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"Saíram da pobreza através do Estado"

por henrique pereira dos santos, em 15.06.21

O título desta crónica é uma citação de Pacheco Pereira, retirada de um artigo no Público de 12 de Junho e sobre o qual escrevi noutro contexto em que achei que não tinha espaço para dar a atenção devida a esta frase.

Se a frase tivesse a mínima base real, a Coreia do Norte seria um país sem pobres e os Estados Unidos seriam um país de miseráveis.

Acontece que no primeiro país se patrulham as fronteiras para impedir que as pessoas de lá saiam, no segundo as fronteiras se patrulham para controlar a imensa massa dos que para lá querem ir.

Exageros meus, os países escandinavos, e a generalidade da Europa estão cheios de demonstrações de que Pacheco Pereira tem razão quando diz que é o Estado que tira as pessoas da pobreza.

Sucede que os países escandinavos são dos países economicamente mais liberais do mundo e não parece haver relação directa sólida entre a dimensão do Estado na economia e os índices de pobreza dos países (para os pobres portugueses seria óptimo que essa relação fosse linear).

Pacheco Pereira, um situacionista militante especializado na retórica inversa, engana-se redondamente na frase que dá título a esta crónica: é a economia, não o Estado, que liberta as pessoas da pobreza.

Com certeza o Estado pode ter um papel de substituição da economia nessa libertação da pobreza, em especial nas franjas da sociedade que acabam por ficar à margem do processo económico, mas só o consegue fazer quando as finanças públicas assentam em economias saudáveis e eficientes.



16 comentários

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De Anónimo a 15.06.2021 às 10:00

desde h´25 anos 'atrás' não há criação de riqueza.
'o capitalismo é a exploração do homem pela fome ....'
nos socialismos os funcionários públicos criam riqueza
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De Anónimo a 15.06.2021 às 16:47

Só se em votos! Aí está certo/a, criam    i m e e e n s a  riqueza.
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De Anónimo a 15.06.2021 às 11:20

Li-o no Observador e dou-lhe inteira razão. De uma pessoa informada como o Pacheco Pereira esperava-se, no mínimo, alguma honestidade.
Mas o PP desde há uns tempos que ensandeceu. Tresleu se calhar. Radicalizou-se. Repare que está sempre agastado com a vida, nunca ri, não tem qualquer sentido de humor. Deve ser uma pessoa pouco feliz!
Costumo lê-lo, ouvi-lo na Circulatura e parece-me sempre pouco sereno  e pouco isento nas suas análises. 
E como o apreciava antigamente... 
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De Anónimo a 15.06.2021 às 12:29

A Ana Catarina Mendes ouve-o embevecida. Nem esconde a satisfação. 
Isto diz tudo, não diz?
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De The Mole a 15.06.2021 às 12:47


"Repare que está sempre agastado com a vida, nunca ri, não tem qualquer sentido de humor. Deve ser uma pessoa pouco feliz!" e "...sempre pouco sereno  e pouco isento nas suas análises."
Conhece alguém com mentalidade comunista que não seja assim?
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De The Mole a 15.06.2021 às 12:49

"Saíram da pobreza através do estado": NÃO: "Saíram da pobreza APESAR do estado"... estaria mais correcto.
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De Anónimo a 15.06.2021 às 12:53

..."é a economia, não o Estado, que liberta as pessoas da pobreza."



Caro Henrique Pereira dos Santos
A sua afirmação , em cima, que tomei a liberdade de transcrever, é inteiramente verdadeira, e subscrevo-a por inteiro.
No entanto, a prosperidade económica permite que o estado ,aparentemente, o assuma,  o que para quem  tem um raciocínio enviezado pelos seus  interesses à época , como é o caso do antigo Maoísta P Pereira, não consegue descortinar esse papel instrumental do estado, e não causal, dizia que o estado então aparenta tirar as pessoas da pobreza.
It's , always, the economy, stupid!


Melhores cumprimentos


Vasco Silveira
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De Anónimo a 15.06.2021 às 13:08

Pacheco Pereira, defensor do regime e do seu status quo, é um
"símbolo de como as elites instaladas podem ir longe na manipulação da informação para manter intocada visão hegemónica da sociedade que lhes garante a sua posição dominante".

Não consigo deixar de fazer um paralelismo: é um digno descendente de Diogo Lopes Pacheco, que também conseguiu sobreviver habilmente garantir e manter a sua influência na corte. 
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De jo a 15.06.2021 às 13:35

"é a economia, não o Estado, que liberta as pessoas da pobreza."


Se o Estado participa na economia então, ao retirar as pessoas da pobreza, a economia está a fazer esse trabalho. Estado e economia não são mutuamente incompatíveis.
Ainda recentemente o sistema bancário português deu um exemplo de como os agentes económicos não regulados e entregues a si próprios podem destruir tanta riqueza que têm de ser o Estado a acudir-lhes.
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De Paulo a 16.06.2021 às 08:53

É na regulação que o estado é necessário é onde mais falha, é que permite que sejam os habilidosa prosperar, em detrimento daqueles que simplesmente querem trabalhar.
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De Antonio Maria Lamas a 15.06.2021 às 14:44

Está à vista de todos que o senhor não está bem.
Não paga a pena perder muito latim com um assunto que só justifica uma nota de rodapé numa qualquer TV que esteja a transmitir a bola.
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De pitosga a 18.06.2021 às 12:10

Será que Vexa é da família de Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas?
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De Anónimo a 15.06.2021 às 21:00

Pacheco Pereira tornou-se ( deliberadamente?...) desonesto e , sim , situacionista, um "aparatchik"   e um cúmplice (idiota útil ) deste regime desastroso.


JSP
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De Anónimo a 15.06.2021 às 23:52

"intelectualmente desonesto".
Mea culpa.


JSP
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De Anónimo a 16.06.2021 às 10:20




Pacheco Pereira é uma daquelas personalidades da nossa praça que, sobretudo desde o cavaquismo, aparece sempre. Haja o que houver, esteja quem estiver no poder, Pacheco Pereira é uma personalidade incontornável e das mais duradouras da nossa praça. Exalando  uns fuminhos senatoriais, PP disponibilizou-se como "a" figura estável e transversal do regime, "especializada" em estar contra e em fazer contraditórios. É, portanto, uma espécie de árbitro, adquirido pelo regime, e ao qual PP outorga credibilidade, assumidamente, deste modo transigindo com a nossa mui peculiar democracia que, curiosamente, PP não estuda "aprofundadamente". Assim PP se estabilizou como mais um apparatchik e um influenciador nos bastidores duns medíocres que ele vai amparando. Ele sabe isso. 
Mas não se trata de calculismo no sentido pejorativo do termo. PP tem genuíno desprezo por coisas grosseiras e mesquinhas como remunerações, rendas e prebendas. Não tem gosto pela ostentação e julgo que, em certo sentido, é uma pessoa sóbria. 
Move-se por outro género de ostentação, o gosto pelo poder com outro tipo de galões, pois a sua ambição é de outro jaez: gosta de pairar, de aparecer, ser indispensável, de estar num  patamar acima, a exercer «pro bono» alguns cargos e funções que lhe dão notoriedade porque têm o dom de lhe manter o status, estar longamente em destaque e em posições de relevo, dispensando remunerações, como ele faz gosto de sublinhar. Subentende-se que está unicamente pelo seu inegável mérito. E com aquela aura de desprendimento e desdém pelo vil metal, faz aumentar a sua autoridade, a sua superioridade moral, com um estatuto de ser de excepção, fora de comum para os parâmetros nacionais. 
No fundo, um espartano muito, muito vaidoso que sabe como manter o seu poder.


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