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SOS Turismo

por João Távora, em 05.08.17

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O Instituto Nacional de Estatística divulgou ontem os números relativos à actividade turística em 2016 em Portugal que espelham o sucesso deste sector de actividade económica: as receitas do turismo cresceram 10,2%, significando um total de 12,7 mil milhões de euros de exportações, que correspondeu a um aumento de 10,7% na oferta, onde se inclui hotéis, turismo rural e alojamento local, correspondendo o peso deste último a 11% do total nacional em dormidas.

Tudo isto significaria apenas boas notícias não fora os problemas que se antevêem com a massificação do Turismo nos maiores destinos turísticos da Europa como é exemplo o caso de Barcelona de onde nos chegam sinais de falência do modelo de negócio. Se é certo que há um aproveitamento político pelos movimentos de extrema-esquerda cuja intenção é tão só a contribuição para um caos que favoreça o crescimento da insatisfação popular, esse facto por si alerta-nos para a fragilidade desta indústria que se sustenta fundamentalmente na paz social… e no bom acolhimento. Um caso preocupante é aquele recente que li algures do apedrejamento de um autocarro panorâmico de turistas por um grupinho de radicais em Barcelona. Um artigo publicado hoje no Expresso enumera uma quantidade de problemas que esta cidade enfrenta, quando as consequências da invasão turística parecem estar a tornar-se numa ameaça real à tranquilidade dos seus habitantes, que já entendem o Turismo como o segundo maior problema da cidade, depois do desemprego. E cá pelo burgo, quem andar atento às redes sociais apercebe-se de uma onda crescente de insatisfação de muitos lisboetas com aquilo que entendem como uma invasão, principalmente oriunda de residentes ou frequentadores de zonas mais emblemáticas da cidade.
Como liberal que sou, isso não me impede de constatar que a prazo teremos um problema grave a enfrentar. Recomendam-se políticas contra a gentrificação dos centros das nossas cidades e a sua consequente descaracterização e abandono (fenómeno que antecede em muito o crescimento do turismo), e preocupa-me a costumada incapacidade dos governos agirem preventivamente com reformas que nos salvaguardem de futuros problemas previsíveis. Políticas de regulação terão de ser empreendidas quanto antes, por forma a preservar a oferta turística existente, diversificando-a e valorizando-a de modo a aumentar o seu rendimento, em vez do seu número. A aposta deverá ser na qualidade no lugar da quantidade. O turismo é uma actividade económica demasiadamente importante para deixarmos que, a prazo, se autodestrua.

 

Fotografia minha.

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