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Sugestão aos partidos a propósito de Robles

por henrique pereira dos santos, em 29.07.18

O caso de Robles tem duas lições essenciais:

1) O desfasamento entre o que se diz e o que se faz tem limites (aparentemente a desorientação do BE na reacção ao caso resulta de não reconhecer esses limites, o que é compreensível visto que há três anos que o BE faz o mesmo que Robles, isto é, dizer uma coisa e fazer outra, e sempre conseguiu resolver os poucos problemas que isso tem criado no espaço público com histórias da carochinha como a deputada Mariana Mortágua dizer-se enganada pelas cativações de um ministro que só é ministro porque o BE quer);

2) O mercado imobiliário em Lisboa é hoje um mundo de oportunidades.

Juntando estas duas lições, tenho uma proposta a fazer aos partidos, ilustrando-a com o PS mas válida para todos.

A sede nacional do PS é no meio de Lisboa, numa das zonas mais valorizadas do país do ponto de vista imobiliário, num edifício que valerá hoje vários milhões, a julgar pelo valor atribuído aos prediositos de Robles.

O PS tem batalhado bastante, no discurso, claro, pela descentralização, tendo mesmo apoiado o governo na heróica decisão de mudar o Infarmed para o Porto.

Este discurso tem um problema, é que pode alguém perguntar por que razão o partido, qualquer partido nacional, tem a sua sede em Lisboa, ao mesmo tempo que clama pela descentralização, a revitalização do interior, o benefício de quem vive e cria economia no interior, etc. (uso aqui interior por economia de comunicação, que o país não tem interior, é todo litoral).

A oportunidade política de reforçar a confiança dos eleitores no que dizem parece-me evidente: vendem o património em Lisboa, que está muito valorizado e permite financiar os custos desta alteração estrutural, contribuem para o aumento da oferta de edifícios em Lisboa, ao mesmo tempo que deslocam funções, pessoas, economia para outras cidades menos pressionadas, como Braga, Viseu, Castelo Branco, Beja, já para não falar na hipótese de ter a sede nacional em Pedrogão (a associação nacional em cuja fundação me envolvi, por acaso, tem a sede em Vouzela, por mim podemos fazer uma parceria com qualquer um dos partidos que queira levar a sua sede nacional também para Vouzela).

O que Robles fez foi lembrar-nos de António Aleixo: "Vós que lá do vosso império prometeis um mundo novo, calai-vos que pode o povo querer um mundo novo a sério".

Por isso talvez fosse boa ideia antecipar-vos à pergunta que, cedo ou tarde, alguns eleitores vos farão: afinal devemos acreditar no vosso discurso sobre o equilíbrio territorial, ou na vossa prática organizacional?

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1 comentário

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De Anónimo a 29.07.2018 às 19:50

Não posso concordar mais com o que foi dito sobre estes "revolucionários" feitos à pressa que acham que é muito bom "mandar bitates" sobre o património dos outros e depois, na primeira oportunidade são literalmente apanhados em escandalosa incoerência.

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