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Sic transit

por Pedro Picoito, em 17.05.19

Então é assim. Houve um tempo em que Berardo, Sócrates e companhia, Faustos lusos e lusos faustos, patos bravos e patos mansos,  pequenos e grandes burgueses, venderam a alma ao poder, à glória, ao dinheiro, velhos afrodisíacos dos pobres de espírito. Tiveram mulheres, carros, viagens, acções, bancos, empresas, partidos, governos, assembleias gerais, maiorias absolutas, apartamentos em Paris, montes no Alentejo, museus em Belém e a terrível embriaguez de impor a sua vontade a todos os mortais. Hoje, arrastam-se pelos corredores vazios dos palácios por pagar, das casas emprestadas ou simplesmente da prisão, sem que o destino lhes permita ir ao café da esquina  ou olhar-se ao espelho. Valeu a pena? Cá me parece: a alma era muito pequena. E, mesmo que não fosse, o mundo de nada serve ao homem se perder a sua alma, quanto mais Portugal.

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7 comentários

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De António a 17.05.2019 às 14:08

Em relação ao dinheiro, a melhor frase que já li foi de Kanye West (logo quem).
“O dinheiro pode não ser importante, mas a falta dele é muito importante”.
Os portugueses estão a assistir, anos depois, ao que já se tinha revelado noutras economias em 2008 - quase todas as grandes fortunas das últimas décadas foram criadas em cima de fraudes colossais.
Em vez de zurzirem no Berardo, olhem para as fraudes que estão a ser geradas agora - startups, unicórnios, incubadoras, a receber biliões em troca duma mão cheia de nada.
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De JPT a 17.05.2019 às 18:59

E atrás desses vieram outros, e atrás desses outros virão. E a gente lá vai pagando, uns obrigados pelos outros, que sobrevivem das migalhas que os "Faustos lusos" sabiamente vão espalhando.
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De Martim Moniz a 18.05.2019 às 10:58

 "Do povo às “elites” (desculpem), cada elemento da presente história expõe o desconchavo pátrio, que se não fosse triste nos inspiraria a vencer o sr. Berardo num campeonato de gargalhadas. Há o pormenor de, na comissão de inquérito, o sr. Berardo ter sido interrogado pela filha, e confessa admiradora, de um assaltante de bancos reformado. Há o génio económico dos comunistas de PCP e BE, que recomendam a nacionalização total da banca para evitar as chatices provocadas pela nacionalização parcial da banca. Há a reacção peculiar do PSD, que atendeu à cartilha e se concentrou nos ataques ao sr. Berardo sem tirar uma ilaçãozinha do que o sr. Berardo significa. E há, principalmente, a condução discreta da história para a essencial temática das comendas.
No espaço que uma televisão lhe concede, o advogado barra empresário barra comentador barra fervoroso apoiante do “eng.” Sócrates e do dr. Costa, José Miguel Júdice, ameaçou devolver uma comenda se não retirassem ao sr. Berardo a dele. Num ápice, meio mundo começou a discutir a remoção da comenda, ou comendas, de modo a transformar estas no único ponto de interesse do caso. O caso, que envolve esquemas de trafulhice dignos de orgulhar o sr. Lula, reduziu-se repentinamente a uma polémica alusiva às condecorações que o Estado espalha pelos ilustres. Não importa que os ilustres em questão, de “revolucionários” a rematados patetas, incluam uma quantidade de gente sem serventia palpável. Nem importa que, por definição, o regime que entrega os penduricalhos se confunda frequentemente com os respectivos destinatários. Importa é lançar a ideia de que, mal sumam os penduricalhos do sr. Berardo, Portugal entra nos eixos. Claro que se os portugueses acreditarem nisto, acreditam em tudo. Acontece que os portugueses acreditam em tudo – e não ligam a nada. É deles que o sr. Berardo se ri. Com razão."(do artigo "O riso do senhor comendador" no Observador dia 18-05-19)
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De Anónimo a 18.05.2019 às 18:38

A propósito  a ler:

Carta a António Costa, por António Bulcão – Blog DeAr Lindo



(https://www.arlindovsky.net/2019/05/carta-a-antonio-costa-por-antonio-bulcao/)

A.Vieira
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De jpt a 19.05.2019 às 10:54

bem, pela prisão não serão assim tantos ...
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De Anónimo a 20.05.2019 às 00:38

O Tempo tem confirmado um escrito meu com mais de 40 anos:

Raras são as grandes fortunas que não começaram numa extorsão,  suave ou violenta, ou na herança dos bens dum gatuno, o que vai dar ao mesmo.


Já Mestre Aquilino escrevia em "Quando os lobos uivam":

"A maioria dos reinos, das fortunas, dos senhorios, das dominações, foram construídas pela força e argamassadas com sangue."

Pelos vistos agora, já nem é à força!

É com todo o descaramento, aval e beneplácito dos mais altos responsáveis da Nação.

 O País tem estado bem entregue, não haja dúvidas.





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De Pedro Picoito a 20.05.2019 às 12:24

O Balzac, se não estou em erro, dizia que na origem de uma grande fortuna há sempre um grande crime. É um exagero, claro. É só em metade dos casos.

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