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Substituir dogmatismo por inteligência

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.09.20

No Expresso, vi uma proposta muito interessante de Luís Cabral. Considerando que parte da substituição de trabalho humano por maquinas se deve á alta taxação do trabalho, propõe que as contribuições para a Segurança Social de Trabalhadores e Entidades patronais seja extinta. Passe a zero. Sendo substituída por outros impostos que não onerem o custo do trabalho.

O racional da proposta é que, ao ficar mais barato, o trabalho só será substituído por maquinas, se for mesmo muito mais barato, ao contrario do que acontece hoje. No caso de inovações que aumentem a produtividade da sociedade, esta medida não impede a tão útil transição tecnológica que traz progresso.

A taxação excessiva do trabalho, tal como o salário mínimo,  é mais uma das muitas distorções que impede a nossa eficiência, e que tem alternativas, como esta. O desemprego tem que ser combatido com todas as armas que estiverem á nossa disposição.

É preciso pensar fora da caixa e substituir dogmatismo por inteligência.

 

PS: Aos mais preocupados com os possíveis lucros das empresas, há que descansa-los: a diminuição do custo do trabalho será compensada por aumentos de salários e diminuições dos preços de bens antes de impostos. O verdadeiro beneficio será de não termos pessoas desempregadas, porque no custo de uma maquina não se contabilizam impostos tão elevados como no trabalho.



10 comentários

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De balio a 28.09.2020 às 14:27


Ainda que se eliminem os impostos sobre o trabalho humano, o trabalho humano permanecerá muito caro. Continuará a ser estimulante substituí-lo por robots, embora menos estimulante.
As contribuições para a Segurança Social não são impostos. São como que a apólice de um seguro; paga-se uma contribuição como quem paga uma apólice de um seguro contra a doença, contra o desemprego, ou contra a velhice. As contribuições para a Segurança Social não podem, portanto, ser extintas. Extinguir tais contribuições seria como permitir que um desportista não tivesse seguro de acidentes no seu desporto, ou que um trabalhador não tivesse seguro de acidentes de trabalho.
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De Jose Miguel Roque Martins a 28.09.2020 às 18:29

Concordo. Essas importâncias, hoje para a segurança social, seriam colectadas de outra forma ( impostos) que  reporiam a falta de receita desses fundos. È evidente que não é fácil fazer uma combinação exatamente idêntica, mas é possível encontrar uma solução  ( aumento de Iva, aumento de taxa de combustíveis etc) que promova idêntica recolha. 
Um beneficio adicional seria o facto de a competitividade nacional, enquanto os outros países não fizessem um movimento similar, ser muito maior. 
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De balio a 29.09.2020 às 10:59

Discordo, absolutamente. Isso seria como colocar o IVA a financiar os seguros automóveis de quem tem automóvel, para tornar a posse de automóvel mais barata. A Segurança Social é algo que está inextricavelmente ligada ao trabalho, e deve portanto ser paga pelo trabalhador (na prática, pelo seu empregador) e não por terceiros. Não devem ser os impostos pagos por todos a financiar a doença ou a reforma de trabalhadores específicos.
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De Anónimo a 28.09.2020 às 19:52

Neste seu texto você parte de um pressuposto falso, tão falso quanto o que aponta que a redução dos salários (ou a não existência de um salário mínimo, por exemplo). Sem entrar pelo que é a estrutura de custos da produção e da parte dos salários nesses custos, a falsidade do seu argumento advém da afirmação de que as empresas substituem trabalhadores por robots por causa dos salários altos (mesmo os salários efectivos, os salários directos recebidos e os indirectos para a segurança social). Se assim fosse, a robotização tenderia a ocorrer nos países e ramos da produção de salários baixos em vez de ocorrer maioritariamente nos ramos e países em que os salários são altos (o que torna duplamente falso o seu argumento).
A robotização crescente da produção não tem relação directa com os custos do trabalho (com os quais existe apenas uma relação indirecta), mas fundamentalmente com o aumento da produtividade que proporciona, o que permite reduzir os custos de produção e aumentar a competitividade de umas empresas em relação às concorrentes, aumentar a produção, reduzir o ciclo de rotação do capital circulante e, eventualmente, aumentar a lucratividade. O número de trabalhadores dispensados pela robotização tenderá a ser marginal, mesmo que possa ocorrer na produção directa nalguns ramos, aumentando o emprego nos ramos de produção e de manutenção dos robots.
O aumento da produtividade proporcionado pela robotização tem como senão o aumento da produção, porque em geral a produtividade não cresce significativamente com a produção constante. Como o problema das empresas nunca foi produzir as mercadorias (seja com que tecnologia for), mas vendê-las, o aumento da produção traz consigo o risco acrescido das crises de sobreprodução. O caso paradoxal do seu argumento seria a produção realizada por robots produzidos por robots, que com tanta produtividade não conseguiriam consumir o que produziam. Em tal situação paradoxal, de que viveriam os seres humanos e com que rendimentos comprariam o que quer que fosse? Não creio que a humanidade produza a sua extinção de forma tão deliberada.
JMC.
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De Anónimo a 28.09.2020 às 20:52

Tanta treta
De que falamos?
Somos seres humanos ou maquinas!
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De marina a 29.09.2020 às 10:40


Que disparate , god.  as máquinas não chateiam , não se enganam , não faltam ao trabalho , não mexericam umas com as outras , não são inconstantes na produção , não requerem capatazes and so on. Têm para lá umas avarias pontuais e é só..
E o preço absurdo da energia ? não podem pensar por aí ? atinge igualmente máquinas e pessoas e encarece a produção como tudo.
O salário mínimo é que também é um grande impeditivo para recompensar os melhores trabalhadores , que  têm passar assim parte do salário que mereciam para os colegas paspalhões. Deve ser das coisas mais injustas que existem no mundo do trabalho. O sistema de pagar à tarefa e não à hora é bastante melhor mas não dá para todos os trabalhos.
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De EMS a 29.09.2020 às 15:20


" há que descansa-los: a diminuição do custo do trabalho será compensada por aumentos de salários e diminuições dos preços de bens antes de impostos"



Portanto os empregadores ficarão tão agradecidos pela baixa dos custos do trabalho que passam a pagar salários mais altos apenas para desfrutarem de um prazer altruísta.
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De Jose Miguel Roque Martins a 29.09.2020 às 16:00

encarecer o trabalho, torna-o menos competitivo. 
A forma como se financia a SS não é relevante desde que aconteça. 
Por isso o tema fala de dogmatismo. 
Há que penso fora da caixa para resolver problemas agudos!
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De Jose Miguel Roque Martins a 29.09.2020 às 16:02

encarecer o trabalho, torna-o menos competitivo. 
A forma como se financia a SS não é relevante desde que aconteça. 
Por isso o tema fala de dogmatismo. 
Há que pensar fora da caixa para resolver problemas agudos!
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De Anónimo a 29.09.2020 às 21:46

Se é para pensar fora da caixa, então por exemplo ajustando as remunerações.
dos 23.75%:
15% aumento do salario bruto
5% aumento do desconto do trabalhador
3,75 %desaparece reduzindo os custos da empresa.

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