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Sejamos pragmáticos

por João Távora, em 26.03.25

PNS.jpg

(Amanhãs que cantam? Tenham medo, muiiito meeedo!)

Tenho para mim que a política é um meio para alcançar tantos quantos possíveis objectivos, fundados em valores, dispostos hierarquicamente, para o bem comum. Como dizia sabiamente o Dr. Oliveira Salazar, “a política é a arte do possível”. Não existindo um partido que reflicta exactamente todos os meus ideais e valores, sendo absolutamente implausível um milagre (ou sangrenta revolução) que proporcionasse a implementação de todos eles, para fazer a minha opção de voto, disponho-me a hierarquizar os valores em disputa, os partidos concorrentes mais próximos dos meus, e a sua aptidão para chegar ao poder.

É com esta linha de pensamento que, dos partidos capazes de ganhar eleições (ou seja, por em prática um programa), desde logo não consigo confundir o PS, que carrega indelével a sua marca republicana e laica, herdeira do progressismo jacobino da 1ª República, com o PSD que tem um cariz bem mais liberal, que sempre conviveu pacificamente com católicos e monárquicos sem tentações progressistas. Ainda passível de entrar nesses mesmos cálculos, surge a IL que parece disposta depois de 18 de Maio a colaborar com a AD para uma solução de governo, certamente com intenções de nele imprimir uma marca de liberalismo económico mais ambiciosa. Acontece que eu sou incapaz de votar num partido que, contrariando a sua marca liberal, sempre se tem mostrado aderente à agenda fracturante no que diz respeito a costumes, ou seja, ao progressismo positivista, que vai visceralmente contra a minha sensibilidade conservadora e pessimista. Depois, escuso-me de aprofundar muito a opção pelo partido Chega, cuja agenda e programa é para mim absolutamente incompreensível, já para não falar do seu estilo desenfreadamente vulgar, para não dizer alarve. Não vai com os meus padrões estéticos. 

Finalmente, depois das últimas quatro semanas de acusações ao primeiro-ministro Luís Montenegro, iniciada sob o pretexto dum suposto conflito de interesses entre negócios imobiliários e a chamada “Lei dos Solos”; aqui chegados nenhum caso emergiu que seja propriamente escandaloso e comprometedor da sua hombridade. Pareceu-me mais uma tentativa de assassinato de carácter, oportunisticamente protagonizado pelo Chega e pelo PS.

Talvez as eleições antecipadas sejam afinal uma oportunidade para os portugueses alcançarem um governo estável e reformista à direita, só possível com uma maioria absoluta. Sejamos pragmáticos, então.


15 comentários

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De passante a 26.03.2025 às 16:16

isso dos progressos nunca fez bem a ninguém.


Ao contrário, os progressos fazem o milagre da aspirina e da electricidade, e o pessoal convence-se que os valores morais do último grito são também benéficos.


Quando descobrem que não, estão extintos. 
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De Anonimo a 26.03.2025 às 18:31

A moralidade, ao contrário da electricidade, é subjectiva. Como há diferença entre defender valores morais, ou impor valores morais.
Há quem seja pela total liberdade de expressão e ao mesmo tempo defenda que se devem banir livros.
Há uns dias ouvi um debate em que um sr maga se insurgia contra a treta ds masculinidade tóxica, que os homens nasceram para andar à porrada e que as mulheres era mais em casa a cuidar da prole. Pensei, há uma sociedade que defende isso mesmo, e nós ocidentais, ele incluído, temos receio que absorvam a nossa. Cenas.

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