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Regicídio 110 anos

por João Távora, em 28.01.18

RAL_Regicidio_2018.png

Junte-se à Família Real Portuguesa no próximo dia 1 de Fevereiro
na Igreja de São Vicente de Fora às 19,00hs para uma homenagem
ao Rei Dom Carlos e ao Príncipe Dom Luiz Filipe
que há 110 anos tombaram tragicamente pela pátria.

 

O acto fundador da República consistiu em dois crimes de sangue impunemente perpetrados contra as pessoas dos mais altos representantes do Estado português.

Muito antes do fatal desenlace que mergulharia Portugal no caos, numa escusada série de violências, abusos e na total e reconhecida inépcia no exercício do governo deste país, os republicanos souberam aproveitar o regime de liberdades públicas existentes na nossa terra, liberdades essas garantidas pela Carta Constitucional e pela instituição que  superiormente representava o Estado: a Coroa

Se numa fase inicial desta República brutalmente implantada, os seus responsáveis prodigamente se vangloriaram do Regicídio, inadvertidamente também deram a conhecer ao mundo quem afinal eram os novos senhores do poder em Portugal. Os desastres que os acontecimentos de 1908 e 1910 despoletaram na nossa sociedade, foram por si suficientes para uma decidida e bastante oficial política de forçado esquecimento do acto primordial da fundação do regime de 5 de Outubro de 1910. O Regicídio foi deliberadamente apagado da memória, o seu Processo Legal escandalosamente desapareceu, mercê da intervenção dos detentores do poder ilegitimamente tomado pela força dos tiros da artilharia, assassinatos indiscriminados, repressão sindical e da imprensa. Durante quatro gerações, os donos das três Repúblicas ingloriamente tentaram apontar outros responsáveis por um acto do qual eles e apenas eles foram os beneficiários morais e materiais.

Com o assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe, os republicanos  desferiram o penúltimo golpe que despojaria Portugal da sua normal evolução para uma sociedade ainda mais livre e progressiva. Apesar dos rotineiros contratempos políticos propiciados por um regime fortemente parlamentar já bem enraizado, o nosso país beneficiou de décadas de progresso material e intelectual. Durante a Monarquia Constitucional, Portugal integrou-se plenamente naquilo a que à época era a Europa do liberalismo oitocentista. Os avanços materiais foram evidentes e sem paralelo na nossa história, o país modernizou as suas infraestruturas e integrou-se no comércio  mundial.  O período monárquico constitucional foi um alfobre de grandes nomes da nossa cultura e também garantiu a nossa futura presença em todo o mundo, participando Portugal na delimitação de esferas de influência que muitas décadas mais tarde dariam origem à Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

O Rei D. Carlos foi um dos maiores entre os grandes da nossa História. Culto e aberto àquilo que a seu tempo eram as novidades da ciência e das artes, mereceu o respeito politico e pessoal dos seus contemporâneos estrangeiros, enquanto em Portugal enfrentava só e indefeso, as contingências impostas pelo próprio regime de liberdades que não o soube proteger de afrontas, esmagadoras calúnias  e na fase final do seu reinado, da conspiração subversiva que não apenas fez ilegalmente tombar o trono, como também irremediavelmente ditaria o catastrófico século XX que o povo português  resignadamente sofreu.

Quiseram os assassinos abater o monarca que por sinal, era um homem bom e generoso. Procurando eliminar toda a Família Real, julgavam poder obliterar oito séculos de uma história ininterrupta. Não o conseguiram e cento e cinco anos decorridos após o crime que de forma indelével enodoa o regime a que ainda hoje todos nos submetemos,  já se adivinha o total alijar da canga imposta pelo silêncio que viu na ignorância das gentes, a suprema garantia de um poder prepotente e sem peias.

O ajuste de contas chegará, já não existe qualquer dúvida. Não virá de um outro acto violento que imponha a vontade de uma minoria, pois esse acerto de contas com a História já começou. D. Carlos e os seus encontram-se hoje perfeitamente reabilitados. O estudo que propicia o conhecimento da verdade já não conhece obstáculos e são precisamente os mais jovens quem decidida e porfiadamente tem quebrado as grilhetas do preconceito, da mentira e da despudorada prepotência que tem humilhado e menorizado Portugal.

Uma vez mais, o Regicídio não foi esquecido. Jamais o será.

 

Nuno Castelo Branco

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3 comentários

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De Anónimo a 28.01.2018 às 23:31

"o catastrófico século XX que o povo português  resignadamente sofreu."

Sr. Nuno Castelo Branco
Embora  concorde com a maior parte do seu texto, acho que é um grande desconchavo a afirmação que acima destaco.
No seu "catastrófico século XX", devia ter feito uma destrinça capital:
Os Primeiros 28 + os Últimos 26 anos do século XX, sim verdadeiramente catastróficos a todos os níveis.
Mas dos anos que medeiam entre 1928 e 1974, fará o favor de reconsiderar porque foram anos de grande crescimento, valorização de todos os meios disponíveis e engrandecendo material, moral e cultural do Povo português.
Se pretender que detalhe o que afirmo, apenas preciso do espaço correspondente a  aproximadamente 10 folhas de tamanho A4.
Meus cumprimentos
Manuel A.
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De O SÁTIRO a 29.01.2018 às 01:32

O Partido Republicano tinha total liberdade na Monarquia Constitucional á data de 05/10/1910.
concorria a eleições, tinha os seus órgão de propaganda, liberdade total
inclusive, tinha ganho as eleições para a Câmara de Lisboa.
a implantação da república foi um ato criminoso, inconstitucional, que depois, sim, retirou direitos legais a muitos portugueses
isto, sem falar nas perseguições selvagens aos católicos ( veja se o caso dos 3 pastorinhos presos e ameaçados e sabe se lá k mais  em ourém....), nos confiscos de propriedades da igreja, na miséria, fome que espalhou, na maior taxa de emigração da história de Portugal ( para o brasil, sobretudo)
data bem criminosa da História
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 29.01.2018 às 17:37

 

"O Rei D. Carlos foi um dos maiores entre os grandes da nossa História."

 

A sério? Mas o que é que o homem fez? A simpatia pessoal que outros lhe devotavam agora é critério de grandeza? Que eu saiba, digno desse titulo são reis como Dom Diniz ou o D. João II, ou outros. Eu acho que não há nada na vida do Dom Carlos que mereça grande relevo na história de Portugal, quanto mais da Europa.  

Já agora, no fim da monarquia eramos a nação mais atrasada da Europa, uma miséria imensa. A monarquia caiu perante a indiferença quase geral do povo, tal era a devoção ;) … Já agora, passamos grande parte do século XIX com guerrilhas e crimes políticos, nas cidades e nos campos, que fazem a 1ª República parecer um paraíso de tranquilidade.

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