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Lisboa: equívocos e rumos

por Jose Miguel Roque Martins, em 23.09.21

Captura de ecrã 2021-09-23, às 20.12.20.png

( diário de noticias) 

Os problemas habitacionais de Lisboa são o tópico principal na luta pela Câmara. O consenso geral é alargado, a “solução” fácil: subsídios ou casas com rendas condicionadas. Não vou voltar a falar do tremendo erro e injustiça que essas soluções, que me arrepiam, representam, mas são partilhadas por (quase) todos.

Neste grande grupo dominante, com excepção do Bloco, ao erro juntam a total ineficácia. A razão principal pela qual os preços das casas estão altos é porque não há casas suficientes.  Não são os cerca de 300 imóveis devolutos da CML que vão alterar a equação. Subsidiar uns, é apenas enviar outros para fora da cidade.

Só há duas formas de aumentar a habitação em Lisboa e fazer cair os preços: construir muitas novas habitações ou mudar o uso de muitos outros imóveis.

As regras urbanísticas actuais não permitem albergar muito mais gente em Lisboa. Se assim não fosse, o problema já estava resolvido pela “ganância” dos promotores imobiliários. Para construir, é necessário mudar a ideia de cidade, por exemplo, construir em altura (fora do centro histórico). Ser o Estado a construir, como propõe o Bloco,  para além de mais caro, não altera em nada a equação: algo terá que mudar para resolver o verdadeiro problema: escassez de casas. As restrições urbanísticas, estão para as cidades, como as restrições económicas estão para a economia: são elas que limitam tudo. Algumas cidades nos Estados Unidos, como São Francisco, ciosas da sua identidade cultural histórica, de luz franca para todos ( que lá estão), começam a não ter trabalhadores mais mal pagos. Como Lisboa.

Claro que se pode pensar em usos alternativos de espaços não habitacionais. Mas os resultados tenderão a ser perversos. Expulsar os estrangeiros, eliminar alojamentos locais, transformar escritórios e Hotéis em Habitações. Seguramente resolveríamos o problema de falta de habitação. O problema é que passaríamos a ter um enorme excesso habitacional, já que a cidade deixaria de ser atraente. Sem a oferta de empregos, comercio e cultura, Lisboa deixará de ter qualquer interesse. Obviamente ouvimos o argumento da moderação. Limitar de forma moderada outros usos. Mas com moderação, o problema persiste e a Cidade empobrece ( ou não enriquece) . É o caminho aparentemente preferido do  Sr. Medina.  Sem moderação, destrói-se a galinha dos ovos de ouro, que tantos atrai.

Decidir, obriga sempre a custos. No nosso caso, construir em altura, empobrecer a cidade ou exportar os mais pobres. Com a moderação socialista, faremos de conta que resolvemos a questão, para que nada mude. 

 

 

 

 

 

 



8 comentários

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De Anónimo a 23.09.2021 às 22:31

Penso que não há qualquer vantagem em ter os ministérios, os institutos públicos e as grandes empresas enfiadas no centro da cidade. Podiam muito bem estar na periferia, eventualmente em concelhos limítrofes, descongestionando o centro. Mas não, querem estar todos bem dentro da cidade e quanto mais perto de centro melhor, aparentemente dá mais 'cachet'
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De Anónimo a 24.09.2021 às 22:46

Se quer as grandes empresas fora de Lisboa, decerto não se importará de morar na periferia da cidade. Assunto resolvido.
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De balio a 24.09.2021 às 09:39


Fala em construir em altura, mas eu, tendo vivido no estrangeiro, parece-me que Lisboa tem prédios mais altos, em geral, do que é usual em cidades estrangeiras.
Olhando para Lisboa e arredores, o que eu constato é que há imensas casas onde raramente se vê luz, o que me sugere que o problema não é bem a falta de casas, mas sobretudo o facto de haver muitas casas desabitadas.
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De Anónimo a 24.09.2021 às 12:25

...mas com muita construção...haverá  um aumento apreciável de casas para...distribuir ...pelos amigos e respectiva "familia politica"
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De Anónimo a 24.09.2021 às 14:23

não, se for pela iniciativa privada. 
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De Anónimo a 24.09.2021 às 10:01

todos gostam de esfolar o contribuinte
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De Anónimo a 24.09.2021 às 12:17

Vá ao censos (até pode ser o anterior a este porque este ainda não mostra) e veja quantos edifícios devolutos existem em Lisboa. Terá uma surpresa. Isto se realmente acreditar que são 300...
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De lucklucky a 27.09.2021 às 19:39

Eu estou contra. Não deve existir mais habitação em Lisboa. Aliás seria bom que diminuisse.
É aliás necessário baixar a densidade populacional em várias zonas do país para não se perder tanto tempo, energia com transportes.

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