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Superliga europeia: um caso de violação de concorrência

por Jose Miguel Roque Martins, em 19.04.21

Numa jogada de antecipação, 12 dos maiores potentados futebolísticos do Continente, anunciam a criação de uma Superliga Europeia, à margem da UEFA.

O que pretendem é bem simples: mais receitas e eternizar um estatuto de elite no mundo do Futebol. Quem não deseja mais segurança e mais receitas?

Num sistema de mercado, as companhias comerciais não podem, ao abrigo da legislação e do interesse dos consumidores, assumir publicamente um cartel. Apenas porque não é do interesse social distorcer a concorrência.  

Uma defesa da Superliga é a de que está a criar um novo produto que, em ultima analise vai beneficiar os consumidores, oferecendo mais futebol de primeira linha. Tal como já acontece, ao existirem diferentes escalões nacionais e provas Europeias destinadas apenas aos melhores clubes que, tal como a superliga, aprofunda a diferença de meios financeiros entre os milhares de clubes existentes. Competindo ao mercado, aos consumidores, escolher o que deseja. Mais equilíbrio e diversidade , ou menos diversidade, mais qualidade e equilíbrio no topo da pirâmide. Deixando ao consumidor a liberdade de  escolha do que pretende, inclusivamente continuar a seguir o seu pequeno clube de coração. 

Não é pois uma questão simples, mas o modelo proposto enferma de um vício insanável: alguns fornecedores decidirem em causa própria, podendo impedir, apenas pelo seu  interesse, a entrada no mercado de quem assim o mereça ou seja pretendido. E neste sentido, esta iniciativa não parece ser aceitável. Em nome da concorrência, que deve ser sempre protegida a todo o custo.



6 comentários

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De balio a 19.04.2021 às 09:13


a concorrência, que deve ser sempre protegida a todo o custo


Parece-me que, pelo contrário, a nova liga vai aumentar a concorrência, que em muitos campeonatos nacionais é atualmente muito escassa...


Vai também aumentar a concorrência entre diversas competições (as nacionais, e as duas ligas europeias existentes) e a nova liga...


E vai também aumentar a concorrência entre os canais televisivos que as transmitem...
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De balio a 19.04.2021 às 09:41


Eu quando lia blogues liberais aprendi que é crucial para a existência de concorrência a liberdade de estabelecimento, ou seja, a liberdade de instalar novos negócios (e novos modelos de negócio).
Neste caso eu vejo precisamente isto, um conjunto de clubes que pretendem estabelecer uma nova competição e um novo modelo de competição.
Só a livre concorrência dirá, no futuro, se a nova competição e o novo modelo são melhores ou piores do que os atualmente existentes.
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De lucklucky a 21.04.2021 às 17:20

Precisamente, este é um post do anti-liberdade do autor.
Eu não penso que seja boa a  decisão destes clubes, mas têm todo o direito de seguirem o seu caminho.
Note-se aliás o coro anti-liberdade pelos jornais nacionais e internacionais com comportamentos indignos.
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De Costa a 19.04.2021 às 12:43

Ainda não é, então, suficiente, a carga futebolística imposta sobre as nossas vidas: jogos praticamente todos os dias da semana e praticamente todos dias da semana gerando, por cada noventa minutos de jogo e em edificantes demonstrações de cultura e urbanidade, horas e horas de "antevisões", "rescaldos", "análises de incidências" e outras importantíssimas actividades como por exemplo o minucioso acompanhamento "do mercado", o submisso e incessante panegírico das "estrelas", do "melhor do mundo", dos "heróis" (heróis de quê; em nome de que superior valor colocaram e colocam, necessariamente de forma desinteressada, as suas vidas seriamente em risco ao andar aos pontapés na bola?), suas mansões, aviões, barcos, carros, locais de férias, crimes fiscais e outras manifestações de exemplar cidadania. E, naturalmente, as nádegas ou outros salivantes pormenores da anatomia das suas namoradas.


Venha lá então mais do mesmo. Haverá mercado.
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De Anónimo a 19.04.2021 às 14:40

Caro Luís,


Uma situação deste tipo, acabará a prazo, por impor uma carga aos consumidores, mesmo aqueles que não têm clube e que só querem ver futebol. 
As equipas ricas, ficam cada uma com 36 ( ou porque não 60) dos melhores futebolistas, os outros clubes ficam sem artistas, ninguém paga para ver o seu futebol. Os clubes empobrecidos deixam a formação e todo o futebol sofre a todos os níveis. 
Ou seja, o mercado deixa de ser concorrencial, livre. E como sempre acontece nestas circunstancias, é a sociedade a pagar. 
Se estes clubes abandonarem a UEFA e as federações, já penso que a concorrência será mais discutíveis, pois tratar-se á de outro mundo. 
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De Anónimo a 19.04.2021 às 19:23

Se os clubes e jogadores da superliga ficarem impedidos de concorrerem nas outras ligas, o ganho pode ser menor do que pensam. Há uma componente regional no apoio a clubes de futebol pelos adeptos que iria desaparecer.
Daqui a alguns anos se os clubes da superliga não jogarem com os outros, não podem provar a sua superioridade e a competição começará a ser um clube privado muito caro. Além disso os países que não estão nem podem estar representados começam a desintressar-se.

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