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Super ministros

por henrique pereira dos santos, em 31.03.22

Li um dia destes uma crítica ao modelo de Governo que integra superministros, referindo Valente de Oliveira ou Pina Moura, nos governos de Cavaco e Guterres, como exemplos de como correu mal.

Francamente a organização dos governos é um assunto que me interessa relativamente pouco - acho sempre que os governos são muito menos importantes que o que pensam os seus membros - mas ao olhar para os três nomes citados no tal texto, Valente de Oliveira, Pina Moura e Mariana Vieira da Silva, não pude deixar de sentir algum incómodo.

Eu fujo como o Diabo da cruz do reaccionarismo associado ao "antigamente é que era bom" e expressões do género, fazendo um esforço para racionalizar o facto de ser eu que estou, hora a hora, mais velho e com mais desesperança, o que me leva a olhar para o que se passa hoje com olhos diferentes daqueles que usava para ver o que se passava ontem.

Mas mesmo com todo esse esforço, não há como não reparar nas diferenças de história de vida anterior ao facto destes três serem superministros.

Dos três apenas tive contacto pessoal directo com Valente de Oliveira, que foi uma das duas ou três pessoas que, lendo o livro que escrevi sobre a evolução da paisagem rural ao longo do século XX, tiveram curiosidade em conversar comigo. Do que resultou um almoço muito simpático em casa de um amigo comum que se encarregou de criar as condições para essa conversa, mas isto já foi muitos anos depois de ter sido um super ministro, já numa fase de total afastamento da vida política.

Admito que este almoço não esteja a influenciar a minha opinião sobre a comparação da experiência de vida prévia destes três super ministros.

O que para mim está em causa não é qualidade de cada um destes três nomes, tenho mesmo dificuldade em ter opinião sobre a qualidade de servidores públicos de cada uma destas três pessoas, mas há um facto objectivo inegável: ninguém conhece qualquer vida profissional de Mariana Vieira da Silva fora das paredes do partido socialista e suas metástases no Estado e afins. E, como se não bastasse, para afunilar ainda mais a sua experiência de vida, a sua casa de família era já uma espécie de secção do PS, tendo passado directamente do ISCTE para os meandros dos governos do PS, sendo adjunta aos 27 anos (sim, eu sei que antes trabalhou para as união das mutualidades, contratada por um notório militante do PS, mas o que é isso se não mais uma metástase do PS).

"Mas tudo cansa! Apagam-se nas frentes
Os candelabros, como estrelas, pouco a pouco;
Da solidão regouga um cauteleiro rouco;
Tornam-se mausoléus as armações fulgentes".



6 comentários

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De anónimo a 31.03.2022 às 11:35


Sem dúvida. É bem diferente a capacidade executiva de quem tem experiência de gestão no privado e de quem anda pelos corredores de um partido.

Em português corrente uns responsabilizam-se pela necessidade de regularizar a estrutura, ordenados, fornecedores e impostos... sem mencionar os acionistas.

Os outros sabem que quer cometam erros de gestão, quer não, ao fim do mês estará um salário"zinho" na conta bancária. E, neste caso, todos os cidadãos são acionistas, à força, de TAPs, pontes, auto-estradas....

Mais um desastre anunciado, a actual UE/Alemanha parece não estar com grande disposição de tornar a amparar demagogias.
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De anónimo a 31.03.2022 às 18:19


Não esquecendo que o privado tem que oferecer ao cliente algo que ele goste e a melhor preço que a concorrência. Por cá os "políticos" não têm esse problema.

Políticos que nunca tiveram o seu nome num boletim de voto e venceram essa eleição são personagens que apenas existem, politicamente, porque pertencem a um partido. Basta-lhes uma razoável dose de diletantismo, a que o sistema lhes proporciona.

Uma maioria absoluta?. De quem?. Afinal 3/4 do eleitorado ou os ignorou ou especificamente votou contra.
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De balio a 31.03.2022 às 15:21


ninguém conhece qualquer vida profissional de Mariana Vieira da Silva fora das paredes do partido socialista e suas metástases no Estado e afins



Não vejo nada de terrivelmente grave nisso.


Cada pessoa tem a profissão que escolhe. Especializa-se nela. Mariana especializou-se em ser uma gestora estatal. É uma especialização como qualquer outra. Ela conhece as pessoas certas, as portas às quais bater, os procedimentos a adotar, as pessoas a respeitar.


Adam Smith ensinou-nos as vantagens da especialização e da divisão do trabalho. Gerir as coisas do Estado e do Partido é uma especialização tão meritória como qualquer outra.
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De henrique pereira dos santos a 31.03.2022 às 15:53

Sim, Luís, é por isso que os primeiros ministros se escolhem através de uma selecção tradicional feita por técnicos de recursos humanos.
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De Anónimo 78 a 01.04.2022 às 11:21

Por motivo de decência básica, não colocaria Valente de Oliveira no mesmo patamar que Pina Moura e Mariana Vieira da Silva. Da última já HPS disse o essencial com a elegância - que a mim me falta - de não frisou preto no branco, que é uma filha do papá.


Do segundo lembro a "boutade" de Sousa Franco, ex-colega de Pina Moura no governo e presidente do Tribunal de Contas que a ele se referiu como o representante do governo espanhol no conselho de ministros. Que me lembre, nem foi desmentido nem processado. 
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De pitosga a 01.04.2022 às 15:31

Foi esta mulher que disse haver dois conceitos de risco com a covid: o de Arganil e o de Lamego.  Bestial...

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