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Realidades paralelas

por Jose Miguel Roque Martins, em 11.04.21

Opiniões , estratégias, objectivos e interpretações, são natural e saudavelmente diferentes , idealmente gerando debate e correcções de perspectivas individuais.

Realidade e factos deviam ser partilhados por todos. Não é o que acontece.

Quando se olham para as estatísticas, em proporção dos habitantes, Portugal, os EUA, ou o Reino Unido, entre outros, apresentam piores resultados do que o Brasil. Apesar de disporem de um nível de riqueza francamente superior ao do Pais irmão, o que lhes permite ter mais meios para o combate á pandemia . Quem vê os telejornais, será difícil de não ficar com a impressão que o Brasil enfrenta a mais terrível crise de Covid do Planeta. O que fica? Os factos ou as impressões?

Os problemas do Brasil, por mais dolorosos que sejam, são nos mais distantes do que os nossos, servindo para ilustrar que se criam facilmente fábulas que, repetidas 1000 vezes, passam a verdades. Mesmo quando existe informação numérica e exacta que contraria frontalmente a tese. É oficial : as convicções sobrepõe-se mesmo à realidade.Deixamos de viver no mundo real e entramos na fantasia. 

Quando um regime, como os antigos estados comunistas, construíam muros para impedir os seus cidadãos de fugir, não deixaram de continuar a existir pessoas, ainda hoje, que continuam a achar serem esses regimes ideais.

Quando nos EUA,  construir muros para impedir a avalanche de pessoas que nele querem viver, passou a ser motivo de propaganda política para os residentes, nem assim o holocausto capitalista deixou de ser o pior dos mundos para muitos.

Cada vez mais, cada um de nós,  pertence a um grupo que tem uma visão completamente diferente da realidade dos outros. Tão distante, que vivemos, de facto,  em realidades paralelas. Na melhor das hipóteses partilhando algumas verdades com outros grupos.  Estes grupos não param de se multiplicar, com mais novas causas e credos. Enquanto assim for, o radicalismo veio para crescer.

E o difícil é  garantir que a nossa realidade é a certa.



6 comentários

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De Anónimo a 12.04.2021 às 00:30

A propósito: o que há para comemorar no 25 de Abril?  Os escombros da democracia?!
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De SAP2ii a 12.04.2021 às 10:27

1. Essa discrepância sempre foi assim. Porque está inscrita na própria constituição fisiológica do ser-humano. O ser-humano (e todos os seres ditos “vivos”) acedem ao Real através de uma Representação.

2. Apenas não haveria discrepância se a Representação (aquilo que é representado, o nome, o número, o signo, o ícone, o índice, o símbolo, a imaginação, a hipótese, a indução, a dedução, etc.) coincidisse com o Real (a coisa nomeada, a coisa representada, a realidade do mundo, aquilo que a natureza é, etc.).

3. Ora, se houvesse essa coincidência teríamos obtido a Teoria-do-Tudo, a Verdade Absoluta e Certeza Final. Até lá seremos confrontados com a ambiguidade, a plurissignificação, a ambivalência, a incerteza, a incoerência, a diferença, etc.

4. Essa discrepância --- no que se refere à sua história e aos diferentes métodos que a tentaram resolver --- é exactamente o conteúdo da Epistemologia e da Teoria do Conhecimento. (Pré-socráticos, Platão, Aristóteles, Arquimedes, Apollonius, Pappus, Nicoles de Cues, Descartes, Locke, Leibniz, Hume, Hegel, Kant, Stuart Mill, Frege, Bachelard, Schopenhauer, Círculo de Viena, Popper, Piaget, Ryle, Rorty, Fodor, Davidson, Rosenblatt, Dennett, Edelman, Duproux, Mehler, Dawkins, etc...).

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De SAP2ii a 12.04.2021 às 10:28

5. Provavelmente essa discrepância até poderá possuir um «valor adaptativo», em termos da diversidade de caminhos e alternativas que provoca.
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De Anónimo a 12.04.2021 às 11:32

Esqueceu-se de acrescentar, RM, que quem faz ressonância dessas realidades alternativas ou paralelas em modo de notícias sérias, são as mesmas "entidades" que, constantemente, nas suas rubricas, desmontam  fake news sem qualquer interesse, a das redes sociais. Das redes sociais?! Francamente. Considero um desperdício perder-se tempo, nesses programas, com assuntos sobre esse "mundo paralelo", que todos sabemos não ter qualquer credibilidade. Parece-me pouco sério, é dar palha aos burros, pois no fundo não passam de programas de entretenimento (para papalvos)  disfarçados de jornalismo honesto... em busca da verdade!.  Dar-se destaque ao diz-que-diz das redes sociais, sob anonimato, parece-me jornalismo pouco sério. 

E temos a certeza de que a "informação" actual não procura a verdade nem é isenta, quando vimos passarem ao lado, incólumes, as enormidades ditas pelas «nossas» estrelas em ascensão, branqueadoras de certos regimes e afins, denegrindo outros a preceito como manda a «doutrina».  
A reverência no trato destes finórios do regime não permite que se lhes façam perguntas incómodas, pois Suas Senhorias não podem ser maçadas ao serem confrontadas (eventualmente) com as suas próprias "fake news" de um calibre considerável! 


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De Anónimo a 12.04.2021 às 12:43

 "a "informação" actual não procura a verdade"...

A Verdade a que os cidadãos têm direito como se esperaria de um país verdadeiramente democrático.
A CS está de rastos, desacreditada.
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De Anónimo a 12.04.2021 às 11:44


" Estes grupos não param de se multiplicar, com mais novas causas e credos. Enquanto assim for, o radicalismo veio para crescer."





Houvesse, de facto, uma informação rigorosa e isenta e os figurões, que por aí se passeiam _ ampliando as suas causas e credos _ seriam escrutinados e nunca a sua astúcia seria poupada às perguntas simples, directas (embaraçosas algumas), e seriam desmascarados em nome da Verdade e do esclarecimento público. 
Houvesse uma imprensa mais zelosa da democracia e da transparência do que do radicalismo, e seríamos todos poupados às constantes investidas deste modismo do relativismo moral de visão amblíope. E com a vantagem de os mais incautos (ou ingénuos) ficarem a salvo desta manipulação das "duas versões" da mesma realidade que referiu no seu texto.
pf

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