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Regicídio

por João Távora, em 01.02.26

Regicidio-Post_ (2).jpg

“O significado da opção entre a monarquia e a república em 1910? Não era a opção entre monarquia e democracia. Nem a monarquia constitucional nem a república contaram com uma massa de cidadãos independentes, capazes de serem o árbitro da luta pelo poder. A diferença estava em que, na monarquia, havia um instrumento, que era o rei, para operar a alternância pacífica no governo entre os partidos, e que na república deixou de haver esse instrumento. Por isso, a Primeira República portuguesa, depois de 1910, foi um regime dominado por um partido – o Partido Democrático — que nunca saiu pacificamente do poder. Em 1913, aliás, para melhor controlar as eleições, o Partido Democrático restringiu o direito de voto da população, fazendo a percentagem de cidadãos com direito de voto descer de 75% para 30%. Em Portugal, o fim da monarquia constitucional representou assim, no princípio do século XX, um enorme recuo da democracia, não só no que diz ao número de eleitores, mas na possibilidade de alternância de partidos no governo por meios pacíficos. Pode-se dizer que a morte de D. Carlos abriu o caminho para o autoritarismo em Portugal.”

Rui Ramos, Observador (01/02/2018)


18 comentários

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De Anónimo a 01.02.2026 às 12:52

A Morte de D. Carlos, sim.


Mas também a incrível anarquia e desvario da altura (com a preciosa ajuda da Imprensa da época) e sobretudo o analfabetismo, iliteracia e indiferença das populações.


Tudo aos molhos e num curtíssimo período temporal, resultou na tumultuosa caldeirada que permitiu a António Oliveira Salazar surgir como o Homem Providencial e ao Salazarismo como o oásis no meio das trevas.


Podem as Esquerdas não gostar vomitar até, mas o Povo farto de regabofe e anarquia, apoiou entusiástica e convictamente o novo Regime, o Estado Novo que trazia Paz, Trabalho e Ordem.


E as Esquerdas desapareceram da paisagem por meio século 


Meio Século que o País aproveitou para recuperar e colocar-se no essencial, ao nível da Europa 
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De Silva a 01.02.2026 às 19:28

Em História estuda-se causas remotas e causas recentes.


Entre 1910 e 1926, os políticos simplesmente não conseguiam governar o país sem querer gastar mais do que recebiam.
Em 1926, os militares ocuparam o espaço vazio e tomaram conta do país.
Salazar não era o Homem Providencial, simplesmente percebia que o Estado não poderia gastar mais do que recebia e implementou isso, primeiro como Ministro das Finanças e depois como Presidente do Conselho.
De notar que neste período, não havia possibilidade de financiamento externo, simplesmente ninguém era maluco ao ponto de emprestar dinheiro ao país.


A esquerda não desapareceu, apenas mergulhou na clandestinidade e felizmente muitos estiveram no seu devido lugar que era nas prisões, mas depois os fdp infiltraram-se nas Forças Armadas e fizeram o 25/4 que não passou duma tentativa de implementar o regime comunista em Portugal.
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De João-Afonso Machado a 01.02.2026 às 13:51

Bravo, caro João!
Só perdemos. Perdemos para uma minoria que queria mandar, deter o poder.
O Rei só queria o melhor para Portugal.
E nessa contraposição perdeu a vida, assassinado, e Portugal ganhou o absoluto dernorteio em que vive hoje ainda.
Monarquia sempre!!! Nos boletins de voto de dia 8 também.
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De Partebilhas a 01.02.2026 às 15:12

Sou monárquico não por ter pretensões a “sangue azul” ou descendente de famílias brasonadas.
Sou monárquico por exclusão de partes.
Quando alguém se candidata a Chefe de Estado na República e atinge o lugar com apoios corporativos, apoios comerciais, apoios dos grandes construtores, apoios de sociedades secretas, apoios partidários, etc., terá de retribuir esses “favores” durante o seu mandato e os apoiantes é disso que esperam.
Não parece bem, mas é assim.
Quando a Chefia do Estado é representada por um rei – numa Monarquia Constitucional – que foi preparado para o cargo desde criança e não vota nem é votado, o seu cargo está acima de interesses partidários, corporativos, comerciais, etc.
Na Monarquia Constitucional a democracia está assegurada e o rei é a sua garantia e não dependendo de partidos políticos.
A liberdade política é baseada no respeito pela opinião das minorias e como na República todas as funções são electivas, o Chefe do Estado aparece como vencedor e inimigo dessas minorias. Na Monarquia Constitucional tal não acontece porque o rei não tem partido.
Manuel Peralta Godinho e Cunha
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De R.Raposo a 01.02.2026 às 21:50

Existem dois 5 de Outubro na nossa história, o de 1143 e o 1910. Apenas "comemoramos" o de 1910. O outro, o de 1143, é ignorado. Isto diz muito, da lusa ignorância. 
Comemoramos uma data que nos trouxe 16 anos do mais retrógrado extremismo jacobino; a participação, perfeitamente escusada, diga-se, na I Guerra (em três frentes, na Flandres, no Sul de Angola e no Norte de Moçambique. Com derrotas humilhantes face aos alemães em cada uma das frentes), uma Guerra Civil larvar que só acabou com o pronunciamento de 28 Maio de 1926 que abriu a porta a 48 anos de Estado Novo e 50 de Novo Estado; afundado na estagnação e compadrio eticamente republicano.
Mas, lamentavelmente, uma vez interrompida a Monarquia (que na sua fase final já poucos monárquicos tinha dispostos a defendê-la) penso que não há volta a dar. Os portugueses não estão para aí virados ... Esta República burlesca parece servir-lhes. 
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De Francisco Almeida a 02.02.2026 às 20:32

Para a monarquia, parecem de facto não estar virados. Mas para um império, ao estilo do romano-germânico mas sem nada de sacro, já não digo nada, tantos que reverenciam a imperatriz Ursula e o seu mestre de cerimónias António..
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De lucklucky a 02.02.2026 às 22:20

"a participação, perfeitamente escusada, diga-se, na I Guerra (em três frentes, na Flandres, no Sul de Angola e no Norte de Moçambique."


Isto não é correcto, os Italianos quiseram as colónias Portuguesas no pós guerra especialmente Moçambique. Mas Portugal tinha cadeira de participante na vitória e não conseguiram. Notar ainda que a guerra no Norte de Moçambique contra os Alemães não foi uma escolha nossa.
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De R.Raposo a 03.02.2026 às 19:37

No norte de Moçambique foi escolha nossa sim. Não esquecer que a fronteira com a Tanzânia, então colónia alemã, não estava no rio Rovuma, mas sim um bom bocado mais a  sul. Portugal queria a região e viu uma oportunidade de "quick win", como se diz hoje, pois as forças alemãs na Tanzânia eram poucas e estavam pressionadas ao norte pelos britânicos a partir do Quénia. A República não olhou a despesas e armou um corpo expedicionário considerável para enfrentar os alemães no Rovuma. E sofreu uma derrota estrondosa e humilhante. Com os alemães a descerem até Tete e à Beira. No fim, face à derrota alemã, a fronteira norte de Moçambique lá ficou no Rovuma. No sul de Angola foi outra desgraça.
Tivesse D.Carlos vivido, como brilhante diplomata que era, de certeza que Portugal não teria entrado na guerra ...
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De balio a 02.02.2026 às 09:44


Nem a monarquia constitucional nem a república contaram com uma massa de cidadãos independentes, capazes de serem o árbitro da luta pelo poder.



Pois. Mas agora já contamos com essa "massa", por isso não precisamos de rei para nada.
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De Anónimo a 02.02.2026 às 18:56

Do Futuro só Deus sabe
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De Anónimo a 02.02.2026 às 19:26

Olhe que isso de saber se "não precisamos de Rei para nada" só se tirava a limpo com um Referendo.


Enquanto não houver se quisermos ser rigorosos, teremos de dizer; presumimos que não precisamos, etc..
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De cela.e.sela a 02.02.2026 às 10:58

as revoluções nada resolvem.
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De lucklucky a 02.02.2026 às 22:22

Algumas resolvem outras não, a maioria das que resolvem é para pior...
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De jo a 02.02.2026 às 13:07

D. Carlos e o filho foram assassinados durante um governo de ditadura imposto pelo rei. Como garante da alternância democrática não está mal.
Se o rei não dependesse de ninguém não tinha sido deposto. Um dos problemas de D. Manuel II foi que já não havia apoiantes do rei que o queisessem defender, daí a monarquia ter caído tão facilmente.
E onde arranjava hoje esse rei que não depende de ninguém?
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De R.Raposo a 03.02.2026 às 19:46

Errado! Na época, dizia-se governar em ditadura quando o parlamento estava dissolvido e o governo era de iniciativa real - na altura do Regicídio era João Franco o Pesidente do Conselho (de ministros) - até à realização de eleições. Ou seja, governa-se por decreto. Na nossa democracia quantas vezes isso aconteceu?
O significado das expressões vai mudando com o tempo. É o que dá olhar para o passado com os óculos ideológicos de hoje ou, pior que isso, "saber história de ouvido", como deve ser o seu caso.
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De Francisco Almeida a 02.02.2026 às 14:48

O Regicídio foi das maiores tragédias de Portugal. De piores consequências, só me ocorre Alcácer-Quibir e a política inglesa (incluindo a independência do Brasil e a imposição de D. Pedro como rei).
Sem comparação com a história de Inglaterra, o assassínio de chefes de Estado, também tem seu lugar na de Portugal, desde logo com os envenenamentos de D. João II e D. João VI. Mas dois chefes de Estado assassinados no séc. XX é um feito apenas igualado pelos EUA com McKinley e Kennedy.
É curioso é que os mesmos que assassinaram D. Carlos e Sidónio Pais, apoiam hoje activamente Seguro. Se houvesse algum risco de André Ventura ganhar as eleições, não sei mesmo...
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De Anónimo a 02.02.2026 às 19:17

A propósito do regicídio, quem foi  afinal o responsável ??


Não pelo disparo, isso sabe-se, mas pela ordem de execução ??


Houve Sangue Azul na tramóia ??
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De R.Raposo a 03.02.2026 às 19:49

Azul não sei, mas verde e vermelho sim, e até sangue (futuro) Nobel ...

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