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25 Abril 43 anos depois

por João Távora, em 25.04.17

Não podemos esquecer que nos dias seguintes à revolução dos cravos iniciou-se uma encarniçada luta pela Liberdade, que teve o seu auge a 25 de Novembro de 1975, mas que ainda hoje perdura, e perdurará enquanto imperar nas sombras e às claras uma casta omnipotente que se considera herdeira duma superioridade moral em relação aos demais.

Ao cabo de 43 anos deveria ser uma evidência que o socialismo, nas suas várias adaptações e intensidades, não é a única receita para a resolução dos problemas dos portugueses. De resto, aprender a conviver de igual para igual com os que pensam de maneira diferente é, neste País ainda hoje, uma longínqua meta civilizacional.

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A filha do regimento

por João Távora, em 27.04.15

O emigrante.jpg

É assim o jornalismo militante - não interessa a veracidade dos factos relatados, antes passar uma mensagem. A entrevista da filha de Salgueiro Maia generosamente distribuída pela Lusa, pontifica hoje com chamada de capa em quase todos os jornais diários, que destacam este extraordinário apontamento: “Filha do capitão de Abril Salgueiro Maia, a viver no Luxemburgo há quatro anos, diz que foi "convidada" a sair de Portugal pelo primeiro-ministro Passos Coelho, lamentando a situação actual do país, que compara ao terceiro mundo”.

Importa referir que, sem querer por em causa a honestidade e competência dos socialistas - tudo gente boa claro está - há quatro anos, data da partida de Catarina, era José Sócrates que estava no poder, a negociar o resgate financeiro do país com a Tróica. Não tendo a minha modesta pessoa o privilégio de ser filha de Salgueiro Maia, que acabou indo trabalhar para um conhecido paraíso capitalista, gostava de deixar claro que, estando eu na época também desempregado, se um líder da oposição ou do governo, fosse ele qual fosse, se me dirigisse assim sem mais nem menos e me convidasse a emigrar eu agradeceria a surpreendente atenção, mas pensaria muito bem antes de aquiescer.

Ah, sei que não interessa nada, mas com uma mãe muito doente e quatro filhos dependentes virei-me por cá. E quem viu as coisas tão mal paradas há dois, três anos, desconfio que podia ter sido muito, mas muito, pior.

 

Imagem de "O Emigrante" - Charlie Chaplin, com uma vénia. 

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Uma mentira mil vezes repetida...

por João Távora, em 19.04.15

Revelador da cicatriz deixada pelo ambiente revolucionário vivido há 40 anos é o jornalista do Expresso Valdemar Cruz, jornal que esteve então para ser extinto pelos comunistas, não conseguir o distanciamento necessário e definir o Partido da Democracia Cristã de Sanches Osório, que então se preparava para ir a eleições coligado com o CDS, como sendo de "extrema-direita que acolhida muitos jovens neofascistas". Um mau serviço. 

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Much obliged Mr. Carlucci

por João Távora, em 26.04.14

 

Da excelente entrevista de Ricardo Lourenço a Frank Carlucci para a Revista do Expresso de ontem dia 25 de Abril, é arrepiante constatar a dimensão humana, plausível, das decisões que acabam por mudar tão dramaticamente o rumo da história, no lugar das fantasmagóricas teorias da conspiração com que tantos acalentam a sua ilusão de impotência. Ou de como naqueles anos estouvados da nossa História, foi por uma unha negra que nos salvámos dum trágico destino. A realidade é, o mais das vezes, feita de uma arrepiante simplicidade. 

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O Carmo e o passado

por José Mendonça da Cruz, em 25.04.14

Em 1974, o homenzinho de boina preta que hoje esteve no Largo do Carmo, teria aproveitado o 1º de Maio para beijar os pés a Cunhal, proclamar-se seu discípulo e empenhar-se com ardor e zelo nas tentativas de instaurar uma nova ditadura.

O homenzinho de boina preta teria sido uma figura importante do mais abjecto populismo ou de uma nova tirania.

Quando o último meio de comunicação livre da bota comunista, o República, foi ocupado, o homenzinho de boina preta teria exigido o esmagamento da primeira manifestação de rua em que democratas revoltados entoaram «O Povo não está com o MFA».

O homenzinho de boina preta teria acompanhado Otelo nas prisões sem mandato nem culpa, no terrorismo messiânico, no ridículo. 

Em vez de estar na manifestação da Fonte Luminosa, decisiva no combate da democracia contra a ditadura militar-comunista, o homenzinho da boina preta teria estado nas barricadas que tentavam impedir o afluxo de manifestantes, e não no lado dos que defendiam a liberdade.

O homenzinho de boina preta que hoje foi ao largo do Carmo proclamar que aquele ajuntamento era «o bem» e os eleitos do povo «o mal», teria estado na rua, a cercar a primeira Assembleia eleita, a Assembleia Constituinte cuja composição o frustrava, em vez de estar lá dentro, com os eleitos da eleição mais participada de sempre.

A menos que o homenzinho de boina preta que hoje foi filmado no Carmo não fosse realmente Mário Soares, o que explicaria tudo.

Mas, se for, ele viverá os últimos anos frustrado e assim morrerá. Ele e as figurinhas militares rotundas e presunçosas que anseiam impor-nos caminhos ignorantes e irresponsáveis. O que eles pensam vale nada perante o voto livre. Viva o 25 de Abril! Viva o Mundo de hoje!

 

 

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A religião laica

por João Távora, em 24.04.14

Nas mais recentes sondagens, a revolução dos cravos já é tida pela grande maioria dos portugueses como o mais importante acontecimento de toda nossa História. O meu artigo hoje no Jornal i 

 

 

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Abriladas

por João Távora, em 21.04.14

Sexta não se arranja um lugarzito para Freitas do Amaral no palanque do Largo do Carmo?

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O 25 de Abril, quarenta anos e um fado sem fim

por João Távora, em 31.03.14

Já nos apercebemos que nas próximas semanas o País está condenado a massivas doses de propaganda "educativa" a propósito dos quarenta anos do golpe militar do 25 de Abril. Por exemplo, esta manhã ao pequeno-almoço, o programa “Sons de Abril” com a insuspeita Helena Matos na Antena 1 deixou-me algo inquieto: nele se elogiavam as virtualidades da rádio como meio de comunicação em contextos de clandestinidade - pudemos escutar a transmissão de Argel de um apelo de Manuel Alegre à insurreição em 1968, ou conhecer a Rádio Portugal Livre do Partido Comunista Português que, imagine-se, era difundido a partir de Bucareste, esse paraíso de liberdade, desenvolvimento e abundância de Ceausescu. 

Como incondicional amante de liberdade e compenetrado democrata, dou todos os dias graças a Deus por viver numa democracia liberal e representativa, que não tenho como dado adquirido, facto que não impede que a efeméride me provoque sentimentos contraditórios de adesão ou sobressalto e até, mediante determinados estímulos (como algumas canções de intervenção) repulsa. Como poderia nessa época a minha família, que transportava na genética mais de duzentos anos de atribulações revolucionárias trágicas para o País persistentemente miserável, olhar sem reservas aos tempos instáveis que se seguiram à queda do Estado Novo? Nesses tempos, em que se tornou proibido ter uma vida anterior à revolução que não fosse clandestina ou de explorado, testemunhei demasiados arbitrariedades e agressões por parte daqueles que, em nome da sua quimera tudo fizeram para cingir a liberdade a uma matriz ideológica. São os mesmos que hoje, de fato e gravata, se apropriaram da simbologia (e não só) da efeméride, incutindo-lhe um estranho cunho religioso a que pretendem ajoelhar toda uma população acrítica. 
É evidente que urge que a historiografia da Revolução dos Cravos desça da academia para as bocas do mundo, com serenidade, sem complexos nem enganos que a ninguém servem. Urge também questionar o empenho devotado pelas oligarquias partidárias na sacralização duma narrativa do 25 de Abril a preto e branco. Talvez quando o acontecimento fizer meio século e se tornar absurdo continuar atribuir a Salazar a responsabilidade por todas as nossas incapacidades e falhanços - até agora tem dado muito jeito.

 

Foto: Expresso

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Vinte e cinco

por João Távora, em 25.04.12

 

Não podemos esquecer que nos dias seguintes à revolução dos cravos iniciou-se uma encarniçada luta pela Liberdade, que teve o seu auge a 25 de Novembro de 1975, mas que ainda hoje perdura, e perdurará enquanto imperar nas sombras e às claras uma casta omnipotente que se considera herdeira duma superioridade moral em relação aos demais. O sequestro da Direita, ainda hoje envergonhada da sua natureza e ideias. 

Ao cabo de trinta e oito anos deveria ser uma evidência que o socialismo, nas suas várias adaptações e intensidades, não é a única receita para a resolução dos problemas dos portugueses. De resto, aprender a conviver de igual para igual com os que pensam de maneira diferente é, neste País ainda hoje, uma longínqua meta civilizacional, o “25 de Abril” que nos falta cumprir e que acredito um dia nos redimirá. 

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Après moi le déluge

por João Távora, em 24.04.12

 

É lamentável que os numerosos “pais da revolução” (que falta faz uma mãe para serenar as excitações), alguns politicamente activos nos últimos anos, não tenham tomado uma posição assim assertiva quando, numa criminosa gestão política, percorríamos o caminho da insustentabilidade financeira que nos atirou para este atoleiro de miséria. Aos militares de Abril não sei, mas a Mário Soares certamente não seria suposto explicar que o dinheiro não nasce nas paredes dos multibancos, já que ele foi primeiro-ministro de dois resgates financeiros pelo FMI, em 1977 e 1983, tempos de austeridade e miséria, ocasião em que foi politicamente vilipendiado pela habitual aliança entre a extrema-esquerda e os sindicatos, mobilizados para incendiar a rua e restabelecer o seu processo “revolucionário” interrompido.
Estranho pois como gente com responsabilidades, sabendo o que está em jogo no acordo com a Troika, prefira capitalizar protagonismos estéreis com atitudes incendiárias. Après moi le déluge, ou apenas um fenómeno de senilidade?

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Reprise

por João Távora, em 25.04.10

 

Devoção e água benta...

 

Passa hoje o trigésimo sexto dia de S. Vinticincodabril. As cerimónias e celebrações, como habitualmente, realizaram-se nos salões e templos do regime, onde foram entoados diversos cânticos revolucionários do século passado. As habituais solenes homilias foram proclamadas de norte a sul do país: as santas realizações da revolução foram recordadas entre lágrimas e suspiros nostálgicos dos mais devotos “democratas”.

A prédica mais esperada foi proclamada em S. Bento pelo presidente da congregação, que com as suas extraordinárias revelações e sábias advertências não desmereceu as expectativas dos fiéis.

As costumeiras procissões e desfiles saíram à rua, mas nota-se-lhes hoje menos brilho do que outrora, nos tempos áureos da função. Os consagrados estão envelhecidos e também já foram mais, mas no cortejo da avenida as suas preces e ladainhas continuam a fazer-se ouvir alto e bom som. Os mais crédulos ainda cismam pelo prometido milagre do socialismo, multiplicação dos peixes a redenção e esperança do povo unido.

A esta hora, muitos pregadores regimentais ainda propagandeiam as suas profissões de fé sobre a insofismável felicidade popular conquistada às trevas da opressão pela revolução dos cravos. Já nos uns dias antes, nas escolas e liceus, os prosélitos mestres da história instrumental aproveitaram o ensejo e papagueiam uma tabuada de lugares comuns de uma história maniqueísta e instrumental para as suas sedentas criancinhas.

De tudo isto os "media" uma vez mais darão reverente testemunho de todas as celebrações e solenidades. Para uma pobre e conformada plateia que afinal tirou o dia de sol para ir passear...

 

Texto de 2008, revisto e reeditado.

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O 25 de Abril ensinado às crianças

por João Távora, em 24.04.10

"É preciso ensinar às crianças o que foi o 25 de Abril. É urgente. É uma questão de cultura democrática. Está em causa... o 25 de Abril."
(…) Convenhamos que é difícil deixar ao sistema nacional de educação essa função. E isto porque o 25 de Abril ainda é uma questão de educação. Política, é certo, mas não está suficientemente frio para ser um facto histórico. É uma opinião. E cada um tem a sua, que até pode ser diferente da que tem a professora dos seus filhos.
Por isso é que chegados a esta época do ano, sinto alguma angústia quando os deixo na escola. Assim, sozinhos. Sem que eu possa exercer o democrático direito ao contraditório. Socorro!

 

Inês Teotónio Pereira no Jornal i

 

Depois de num dia de Outubro, a minha filha de oito anos ter chegado da escola cheia de confusões na cabeça, e eu lhe ter explicado pacientemente que Liberdade Igualdade e Fraternidade era um lema da sanguinária revolução francesa e não uma consequência da instauração república portuguesa, que a igualdade do cidadão perante a lei era uma conquista da constituição de 1826, quando em Portugal se funda o sufrágio popular que se manteve indirecto e se viu mais restrito após a república, que a liberdade de imprensa e de manifestação só foi profundamente ameaçada após o 5 de Outubro; foi a vez de ontem me ver na contingência lhe explicar as virtudes dos primeiros anos do Estado Novo e que a primavera e as calças de ganga já existiam antes da revolução dos cravos. Esclareci-a sobre o 25 de Abril, e suas consequências imediatas: tomada de poder da esquerda radical e descolonização desastrosa. E que nesses tempos muita gente inocente teve que viver “às escondidas”. Por fim expliquei-lhe que a Liberdade prevaleceu apesar dos revolucionários. E que a Liberdade é o nosso mais precioso bem, e que nem sempre está onde parece ser mais evidente.

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