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Samuel Paty

por Jose Miguel Roque Martins, em 20.10.20

samuel paty.png

 

Na passada sexta feira, Samuel Paty, foi cruelmente assinado e decapitado, em França. Mais uma vitima do islamismo brutal e da incapacidade das democracias liberais em lidarem com quem faz tabua rasa dos seus princípios básicos.

A solução deste tipo de problemas, a coabitação no Ocidente, com minorias culturalmente opostas, não é fácil nem óbvia. O principio da igualdade não deve ser ferido. Mas não se pode tratar de forma diferente o que é igual nem de forma igual o que é diferente. Se não houver capacidade para o assumir, de forma justa mas firme, a frustração das populações, encarregar-se-ão de encontrar uma solução violenta e desproporcionada.

Em Portugal, felizmente de uma forma muito menos grave, é o que acontece com a etnia Cigana. Que já é a grande bandeira do Chega. 

Certo é que não se pode continuar a assobiar para o lado, a fingir que não se passa nada.

 



31 comentários

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De balio a 20.10.2020 às 10:20


A etnia cigana é "culturalmente oposta"?
Eu acho que é certamente culturalmente diferente. Oposta não é. Os ciganos vivem por aí e não se opõem, em geral, aos não-ciganos.
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De Anónimo a 20.10.2020 às 14:15

De facto, não se opõem. Mas também não se integram nos mesmos valores, hábitos, tradições e cultura dos não-ciganos nem têm a pretensão de vir a adoptá-los. Mas há um paradoxo: por um lado queremos e devemos respeitar a sua Cultura, o que pressupõe mantê-la viva ; mas, por outro, queremos trazê-los e aproximá-los da "nossa", levando-os a aceitar e a assumir o nosso modo de vida. Parece-me que estamos a tentar fazer a quadratura do círculo, porque desse modo, a etnia cigana vai esbatendo a sua identidade e acabará por fazer desaparecer a sua Cultura ao assimilar e adoptar uma outra, o que já está a acontecer com uma parte da geração mais nova que rejeita a sua ancestral cultura.
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De balio a 20.10.2020 às 15:33


não se integram nos mesmos valores, hábitos, tradições e cultura dos não-ciganos


Todas as pessoas têm valores, hábitos, tradições e cultura mais ou menos diferentes. E têm direito de os ter.
Eu quando vivi nos EUA sempre considerei alguns aspetos da cultura desse país horrorosos. E não me integrei nesses aspetos. Noutros (poucos), integrei. E daí? Nos EUA há milhões de pessoas que têm e mantêm variados traços culturais.
Os ciganos e os muçulmanos têm o direito de ter e manter traços culturais distintos e de não se integrar totalmente nos traços culturais dos outros.
O que não quer dizer que sejam "opostos" aos outros.
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De lucklucky a 20.10.2020 às 16:31


"E têm direito de os ter."


Eu não sou socialista mas os socialistas obrigam-me a sê-lo.

Porque é que me obrigam a integrar no Socialismo?
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De Anónimo a 20.10.2020 às 17:40

Pensei que, no meu comentário, tinha ficado claro que defendo que deixem as pessoas de etnia cigana em paz e sossego com as suas tradições, (a que têm direito, pois é o seu património cultural) sob pena de estas desaparecerem. Julgo que se subentende que, se se insistir na integração dessas comunidades, por decreto e não por moto próprio, ou seja, por sua iniciativa e vontade própria, corremos o risco de contribuir para a extinção de uma Cultura (onde se incluem, evidentemente, valores próprios, tradições e costumes, que não necessariamente os mesmos das sociedades onde vivem). A aculturação sendo um fenómeno das sociedades actuais, multiculturais, é contudo difícil, neste caso, porque há uma grande resistência na aceitação de uma matriz cultural diferente da sua e como forma de a protegerem, auto-excluem-se, num espaço muito próprio não contaminado de auto-preservação e defesa ( e não de oposição)
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De Anónimo a 20.10.2020 às 10:47

cuidado com a pretalhada que queria indeoendência e África para os africanos, como se os africanos fossem todos pretos
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De Jose Miguel Roque Martins a 20.10.2020 às 10:55

Os beneficios sociais que todos os Portugueses, têm um pressuposto: são protecções para aqueles que tentam participar positivamente na sociedade mas que não o consegue. Não aceitar as regras mas colher os seus benefícios é um exercício de oposição. 
Não a etnia cigana, mas os Ciganos tradicionais, no exercício da sua cultura, a que têm direito, não fazem qualquer esforço para integrar e contribuir para a sociedade em que estão inseridos. Será que se justifica que tenham o mesmo tratamento? 
Não estão sozinhos, já que há muitos outros portugueses que também não fazem tensão de constituir para a sociedade em Geral. Estando também incluídos nesta critica aos que são diferentes mas são tratados de igual forma. 
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De balio a 20.10.2020 às 14:40

Os ciganos tradicionais contribuem para a sociedade. São geralmente comerciantes em feiras. Trata-se de uma contribuição útil.
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De Jose Miguel Roque Martins a 20.10.2020 às 15:28

caro Balio 
obviamente a comparação entre terrorismo islâmico e ciganos portugueses é fraca, como referi. 
Aceito o seu ponto. Mas de forma geral, em media, existe a consciência de que os Ciganos tradicionais ao assumir a sua cultura não se integram na nossa. Mas não deixam de aproveitar todos os subsídios que existem. 
Se é assunto que penso ser vital, tal como o que acontece com o islamismo em frança? seguramente que não. Mas é um problema assumido por muitos e não deixa de ser verdade que uma minoria extrai benefícios sem cumprir os fundamentos levaram a que fosse concedidos. 
A tradição de ignorar as realidades não é positiva. E no caso dos ciganos, quando aproveitada como causa fragrante, como o chega faz, pode levar a violência e a criar um problema realmente serio onde ele não existe nem tinha que existir. 
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De balio a 20.10.2020 às 15:44


Não se integrar na cultura dominante e ser subsídio-dependente são coisas diferentes. Não devem ser misturadas.
Há montes de portugueses que se aproveitam de subsídios e vivem à custa deles. Alguns desses portugueses são ciganos, outros são muçulmanos, mas a maioria dos subsídio-dependentes não são nem uma coisa nem a outra.
Não se deve confundir o hábito de alguns, eventualmente muitos, ciganos de viverem à custa de subsídios, com a manutenção que essas pessoas fazem dos seus hábitos culturais.
Viver à custa de subsídios não é um hábito cultural cigano. É uma prática de muitos portugueses.
Pouco a pouco, infelizmente mais lentamente do que gostaríamos, alguns ciganos estão a começar a aperceber-se de que a sua forma de vida tradicional, de comércio itinerante, já não dá para ganhar a vida adequadamente sem ter que recorrer a subsídios, e estão a tentar estudar para aceder a outras profissões. Tal como os ciganos de outros países (Roménia, etc) já há muito começaram a fazer.
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De Jose Miguel Roque Martins a 20.10.2020 às 16:02

Concordo completamente que não estamos a falar apenas de ciganos tradicionais. Alias já o tinha dito. Mas numa sociedade não pode ser permitido que alguns sejam subsidio hábeis e os outros tenham que trabalhar. Este é o ponto. Não podemos ter dois pesos e duas medidas. Quer sejam ciganos tradicionais ou outros pilantras militantes. Os ciganos estão mais em evidencia apenas porque são facilmente identificados. 
Em frança o problema é muito  mais agudo e complexo . Mas em Portugal , se não houver justiça, teremos problemas. 
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De Marta a 20.10.2020 às 12:16

Não sei se serão realidades muito comparáveis... 


Pelo que li, os ciganos terão chegado a Portugal há cerca de 500 anos e foram sempre um grupo que foi posto e se pôs "à margem". Podem não aceitar o pacote social geral, mas não tentam impor o seu modo de vida, nem esse modo de vida resulta de um projecto político. Sendo muitíssimo cínica, não os vejo a manipular todos os mecanismos de Direito Internacional e Direitos Humanos para nos obrigar a ir viver para o acampamento. Sim, há problemas de escolarização, criminalidade etc.. mas já há muito trabalho feito com as comunidades ciganas. Tenho muito medo que a instrumentalização do Chega mande abaixo muito desse trabalho. 


A situação em França é uma bomba-relógio há décadas. Há guetos, no go zones, aqueles "bairros" e problemas de integração clássicos, se lhe quisermos pôr esse rótulo, mas vai muito para além disso.


A maioria dos muçulmanos é pacífica, quer é resolver a vida. O problema é a minoria muito radical que não é, os imãs fanáticos que ninguém percebe como vieram cá parar, o abuso do direito ao reagrupamento familiar, os falsos menores não acompanhados, o aproveitamento oportunista da crise dos migrantes e dos refugiados, as ONG e associações com propósitos muito duvidosos, como o CCIF e a BarakaCity. Há uma estrutura bem organizada e, sobretudo, bem financiada. 


Temos ainda os idiotas de serviço do France Insoumise, os ecololos dos Verdes e os racialistas do PIR (a Danielle Obono é uma JKM em esteróides) que batem palminhas a tudo o que cheira a anti-ocidente e gritam islamofobia sempre que se faz uma críttica, chamam-lhes aqui gauche collabo. E já há alguns deputados, deputados municipais, vereadores muçulmanos assim a puxar para o conservador (tb os há moderados e republicanos). Diria que o Macron está, há já muito tempo, perfeitamente consciente do problema e da sua dimensão. E que não dá para continuar com discursos bonitos de apelo aos valores republicanos. Agora, é ver se tem apoio para começar a resolver o problema. 


Eu confesso que não estou preparada para deixar de andar de saia curta e de cabeça descoberta e, muito menos, para abandonar o vinho.   
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De Anónimo a 20.10.2020 às 12:47

Subscrevo o seu comentário. 
Só não estou tão certa (e gostaria de estar) sobre esse pacifismo da maioria muçulmana, porque, na verdade, colocam-se um pouco à margem, nunca os vi tomarem uma posição de condenação clara e firme contra os atentados perpetrados pelos tais radicalizados. Deviam fazê-lo de forma ostensiva e inequívoca e não com a frouxidão que às vezes demonstram.
Mas estes atentados acontecem, porque até certo ponto têm uma certa aquiescência de alguma "intelectualidade" francesa que procura compreender as motivações dos crimes, acabando por justificá-los
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De Marta a 21.10.2020 às 16:41


Talvez "indiferente" seja uma palavra mais acertada que pacífica para descrever a maioria dos emigrantes. Estão na deles, querem pagar as contas, alguns dos mais velhos não falam bem francês, etc...



Bem, o atentado de sexta foi condenado de forma muito assertiva pelo presidente do Conselho para o Culto Muçulmano e pelos Imãs de várias mesquitas (Bordeaux e Drancy, pelo menos, mas houve mais). Talvez as declarações não tenham sido muito difundidas.
E há um grupo bem vocal dos chamados "ex-muçulmanos" - mais ex-muçulmanas, se calhar - que é feroz na denúncia do chamado Islão Politico, que consideram (e bem, a meu ver) totalmente incompatível com os valores da República. A mais aguerrida será a Zineb El-Rhazoui, mas há outras. Nem de propósito, foram capa do FIgaro Magazine da semana passada. Por último há o printemps républicain, um projecto que parece interessante, mas não tem a expressão que seria desejável. 
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De balio a 20.10.2020 às 14:45


não estou preparada para deixar de andar de saia curta e de cabeça descoberta e, muito menos, para abandonar o vinho


Creio que, mesmo em França, nenhum muçulmano procura impedir uma pessoa que não seja da etnia deles de usar saia curta ou beber vinho.


Eles só fazem isso para pessoas que, por serem de origem étnica muçulmana, eles acham que não têm o direito de abandonar essas práticas.
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De lucklucky a 20.10.2020 às 16:35


"Eles só fazem isso para pessoas que, por serem de origem étnica muçulmana, eles acham que não têm o direito de abandonar essas práticas."



Para começar mente.


Depois "origem étnica muçulmana"    Quê !?
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De Marta a 20.10.2020 às 17:21

Há formas subtis de imposição destes valores, o senhor que fundou a BarakCity orgulha-se de não cumprimentar mulheres com um aperto de mão, por exemplo. 
Outra é a forma super ostensiva como olham para mulheres de saias curtas/calções, especialmente no Verão (e garanto que isto incomoda e não é pouco). Também já ouvi rumores de grupos de pais que fazem pressão sobre as escolas para as professoras deixarem de usar saia, etc, etc. 
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De EMS a 20.10.2020 às 19:06


"Outra é a forma super ostensiva como olham para mulheres de saias curtas/calções, especialmente no Verão (e garanto que isto incomoda e não é pouco)."

E os ocidentais não fazem isso?

O lucky vai ser o próximo colunista das Capazes.
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De balio a 21.10.2020 às 10:11


o senhor que fundou a BarakCity orgulha-se de não cumprimentar mulheres com um aperto de mão


Ninguém é obrigado a cumprimentar mulheres, nem homens, da forma que o outro deseja ou espera ser cumprimentado. Por exemplo, cá em Portugal há o hábito de cumprimentar mulheres dando-lhes beijos na cara. É um hábito que eu considero foleiro e detesto. Tenho o direito, penso eu, de rejeitar e não praticar esse hábito cultural.


a forma super ostensiva como olham para mulheres de saias curtas/calções


Eu também olho, não por ser muçulmano, mas porque acho atraentes as mulheres. Está bem que procuro não ser ostensivo. Mas as mulheres sabem, de qualquer forma, que estão a ser olhadas por montes de homens. Aliás, algumas vestem-se dessa forma - até no inverno - precisamente por gostarem que os homens olhem para elas (de forma não ostensiva).


pais que fazem pressão sobre as escolas para as professoras deixarem de usar saia


Ainda há pouco ouvi falar de pais, numa escola em França, que fazem pressão para que um professor tatuado não dê aulas. Também em França, há montes de gente que faz pressão para que professoras muçulmanas não apareçam de véu nas aulas. Há muita gente, não somente muçulmana, que faz pressão para que os professores não se vistam ou arranjem de certas formas.
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De balio a 20.10.2020 às 14:50


A maioria dos muçulmanos é pacífica, quer é resolver a vida.


Pois. Aqui em Portugal isso pode observar-se bem. Há uma data de muçulmanos a viver em Portugal (muitos deles são portugueses), e não causam problemas, que eu saiba, nenhuns.
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De lucklucky a 20.10.2020 às 17:05


"Eu confesso que não estou preparada para deixar de andar de saia curta e de cabeça descoberta e, muito menos, para abandonar o vinho." 



Bom texto no geral especialmente a destrinça dos ciganos que não nos querem impor a vida deles em contraste com uma ideologia/religião totalitária como o Islão.
A questão é simplesmente uma a prazo alguém terá de mudar. E para um dos lados mudar o outro terá de tornar muito caro a não mudança. O Islão faz isso, degola. mata, assassina. Quais os custos para o Islão pelo comportamento?
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De balio a 21.10.2020 às 12:02


uma ideologia/religião totalitária como o Islão


Todas as religiões abraâmicas têm pulsões totalitárias. O judaismo e o cristianismo não são menos totalitários do que o Islão. Quando muito, escondem-no.


Mas estas coisas acontecem sobretudo em França. Deve haver qualquer coisa no ar de França que faz com que lá aconteçam coisas que não ocorrem noutros países. Por exemplo, aqui em Portugal, eu vejo com alguma frequência mulheres todas cobertas de véu islâmico em despreocupada conversa com outras mulheres que trajam de forma "normal", e com homens. Eu próprio já conversei com uma mulher toda coberta com véu integral (só lhe via os olhos), a qual me falava com um ar muito alegre e com grande à-vontade. Claramente, essas mulheres não têm uma visão totalitária do Islão, não procuram propriamente impôr o seu modo de ser e de trajar aos outros.


Cá em Portugal não se passa, que eu saiba, nada dessas merdas que se passam em França. Deve ser, como eu digo, alguma coisa malsã que há nos ares da França.
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De Anónimo a 20.10.2020 às 12:20

Eu já não dou para esse peditório! Tenho memória, a etnia cigana (e as outras) começou por ser uma das bandeiras do BE, isso sim.  Tudo começou aí, com os seus "observatórios" e os "sos racismo" divisionistas da sociedade.  O que aconteceu depois foi uma consequência, surgiu como uma   r e a c ç ã o  e  não  uma  "bandeira". Também não me revejo nesses epítetos insultuosos de colonialistas, esclavagistas, xenófobos, racistas...em que a esquerda radical e tresloucada nos pretende transformar. Não lembra a ninguém! 

Note bem que toda essa novilíngua, esse discurso novo, nunca antes ouvido, só foi trazido    r e c e n t e m e n t e   para o nosso quotidiano  e _ nota importante! _ em simultâneo com a geringonça.  Não é uma coincidência estas "novidades" ou estas "recém-descobertas" sobre nós, terem surgido quando o A.Costa nos "trouxe" e escancarou as portas a esses radicais e às suas "agendas" desvairadas? 




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De JPT a 20.10.2020 às 12:43

Degolar um ser humano é uma monstruosidade indefensável, mas (sim "mas") este é um assunto complexo. Passa por aí a ideia, contrária à ética, à moral e à lei, que a liberdade de expressão é ilimitada. Não é, e não pode ser, sob pena da desagregação da civilização (que partilha o étimo com civilidade - sendo que "to be civil" em inglês, quer dizer ser educado, ter consideração pelos outros). Em sociedades que, por imperativo demográfico e económico, são e serão cada vez mais multiculturais (por muito que isso custe a alguns), isso implica um módico de respeito pelas várias culturas que a integram. Ora, a cultura ocidental perdeu a religiosidade. A religião não é algo de essencial para a vida da esmagadora maioria e já ninguém se excita com querelas cristãs. Mais: um segmento relevante da sociedade até faz gala na irreligiosidade e no ateísmo (a única fé que se vê defender com entusiasmo). Seria fonte de maior controvérsia ver o nosso presidente rezar na via pública, do que é vê-lo ser vacinado seminu. Mas outras culturas ainda têm a mesma paixão pela religião que a nossa tinha há não muito tempo (as "Guerras Cristeras" e a Guerra Civil Espanhola ainda não foram há cem anos). Há duas opções, a este respeito: o "vive e deixa viver" que é marca das sociedades anglo-saxónicas, e que garantiu décadas de convivência civilizada com as várias minorias que desde os anos 50 migraram para o Reino Unido e a sua integração progressiva nos valores locais (apesar de, também por lá, nos últimos anos, os extremistas islâmicos fazerem o seu caminho de violência); e a imposição agressiva do valor da laicidade (um eufemismo para anti-religiosidade), que é marca dos franceses. Ora, se eu condeno as aulas de "cidadania" em Portugal - como sendo um mecanismo impositivo da agenda do "bom pensamento", tal como o "Estado" a entende, à maneira francesa - como posso concordar que um professor, precisamente nessas aulas, e invocando a "liberdade de expressão" se sinta à vontade para ofender as convicções religiosas de vários dos seus alunos, apresentando imagens (aliás, disponíveis na internet, onde quer quiser pode vê-las) que sabe serem chocantes para os seus alunos (ou para humilhá-los, convidando-os a sair da sala se não as quiserem ver). Não estou aqui a desculpar ou a fazer a apologia do crime horrendo de que foi vítima, mas não gostava que ele fosse professor da minha filha (e, não, não sou muçulmano, sou um cristão que adora a Vida de Brian e aprecia a Última Tentação de Cristo). Mas, se não era Charlie, ainda menos sou Paty, pois não chega horrorizar-me com um crime para me identificar com a vítima.
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De balio a 20.10.2020 às 14:48

Muito bem. Concordo. Sou a favor da liberdade de expressão, mas acho que se deve ter o bom senso de não andar a ofender os outros.
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De lucklucky a 20.10.2020 às 16:47


O que escreveu "nem sequer é errado".



O esforço patético para a quadratura do circulo. Veja como se pega qual naufrago ao facto de ser um professor para poder arranjar um argumento para criticar. E se não fosse um professor?  Sim na prática você apoia o assassino.


Pois beneficia quem for o mais intolerante e extremista.



Mas eu sei bem que já não teria tanta tolerância com a intolerância  se fosse um tipo "branco" ofendido pelos assassinos muçulmanos e aí já não seria por uma imagem ofensiva seria por sangue. De Bataclan, Nice etc.


Há alguma Rua Pym Fortyin em Portugal?   há uma Yasser Arafat.


Se um muçulmano queimar a bandeira portuguesa, ou americana ou outra?

Quem é que tem direito para si a se sentir ofendido?
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De JPT a 20.10.2020 às 18:48

É inútil debater com quem assume que, quem não está consigo está contra si, e, como método, atribui posições ao seu interlocutor que sabe perfeitamente que ele não tem. Sem prejuízo, esclareço que não partilho a ideia de que o Islão é, por natureza pior que as outras religiões, nem a de que estamos numa luta existencial contra os muçulmanos em geral, ou, sequer, contra terroristas islâmicos - que não são nem piores nem melhores do que os vários terroristas (ideologicamente motivados ou niilistas) que as sociedades democráticas tiveram que enfrentar. Mais, acho essa noção disparatada, racista e altamente contraproducente no combate contra a "esquerda das causas" (genuína ou oportunista), que, essa sim, me custas dinheiro enquanto critica e põe em causa o meu modo de vida.
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De JPT a 21.10.2020 às 10:56

Faça o sacrifício de ler uma Maria João Marques que escreve hoje no Público, e verá exactamente o que eu quero dizer: você, para esta seita, que nos extorque o dinheiro com que nos pretende "converter", é exactamente igual ao checheno que degolou o professor: "os agitadores contra a aulas de cidadania"; a "direita do regresso ao passado" - atesta a "necessidade de [aulas de cidadania] para contrariar propensões intolerantes". A coisa regozija-se porque já "foram presos vários dos que incendiaram a Internet contra o professor que tinha ousado mostrar caricaturas do profeta" e frisa: "o caminho é por aqui" - pela sua opinião, mesmo que agressivamente ofensiva ser "liberdade de expressão", e para o opinião dos outros, mesmo que expressa com civilidade (como no caso do abaixo assinado contra a obrigatoriedade das aulas de cidadania) ser "ódio" (e ser criminalizada).
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De Anónimo a 20.10.2020 às 13:59

Segundo consta, os Russos têm uma fórmula tolerante , compassiva e "abrangente" para tratar destas minudências.
Gente que "passou por ali" garante, com voz pouco ou nada segura, que a coisa resulta.
E dizem mais : que ainda são ecos da máxima do grande Humanista georgiano, cujo nome me escapa,  " onde não há pessoas não há problemas".
Um pormenor : o assassino era checheno...


JSP
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De Robinson Kanes a 20.10.2020 às 14:05

Continuar o politicamente/mediaticamente correcto só está a exacerbar o problema... 
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De Anónimo a 20.10.2020 às 18:21

Ao desaparecer a religiosidade, o sentido do  divino, num mundo ateísta, os conceito de sacrilégio e blasfémia deixam de fazer sentido no mundo ocidental. A partir daí  todas as crenças, religiões e Deus podem ser ultrajados, pois desapareceu a reverência pelo sagrado. A coberto da liberdade de expressão, deixaram de existir os "espaços" outrora considerados sagrados e por isso invioláveis. É uma linha muito ténue e perigosa entre essa liberdade e a possibilidade de ferir, desrespeitando o(s) outro(s), ainda que involuntariamente, como creio que aconteceu em França.

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