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Paulo Guilherme diz que vendeu unidades do Montepio com "prejuízo"

O Banco Montepio é hoje uma equação impossível. Como limpar o balanço, crescer o negócio sem capital? 

Se a flexibilidade do BCE para o capital regulatório, no fim da crise, acabar, como é que o Banco Montepio vai reconstruir as almofadas de capital regulatório? É um quadratura do círculo.

A Associação Mutualista tem 600 mil associados que têm aplicações em produtos de poupança, cujo o ativo que os alimenta é o banco. Logo o Banco Montepio não pode ser vendido. A maioria do capital do banco tem sempre de ser da Mutualista.

Mas se for preciso um aumento de capital a Mutualista não tem dinheiro para subscrever. Como é que se resolve este enigma? 

Como se capitaliza o Banco Montepio e se prepara o banco para o que vem aí?

Se o banco for resolvido não são apenas os credores do Banco que perdem tudo, são também os mutualistas, que são os acionista do banco, são os reformados que têm os produtos de poupança regulados pela Segurança Social e que ficam sem nada.

Agora se percebe o erro que foi a oposição política (do Bloco de Esquerda e do PCP, mas não só, a direita também alinhou, incluindo o PSD de Rui Rio e até o CDS) à entrada da Santa Casa da Misericórdia no capital do banco. Um erro colossal, que vai custar caro e que ninguém nunca vai admitir.

Todos os que impediram, com todas as forças, a entrada da Santa Casa da Misericórdia com 200 milhões no Banco Montepio ponham a mão na consciência, porque ali podia estar a salvação da instituição. Se a Santa Casa fosse acionista e injetasse dinheiro no Banco Montepio, o banco teria sempre alguém que capitalizasse a instituição financeira. O banco teria dinheiro para limpar o balanço e podia crescer a atividade e até dar lucros que justificassem o investimento da Santa Casa.

Mas há ideias boas que são condenadas por preconceitos ideológicos. Portugal é sempre muito mais eficaz a criar bloqueios do que a criar soluções. E assim nunca saímos da cepa torta e qualquer mudança é sempre para pior.

Não nos fiquemos por aqui. A situação do banco representar 80% dos ativos da Mutualista também é uma factura a passar aos governos (aos ministérios da segurança social) que o permitiram. Assim como os DTA (ativos por impostos diferidos) que o Ministério das Finanças permitiu para recapitalizar contabilisticamente a Mutualista, ainda seja parca a possibilidade de existência de lucros futuros que justifiquem esses créditos fiscais. Tudo coisas que não devem ficar esquecidas se o futuro do Banco Montepio não correr bem (e esperemos que não aconteça o pior). 

Nessa altura, onde vão estar os críticos que atiraram pedras aos governos que foram contemporâneos dos casos BES e Banif?

O tempo ainda nos revelará como a oposição à entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital do Banco Montepio foi um erro crasso. Mas na altura vai tudo assobiar para o lado e acusar quem mais for mais conveniente e estiver mais à mão.

 



9 comentários

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De voza0db a 23.11.2020 às 23:40


Quando mais depressa for à vida melhor...


Já tenho saudades de ver velhos e velhas na rua a reclamar com testos e panelas!
Aliás, vendo bem, esta é a altura ideal para uma engenharia financeira pois com o PÂNICO CUVID não há velho ou velha que venha para a rua reclamar.



Quem não aprendeu NADA com o último ataque dos TERRORISTAS FINANCEIROS de 2007/8 só merece ficar a zeros.
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De Anónimo a 24.11.2020 às 10:00

O problema é que infelizmente os 200 milhões da santa casa não seriam e não serão suficientes para resolver o problema de capital do montepio. Se tivesse entrado com 200 milhões tinha se estragado quer o banco (que acho inevitável) quer a santa casa. Não sei qual a solução possível (aqui não há soluções ideais) mas para se resolver o problema tem de se solucionar ao mesmo tempo o problema do banco e da mutualista. Poderá passar pela resolução do banco e ao mesmo tempo pela absorção da mutualista pela segurança social (pagamos todos o pato) embora não veja como isso se encaixe nas regras europeias. 
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De balio a 24.11.2020 às 10:04

a oposição política (do Bloco de Esquerda e do PCP, mas não só, a direita também alinhou, incluindo o PSD de Rui Rio e até o CDS) à entrada da Santa Casa da Misericórdia no capital do banco. [...] ideias boas que são condenadas por preconceitos ideológicos



Então o PSD (e até o CDS), o PCP e o BE têm todos eles um mesmo preconceito ideológico?! Eles têm a mesma ideologia?!
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De Anónimo a 24.11.2020 às 10:07

só vai para político profissional quem não sabe fazer nada
detesto o estado qualquer que ele seja
até aguentamos o tó da bazuca
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De Anónimo a 24.11.2020 às 11:02

"Todos os que impediram, com todas as forças, a entrada da Santa Casa da Misericórdia com 200 milhões no Banco Montepio ponham a mão na consciência, porque ali podia estar a salvação da instituição. Se a Santa Casa fosse acionista e injetasse dinheiro no Banco Montepio, o banco teria sempre alguém que capitalizasse a instituição financeira. O banco teria dinheiro para limpar o balanço e podia crescer a atividade e até dar lucros que justificassem o investimento da Santa Casa."


Basta injetar algum capital no banco e tudo se resolve. É uma frase recorrente que tem sido dita acerca de todos os bancos da nossa praça e que até hoje foi sempre mentira. No caso do BES até se andou a dizer que se ia ganhar dinheiro com o investimento. Já vimos que o contribuinte vai pagar os calotes e a má gestão do Montepio, ninguém tem dúvida disso (vão-lhe chamar imparidades e crise financeira). Já agora é melhor não ter de acudir também à Misericórdia.
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De Anónimo a 24.11.2020 às 12:33

Brilhante artigo. Mais um crme da responsabilidade das forças politicas da IIIRepúblca .Irresponsáveis . Quem vai Pagar ? Os politicos  a começar pelo PR? Nem pensar .A poupança  dos portugueses é que vai pagar a factura
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De lucklucky a 27.11.2020 às 20:55

Crime? fez a contas para saber se 200 milhões estariam ali melhor que noutro lado?
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De Manuel Ó Pereira a 29.11.2020 às 01:09

Não fale do que não sabe. A seguir aos 200 milhões seriam necessários mais 1,5 mil milhões. O buraco ronda os 2 mil milhões... O banco é absolutamente inviável ... Se não fosse a solução política Geringonça o problema tinha sido resolvido ... mas como a Associação Mutualista salvou o PS da falência os favores têm que ser pagos ... 
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De Maria Teixeira Alves a 09.12.2020 às 23:03

Buraco do banco? De 2 bi? Quer explicar como é que chega a esse número?

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