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É mais ou menos consensual a ideia de que dizer, no actual contexto, que um acto terrorista não surgiu do nada, é manifestamente desadequado e só pode ser intrepretado como foi, quer pelos que criticaram a afirmação, como Israel, quer pelos que estão de acordo com a afirmação, no contexto em que foi feita, como o Irão.
Há, no entanto, outra ideia, que também está presente nesse discurso, que merece atenção, a ideia de que por mais atroz que tenha sido o ataque do Hamas, nada, nem isso, justifica uma punição colectiva dos palestinianos.
E merece atenção porque, à partida, muita gente subscreve a ideia de que não faz sentido haver punições colectivas atribuindo a grupos sociais maiores o que na verdade é da responsabilidade de pessoas concretas ou de organizações concretas.
Tinha começado por escrever que toda a gente subscreve a ideia da ilegitimidade da culpa colectiva, mas alterei por me ter lembrado das intensas campanhas dos neo-racistas, pretendendo imputar ao homem branco actual a responsabilidade por actos praticados por outros homens brancos há dezenas de anos atrás. E lembrei-me das desculpas variadas que agora é moda responsáveis políticos ocidentais apresentarem pela história dos seus povos (essa moda diz respeito a apenas alguns assuntos, nunca vi ninguém questionar o secretário-geral do partido comunista português sobre se tenciona apresentar desculpas aos descendentes das vítimas dos comunismo).
Voltando à punição do povo palestiniano, vale a pena discutir o que verdadeiramente está implíticito nessa ideia.
Comecemos pelo que é evidente e claro: a maioria das vítimas do conflito na Palestina são as pessoas comuns que, ou nos territórios palestinianos, ou nos países que os receberam como refugiados, estão limitados, quando não mesmo impedidos, de fazer escolhas, de ter a vida que decidirem ter.
O segundo ponto de partida é que em situações como a actual, o número de vítimas é maior e as provações que sofrem bem mais intensas, não faz o menor sentido negar a emergência humanitária que resulta do ataque do Hamas, seguido da resposta de Israel.
Questão diferente, e muito relevante, é a de saber se Israel está a responder militarmente a uma ameaça, tendo danos humanitários colaterais, ou se está a punir colectivamente os palestinianos, como pretende Guterres e muita gente com ele.
Dito que outra forma, os danos reais e observáveis sobre civis e as principais vítimas existem, mas não é indiferente serem o resultado pretendido por Israel ou serem um dano colateral de uma estratégia de defesa de Israel.
Bem sei que para quem morre, é irrelevante saber se a bala lhe era dirigida ou se lhe entrou na cabeça por engano, mas para os outros, para nós quase todos, essa distinção é fundamental e está bem caracterizada no processo judicial: não é indiferente, na aplicação da pena, eu matar o meu vizinho porque não gosto dele ou porque caiu da escadas abaixo por ter tropeçado em mim.
Ora, tanto quanto me parece, não há nada, absolutamente nada, na actuação de Israel, que permita pensar que o objectivo de Israel é punir os palestinianos colectivamente, e não neutralizar o Hamas (independentemente de haver sempre israelitas que quererão erradicar os árabes do mundo).
Dir-se-á que aconselhar as pessoas a dirigir-se para o Sul de Gaza, onde as condições de sobrevivência são precárias, é desumano.
Eu acho que desumano é o apelo do Hamas para que as pessoas não saiam de onde estão.
Dir-se-á que bombardear objectivos militares na zona Sul de Gaza é desumano.
Eu acho que desumano é o Hamas manter a sua estrutura militar embebida em contextos civis.
Dir-se-á que privar Gaza de alimentos, água, energia e medicamentos é desumano.
Eu diria que desumano é o Hamas manter a operacionalidade da sua estrutura militar parasitando a ajuda internacional às vítimas.
E poderia continuar por aqui fora, que na verdade estaria sempre a fazer a mesma pergunta: para além da cristianíssima atitude de dar a outra face, o que pode Israel fazer perante uma força militar que faz da sua população escudo para a sua actividade, quer para proteger essa estrutura militar, quer para poder usar qualquer acidente contra Israel, como fez no caso do hospital, fará com certeza nos inúmeros erros no lançamento de rockets (serão já centenas os rockets palestinianos que caíram na faixa de Gaza por engano, o do hospital foi o mais grave e mais mediatizado, mas há centenas de outros, provavelmente sem consequências na maioria, mas cujos efeitos serão sempre, sempre atribuídos aos bombardeamentos israelitas)?
Pode, na opinião das agências da ONU no terreno, e pelos vistos na opinião do seu secretário-geral, estabelecer um cessar-fogo para proteger as principais vítimas, mesmo que isso signifique o reforço, reorganização e reabastecimento do Hamas (que a ONU continua a recusar classificar como um grupo terrorista).
Compreendo que sendo essa a alternativa, Israel não esteja interessado nela, não porque queira punir colectivamente os palestinianos, mas porque não vê como possa combater eficazmente o Hamas sem ter danos colaterais em vítimas inocentes (cuja dimensão não sabemos, os números que existem, mesmo os veiculados pelas Nações Unidas, têm como única fonte o Hamas, o mesmo que disse o que disse sobre o erro do bombardeamento do hospital, que rapidamente foi adoptado pelas agências da ONU como uma descrição factual do que tinha acontecido, até que as enormes incongruências da história tornassem impossível subscrever a propaganda do Hamas).
E, mais ainda, compreendo os israelitas que se mandam ao ar com todo este charivari sobre a actuação de Israel (que, com certeza, terá erros, abusos, etc.) que é simultâneo com o silêncio sobre a inacreditável política de financiamento, apoio, organização e armamente do terrorismo seguido pelo Estado iraniano.
Sim, as pessoas comuns da Palestina são as principais vítimas disto tudo, mas, neste momento, o principal agressor é o Irão, não é Israel.
8 – Os EUA e a UniãoEuropeia apoiam Israel, justificando que são do mesmo Deus. Aliás, foi essa “propagação da Fé” (e do domínio económico e saque aos recursos desses Povos dos Outros) que fizeram nas Cruzadas, no Colonialismo, na Escravatura, nas “reservas” dos Índios Norte Americanos (iguais às de Gaza e da Cisjordânia), aos “Aborígenes Australianos”, aos “Ameríndios do Canadá”, em África, na América, e por todo o Mundo.
9 – É A HERANÇA JUDAICA-CRISTÃ. A falar mais alto do que a razão e a moral. Os “efeitos colaterais” desta herança são as VÍTIMAS dos seus crimes de assassínio e genocídio.
10 – O problema é se os Outros se fartam, e passam a usar este mesmo argumentário para fazerem o mesmo que os da herança judaica-cristã lhes fizeram. Também em nome dos seus deuses e dos livros sagrados das suas religiões.
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