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Sinistras ideias de borla

por João-Afonso Machado, em 30.11.18

ABERTURA REDES (2).JPG

Entrados no mar e vencida a rebentação das ondas, os barcos vão até muito longe, lançam as redes e regressam. Mais não fora, tão biblico procedimento valerá o ataque. Mais adiantemos algo mais:

O par de horas seguinte é de grande sofrimento para os bois. Não nos enganem as imagens do presépio - os bovinos nasceram também para puxar as redes de pesca no seu arrasto de centenas de metros.

Arte xávega, esse o nome da monstruosidade praticada aqui e ali, ao longo da nossa costa, de Espinho à Caparica, com alguns episódios no Algarve. Atrelados às cordas das redes, os bois puxam-nas até ao cimo do areal. Uma vez lá, são desengatados e vêm em corrida desabrida até às águas, onde reiniciam a operação. A rede, sempre captando peixe, cresce em peso, tanto quanto cresce o cansaço dos animais. O remédio é simples - trancada de três em pipa nas costas do gado que muge, urra, de lingua de fora, esbaforido, as pratas enterradas na areia, incapazes de um passo além. Que vai dando, porém, sempre à força de porrada.

Bois mansos, cujo tormento estival é o narrado, salvo onde já foram substuídos por... tractores.

Agora os peixes que Jesus um dia multiplicou, e os portugueses vão subtraindo sem grandes critérios. Aliás, um assunto com actualidade política e com a Esquerda espantosamente desatenta. - Os peixes, esses infelizes, morrendo aos milhares e milhares todos os dias, afogados (ao contrário dos humanos) fora de água.

Volvendo à arte xávega, é somar os turistas em redor das redes, à chegada destas, num roldão, os peixes esmagando-se numa pasta multiespécie, com um ou outro, preso nas pontas, a conseguir libertar-se, ainda na espuma, quase no retrocesso da próxima onda, não fora a voz

- Eh Remígio, olha esse robalo que vai fugir!

E o Remígio, afoito, a enfiar no robalo um portentoso chuto que o leva para o meio da praia. A contorcer-se, enfarinhado em areia, melhor seria atirá-lo logo para a frigideira.

O demais peixe passará suplício idêntico, caso não lhes sorria a fortuna da morte por esmagamento. Sempe espinoteando, gozosamente (como alguns mistérios do Terço...) apartados - cavalas, carapaus, sardinhas, robalos, sargos - em cabazes e levados à lota e leiloados ainda vivos, no estertor da asfixia - ou asfixiando ainda, quando não, ao entrar na cozinha para serem estripados e comidos fresquinhos.

É assim na arte xávega, na pesca do alto mar, até mesmo em alguma desportiva. Só não se percebe é como as meninas do BE e o Sr. André já-não-me-lembro-do-resto ainda não deram por isso. Porque, de certeza, a nossa tradição piscatória (com raízes tremendamente cristãs) e a nossa economia não justificam tais barbaridades.

Além disso, o macho da cavala há de chamar-se cavalo, visto não ter sido feito duma costela da fémea e por cá sermos todos iguais. Se tem escamas ou patas, a Esquerda que se vá dando conta das burrices que propaga.

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