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Sarna para nos coçarmos

por João Távora, em 02.11.19

Joacine.jpg

Extraordinária é a capacidade de atracção que têm os extremos em política, totalmente desproporcional à sua real representatividade nas comunidades. É um pouco como o fascínio que exerciam na populaça os circos de horrores do século XIX, com a mulher de barba ou o homem elefante. Na verdade, o Livre de Joacine, por exemplo, obteve em termos nacionais 57.000 votos (menos 10.000 que André Ventura), coisa que em relação aos 10.800.000 votantes significa pouco mais que 0,5%: ou seja, uma em cada duzentas pessoas com idade de votar. O facto é que nas últimas semanas a estreia destes protagonistas em São Bento domina as conversas de café, as redes sociais e a opinião publicada. Hoje por exemplo, a troca de galhardetes entre o comentador Daniel Oliveira e a deputada guineense no Twitter (estão bem um para o outro) está em destaque no Observador.

Mas o que interessa é pôr os pés no chão: será que as preocupações de Joacine e de Ventura reflectem a realidade do meu país? Vive a Nação o perigo de desagregação e a insegurança oprime os portugueses de tal forma que receiam andar na rua com o relógio no pulso? Vive-se em Portugal um mal disfarçado apartheid e as pessoas de cor são estigmatizadas pela segregação racial? A percentagem de votos que os elegeu indica o contrário.

Pela minha parte o meu testemunho vai pelo mesmo caminho: nos sítios por onde circulo faço-o em segurança, seja na praia do Estoril onde convivem pacificamente mundos diferentes (?) como o dos turistas e das famílias em harmonia com a rapaziada que vem dos bairros periféricos mergulhar ao paredão, seja na cidade de Lisboa e nos transportes públicos em que um homem de meia-idade, de fato e gravata como eu, é tolerado sem problemas de maior – ando à vontade pela cidade e já por mais que uma vez jovens corteses me ofereceram lugar sentado nos transportes públicos, sem que na realidade eu precise. Depois há os "afro-descendentes" com quem me cruzo amiúde, seja o empregado da pastelaria com um sorriso benevolente, seja a graciosa mãe com dois filhos pequenos no banco da frente do comboio que partilhamos, ou o padre em Cascais que celebra a missa de domingo. Contrariamente ao discurso fracturante e de ódio que os extremos nos querem impingir, prevalece em mim a sensação de que somos uma nação integradora e tolerante, na qual os meus filhos têm espaço para crescer com valores hoje minoritários – que são os da minha casa. Mas essa é outra conversa, uma outra luta que dificilmente pode ser travada na arena política, porque é eminentemente cultural. A prosperidade de Portugal depende de problemas graves e complexos por resolver, mas definitivamente não são as guerras que André Ventura e Joacine Katar Moreira nos querem impingir. Mero entretenimento ou sarna para se coçarem.



6 comentários

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De jonhy a 02.11.2019 às 23:05


Uma acusa sempre que pode ( e sem gaguejar ) os portugueses de serem racistas e fascistas. O outro defende um maior rigor na criminalização dos bandidos, penas mais severas e melhor fiscalização dos rendimentos mínimos que todos sabemos serem abusados à exaustão pelos ciganos. Qual destes é um perigo para a paz social e um fator de guerra ? sejamos sérios…..
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De Anónimo a 03.11.2019 às 15:28

"Quem com ferros fere, com ferros morre".

Daniel de Oliveira nunca trabalhou na vida, foi sempre um ajuntador de letras de loas marxistas num país pró -esquerdista herdado de mal acabado 25 de Novembro de 75.

Como muito outros herdou da literária PIDE os escritos do tipo STASSI que os caviares bebem gulosos de prazer rosa.

Que venha uma inculta com séculos de atraso de civilização europeia, culpa nossa, tem dado muito gozo assistir ao bate-boca.



A.Vieira
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De Anónimo a 04.11.2019 às 16:55

Entretanto aconteceu o inevitável. No estrangeiro acham que em Portugal somos uns racistas malcriados.

Nas TVs as notícias com imagens de deputada Livre são considerados uma video-montagem, de muito mau gosto.

Explicar não vai ser fácil.
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De Anónimo a 08.11.2019 às 17:00

Eu até gosto da Senhora, mas enervo-me muito e fico aflita quando não lhe sai a palavra . É uma aflição e procuro não a escutar. Sou franca...
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De Maneldasempadas a 08.11.2019 às 19:30

será isto montagem ?
https://www.youtube.com/watch?v=pXugQ9qEfko (https://www.youtube.com/watch?v=pXugQ9qEfko)
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De Anónimo a 13.11.2019 às 18:49


Hoje vi um anúncio ao Vasenol. Diz que bem à pele. O anúncio era com a barriga de uma grávida, branquinha como o leite. Deviam ter aproveitado a excelente pele da Jaquina.
ao

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