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Recordar D. Duarte Nuno de Bragança

por Daniel Santos Sousa, em 24.09.23

Duarte,_Duque_de_Braganza_1907-1976 (1).jpg

D. Duarte Nuno de Bragança nasceu a 23 de Setembro de 1907. De pretendente da linha miguelista, a esperança da restauração monárquica, sofreu a sina dos príncipes nascidos no exílio. Cresceu longe da pátria, essa que conhecia apenas na longitude das memórias alheias. Como acontece nos dramas que envolvem as dinastias, não estava destinado a assumir a pesada herança de um trono deposto. As circunstâncias assim o determinaram.

Viveu sempre na expectativa do sonho. Para os legitimistas era a revanche de D. Miguel, quando a dinastia constitucional se eclipsava com a morte sem herdeiros de D. Manuel II, deixando apenas o tronco proscrito que do nome herdara a maldição da derrota de 1834; para os constitucionais um último fôlego para vingar a derrocada de 1910; certamente para ambos uma tentativa de reconciliação.

Não terá sido unânime e sempre o pesado fardo da divergência dinástica assombrou a possibilidade restauracionista. Mas não apenas. As divergência de doutrinas, as visões antagónicas de grupos, tudo dificultava o projecto de devolver a coroa à pátria. Terá sido enganado, traído, iludido com promessas, uma personagem shakespeariana, contudo sem o feitio de guerreiro e sem a força do carisma. Poderia ter sido rei e evitado o descalabro de um século XX tenebroso, ou possibilitado a transição para um regime representativo e constitucional (nunca o saberemos).

Salazar manteve a distância. Se tivera boas relações com o exilado D. Manuel II e com a Rainha Dona Amélia, não terá ficado particularmente impressionado com D. Duarte (com o qual nunca se encontrou). Com o tempo, qualquer possibilidade de devolver o trono foi-se desvanecendo. Morreu quase esquecido, ainda que sempre amado por quantos que aguardavam ver devolvido o regime histórico e natural. Oito séculos pesavam na consciência colectiva dos portugueses, para quem a anomalia republicana parecia ser um castigo contrariando o desígnio histórico. D. Duarte Nuno, duque de Bragança, foi prisioneio de uma redoma da qual nunca se libertou. E como poderia ter sido a solução coerente a uma transição pacífica. No final, foi a tragédia de um princípe que jamais recuperou o trono dos seus antepassados. 


3 comentários

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De urinator a 24.09.2023 às 15:32

no pouco que sobrou do Arquivo Salazar de 1945 do ANTT, há referência à sua chegada e à do Duque de Barcelona
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De jo a 25.09.2023 às 16:14

O homem ideal para representar Portugal.
Alguém que não nasceu cá, nunca cá viveu e descendia de um rei proscrito.
Ainda tentou que um ditador lhe desse o trono, mas quando isso falhou, desistiu.
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De Anónimo a 25.09.2023 às 19:10

"As divergência de doutrinas, as visões antagónicas de grupos, tudo dificultava o projecto de devolver a coroa à pátria."

De a "devolver" ou de a não perder, à Coroa e à Pátria. Tudo começou a dificultar-se entre 1807-1820.

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