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Saco azul, Ana Sá Lopes?

por henrique pereira dos santos, em 08.02.19

"O facto dos enfermeiros estarem a ser pagos por um crowdfuding secreto, uma espécie de saco azul com contribuições sabe-se lá de quem - e quem sabe se dos grupos de medicina privada, que são quem está a lucrar efectivamente com esta greve - é um fenómeno novo que mancha o exercício do direito à greve.

Infelizmente, por muitas razões que tenham - e têm - os enfermeiros em greve estão a sujeitar-se à pior das suspeitas, a de que poderão estar a servir interesses concorrenciais com o Serviço Nacional de Saúde. Em nome da transparência, o mínimo era divulgar a lista de doadores."

Ana Sá Lopes, que é jornalista, resolveu suspeitar que a greve dos enfermeiros é financiada pelos grupos privados de saúde com o objectivo de destruir o Serviço Nacional de Saúde.

Pessoalmente acho uma suspeito profundamente estúpida (a suspeita, não Ana Sá Lopes, evidentemente) porque não vejo como esta greve destrua o Serviço Nacional de Saúde, não consigo perceber como os enfermeiros se poriam de acordo em destruir os seus postos de trabalho para beneficiar os accionistas privados dos grupos de saúde e não vejo a lógica empresarial de financiar o aumento dos custos do trabalho dos meus concorrentes que, por arrastamento, vai implicar o aumento dos meus custos de trabalho.

Mas saltemos por cima da minha opinião sobre a suspeita, admitamos que seria uma suspeita razoável, e discutamos o que seria normal um jornalista fazer quando tem essa suspeita, partindo do que diz Ana Sá Lopes no editorial do Público de hoje.

Diz Ana Sá Lopes que a greve é financiada por um crowdfunding secreto, demonstrando desconhecer por completo o que é um crowdfunding (é o problema de ter jornalistas com a cabeça no século XIX a escrever sobre o século XXI).

Como se pode ver aqui, o crowdfunding é tudo menos secreto, qualquer pessoa, incluindo Ana Sá Lopes, pode ir à página da campanha. E aqui tem a segunda campanha.

Se Ana Sá Lopes fizesse o seu trabalho de jornalista, em vez de se sujeitar à pior das suspeitas que pode pairar sobre um jornalista, a de que, consciente ou inconscientemente, está simplesmente ao serviço de interesses políticos que pretendem manipular os seus leitores, em vez de estar ao serviço dos leitores, abriria as páginas on line das campanhas num separador que diz "comunidade".

Aí poderia ver que houve 14 415 doações a financiar 360 297 euros, o que dá uma média de 25 euros por doação, das quais apenas 178 doações foram superiores a 100 euros (para a segunda campanha, os números são os seguintes 10 842 apoiantes, a financiar 423 945 euros, o que dá uma média de 40 euros por doação, das quais só 636 foram superiores a 100 euros).

Mais relevante para discutir a suspeita levantada por Ana Sá Lopes (muito bem acompanhada por muita gente com medo dos movimentos orgânicos da sociedade que fogem ao controlo do Estado ou das instituições que rodam à sua volta, como os mais que opacos sindicatos cuja representatividade é activamente escondida com o argumento da confidencialidade necessária à manutenção da liberdade sindical e à protecção dos trabalhadores) é verificar que o tal crowdfunding secreto, com doações sabe-se lá de quem, só tem 2 983 doadores anónimos (na segunda campanha, 2 318) podendo facilmente Ana Sá Lopes, se quiser fazer o seu trabalho de jornalista, e se tem estas dúvidas excruciantes, pegar nos outros milhares de doadores não anónimos e verificar, por amostragem, se correspondem ou não a pessoas concretas (diz-me quem fez isso que não encontrou ninguém que não fosse quem dizia ser, como aliás é normal nas campanhas de crowdfunding, seria completamente estúpido montar uma campanha de crowdfunding, que obriga ao registo de todos os participantes, incluindo o registo de todas as transferências de dinheiro, quer na plataforma, quer no sistema financeiro, para financiar secretamente o que quer que seja).

Se Ana Sá Lopes se quiser informar sobre a novidade da criação de fundos de greve, pode começar por ler um post de Raquel Varela sobre o assunto, onde facilmente descobrirá que o financiamento de greves pela comunidade tem alguns cem anos, pelo menos.

E se está mesmo preocupada com a saúde do Serviço Nacional de Saúde, o melhor mesmo é ir falar com os verdadeiros responsáveis pela sua degradação real: António Costa, que é o primeiro ministro responsável pelo subfinanciamento do sistema, em especial no que diz respeito ao investimento, Mário Centeno, que é responsável por executar uma política enganosa de inscrição de verbas no Orçamento de Estado e posterior cativação com escasso escrutínio público (incluindo de jornalistas fortemente empenhados em escrutinar o que por natureza é transparente), Marta Temido, que resolve reduzir a qualidade do serviço e aumentar o custo, como no caso do hospital de Braga sem que Ana Sá Lopes lhe pergunte insistentemente pelos estudos que justificam a decisão, os responsáveis pela ADSE que alimentam a quimera de que o Estado está a financiar os privados através da ADSE, quando o dinheiro da ADSE não é do Estado, é um fundo integralmente pago voluntariamente pelos trabalhadores do Estado que aceitam descontar 3,5% do seu ordenado para não estar estritamente dependentes de um Serviço Nacional de Saúde que pagam através dos seus impostos, mas que nem sempre corresponde às suas necessidades (o que significa que no dia em que a ADSE deixar de entendida como uma vantagem, por ser apenas usada para financiar o SNS, a ADSE deixa de ter dinheiro porque os seus utentes a abandonam), etc..

Saco azul, Ana Sá Lopes?

Saco azul foi que o Belmiro de Azevedo instituiu para financiar o Público, isso sim, é um saco azul que, por respeito pela grandeza de Belmiro de Azevedo nesse gesto, lhe competiria a si homenagear fazendo o seu trabalho de jornalista com o mínimo dos mínimos de profissionalismo e dignidade, em vez de escrever o que escreveu neste editorial.

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25 comentários

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De Anónimo a 08.02.2019 às 11:55

Excelente texto.


A.Vieira
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De Ricardo Miguel Sebastião a 08.02.2019 às 12:03

Brilhante post como sempre caro Henrique!

Realmente grupos empresariais a promoverem o aumento dos encargos com a sua força de trabalho não lembraria ao diabo!!!!
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De Anónimo a 08.02.2019 às 20:56

Tem dado com reivindicas,greves,grandoladas por lá ?
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De Anónimo a 08.02.2019 às 12:29

Não me interessam "médias". Quem dá o quê? Está na página? Não consegui encontrar, mas pode ter sido falta minha. Onde está?
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De Marta a 08.02.2019 às 15:23

Aqui: https://ppl.pt/prj/greve-cirurgica#community
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De Luís Lavoura a 08.02.2019 às 15:52

não vejo a lógica empresarial de financiar o aumento dos custos do trabalho dos meus concorrentes que, por arrastamento, vai implicar o aumento dos meus custos de trabalho

Não há necessariamente arrastamento.

Não sei como é a situação na enfermagem mas sei, de fonte bem segura, que no setor das educadoras de infância uma educadora no setor privado ganha cerca de 2/3 de uma educadora no setor público. O salário é muito inferior no setor privado.
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De Anónimo a 08.02.2019 às 18:00

E é verdade a estranheza de muita gente que questiona o facto de milhares de enfermeiros do sector privado não alinharem com os do sector público? Haverá vários sindicatos da profissão? Uns pertencem à UGT e outros à CGTP? E a tabela remuneratória de uns não é superior à dos outros? E não será que haja a intenção de fazer abanar a "geringonça" mais do que prejudicar o SNS? E que querem dizer as fotos da bastonária com o seu chefe de partido? Haverá coincidência de intenções? E os doentes podem ir dar uma volta ao bilhar grande enquanto se entregam recibos no tribunal e notas de roda pé aos jornais e tevês para cumprirem a missão de que são incumbidos pelas 30 moedas do costume? E para terminar, gabo-lhes a paciência que tiveram nos anos de 2013, 2014, 2015 e  2016, para finalmente "explodirem" nas suas reivindicações. À gente da minha terra conforme canta o arpéu!
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De João Távora a 08.02.2019 às 19:24

Curioso como subitamente as greves têm motivações políticas. ;-)
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De AP a 09.02.2019 às 01:55

Então e em 2013 o então candidato à CML, costa foi o primeiro a "inovar" em Portugal com a primeira campanha de crowdfunding. Já se esqueceu, coitado. Se é que ainda não foi apagado do site: https://ppl.pt/prj/juntosfazemoslisboa/buzz (https://ppl.pt/prj/juntosfazemoslisboa/buzz?fbclid=IwAR2O0Fy1L0XwCSKxrm6XnjQIDEBB-Wi1exAddj7ZKrdrv_tmD99sht7pFHo)
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De Terry Malloy a 09.02.2019 às 11:12

Curioso como, de repente, não só as greves têm motivações políticas, como o "exercício do direito à greve" de funcionários públicos é...um instrumento dos privados neo-liberais para destruir o SNS...


O mundo de pernas para o ar.


Este artigo de HPS "tem de" ser publicado em algum "mainstream media". Divulgado.
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De António a 09.02.2019 às 14:11

Não percebo a utilidade de divulgar nomes neste caso. Já participei em operações de crowdfunding e o processo não podia ser mais transparente. É preciso dar o nome, o email, e o IBAN (até para o caso de haver uma devolução, o que sucedeu num caso).
O nome pode permanecer anónimo para o público em geral, mas fica registado. O email não é publicado por motivos óbvios, tal como nos blogues. Se a ASAE quiser inspeccionar tem os dados todos.
A publicação dos nomes é uma manobra intimidatória. Provavelmente ilegal à luz das leis de protecção de dados. E para encontrar um padrão - se o houver - tem que se vasculhar a vida privada de milhares de cidadãos à procura de moradas, profissões, rendimentos, filiações partidárias. Para chegar aos motivos das doações vai-se lá com o quê, tortura?
E no entanto, quer o governo quer o PR parecem inclinados a avançar. Estranho país este que promove Web Summits com centenas de milhões e ataca a Uber e o crowdfunding. Para mais, os donativos para vítimas de incêndios, o Banco Alimentar, a Liga Portuguesa Contra o Cancro, e muitos outros peditórios, são uma forma de crowdfunding. A conclusão é que o crowdfunding só é mau quando o governo não aprecia.
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De Luís Lavoura a 10.02.2019 às 11:40

Não se tem que dar também o NIF?
Julgo que em tudo que envolva dinheiro se tem que dar o NIF.
Além disso, um nome não identifica uma pessoa. Há mais do que uma pessoa com um mesmo nome.
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De Anónimo a 10.02.2019 às 12:02

Sim, tem que se dar o NIF e todas as transações financeiras ficam registadas, é por isso que é completamente ridículo dizer que isto é secreto.
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De António a 10.02.2019 às 13:28

Tem que dar o NIF. E recebe um recibo. Pode deduzir no IRS.
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De Luís Lavoura a 09.02.2019 às 15:54

Bem, já fico a saber, nunca mais darei um tostão que seja para uma campanha do PPL.
Não aceito que uma plataforma de crowdfunding desvirtue a sua missão de ser e, em vez de apoiar causas benévolas, se ponha ao serviço de causas destrutivas e agressivas.
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De Anónimo a 09.02.2019 às 18:02

Luís, o comentário é absurdo.
Uma plataforma é uma plataforma, é usada para as causas que cada um quiser, a plataforma não tem qualquer responsabilidade nos conteúdos da campanha (nem poderia ter).
Isso seria como dizer que nunca mais usaria um Uber porque alguém foi assaltar um banco de Uber.
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De Luís Lavoura a 10.02.2019 às 11:25

Isso não é verdade. É claro que a plataforma tem responsabilidade (inclusivé legal, creio) pelos conteúdos que divulga. Os proprietários da plataforma têm o direito e a possibilidade de (des)aprovarem as campanhas que nela estão instaladas e de as (des)ativar.
Neste caso, optaram por aprovar a campanha. Eu então opto por nuca mais dar dinheiro para a empresa deles.
Ser empresário não é somente ganhar dinheiro; é também cumprir com nosmas éticas.
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De Anónimo a 10.02.2019 às 12:01

Claro que tens a liberdade de nunca mais usar a plataforma, mas que acho estranho ver um liberal a entender que o dono da plataforma deve censurar as causas que se podem apresentar ao público, isso acho.
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De Luís Lavoura a 11.02.2019 às 09:28

Um liberal é a favor da não existência de ordens superiores. Não impede que, numa transação entre particulares, uma das partes se recuse a fazer aquilo que a outra quer dela. Não faltava mais nada!
Muitos liberais, aliás, defendem precisamente o oposto: que qualquer das partes numa transação se pode sempre recusar a levá-la a cabo. Por exemplo, entro num restaurante e o dono tem o direito de me dizer, "não o quero aqui, recuso-me a servir-lhe uma refeição".
A plataforma informática é propriedade de quem a criou e essa pessoa (ou pessoas) tem o direito de interditar a sua utilização para algumas campanhas. Tal como eu tenho o direito de impedir a outrém a entrada na minha casa.
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De Anónimo a 11.02.2019 às 11:49

Claro que a plataforma tem essa liberdade, o que acho estranho é um liberal dizer que a plataforma deve usar essa liberdade para definir o que é ou não aceitável que os utilizadores fazem, em vez de aceitar que é ao público que compete fazer essa avaliação, financiando ou não os projectos apresentados.
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De Luís Lavoura a 11.02.2019 às 12:03

a plataforma deve definir o que é ou não aceitável que os utilizadores fazem

Eu vejo a coisa de outra forma. A plataforma está a colaborar numa atividade anti-ética, aliás, em duas: (1) a extorsão de dinheiro aos contribuintes, (2) a tomada como reféns de cidadãos doentes, isto é, em situação de carência.

É um pouco como um muçulmano que recusa, ou aceita, vender bebidas alcoólicas na sua loja. O muçulmano que aceita diz, é lá com os clientes decidirem se querem ou não pecar. O muçulmano que recusa diz, eu não vou ser cúmplice de uma pessoa que quer pecar.
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De António a 10.02.2019 às 13:54

Ó Lavoura, não há pachorra. É claro que uma plataforma de crowdfunding não pode servir de veículo para uma recolha de fundos para comprar bombas e matar o Presidente, mas o direito à greve é um direito constitucional. Nem cabe ao governo - logo este! - decidir sobre o que é ético, muito menos à plataforma. A greve pode ser polémica mas é legal.
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De Luís Lavoura a 11.02.2019 às 09:31

É claro que a greve dos enfermeiros é legal, ninguém disse que não o seja.
Mas é uma greve inética. Isso digo-o eu (não é o governo que o diz, sou eu que o digo). Você pode concordar ou discordar, mas é a minha posição. E eu guio-me de acordo com ela. Para mim, a PPL colaborou conscientemente (aliás por duas vezes - uma vez todos caem, à segunda só cai quem quer) numa atividade imoral de extorsão aos contibuintes, tomando como reféns uma data de cidadãos, geralmente porbes, que não têm outra hipótese. A PPL colaborou nisso, portanto nunca mais receberá de mim um tostão.
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De Anónimo a 11.02.2019 às 23:19

Extorsão aos contribuintes é com o estado. O crowdfunding é voluntário. Parece que foi o próprio Costa a inaugurar a PPL, veja só.
Cada um terá a sua noção de ética. Não discuto. Só faço notar que esta não é a primeira greve dos enfermeiros, é apenas a primeira vez que o PS a acha ilegítima.
A questão é que não há dinheiro para tudo o que o PS prometeu, mas prometeu. Está à vista o resultado.
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De Anónimo a 10.02.2019 às 11:21

Há dois pontos que urge esclarecer.
- O governo está interessado em que a greve continue, pode assacar as culpas a uma hipotética “direita” e não está a gastar em salários e cirurgias. Não negoceia.
- O direito à greve é universal ou há excepções? Na Constituição diz que é universal.
Se definirem excepções, onde páram? Uma greve de 3 meses na recolha do lixo ou no fornecimento de água são permitidas? Bombeiros? Farmácias? Se estivadores e juizes e polícias e Autoeuropa podem fazer greve, porque não enfermeiros?

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