. (...)

 

Padre  Gonçalo Portocarrero de Almada aqui no jornal i

 

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La Manif Pour Tous

por João Távora, em 26.05.13

Neste momento em França a Direita desfila em 23 cidades pela revogação da lei que permite a adopção de crianças por duas mães ou dois pais. Nos Invalides em Paris já estão centenas de milhares de pessoas. Entretanto em Portugal a parte da direita abstém-se, não vá a Isabel Moreira acusar de homofobia. 

 

Pedro Pestana Bastos

 

Foto La Manif Pour Tous

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Para fechar...

por João Távora, em 24.05.13

A questão essencial e única é se as argumentações que Abel Matos Santos trouxe a público e defende são ou não válidas, caros Rui Pinto e jugulares. Parece-me que sim e ainda não as vi rebatidas. Sem surpresa constato que as respostas aos seus argumentos, ao invés de se focarem em se é bom, mau ou indiferente para as crianças a co-adopção e a adopção, entornam-se sempre para a via da adjectivação e do insulto, um tipo de guerrilha que eu por regra não alimento - a vida ensinou-me que nunca se vai convencer quem já está convencido. Com respeito pelas vossas certezas, prefiro as minhas profundas dúvidas - e até alguma angústia, vá.   

Finalmente, estou convicto de que esta discussão terá servido para esclarecer alguns leitores, não pelas convicções expressas (que tão facilmente se tornam  em meras armas de destruição massiva) mas através de teses cientificamente suportadas. De resto, o importante é que os portugueses conheçam as diversas posições sobre este tema e em breve saberemos qual o resultado da votação no parlamento. A bem das crianças desprotegidas e da sanidade da nossa comunidade espero que os graves problemas que as atingem possam ser resolvidos sempre em seu próprio e único favor, que elas jamais se tornem objectos de satisfação de egos pueris, nem arma de arremesso para uma agenda de afirmação dos homossexuais como "facção" coisa que me parece absurda, tanto mais pelo respeito que qualquer pessoa me merece. 


Finis, laus Deo.

 

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Ainda adopção e co-adopção homossexual

por João Távora, em 23.05.13

A pedido do Abel, em baixo publico a sua resposta a este comentário do Rui Pinto no blog "A Direita Arrependida". 

 

Não costumo responder à calúnia, mas Rui Pinto merece-me o benefício da dúvida pela forma quase equilibrada como postou pedindo ser esclarecido.
Aqui vai para ele e quem quiser algumas, só algumas, das referências que usei e duas referências (a 10 e a 11) de estudos usados pelos defensores da co-adopção e que têm graves falhas metodológicas e por isso é também natural que esses estudos defendam nos seus textos a co-adopção. Foi isso que Rui Pinto publicou e que lhe fez confusão. Fica então esclarecido e com isso esclareço também o principal de todos os estudos que o João Távora colocou no seu blog.
Espero que o Rui Pinto e todos os que possam, consigam e queiram se debruçem e estudem os vários documentos.
Acho que a discussão deve ser ampla e sem preconceitos para que possamos ficar esclarecidos!
E já agora um pedido ao Rui, não acuse, não maltrate os outros só porque têm opiniões diferentes da sua, muito menos quando não tem razões para isso. Cinja-se à razão à ao debate cientifico pois é esse que eu faço.
Nunca me ouviu nem ouvirá a colocar em causa quem quer que seja nem a atacar ninguém na sua honra e bom nome profissionais. Quer contrariar as minhas ideias e convicções, por favor faça-o, mas faça-o com elevação e respeito, usando argumentos válidos.
Sou totalmente contra a co-adopção no superior interesse das crianças! Nada disto tem a ver com direitos de homossexuais ou com orientação sexual! O que é preciso saber e perceber é se, para as crianças, é igual, melhor ou pior ter só dois pais ou só duas mães. é disto que se trata!
Esta é a forma que eu tenho de me pronunciar sobre as coisas, não sou fundamentalista nem “engenheiro social” e estou aberto à evidência cientifica. Claro que tenho uma forte convicção e acredito muito no que defendo, mas quem tem a verdade absoluta?

Abaixo as referências dos estudos que consultei.

(1) Enright, R. & Fitzgibbons, R. (2000). Helping Clients Forgive: An Empirical Guide for Resolving Anger and Restoring Hope. Washington, DC: American Psychological Association Books ,p. 187-89.

(2) McWhirter, D. and Mattison, A. 1985. The Male Couple: How Relationships Develop. Prentice Hall.

(3) Gartrell, N. & Bos, H. (2010) US national Longitudinal Lesbian Family Study: Psychological Adjustment of 17-year-old Adolescents, Pediatrics, Volume 126, Number 1, July 2010, 28-36.

(4) Xiridou, M. et al. (2003). The contribution of steady and casual partnerships to the incidence of HIV infection among homosexual men in Amsterdam. AIDS 17: 1029-38.

(5) D. O’Leary. (2007) One Man, One Woman: A Catholic’s Guide to Defending Marriage Manchester, NH: Sophia Institute Press, 149-68.

(6) Kobak, R. (1999). "The emotional dynamics of disruptions in attachment relationships: Implications for theory, research, and clinical intervention". In J. Cassidy & P. R. Shaver. (Eds.), Handbook of Attachment (pp. 21-43). New York: The Guilford Press.

(7) http://www.pbs.org/newshour/gergen/july-dec99/fisher_8-16.html.

(8) Sarantakos, S. (1996) Children in three contexts. Children Australia, 21(3), 23-31.

(9) Sirota, T, (2009) Adult Attachment Style Dimensions in Women with Gay or Bisexual Fathers. Arch. Psych Nursing, 23, 289-297.

(10) Gartrell, N. & Bos, H. (2010) US national Longitudinal Lesbian Family Study: Psychological Adjustment of 17-year-old Adolescents, Pediatrics, Volume 126, Number 1, July 2010 p. 28-36.

(11) Biblarz, T. J. & Stacey, J. (2010). How does the gender of parents matter? Journal of Marriage and Family. 72, 3-22.

(12) Kobak, R. (1999). "The emotional dynamics of disruptions in attachment relationships: Implications for theory, research, and clinical intervention". In J. Cassidy & P. R. Shaver. (Eds.), Handbook of Attachment (pp. 21-43). New York: The Guilford Press.; Popenoe,D. (1996) Life Without Father, New York: Free Press, P. 176; Golombok, S. et al (1997) Children raised in fatherless families from infancy: Family relationships and the socioeconomic development of children of lesbian and single heterosexual mothers. J. Child Psychology and Psychiatry 38: 783-791; Gallagher M. & Baker, J.K. (2004) Do Mom and Dads Matter: Evidence from the social sciences on family structure and at the best interests of the child.

Resumo das conclusões dos estudos: os números abaixo correspondem aos estudos com o mesmo numero acima nas referências.

1 – Estudo editado pela APA sobre acompanhamento de crianças adoptadas e em famílias de acolhimento durante vários anos; tratamento de crianças adoptadas durante 35 anos;

2 - Um dos mais amplos estudos sobre casais homossexuais revelou que apenas 7 em 156 casais tinham uma relação sexual totalmente monógama. A maioria destas relações teve uma duração inferior a cinco anos. No caso dos casais com relações mais duradouras, os seus membros tinham também actividade sexual fora do relacionamento.

3 - As relações homossexuais são frágeis. A probabilidade de que a relação termine é elevada no caso dos casais de lésbicas. Num relatório de 2000, o “US National Longitudinal Lesbian Family Study”, 40% dos casais que tinham concebido uma criança através de inseminação artificial terminaram a relação.

4 - Estudos holandeses demonstraram que a maioria dos novos surtos de infecções de VIH em Amsterdão surgiu em homens homossexuais que mantinham relacionamentos estáveis.

5 - Estudos de investigação nesta área demonstram que nas uniões homossexuais há maior incidência de violência doméstica, depressão, toxicodependência e de doenças sexualmente transmissíveis.

6 - As crianças que foram privadas de cuidados maternais durante longos períodos na sua infância “revelam-se frias, mantêm relacionamentos afectivos superficiais, e demonstram ter tendência para comportamentos hostis e antissociais” na idade adulta.

7 - A vasta investigação dos problemas sociais psicológicos, académicos e sociais dos jovens criados em famílias sem pai demonstra a importância da presença de um pai em casa para o desenvolvimento saudável da criança.

8 - Em 1996 um estudo sólido realizado em 174 escolas primárias na Austrália – 58 crianças em famílias com pais casados, 58 em famílias com pais em união de facto (heterossexuais) e 58 em lares de uniões homossexuais – sugeria que as famílias de pais casados ofereciam o melhor ambiente para a educação e desenvolvimento social de uma criança. Em segundo lugar figuravam os unidos de facto e em último plano surgiam os casais homossexuais.

9 - Os resultados de um estudo realizado com mulheres no ano de 2009 em Nova Iorque, Boston e São Francisco, são semelhantes. Os investigadores entrevistaram 68 mulheres com pais homossexuais ou bissexuais. As mulheres (com média de idades de 29 anos, nos dois grupos) que tinham pais homossexuais ou bissexuais revelavam maior dificuldade nos seus relacionamentos a três níveis: Estavam menos à vontade com a proximidade e intimidade; eram menos capazes de confiar e depender dos outros; e experimentavam uma maior ansiedade nas relações em comparação com as mulheres educadas por pais heterossexuais.

10 e 11 - Os activistas homossexuais e os meios de comunicação social citam frequentemente dois grandes estudos publicados em 2010. Nanette Gartrell e Henry Bos (10), bem como Tomithy Biblarz e Judith Stacey (11) argumentam que as crianças que foram deliberadamente privadas dos benefícios da complementaridade que existem num lar com um pai e uma mãe não sofrem danos psicológicos.
No entanto, todos os dados utilizados no estudo de Gartell e Bos são relatórios que as próprias mães e crianças objecto do estudo entregaram. As mães estavam cientes da agenda política por detrás da investigação o que muito provavelmente distorceu os resultados. Este erro metodológico põe seriamente em causa a credibilidade do estudo. No meta-estudo realizado por Biblarz e Stacey, em 31 dos 33 estudos de famílias com dois pais, foram os pais que forneceram os dados, que se tratavam, por isso, de juízos subjectivos. Também aqui, esta metodologia levou a resultados enviesados uma vez que os pais homossexuais sabiam da agenda política que estava na origem do estudo. Acresce que, dos 33 estudos que abordaram estas famílias de casais, só dois estudos tratavam de homens, embora o título do estudo “Qual a importância do género dos pais?” levasse a crer que homens e mulheres estivessem igualmente representados.
Grande parte da investigação sobre casais homossexuais sofre geralmente de falhas metodológicas. Argumenta-se com frequência que não está provado de que seja prejudicial para as crianças serem criadas por dois homens homossexuais. Esta firmação é verdadeira, no entanto, esta falta de provas não leva necessariamente à conclusão de que tal não é prejudicial para as crianças. Significa que não está provado. São raros os estudos sobre crianças criadas por homens homossexuais. Não há ainda nenhum estudo que tenha analisado os efeitos a longo prazo em homens adultos, que foram criados por homens homossexuais.

12 - É pernicioso privar deliberadamente uma criança de um pai ou uma mãe. A investigação das ciências sociais sustenta esta tese.

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Palavras moucas e orelhas ocas

por João Távora, em 22.05.13

Acontece que conheço bem Abel Matos Santos a quem é reconhecida tanta autoridade académica quanto brio profissional - um aspecto ao qual a Ana Matos Pires não será totalmente estranha por com ele se ter cruzado em diferentes circunstâncias no serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria. Aliás, neste texto a Ana ao seu estilo revela mais sobre si do que sobre a matéria que pretende defender: o indecente ataque à honra e bom nome do Abel é demonstração da insegurança que sente quanto aos seus próprios argumentos.
Uma vantagem da escrita é que esta dá-nos tempo para reflectir nos resultados da mensagem queremos passar. Pela minha parte tenho dúvidas que a Ana disso faça proveito… que se tenha dado ao trabalho de medir o efeito das suas palavras. Para lá da satisfação obtida com a injúria gratuita, pouca gente elas convencem, para além do seu círculo de amigos. E isso ao fim do dia até é bom. 

 

PS. Solicitada ao autor acrescentei ao seu texto alguma bibliografia.

 

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O que verdadeiramente importa

por João Távora, em 20.05.13

A malta bem pode legislar as aberrações que quiser, engendrar as mais mirabolantes engenharias sociais. Mas a bondade do mundo continua a depender única e exclusivamente das escolhas e atitudes das pessoas. Da sua adesão ao Amor. É nesse plano concreto que a luta entre o bem e o mal afinal se situa: o único plausível. O único verdadeiramente fecundo.



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Quando a adopção é um duplo trauma

por João Távora, em 19.05.13

Fotografia: © Vitalinka | Depositphotos.com

 

1 - Iniciativas legislativas para que se aprove a adopção por pares homossexuais são erróneas e imprudentes porque desprezam os direitos das crianças e ignoram importantes estudos e pesquisas da área psicológica e social no que diz respeito às necessidades daquelas.

 

2 -  Cada criança precisa de um pai e de uma mãe. Quando se altera o curso natural da vida é determinante o superior interesse da criança. Os estudos em ciências sociais têm repetidamente demonstrado a importância vital de ambos os progenitores, o pai e a mãe, para um ambiente saudável e positivo no desenvolvimento da criança e, os riscos que correm se criados sem um deles. A mãe e o pai trazem contribuições únicas que são essenciais para a sua saúde e bem estar.

 

3 - Crianças que foram privadas, por exemplo, do cuidado materno durante longos períodos de tempo na fase precoce das suas vidas, revelaram em geral menor capacidade de sentir e de se emocionarem, tendem a criar relações superficiais, a mostrar tendências antissociais e são mais hostis ao longo do seu crescimento.

 

4 - Os pais têm talentos específicos. São bons a disciplinar, a brincar e a levar as crianças a enfrentar desafios. São modelos a seguir para as crianças. A sua presença em casa protege a criança do medo e fortalece a capacidade da criança para se sentir segura. A vasta investigação cientifica sobre os graves problemas psíquicos, académicos e sociais nos jovens criados em famílias sem um dos pais demonstraram a importância da sua presença em casa para um desenvolvimento saudável.

 

5 - Os direitos e as necessidades da criança a uma mãe e a um pai devem ser protegidos pelo Estado. Os adultos não têm o direito de deliberadamente, privar uma criança de um pai e de uma mãe.

 

6 - Um estudo australiano (Children in three contexts) feito com crianças a viver com casais heterossexuais casados, com casais heterossexuais em união de facto e com pares homossexuais, revelou que os primeiros forneciam o melhor ambiente para um desenvolvimento social da criança e para a sua educação, os casais em união de facto eram os segundos e, os pares homossexuais aparecem em último.

 

7 - Existem académicos e activistas que se opõem a esta evidência, apoiando-se em estudos mal feitos e metodologicamente enviesados. Dois estudos de 2010 são frequentemente citados porque defendem que as crianças que foram deliberadamente privadas dos benefícios da complementaridade na família com pai e mãe, não sofrem danos psicológicos. Contudo, os dados recolhidos são auto-informações dadas pela mãe ou pai, estando estas a par da agenda política do investigador. O que distorce os resultados.

 

8 - Muita da investigação feita com pares homossexuais tem graves falhas metodológicas. É muitas vezes dito que não existe evidência de que as crianças são prejudicadas e agredidas emocionalmente se forem criadas por pares homossexuais.  Mas a ausência de evidência não prova que não exista. Quer apenas dizer que não existe evidência.

 

9 - As crianças têm o direito e a necessidade à parentalidade conjunta por um pai e uma mãe. De acordo com um dos maiores psiquiatras americanos (Fitzgibbons), as relações homossexuais não fornecem o ambiente ideal para que se possam criar e educar crianças, por várias razões: Primeiro, os pares homossexuais tendem a ser mais promíscuos. Um dos mais abrangentes estudos com pares homossexuais (The Male Couple), revelou que apenas 7 de 156 pares homossexuais tinham um relacionamento sexual exclusivamente monogâmico. A maioria destas relações duraram menos de 5 anos. Segundo, as uniões são muito frágeis. A probabilidade de quebra da relação é elevada nos pares de lésbicas. No estudo de 2010 (US National Longitudinal Lesbian Family Study) 40% dos pares que tiveram um filho (por inseminação artificial) tinham-se separado.

 

10 - Privar deliberadamente uma criança da possibilidade de ter um pai e uma mãe magoa e faz mal à criança. As crianças adoptadas, em geral, vivenciam traumas de abandono precoce, na fase inicial das suas vidas e, devem ser protegidas de um trauma adicional como seria esta cruel experiência social.

 

Estarão os direitos dos homossexuais acima das necessidades e direitos da criança a uma mãe e a um pai? Quem protege estas crianças?

 

Abel Matos Santos

Psicólogo Clínico e Sexologista


Artigo publicado no jormal Público a 16 de Maio de 2013

 

Bibliografia a consultar:

 

(1) Enright, R. & Fitzgibbons, R. (2000). Helping Clients Forgive: An Empirical Guide for Resolving Anger and Restoring Hope. Washington, DC: American Psychological Association Books ,p. 187-89.
(2) McWhirter, D. and Mattison, A. 1985. The Male Couple: How Relationships Develop. Prentice Hall.
(3) Gartrell, N. & Bos, H. (2010) US national Longitudinal Lesbian Family Study: Psychological Adjustment of 17-year-old Adolescents, Pediatrics, Volume 126, Number 1, July 2010, 28-36.
(4) Xiridou, M. et al. (2003). The contribution of steady and casual partnerships to the incidence of HIV infection among homosexual men in Amsterdam. AIDS 17: 1029-38.
(5) D. O’Leary. (2007) One Man, One Woman: A Catholic’s Guide to Defending Marriage Manchester, NH: Sophia Institute Press, 149-68.
(6) Kobak, R. (1999). "The emotional dynamics of disruptions in attachment relationships: Implications for theory, research, and clinical intervention". In J. Cassidy & P. R. Shaver. (Eds.), Handbook of Attachment (pp. 21-43). New York: The Guilford Press.
(7) http://www.pbs.org/newshour/gergen/july-dec99/fisher_8-16.html.
(8) Sarantakos, S. (1996) Children in three contexts. Children Australia, 21(3), 23-31.
(9) Sirota, T, (2009) Adult Attachment Style Dimensions in Women with Gay or Bisexual Fathers. Arch. Psych Nursing, 23, 289-297.
(10) Gartrell, N. & Bos, H. (2010) US national Longitudinal Lesbian Family Study: Psychological Adjustment of 17-year-old Adolescents, Pediatrics, Volume 126, Number 1, July 2010 p. 28-36.
(11) Biblarz, T. J. & Stacey, J. (2010). How does the gender of parents matter? Journal of Marriage and Family. 72, 3-22.
(12) Kobak, R. (1999). "The emotional dynamics of disruptions in attachment relationships: Implications for theory, research, and clinical intervention". In J. Cassidy & P. R. Shaver. (Eds.), Handbook of Attachment (pp. 21-43). New York: The Guilford Press.; Popenoe,D. (1996) Life Without Father, New York: Free Press, P. 176; Golombok, S. et al (1997) Children raised in fatherless families from infancy: Family relationships and the socioeconomic development of children of lesbian and single heterosexual mothers. J. Child Psychology and Psychiatry 38: 783-791; Gallagher M. & Baker, J.K. (2004) Do Mom and Dads Matter: Evidence from the social sciences on family structure and at the best interests of the child.

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O dia seguinte

por João Távora, em 18.05.13

Como afirma aqui em baixo o Pedro Pestana Bastos, é no mínimo inédito o que aconteceu ontem no parlamento português, ao ser aprovado com uma maioria de centro de direita um projecto de lei de cariz experimentalista para a adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Um passo na via do retrocesso civilizacional, suspeito que dado contra as expectativas duma larga maioria do povo.
Esta questão é tanto mais séria quanto advém, não tanto da abstenção de seis deputados (5 do PSD e 1 do CDS), mas dos dezassete (16 do PSD e 1 do CDS) que por falta de liderança, irresponsabilidade ou cobardia faltaram à votação. Numa legislatura em que a política se circunscreve à urgência dum doloroso caderno de encargos imposto pelo estrageiro, não seria de esperar que a coligação correspondesse por uma vez à matriz ideológica do eleitorado que a suporta? Não significa este caso mais um atentado contra a depauperada credibilidade do sistema político vigente, que vem promover a aparência de que afinal, com as eleições só mudam mesmo as moscas?

 

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