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O inimputável a quem os gregos confiaram a governação e que declarou que um referendo na Grécia equivalia à saída da Grécia do Euro convocou um referendo para pôr em sentido todas as negociações e conversas. (Agora dizem-lhe muito justamente que outras conversas e negociações só são possíveis após o referendo que decidiu.)
O inimputável que dizia ser impensável um terceiro programa de resgate negociado com a troika acaba de propor um terceiro programa de resgate a negociar com a troika, a que ele chama «instituições». (As «instituições» respondem que sim, com certeza, a Grécia pertence à UE e vamos lá conversar, se é conversar que quer o inimputável.)
O inimputável que considerava um ultraje, uma chantagem, uma vergonha as propostas europeias da semana passada diz agora que quer aceitar as propostas europeias da semana passada com umas correcçõezitas de somenos. (Recordam-lhe que as propostas caducaram no prazo que o inimputável bem conhece e por vontade do inimputável.)
O inimputável vai à televisão e, depois de proclamar que aceita as propostas caducadas e pede um terceiro resgate, diz ao povo que o escolheu para governar que vote «não», contra as propostas e o resgate. E acrescenta que a Europa -- um conjunto de chantagistas, segundo ele, -- chantageia agora o povo grego em vez de o governo. (O ministro alemão das finanças comenta, com inultrapassável cortesia e cristalino bom senso, que o inimputável diga afinal o que pretende.)
A espécie de jornalistas e comentadores que adoptou nos media a grosseria, a alarvidade e a má fé próprias dos tempos políticos de Sócrates, e que do alto do seu cinismo entenderam que Maria Luís Albuquerque «ajoelhara» perante Schauble quando a ministra foi elogiada pelo alemão, escolha agora os adjectivos para classificar as contradições de Tsipras e as desgraças a que se sujeita, a si e à Grécia.
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